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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um ano depois

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Um ano depois a Geringonça continua a funcionar, melhor do que muitos de nós, eu em primeiro lugar, poderíamos imaginar.

 

Não fui uma defensora desta solução. A decisão de António Costa e do PS apanharam-me de surpresa e não me agradaram pois penso que a legitimidade política para ser Primeiro-ministro, depois da forma como, com o meu aplauso, ocupou o lugar de António José Seguro, não existia.

 

Mas a verdade é que a atitude inédita do PCP, em primeiro lugar, do BE e do próprio António Costa, abriram as portas a uma solução inédita na democracia portuguesa, logrando o alcance de uma maioria parlamentar de esquerda como sustento de um governo minoritário. E os resultados estão bem à vista.

 

Não estaremos financeiramente ou economicamente melhor, mas recuperámos a esperança. Há uma descompressão na sociedade portuguesa que é muito bem vinda após 4 anos de chumbo; o discurso optimista do governo e da maioria que o apoia é um bálsamo para as perspectivas de futuro, a postura digna e reivindicativa perante a Europa devolve um pouco de orgulho à comunidade.

 

Não estaremos melhor, mas seguramente não estamos pior. Foram devolvidos rendimentos e direitos a quem os perdeu e as contas do Estado não estão piores do que estavam durante os 4 anos da crise revanchista da direita. A crise continua, mas deslocou-se o ónus de quem a paga para outros sectores da população, mais privilegiados.

 

Fomos sabendo os problemas que estavam cobertos pelo pano da cumplicidade com Bruxelas, os problemas com a banca, as privatizações a todo o custo e ao desbarato. Alterou-se o foco da sociedade - das finanças para as pessoas. Descobrimos que havia e há sempre alternativas ao empobrecimento, ao aumento da desigualdade, à desprotecção dos cidadãos, à mediocridade e à tristeza.

 

Um ano depois a direita cria factos sobre factos para condiciona as pessoas, como o caso dos contratos de associação das escolas, como o problema da CGD que não sai das notícias.

 

Convém, no entanto, não concluir que está tudo bem e satisfeito, acreditando nas sondagens que, de forma crescente, vão mostrando o apoio popular a este governo. Cada vez mais desconfio destes estudos, pois parece que as pessoas decidiram ludibriar os inquéritos.

 

Por outro lado foi eleito um verdadeiro Presidente da República, também ao contrário do que eu vaticinava. Apesar de demasiado interveniente, Marcelo Rebelo de Sousa tem contribuído definitiva e decisivamente para a recuperação da imagem institucional da Presidência da República e trabalhado com António Costa no apaziguamento nacional.  

 

Da minha parte, com ou sem sondagens, reconheço que estou mais descansada, mais esperançosa e mais confiante. Que continue a Geringonça, que é bem melhor que qualquer calhambeque constituído pelo PSD e pelo CDS.

 

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