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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Populismo, racismo e extrema direita na PSP e na GNR

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O Movimento Zero ter-se-á iniciado após vários agentes da PSP terem sido julgados e condenados por agressões na Cova da Moura (em 2015). Não aceitando a sentença, um grupo de agentes da PSP e da GNR ameaçam de não intervenção em bairros problemáticos, para além de outras ameaças de não cumprimento das suas funções. A última manifestação foi hoje, em que protestaram na cerimónia de comemoração dos 152 anos da PSP.

A reivindicação de melhores condições de trabalho e de melhores salários não se podem misturar nunca com o facto de se colocarem acima da lei e de, em vez de denunciarem e combaterem o racismo, a xenofobia e o abuso da força e da autoridade, se reúnem em grupos que acicatam os seus membros a transformarem-se em vítimas daqueles que eles vitimizam.

A extrema-direita não está adormecida e o populismo faz o seu caminho.

Of mice and men*

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A extrema-direita alastra, perde vergonha e ganha força - em Espanha, mesmo aqui ao lado, Franco revive - ¡Una, Grande y Libre! - ¡Arriba España!

 

A democracia espanhola tem presos os políticos catalães que querem referendar a sua independência. Presos por delito de opinião são presos políticos. Apelidar de traidor a Sanchez porque tenta resolver politicamente o imbróglio catalão, aumentado e extremado pelo PP, é espantoso.

 

A extrema-direita alastra na Europa e em Portugal, basta ver as declarações do Presidente do Sindicato da PSP, reagindo à visita do Presidente da República ao bairro Jamaica, após os distúrbios que por lá aconteceram.

 

O racismo, a xenofobia, o anti-semitismo, o machismo, a violência e o desprezo pelas minorias étnicas, o regresso aos (pseudo)valores ultramontanos e ultraconservadores da família e da pátria, do papel do homem e da mulher na sociedade, é tudo triste e assustador.

 

Em Espanha, mesmo aqui ao lado, Franco revive e rejubila.

 

*título de um livro de John Steinbeck

Liberdade de expressão

A liberdade de expressão é um valor inestimável e sem o qual não há democracia. Mesmo que alguém defenda o contrário do que eu defendo, mesmo que o considere desprezível, tem o direito de o defender. Mas o que está em causa na reacção negativa ao convite a Marine Le Pen como oradora na Web Summit nada tem a ver com o respeito pela liberdade de expressão.

 

O governo português abriu os braços à Web Summit e apoiou a sua realização em Lisboa. A Web Summit pretende ser uma plataforma de encontro da vanguarda da tecnologia, por isso Lisboa e Portugal terão interesse em que a visibilidade se faça a partir destas conferências, que chamam gente, turismo e, quem sabe, investimento e emprego.

 

O que percebemos agora é que, a coberto da atenção mediática, está a ser infiltrada e aporveitada como plataforma para diulgação de ideologia de extrema direita, o que não deixa de ser contraditório com tudo o que a apologia da nova tecnlogia sem fronteiras representa.

 

Por isso nada de ingenuidade da parte do governo ou de quem representa o Estado. Acho muito bem que se demarquem deste convite e do que ele significa, mesmo que a consequência seja perder a Web Summit 2019. A coerência e a decência podem ter que pagar um preço, que é sempre menor do que o do oportunismo e o do cinismo político. Marine le Pen terá com certeza oportunidade de dizer o que pensa em eventos organizados por entidades privadas, sejam elas quais forem, sem apoios públicos. E só irá ouvi-la quem quiser.

Uma excelente ideia

Aqui está uma bela ideia, que poderia ser copiada por muitos outros: um supermercado alemão retirou todos os produtos não alemães das prateleiras para combater o racismo e a xenofobia.

 

 

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“Esta prateleira seria bastante aborrecida sem diversidade”

“É assim que uma prateleira é sem [produtos] estrangeiros”

“Sem diversidade seremos assim tão pobres”