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Um bouquet de flores (5)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 12.06.20

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Como todos as cidades e vilas do Alentejo, Pavia tem casas térreas, brancas, com cores contrastantes a rodear as portas e janelas. Tudo respira sossego.

Era quase hora do almoço e o largo estava vazio, com um pequeno café num dos lados, uma mesa de alumínio cá fora encostada à parede, ladeada por duas cadeiras também encostadas, de face para a rua. A sugestão de um aperitivo foi muito bem recebida, mas pedi para irmos para o centro da vila, pois haveria, com certeza, mais movimento.

Só que, após uma busca infrutífera, de alguns metros nas ruas que saíam do largo, onde estava uma igreja e o edifício da Junta de Freguesia para além de um coreto, percebi que estávamos mesmo no centro.

O aperitivo constou de licor de poejo (uma maravilha alentejana) e um vermute, antes de nos aventurarmos ao almoço.

licor de poejo.jpg

O Retiro dos Motoristas foi o escolhido, mesmo à saída da vila. No pátio havia uma pequena aglomeração de homens à volta de um churrasco, que assava frangos. Entrados e sentados, com larga distância social como mandam as boas regras higiénicas pós-COVID-19, foi-nos mostrado o cardápio: os pratos do dia eram chispe com grão e lombo assado no forno, acompanhado de batatas fritas e arroz, mais uma salada. Rematámos com pudim de café, e tudo a um preço bastante módico.

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Muito bom almoço, na verdade, simples, bem temperado e barato.

Regressados calmamente a Arraiolos, aproveitei para ler o livro que levava enquanto o sol iluminava o quarto, pois os candeeiros mantinham-se mortiços e tristes. Tarde calma e serena, sem sobressaltos nem correrias, jantar de novo outros petiscos e, após um revigorante pequeno almoço, acabou-se o desconfinamento alentejano.

Soube bem, embora o objectivo inicial não tenha sido cumprido. Mas estas escapadelas pontuais refrescam o quotidiano rotineiro e recarregam os meses seguintes.

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publicado às 11:29

Um bouquet de flores (4)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.06.20

Ruinas Romanas santana do campo.jpg

Santana do Campo

 

Resolvemos ir dar uma volta aos arredores. Estrada fora em direcção a Santana do Campo, para ver umas ruínas romanas. Lá chegados constatámos que as ruínas eram visíveis nas traseiras de uma igreja logo à entrada da vila, na ponta de um pequeno larguinho, onde estava estacionada ma camioneta a descarregar imensas grades de cerveja.

Embora não tenho tocado na cerveja, consegui resvalar com a roda direita no passeio, raspando a jante e deixando o pneu com uma cicatriz. Esperámos, esperámos e, quando achámos que já era demais, havia outra camioneta atrás de nós. Marcha a trás em comboio e lá nos conseguimos safar em sentido proibido.

A seguir fomos a Pavia, passando ao lado do Monte da Ravasqueira, outro fornecedor da República do Petisco.

Os campos estavam bonitos e o dia soalheiro. O meu companheiro pediu-me para parar e colheu-me um pequenino bouquet de flores silvestres.

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Meu amor apanhou flores

mesmo à beira do caminho

um bouquet de muitas cores

enroladas de carinho.

 

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publicado às 21:38

Um bouquet de flores (3)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.06.20

cma_tapete (1).jpg

Depois de uma noite um pouco sobressaltada pelas inúmeras vezes em que acordei, tive alguma dificuldade em levantar-me por causa das dores lombares que me acometeram. "De certo que não encolheu a barriga, nem juntou as omoplatas!" ouvi eu a vozinha exasperada da minha PT a buzinar-me ao ouvido. Mas acho que o problema estava mais no colchão do que na minha postura anatómica.

Mas férias são férias e nem a escorregadia banheira sem apoio nos desmoralizou. Pequeno-almoço muito agradável, numa lindíssima sala ao lado da cozinha, separada do hall de entrada por umas portadas de ferro.

E o dia, fresquinho por sinal, esperava por nós. Percorremos Arraiolos à procura da casa para a qual tinha telefonado, a indagar da possibilidade de restauro do tapete. Esperámos que abrisse sentados numa esplanada em frente a uma farmácia, a ouvir os locais conversando, naquela melodia cantada e arrastada do Alentejo, até que decidimos informar-nos do horário da loja. Descobrimos que havia outra no largo da Câmara que, essa sim, deveria estar aberta. Em Arraiolos as casas de tapetes são omnipresentes e inundam as ruas, com mostras de todos os tipos de bordados, cores e motivos. Mas a que queríamos estava mesmo ao lado da do edifício da Câmara.

Após demoradas e aturadas medidas, com resmungos desolados da parte do lojista, concluí que o custo da restauração do tapete era o mesmo da compra de um novo. Fiquei bastante desiludida e triste, porque o que quero é aquele, desenhado e confeccionado pelas mãos exímias da minha mãe, habilidosa e perfeccionista como só ela é capaz.

Para o quadro ser completo, o Centro de Interpretativo dos Tapetes de Arraiolos estava encerrado.

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publicado às 21:28

Um bouquet de flores (2)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.06.20

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A casa onde pernoitaríamos, reservada pelo booking.com, localizada mesmo no centro da cidade, tinha uma porta pesada e principalmente cerrada... Tocámos mas ninguém respondeu. Telefonámos e, após alguns poucos minutos, apareceu o (presumível) proprietário, deslocando-se com bastante dificuldade mesmo com a ajuda de uma bengala, penitenciando-se pela ausência e tartamudeando a justificação, que se relacionava com arranjos de tapetes de Arraiolos.

Fomos conduzidos ao quarto, ou seja, fomos informados de como encontraríamos o quarto, que ficava no alto de umas íngremes, rústicas (muito bonitas) e estreitas escadarias de pedra, que trepámos (nós e a mala), pois elevador não rima com casa apalaçada do início do séc. XX, nem o senhor que nos guiou podia ajudar, caso fosse necessário. Mas tudo bem. Os maravilhosos e intensivos treinos dos últimos tempos asseguraram-me uma chegada lá ao cimo triunfante e sem arfar.

O quarto, na verdade uma pequena suite, era muito agradável, espaçoso, fresco e silencioso. Os candeeiros é que se tinham arrependido de alumiar; tinham umas lâmpadas tão fraquinhas que era quase impossível ler, e ver também era complicado. A internet só funcionava no pequeno átrio, e o número de tomadas eléctricas mal dava para carregarmos os telemóveis.

Nada de mais. Descansámos dos cansaços inexistentes e, ao fim do dia, rumámos à República do Petisco para comer qualquer coisa. E que boa República esta - uma tábua de queijos, um prato de queijo assado com orégãos e ovos mexidos com espargos, tudo bem regado por um bom tinto, o da casa (Comenda Grande), gente nova muito amável, enfim, uma maravilha.

De volta ao quarto ligámos a TV (uma relíquia do século passado) para ver as novidades, mas esta não colaborou e eu revivi os longínquos anos em que havia "chuva" no écran, não se ouvia nada e era impossível assistir fosse ao que fosse. Tentámos a TV grande e moderna da sala ao lado para o convívio dos hóspedes, mas ela não se comoveu e o resultado foi o mesmo.

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publicado às 16:05

Um bouquet de flores (1)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.06.20

cerveja copos.jpg

 

Se precisamos de restaurar tapetes e carpetes de Arraiolos, é a Arraiolos que vamos.

Com esta lógica inabalável e aproveitando uma semana cheia de feriados com umas férias desconfinantes pelo Alentejo, pusemos rodas ao caminho.

Qualquer escapadela deve sempre incluir um bom roteiro gastronómico, pr isso iniciámos o nosso almoçando na Casa das Enguias, onde o ensopado delas não nos desiludiu. No fim houve um pequeno desaguisado por causa de umas meias-tulipas (que eu nem sabia que existiam) que substituíram as tulipas (que não havia) que, por sua vez, estavam a substituir a caneca (que também não existia). Mas as ditas meias-tulipas custavam quase o dobro das imperiais, embora tivessem exactamente a mesma capacidade (20cl). Depois de uma abundante mas pouco perceptível explicação, decerto devido à máscara que atrapalhava a eloquência do empregado do restaurante, lá se repuseram os preços e partimos em direcção ao sul.

Deambulámos pela estrada nacional, sem pressas, observando a paisagem alentejana. Passámos Vendas-Novas, depois Montemor-o-Novo e lá chegámos a Arraiolos. Paz e serenidade, é o que se deseja.

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publicado às 13:07

Paris em Maio, 1994

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.19

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Paris

 

Paris em Maio, 1994.

 

Aterrámos no meio do bulício do costume e fomos de táxi para o hotel, que um francês amigo tinha reservado, na Rive Gauche, ao pé do Grand Magazin Le Bom Marché, na Rue Saint Placide.

 

Com todos os clichés reunidos e explodindo numa jovem pouco viajada, tudo era deslumbrante: os carros que, ao serem arrumados batiam à frente e atrás, sem qualquer preocupação pelo amachucar dos para-choques, as baguette nas mãos dos parisienses, as montras lindíssimas e coloridas das pastelarias, o Sena, as pontes sobre o Sena, as margens do Sena com prédios altos e maciços, o Quai des Orfèvres de Maigret, o Hôtel-Dieu, os Bouquinistes, as estações de metro, as flores e as floristas, os queijos, a loja gourmand em que entrei um dia, esbaforida e exausta, e disse (num francês majestático e macarrónico) on veut deux cafés, a escadaria até ao Sacré Coeur, a vista deslumbrante do Sacré Coeur, as caminhadas pela longa avenida dos Campos Elísios, o Arco do Triunfo e o caos organizado do trânsito, a Torre Eiffel, o Louvre, o maravilhoso Musée d’Orsay dos impressionistas, a Place du Tertre com os seus caricaturistas, Montparnasse, o Quartier-Latin, onde comemos a pior mousse de chocolate de que me lembro, Saint-Germain des Près, os livros expostos nas ruas, as livrarias com múltiplos andares e toneladas de banda desenhada, o Astérix, o jardim das Tulherias, o túmulo de Napoleão, os quilómetros andados, as cores, os ruídos, os Bateaux-Mouche.

 

Foi uma tarde inesquecível, ladeando a Île de La Cité, onde se ergue a Catedral de Notre-Dame de Paris. É nestas alturas que sinto o apelo do sagrado, do transcendente, do etéreo. Dentro daquelas abóbadas, naquele ambiente a um tempo esmagador e libertador, com a luz filtrada pelos vitrais, tudo nos eleva para o sentido do divino. Naturalmente baixamos  voz, com uma reverência e um temor irracionais para quem, como eu, não é crente. Templos que nos induzem recolhimento, como se a presença dos milhares de pessoas que por ali passaram, rezaram, desesperaram, resguardaram, os milhares de trabalhadores que penaram para a sua construção e reconstrução, as esperanças, os medos e os ódios, nos fizesse mais humanos e nos induzissem à humildade e à perfeição.

 

Lembro-me que íamos jantar a uma Brasserie mesmo ao lado do Hotel, exaustos e inundados de Paris, numa das viagens que mais gratas memórias me deixou. Ao ver arder Notre-Dame, foi quase como se me despedisse definitivamente do início da minha vida adulta, do meu conhecimento do mundo, do meu verdadeiro sentir europeu, como se alguma coisa se partisse, encolhesse e regredisse, como se o incêndio não fosse mais que o esfumar de uma Europa intercultural e universalista que faz parte da nossa História mas que dificilmente fará já parte do nosso futuro.

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publicado às 15:47

Don't let anyone tell you how to drink your whisky

por Sofia Loureiro dos Santos, em 03.10.18

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Edimburgo é uma cidade muito agradável, elegante, com gente simpática, de aspecto próspero. Está muito frio e muito húmido, as cores escuras dos prédios, das igrejas, do Castelo, contrastam com as cores vivas do quadriculado dos tartans. Muitos restaurantes e bares, com várias ofertas bio, orgânica, vegan e tradicional, stew, cerveja e whisky.

 

 

 IMG_20181003_124150.jpg

 

A prova do whisky é uma obrigação turística mas que não me custou nada a cumprir. Depois de uma subida acentuada até ao Edinburgh Castle, nada melhor que retemperar as forças no Ambar Whisky Bar.

 

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Serviram-me, por ordem de prova, acompanhados de uma tábua de queijos, uvas, salada de alfaces, chutney, pão e bolachas:

  1. Auchentoshan American Oak Lowlands Single Malt Scotch Whisky
  2. anCnoc 2002 Highlands Single Malt Whisky
  3. Dailuaine 16 Year Old Speyside Single Malt Scotch Whisky
  4. Lagavulin Distillers Edition Islay Malt Whisky

O barman, um rapaz bastante escocês e muito simpático, disse-me que provasse os whiskies plain e se visse necessidade, juntasse uma dash of water.

 

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Depois percorri mais uns quilómetros, pela Royal Mile, descendo até à Princess Street e subindo de novo até à Morrison Street. Eu, que me perco em qualquer lugar, sempre de mapa em punho nunca me enganei. Deve ter sido do whisky.

 

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publicado às 17:12

Pombos de guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 15.07.18

Cher_Ami.jpg

Cher Ami

 

 

Na era das comunicações digitais, globais e internáuticas, em que a comunicação é instantânea e os segredos deixaram praticamente de existir, causa-nos uma enorme estranheza a utilização de pombos como mensageiros, ainda por cima em tempo de guerra, em que as informações são extremamente sensíveis.

 

E, no entanto, os pombos (especificamente uma determinada raça, os homing pigeons) foram importantíssimos para o esforço de guerra, em todos os lados do conflito, pela capacidade única de conseguirem regressar a um local de onde partiram (homing) por aquilo a que se chama magnetorecepção (capacidade de detectar um campo magnético para estabelecer coordenadas de altitude, direcção e localização). Há registos da utilização dos pombos como mensageiros militares desde o império romano.

 

Nas I Guerra Mundial um pombo (o Cher Ami) foi condecorado com a Croix de Guerre, pelos valorosos serviços prestados na Batalha de Verdun. Na II Guerra Mundial a Dickin Medal foi atribuída a 32 pombos.

 

Mesmo neste século ainda há notícias de pombos usados em comunicações militares. É extraordinária a capacidade do Homem em colocar a natureza ao seu serviço, transformando os animais em extensões das suas necessidades.

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publicado às 16:16

A poesia na Grande Guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.07.18

gassed.jpg

Gassed

John Singer Sargent

 

All a poet can do today is warn. That is why the true poet must be truthful

Wilfred Owen

 

poesia é um dos grandes testemunhos da I Guerra Mundial. Muitos dos poetas eram jovens que combateram e morreram nas batalhas ou como consequência delas. A poesia foi um meio de expressarem o seu medo, a sua fúria, a sua tristeza, a sua vulnerabilidade. Transformaram-se nas vozes das consciências dos povos, pela sua comovedora sinceridade e honestidade, numa linguagem que se desligou de artificialismos formais e nos aproxima do sofrimento, da amizade e da solidariedade.

 

Muitos foram os que publicara os seus poemas durante a Grande Guerra, havendo inúmeras antologias já do pós-guerra.

 

IN FLANDERS FIELDS

 

In Flanders fields the poppies blow

Between the crosses, row on row,

    That mark our place; and in the sky

    The larks, still bravely singing, fly

Scarce heard amid the guns below.

 

We are the Dead. Short days ago

We lived, felt dawn, saw sunset glow,

    Loved and were loved, and now we lie,

        In Flanders fields.

 

Take up our quarrel with the foe:

To you from failing hands we throw

    The torch; be yours to hold it high.

    If ye break faith with us who die

We shall not sleep, though poppies grow

        In Flanders fields.

 

John Mccrae

 

 

THE DEAD

 

These hearts were woven of human joys and cares,

      Washed marvellously with sorrow, swift to mirth.

The years had given them kindness. Dawn was theirs,

      And sunset, and the colours of the earth.

These had seen movement, and heard music; known

      Slumber and waking; loved; gone proudly friended;

Felt the quick stir of wonder; sat alone;

      Touched flowers and furs and cheeks. All this is ended.

 

There are waters blown by changing winds to laughter

And lit by the rich skies, all day. And after,

      Frost, with a gesture, stays the waves that dance

And wandering loveliness. He leaves a white

      Unbroken glory, a gathered radiance,

A width, a shining peace, under the night.

 

Rupert Brooke

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publicado às 15:06

A carruagem do Armistício

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.06.18

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Clairière de l'Armistice é o local onde se encontra uma réplica da carruagem de comboio onde foi assinada a rendição da Alemanha, na I Guerra Mundial, a 11 de Novembro de 1918 e onde também foi assinada a capitulação da França, na II Guerra Mundial, a 22 de Junho de 1940.

armisticio 1.jpg

Esta carruagem, no fim da I Guerra, foi colocada na zona onde está agora, não exactamente no mesmo sítio, tendo sido comprada pelo Governo Francês e restaurada para que fosse o símbolo vivo da vitória dos Aliados.

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Mas Hitler, vingando-se dos Franceses quando, em poucas semanas, esmagou a França, decidiu que a suprema humilhação destes e a suprema vitória dele seria obrigar a França a assinar a sua rendição precisamente na mesma carruagem e precisamente no mesmo sítio. Para isso foram demolidas as paredes do museu para a conduzir exactamente ao mesmo local.

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 Após a assinatura do Armistício de 1940, a carruagem foi transportada para Berlim.

armisticio 2.jpg

Em 1945, com o avanço das forças aliadas sobre Berlim, foi levada para a Turíngia, onde foi incendiada pelas SS por ordem de Hitler. A que vemos de novo na Clairière é uma carruagem adquirida novamente pelo governo francês, da mesma série da original (2419D), e recolocada com um museu adjacente.

 

Compiègne foi a última etapa. Tanto que ficou por ver, tanto que ficou por saber. As brumas adensam-se outra vez sobre a Europa. As crises da democracia, bem visíveis nos aproveitamentos populistas dos líderes de extrema direita, manipulando o medo do desemprego, e a insegurança, fazendo dos estrangeiros e dos refugiados o bode expiatório dos problemas económicos e do terrorismo, incentivando a xenofobia e o racismo, fazem temer uma nova ascensão das ditaduras, do nacionalismo e do racismo.

 

É essencial que nos lembremos do resultado dessas falácias e das manipulações que não são novas mas são sempre perigosas. É essencial que nos informemos e não cedamos ao medo. O conhecimento é o nosso melhor amigo.

La Madelon

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publicado às 20:43


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