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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um dia como os outros (181)

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 João Miguel Tavares escreveu ontem mais uma crónica sobre mim, no Público. Ao seu estilo, não escreveu sobre mim, tentou fazer de mim um degrau. Não me queixo, sou maior. Se ele me quiser levar com ele, para umas migalhas de fama sua, a um gabinete de primeiro-ministro, não deixo. Felizmente, posso, sou maior. E é prudente sê-lo quando se convive com JMT, que tenta fazer dos outros, quem quer que seja, um degrau.

JMT tem um fundo de comércio, José Sócrates, e explora-o até ao tutano. Ontem, fez-me dano colateral. Em escutas feitas a Sócrates, em 2014, em conversa onde não estou, nem falo, nem ouço, e que não soube ter acontecido senão dois anos depois, o ex-primeiro-ministro fala de mim para diretor do DN. Em 2016, alguém publicou essas escutas, deixando pairar a ideia de que eu combinei um cargo com um político. Escrevi, então: "Se calhar são costume essas combinações (com político, com irmão maçon, com correligionário), não sei... Mas não para mim. Nunca quis na minha carreira profissional esta dúvida: sou o que sou graças a mim ou não?" (DN, 22-02-2016).

Nesse texto, eu escrevi também que não queria, nem sabia ser diretor do DN. Assim era em 2014 e 2016, quando ninguém me pôs a questão. Ontem, JMT lembrou o que então escrevi e perguntou: "Há pouco mais de dois anos, Ferreira Fernandes não sabia, nem queria, ser diretor do DN. O que mudou, entretanto, para passar a saber e a querer?" Respondo: "Porque agora os donos do DN me convidaram e porque agora quero." Quanto a saber ser diretor do DN, continuo sem saber se sei.

Contradições e mudanças de vontade, JMT não as entende porque o seu fundo de comércio é uma certezinha que lhe basta e o sustenta. Então, se hoje sou diretor do DN, isso só pode estar relacionado com a sugestão de Sócrates de há quatro anos. E essa certeza é alimentada pela análise que ele faz da minha atuação nos 15 dias e picos desde que sou diretor do DN: sobre o assunto, nada, nem um editorial. Não escrevi sobre Sócrates! Estranho... Aliás, um suspeito comportamento que eu já há muito evidenciava: "Ferreira Fernandes continuou a defender Sócrates já depois da prisão - até que um certo dia se calou, e não mais se lhe ouviu um pio sobre o tema", escreveu ontem JMT, deste pau-mandado que sou.

Sócrates foi preso em 22 de novembro de 2014. Dois dias depois, escrevi: "É a data em que um ex-primeiro-ministro foi detido, suspeito de não ter sido honesto com os bens que os portugueses lhe confiaram. Desta vez, a suspeita não foi destilada só em manchetes de pombos-correio, não. Daí a data ser fundamental: tem a marca da Justiça. Se a Justiça o prova, maldito seja o líder que abusou o seu país, os compatriotas e os seus correligionários. Se a Justiça foi irresponsável, pobre diaba que tem de ser refeita de cima a baixo" (DN, 24-11-14).

Três dias depois, escrevi: "[Até à prisão] Calúnias e não processos - contra Sócrates foi o que houve, e só. Agora, temos uma situação nova. Magistrados acusaram e um juiz considerou haver indícios para prosseguir um processo contra Sócrates. A situação nova espevitou a canalhada, por um lado, e, por outro, os cidadãos pró e os cidadãos contra Sócrates. Para com os primeiros, repito o meu desprezo. Dos segundos, pró ou contra, espero o reconhecimento trivialmente democrático: cabe aos juízes julgar" (DN, 27-11-14).

Seis meses passados, escrevi: "De novo, sabemos porque o próprio Sócrates o disse, ele pediu dinheiro a um amigo. Muito dinheiro. Como esse amigo teve vários negócios com o Estado quando Sócrates era governante, é legítimo que a Justiça investigue. (...) Com este caso Sócrates, temos até agora, patenteadas, duas situações graves: a lentidão da Justiça e Sócrates ter mentido. Nada de novo, já conhecemos o mesmo noutras circunstâncias e com outros protagonistas. Mas pode vir a acontecer uma de duas situações bem mais graves: ou a Justiça não conseguir produzir prova, depois do estardalhaço que fez com a detenção, ou um ex-primeiro-ministro ser condenado por corrupção. E, sobretudo, acontece já uma situação iníqua: a Justiça fornece informações inquinadas aos jornais. Também não é novo" (DN, 17-06-15).

No fim do primeiro ano de prisão, escrevi: "Dizia-se que este era o ano em que ou se provava alguma coisa contra o ex-primeiro-ministro ou se provava que certos magistrados foram irresponsáveis. Errado. Essa alternativa, "ou, ou", foi derrotada. Nesta matéria, 2015 não foi adversativo, foi o ano da copulativa "e"! Sócrates suicidou-se como político "e" magistrados desonraram-se como defensores da lei. Cada entrevista de José Sócrates desautorizou-o como político, por causa do tipo de relação, revelado pelas suas próprias palavras, que ele tinha com o dinheiro de um amigo com negócios com o Estado; "e" cada capa dos jornais com fugas de informação desautorizou a investigação. Essa copulativa que os acasalou, Justiça/Sócrates, pariu um manto turvo sobre a sociedade. Note-se, ainda, que não se fala aqui do processo, porque desconhecemos, todos, tudo. Falo das palavras públicas de Sócrates e dos métodos manhosos da investigação. Ambos exemplificando factos lamentáveis, qualquer que seja o desfecho judicial" (DN, 19-12-2015).

E todos os demais textos meus - ao contrário do "calou-se, e não mais se lhe ouviu um pio sobre o tema", ontem garantido por JMT - foram pautados pelo mesmo respeito pelos homens e pela justiça. E para mudar de homem (JMT chama-lhe "tema"), cito outro texto meu sobre a indecência de se passar nas tevês, os gestos, a voz e os olhares de um homem a ser filmado nos interrogatórios: "Custo da badalhoquice: uma multa. O que não vale nada para os ladrões de alma", escrevi. E não era sobre a indecência da SIC, esta semana, nem era sobre a Operação Marquês. Era sobre Miguel Macedo, ministro do PSD e vítima do abuso, a quem pedi "desculpa pela parte que me cabe por ser português." Já tremo por JMT desencantar, um dia destes, uma escuta de Miguel Macedo a arranjar-me emprego.

 

Ferreira Fernandes

 

Nota: a crónica de João Miguel Tavares

Um dia como os outros (180)

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(...) Mas foi o candeia nacional Marques Mendes que nos iluminou. Centeno no Eurogrupo? "Mentira de 1.º de Abril... Campanha de autopromoção... É o seu ego... A sua vaidade... Está deslumbrado... Inchado... Muito inchado... Não há uma única alma lá fora que fale de Centeno... É um bocadinho ridículo uma pessoa assim a oferecer-se..." Ontem, Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O que vai fazer amanhã? Não sei. Mas ontem soube o significado do sorriso parvo: esteve sempre a rir-se dos pedaços de asno.

 

Ferreira Fernandes

Um dia como os outros (179)

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Uma declaração de independência que não foi, porque seguiu-se a respetiva suspensão, tem agora uma independência que não o é, porque os independentistas vão a eleições que, afinal, lhe são permitidas pelos colonizadores, que não o são. Nem burlesco de Cervantes nem surrealismo de Dalí, mas, como prova de que o nacionalismo, hoje, está ultrapassado, uma chanchada brasileira. Catalunha merecia melhor. O líder que a atrapalha, Carles Puigdemont, fugiu para o exílio, numa fuga desnecessária para um exílio inexistente. Foi para o exílio em fins de outubro, para um provável regresso a meados de dezembro para votar e ser votado. Exílio é outra coisa, não tem prazo de validade nem a certeza de votos. Exílio viveu-o o socialista madrileno Largo Caballero, presidente do governo da República espanhola, que com a vitória de Franco foi levado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen. E viveu-o o republicano catalão Lluís Companys, presidente da Generalitat da Catalunha, entregue pelos nazis a Franco e fuzilado. O exílio de Carles Puigdemont é coisa para rir, é um insulto aos verdadeiros exilados espanhóis da trágica história recente. É como comparar a livre, democrática, autónoma e progressista Catalunha a países colonizados e ocupados. Nenhuma das hipóteses com que Puigdemont contava aconteceu: nem a independência surtiu nem os tanques vieram... Restava-lhe a fuga para a frente. Partiu, com uma decisão categórica tão rara nele, para um exílio de comédia.

 

Ferreira Fernandes

Um dia como os outros (178)

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Um mês depois da tragédia, evocando respeitosamente as vítimas, acompanhando a dor dos seus familiares, agradecendo o heroísmo anónimo dos que combateram o fogo e dos que testemunharam e testemunham solidariedade, relembro a exigência de apuramento total de factos e de responsabilidades, e de reconstrução imediata, em clima de trégua eleitoral local, aliás à medida da ilimitada generosidade do povo português.

Sessenta e quatro mortos interpelam-nos, exigindo verdade, convergência e reconstrução, com a humildade de assumirmos que os poderes públicos não corresponderam às expectativas neles depositadas.

 

Marcelo Rebelo de Sousa

Um dia como os outros (177)

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A ideia de que uma esquadra da polícia pode ser o local mais inseguro para um qualquer cidadão é aterradora, mas ainda se torna mais difícil de aceitar que um inquérito da Inspeção-Geral da Administração Interna (IGAI) tenha servido de nada para repor a justiça. (...)

(...) O uso ilegítimo da força por uma polícia é sempre condenável e esse crime é agravado se é cometido pelo ódio e discriminação racial em relação às vítimas. Não podemos dizer orgulhosamente que Portugal não é um país racista e aceitar que um caso como este se fique pelas meias-tintas da IGAI e pelo esquecimento dos políticos. Porque se trata de "terrorismo", a investigação foi feita pela UNCT, agora tem a palavra o Ministério Público e os tribunais. Faça-se justiça.

 

Paulo Baldaia

Um dia como os outros (176)

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(...) Hoje reclamamos que é preciso fazer cumprir a lei, mas ainda ontem fomos tolerantes com os mais variados incumprimentos, desde o fogo-de-artifício em tudo o que é festa, sobretudo durante o verão, à manutenção de perímetros de segurança nas estradas e zonas residenciais. Cumprir e fazer cumprir as leis não respeita apenas ao Estado, ao governo ou às instituições públicas. Diz respeito a todos. Neste domínio, como em muitos outros, seja no código da estrada, na escolaridade obrigatória, nos planos de vacinação, no pagamento de impostos... Cumprir e fazer cumprir a lei exige, para além da fiscalização e controlo, mecanismos de monitorização, de acompanhamento e de informação em todas as áreas da governação. Sem isso não poderemos sequer conhecer a medida do incumprimento. (...)

 

(...) Hoje reclamamos a falta de recursos e meios. Ontem clamávamos contra a dimensão excessiva do Estado, fazendo pressão para a diminuição do emprego público, para a extinção e fusão de organismos públicos, para a diminuição das funções e responsabilidades, que tiveram, e continuam a ter como efeito, em grande parte das instituições públicas, a degradação das condições de exercício das suas funções. Somos hoje mais exigentes com a segurança e mais intolerantes ao risco, mais exigentes com os serviços públicos que nos são prestados pelo Estado e mais intolerantes com os erros, falhas e omissões. Porém, nem sempre estamos disponíveis para fazer, de forma persistente, os investimentos necessários na prevenção dos riscos e na qualidade dos serviços públicos. Esquecemos, com muito facilidade, que ter contas públicas equilibradas implica fazer escolhas que têm necessariamente consequências, muitas vezes diferidas no tempo. (...)

 

(...) Estamos hoje a debater e a refletir sobre as causas do dramático acidente de Pedrógão Grande. Não estaremos nunca preparados para cenários de catástrofe. Contudo, em abstrato, não é absurdo pensar que podíamos estar hoje a discutir as causas de um grave acidente de aviação sobre a cidade de Lisboa, com enormes prejuízos materiais e centenas de mortos. A centralidade do aeroporto e a intensidade de tráfego que hoje se regista constituem certamente risco sério. Mas já esquecemos o debate, as hesitações e a incapacidade coletiva de decisão sobre o investimento necessário para um novo aeroporto. (...)

 

Maria de Lurdes Rodrigues

Um dia como os outros (175)

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(...) Acontece que em política sair também pode ser um ato de coragem. Quando por exemplo fica claro que há responsabilidades de um determinado ministério numa tragédia. Por isso, a ministra admite, na entrevista que hoje o DN e a TSF publicam, que "naturalmente" tirará "as devidas ilações" se a Comissão Independente de Peritos atribuir responsabilidades à tutela nalguma coisa do que aconteceu em Pedrógão. A alternativa é deixar António Costa a ter de dizer: "Naturalmente, demito-a" - e isso nunca acontecerá.

 

Há, ainda assim, um momento anterior a este em que um ministro pode ter de deixar o lugar. Por solidariedade para com o primeiro-ministro ou como sacrifício pela defesa da imagem do governo. É sabido que António Costa tudo fará para defender Constança Urbano de Sousa, de quem é amigo e que convidou para o governo. O que ainda não sabemos é a extensão dos danos que esta tragédia trará ao executivo de Costa. Até agora, a comunicação governamental e a forma digna como a oposição soube esperar ajudaram a conter os danos. Mas a luta política vai aquecer à medida que as respostas forem chegando. Ainda agora começou. (...)

 

Paulo Baldaia

Um dia como os outros (174)

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(...) Se a hipocrisia matasse, Schäuble e Dombrovskis deveriam ter caído fulminados logo que fizeram estas afirmações. É que ninguém esquece – eu, pelo menos, não me esqueço; e para os esquecidos há sempre o recurso ao Facebook – as sucessivas declarações de Schäuble sobre Portugal, dizendo que o país ia no bom caminho com o anterior Governo mas que com o Governo PS e a mudança de orientação política, estava preocupado com a eventualidade de Lisboa ter de pedir um segundo resgate (em 30/6/2016 e 15/3/2017). Disse-o não uma mas duas vezes, sempre que lhe perguntavam qual era a situação do Deutsche Bank (que era péssima na altura). Dombrovskis também foi sempre muito duro com o Governo do PS e os dois puseram sucessivamente em causa a capacidade de Portugal cumprir os seus compromissos europeus, em particular as metas orçamentais, com uma política económica diferente da seguida pelo executivo de Pedro Passos Coelho e de Paulo Portas. (...)

 

(...) Hoje é um grande dia para Portugal e para os portugueses. É também um grande dia para o Governo e para Mário Centeno. São eles que vão ficar para a História como o Governo e o ministro que conseguiram alcançar o défice mais baixo em 42 anos de democracia, 2%, um valor que se preparam para reduzir ainda este ano e no próximo; e são eles que ficam para a História como o Governo e o ministro que retiraram Portugal do Procedimento por Défice Excessivo, depois de nele termos caído em 2009. (...)

 

(...) O que falta agora é que outros representantes internacionais da hipocrisia, as agências de rating, venham reconhecer que a notação que atribuem atualmente à dívida emitida pela República (“lixo”) é totalmente inadequada à atual situação e que a subam rapidamente. Esta mesma semana, Portugal emitiu dívida a 10 anos abaixo dos 3% (2,8%), o que prova que mesmo os mercados reconhecem a melhoria consistente da situação económica portuguesa. O que falta para que, mesmo rangendo os dentes e cruzando os dedos, melhorem a notação da dívida portuguesa?

 

Nicolau Santos

Um dia como os outros (173)

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(...) Acho que só os tolos é que não olham à sua volta e não reintegram uma realidade na sua obra. O acto artístico é sempre um acto de reflexão. (...)

 

(...) Vivemos tempos de uma grande instabilidade. Não são os tempos dos anos 30 e 40, quando a nossa Europa sofreu aquela guerra horrível, mas são tempos de angústia e de medo. (...) Recentemente, nos tempos em que o nosso país foi ocupado pela troika, vivemos uma tristeza colectiva muito grande, foram tempos de apreensão e de grandes dramas pessoais. Neste momento, acho que estamos a viver um tempo, não digo bom, mas de esperança. (...)

 

(...) Aquilo que se passa com os refugiados é das situações mais dramáticas que se pode viver. A pessoa perde os bens pelos quais lutou durante toda uma vida, para ter algum suporte e dignidade, e perde também um bocado da sua identidade e do seu chão. Custa-me ver o que a nossa Europa está a fazer aos refugiados, que vêm de países em guerra ou de países onde há fome ou onde se pratica um verdadeiro genocídio. A Europa tem uma resposta muito fraca e muito cobarde perante esses seres humanos. (...)

 

(...) O dia-a-dia pode ser muito violento. Como artista, sinto muitas vezes que as forças se combinam para lutar contra um estado de criação, contra um estado de pensamento e contra um estado de reflexão, porque o dia-a-dia é, realmente, duro. (...)

 

(...) Mas gosto imenso de viver na aldeia porque na aldeia não tenho compromissos, e eu gosto de viver sem compromissos, vou cada vez menos a eventos sociais, cansa-me a superficialidade dos convívios, gosto de viver só com os amigos e com a família. (...)

 

(...) O facto de as pessoas visitarem cada vez mais exposições pode ter que ver com a necessidade de procurarem uma dimensão mais espiritual, até mais misteriosa, para a vida. Acho que as pessoas encontram, nessa visita aos museus, uma dimensão que antes encontravam nas igrejas, a dimensão do sagrado, essa dimensão que todos precisamos porque somos mais do que carne, somos espírito. Precisamos do encontro com a criação e alguém que vê uma manifestação de arte também começa a criar. (...)

 

(...) Ter alguém que nos fala com verdade é, realmente, uma grande sorte.

 

Graça Morais

Um dia como os outros (172)

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 (...) Nos media, em relação a este caso, Lobo Xavier é descrito como amigo de Domingues e conselheiro de Estado, mas fica sempre esquecido o facto do Lobo ser administrador executivo do BPI. Parece estranho ser um administrador do BPI, concorrente directo da CGD, a ter acesso aos SMS de um ex-presidente da Caixa e a fazer o papel de defensor da ética. Parecendo que não, o indivíduo que traçou o plano da CGD e que trabalhou no BPI, troca e revela SMS sobre a Caixa com Lobo Xavier, administrador do BPI. Já vi toupeiras com menos dioptrias.

 

Tenho a curiosidade aos saltos e gostava de saber durante quanto tempo o doutor Domingues andou a trocar mensagens com o administrador do BPI, desde quando e o que lhe revelou. O meu ADN de porteira começa logo a latejar e fico cheio de vontade de conhecer as SMS trocados entre Domingues, ex-administrador da CGD, e Lobo Xavier, administrador do BPI, ex-banco de Domingues. Aposto que há smiles. (...)

 

João Quadros