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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Um dia como os outros (187)

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(…) Porque já tivemos muitas versões - até do que foi roubado. Em julho do ano passado, menos de 15 dias após o "roubo", o então chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, general do Exército Pina Monteiro, afirmou que parte do material furtado estava "para ser abatido", e outra parte não tinha condições para ser usada de forma eficaz. Ou seja, os ladrões, que claramente sabiam tudo sobre o funcionamento da base e do material que lá estava e onde, tinham roubado coisas, na maioria, imprestáveis? Quê, por piada? Mais de um ano depois, tendo o material sido alegadamente recuperado (com uma caixa de petardos "a mais", disseram-nos, e 1450 munições a menos), tal confirmou-se? Não sabemos.

Não sabemos nada. Não sabemos porque é que foram feitos dois buracos na rede da base de Tancos - um não chegava? Não sabemos como foi possível 300 quilos de material serem levados, supostamente a pé, num trajeto de 420 metros, até a um desses buracos, ainda por cima - se as imagens da "recuperação" do material postas a circular pelo exército são verdadeiras -, em paletes de madeira, coisa maneirinha, boa de levar às costas. Não sabemos como é possível que numa base onde a chefia sabia que tinha videovigilância, sensores e eletrificação da cerca inoperantes não existiam sentinelas nem rondas eficazes e não tenha havido disso consequências (à exceção de três processos disciplinares a baixas patentes).

Não percebemos como pode haver uma operação fantoche para "recuperar" as armas com acusações cruzadas entre três militares do Exército, um dos quais, Luís Vieira, ex-diretor da Polícia Judiciária Militar (preso preventivamente) e outro Martins Pereira, o ex chefe de gabinete do ministro e atual adjunto do chefe do Estado-Maior do Exército - e este último, Rovisco Duarte, que todos nomeou e superintende, ficar mudo e quedo como se não fosse nada com ele.

Não percebemos como pode o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, almirante Silva Ribeiro, calar-se ante toda esta fantochada.

Não percebemos como pôde o ministro agora demitido dizer, em setembro de 2017, em entrevista ao DN/TSF um mês antes da "recuperação", esta frase sibilina - "No limite, pode não ter havido furto nenhum. (...) Podemos admitir que o material já não existisse e tivesse sido anunciado... e isto não pode acontecer" -, uma frase em que põe a hipótese de todo o caso ser uma fabricação, uma sabotagem, e portanto um ato de traição perpetrado no seio do Exército, e isso não ter consequências. (…)

(…) Por exemplo o ex-porta-voz da PJM, Vasco Brazão, atualmente em prisão domiciliária, garante que esteve, no fim de 2017, numa reunião com o ex-diretor da PJM e o então chefe de gabinete do ministro, na qual foi entregue um memorando com toda a história da inventona ao chefe de gabinete (com o objetivo, alega, de o ministro retirar a PJ do rasto - mas, ainda que mal pergunte, ao CEME, seu chefe direto, nada teriam dito?). Contraditado quer pelo ex-diretor da PJM quer pelo ex-chefe de gabinete, Brazão diz, segundo o Expresso de ontem, que tem o memorando em causa e que vai dá-lo ao MP para ser analisado em busca de impressões digitais. Portanto o memorando entregue afinal ficou com ele? Já o atual adjunto do CEME certifica ter dado a "documentação verdadeira" ao MP. Ou seja, levou-a consigo quando saiu do ministério? Isto agora é assim, levam-se papéis do governo para casa quando se sai do governo e ainda se tem a lata de confessar?

"Um dia havemos de saber o que cada um sabia sobre esta história de Tancos", disse, um dia antes da demissão de Azeredo, e tão sibilino como o seu ex-ministro, o PM no debate quinzenal. Talvez venhamos a saber, talvez não. Mas já sabemos isto: da desonra o Exército não se livra. E da suspeita de que, como todos antes de si, não sabe como pôr as Forças Armadas e as forças ocultas que nela medram na ordem, o governo não se safa.

 

Fernanda Câncio

Um dia como os outros (186)

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(...) Daí que sejam socializados para existir por direito próprio, para viver o corpo como seu, para olharem em vez de serem olhados, para desejar em vez de serem desejados, para agir em vez de serem "agidos". Ao contrário, as mulheres são-no para depender da apreciação e valorização de outrem, sentindo sempre sobre si, em perpétua vigilância, um olhar que julga. Um olhar enxertado no seu: desde crianças, aprendem a existir como corpo sitiado, expropriado por regras e vontades alheias - que ocupam mas lhes não pertence. (...)

 

Fernanda Câncio

Um dia como os outros (185)

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(...) Já agora, seria oportuno que o sr. Cosgrave esclarecesse quais são esses critérios que definem as fronteiras das escolhas para o palco da Web Summit, uma iniciativa dirigida ao chamado novo empreendedorismo tecnológico e a sociedade digital onde, convenhamos, os propósitos de Le Pen estão manifestamente deslocados. Não se trata de censurar ou não censurar escolhas, mas de considerar o sentido que fazem ou não num determinado contexto. É isso e só isso o que está em causa e não o legítimo direito de Le Pen e outros líderes populistas se exprimirem em todos os fóruns políticos e mediáticos apropriados. (...)

 

Vicente Jorge Silva

Um dia como os outros (184)

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(…) Estas notícias têm mais proximidade aos interesses económicos, históricos e sociológicos dos portugueses do que qualquer tweet inconsequente de Donald Trump.

Estas notícias dizem mais ao coração de centenas de milhares (milhões?) de imigrantes desses países que residem em Portugal, potenciais leitores de órgãos de comunicação social portugueses, do que qualquer manifestação contra imigrantes num país do centro da Europa.

Estas notícias cumprem todas a regras editoriais que o jornalismo determina, porém, inexplicavelmente, nós, jornalistas, ignoramos ou reduzimos a sua importância à expressão mínima. Preferimos debater, com paixão anacrónica, o nome de um museu sobre a formação do império colonial português.

Durante anos colaborei, alegremente, neste virar de costas do jornalismo português ao mundo da lusofonia. Agora sou obrigado a ver como fui tão burro e como é, desculpem, tão burro o jornalismo português.

Pedro Tadeu

Um dia como os outros (183)

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(…) Le Pen não vem a Lisboa no quadro de uma delegação da Assembleia Nacional francesa ou do seu grupo de extrema-direita no Parlamento Europeu, como seria seu direito legal. Vem para a Websummit. Ora, não façamos de conta que a Websummit não é um evento político pago e apoiado por todos nós para promover uma determinada imagem de Portugal. Foi-o quando Fernando Medina mandou pôr cartazes, no dia a seguir à vitória de Trump, dizendo (e bem) que Lisboa era “uma cidade de pontes e não de muros”. Foi-o quando António Costa lá foi falar como primeiro-ministro ou quando Marcelo, como presidente, elogiou o evento. E se-lo-á, de uma maneira ou de outra, tanto se Marine Le Pen lá for falar (no mesmo palco que usou Costa) como se vier entretanto a ser desconvidada. Cabe-nos a nós a escolha de lhe dar palco ou de deixar bem claro que lhe recusamos palco. Não há nenhuma escolha não-política. (…)

(…) Ou então o país que sabe que valores são os seus, e que está pronto para dizer: Le Pen representa o contrário daquilo que Portugal é, o contrário da nossa posição na Europa e no mundo, e não a consideramos bem-vinda num evento apoiado pelo nosso governo para promover o pais que somos e queremos ser.

É simples. Não se trata de limitar a liberdade de alguém a quem não faltam canais (nem rublos) para se exprimir. Trata-se de dar uma mensagem política perante um assunto político. É para isto que os estados têm a prerrogativa de declarar alguém persona non grata(informação útil: mantém-se consagrada no direito europeu relativo à liberdade de circulação). Use-se. Sim, Marine Le Pen fará uma birra. Respondam-lhe que é a soberania nacional.

Rui Tavares

Um dia como os outros (182)

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(...) E assim não nos darmos conta de esta ser também uma tragédia nossa. A de termos media que desde 2003 se especializaram nas acusações sem provas, coadjuvados por um cada vez maior grupo de comentadores para quem o Estado de Direito é uma maçada, uma desnecessidade até. A de termos um ministério público que continua a ostentar em alguns casos interpretações romanceadas, canalhas, voyeuristas e preconceituosas de "provas" e chegou agora ao ponto de permitir -- se nada faz para impedir nem punir, permite -- a exibição televisiva de vídeos de interrogatórios. A de termos uma justiça na qual algo como o que fizeram a Paulo Pedroso sucede e que não é capaz de o reparar, de tornar claro que é inadmissível, que tem de haver consequências e que, sobretudo, não pode mais acontecer. O que, claro, quer dizer que não temos justiça. Mas, está visto, não nos faz falta: temos a nossa opinião. Como aquela pessoa que em 2003 me disse: "Já viste que ele não tem barba? Tem mesmo cara de pedófilo."

 

Fernanda Câncio

Um dia como os outros (181)

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 João Miguel Tavares escreveu ontem mais uma crónica sobre mim, no Público. Ao seu estilo, não escreveu sobre mim, tentou fazer de mim um degrau. Não me queixo, sou maior. Se ele me quiser levar com ele, para umas migalhas de fama sua, a um gabinete de primeiro-ministro, não deixo. Felizmente, posso, sou maior. E é prudente sê-lo quando se convive com JMT, que tenta fazer dos outros, quem quer que seja, um degrau.

JMT tem um fundo de comércio, José Sócrates, e explora-o até ao tutano. Ontem, fez-me dano colateral. Em escutas feitas a Sócrates, em 2014, em conversa onde não estou, nem falo, nem ouço, e que não soube ter acontecido senão dois anos depois, o ex-primeiro-ministro fala de mim para diretor do DN. Em 2016, alguém publicou essas escutas, deixando pairar a ideia de que eu combinei um cargo com um político. Escrevi, então: "Se calhar são costume essas combinações (com político, com irmão maçon, com correligionário), não sei... Mas não para mim. Nunca quis na minha carreira profissional esta dúvida: sou o que sou graças a mim ou não?" (DN, 22-02-2016).

Nesse texto, eu escrevi também que não queria, nem sabia ser diretor do DN. Assim era em 2014 e 2016, quando ninguém me pôs a questão. Ontem, JMT lembrou o que então escrevi e perguntou: "Há pouco mais de dois anos, Ferreira Fernandes não sabia, nem queria, ser diretor do DN. O que mudou, entretanto, para passar a saber e a querer?" Respondo: "Porque agora os donos do DN me convidaram e porque agora quero." Quanto a saber ser diretor do DN, continuo sem saber se sei.

Contradições e mudanças de vontade, JMT não as entende porque o seu fundo de comércio é uma certezinha que lhe basta e o sustenta. Então, se hoje sou diretor do DN, isso só pode estar relacionado com a sugestão de Sócrates de há quatro anos. E essa certeza é alimentada pela análise que ele faz da minha atuação nos 15 dias e picos desde que sou diretor do DN: sobre o assunto, nada, nem um editorial. Não escrevi sobre Sócrates! Estranho... Aliás, um suspeito comportamento que eu já há muito evidenciava: "Ferreira Fernandes continuou a defender Sócrates já depois da prisão - até que um certo dia se calou, e não mais se lhe ouviu um pio sobre o tema", escreveu ontem JMT, deste pau-mandado que sou.

Sócrates foi preso em 22 de novembro de 2014. Dois dias depois, escrevi: "É a data em que um ex-primeiro-ministro foi detido, suspeito de não ter sido honesto com os bens que os portugueses lhe confiaram. Desta vez, a suspeita não foi destilada só em manchetes de pombos-correio, não. Daí a data ser fundamental: tem a marca da Justiça. Se a Justiça o prova, maldito seja o líder que abusou o seu país, os compatriotas e os seus correligionários. Se a Justiça foi irresponsável, pobre diaba que tem de ser refeita de cima a baixo" (DN, 24-11-14).

Três dias depois, escrevi: "[Até à prisão] Calúnias e não processos - contra Sócrates foi o que houve, e só. Agora, temos uma situação nova. Magistrados acusaram e um juiz considerou haver indícios para prosseguir um processo contra Sócrates. A situação nova espevitou a canalhada, por um lado, e, por outro, os cidadãos pró e os cidadãos contra Sócrates. Para com os primeiros, repito o meu desprezo. Dos segundos, pró ou contra, espero o reconhecimento trivialmente democrático: cabe aos juízes julgar" (DN, 27-11-14).

Seis meses passados, escrevi: "De novo, sabemos porque o próprio Sócrates o disse, ele pediu dinheiro a um amigo. Muito dinheiro. Como esse amigo teve vários negócios com o Estado quando Sócrates era governante, é legítimo que a Justiça investigue. (...) Com este caso Sócrates, temos até agora, patenteadas, duas situações graves: a lentidão da Justiça e Sócrates ter mentido. Nada de novo, já conhecemos o mesmo noutras circunstâncias e com outros protagonistas. Mas pode vir a acontecer uma de duas situações bem mais graves: ou a Justiça não conseguir produzir prova, depois do estardalhaço que fez com a detenção, ou um ex-primeiro-ministro ser condenado por corrupção. E, sobretudo, acontece já uma situação iníqua: a Justiça fornece informações inquinadas aos jornais. Também não é novo" (DN, 17-06-15).

No fim do primeiro ano de prisão, escrevi: "Dizia-se que este era o ano em que ou se provava alguma coisa contra o ex-primeiro-ministro ou se provava que certos magistrados foram irresponsáveis. Errado. Essa alternativa, "ou, ou", foi derrotada. Nesta matéria, 2015 não foi adversativo, foi o ano da copulativa "e"! Sócrates suicidou-se como político "e" magistrados desonraram-se como defensores da lei. Cada entrevista de José Sócrates desautorizou-o como político, por causa do tipo de relação, revelado pelas suas próprias palavras, que ele tinha com o dinheiro de um amigo com negócios com o Estado; "e" cada capa dos jornais com fugas de informação desautorizou a investigação. Essa copulativa que os acasalou, Justiça/Sócrates, pariu um manto turvo sobre a sociedade. Note-se, ainda, que não se fala aqui do processo, porque desconhecemos, todos, tudo. Falo das palavras públicas de Sócrates e dos métodos manhosos da investigação. Ambos exemplificando factos lamentáveis, qualquer que seja o desfecho judicial" (DN, 19-12-2015).

E todos os demais textos meus - ao contrário do "calou-se, e não mais se lhe ouviu um pio sobre o tema", ontem garantido por JMT - foram pautados pelo mesmo respeito pelos homens e pela justiça. E para mudar de homem (JMT chama-lhe "tema"), cito outro texto meu sobre a indecência de se passar nas tevês, os gestos, a voz e os olhares de um homem a ser filmado nos interrogatórios: "Custo da badalhoquice: uma multa. O que não vale nada para os ladrões de alma", escrevi. E não era sobre a indecência da SIC, esta semana, nem era sobre a Operação Marquês. Era sobre Miguel Macedo, ministro do PSD e vítima do abuso, a quem pedi "desculpa pela parte que me cabe por ser português." Já tremo por JMT desencantar, um dia destes, uma escuta de Miguel Macedo a arranjar-me emprego.

 

Ferreira Fernandes

 

Nota: a crónica de João Miguel Tavares

Um dia como os outros (180)

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(...) Mas foi o candeia nacional Marques Mendes que nos iluminou. Centeno no Eurogrupo? "Mentira de 1.º de Abril... Campanha de autopromoção... É o seu ego... A sua vaidade... Está deslumbrado... Inchado... Muito inchado... Não há uma única alma lá fora que fale de Centeno... É um bocadinho ridículo uma pessoa assim a oferecer-se..." Ontem, Centeno foi eleito presidente do Eurogrupo. O que vai fazer amanhã? Não sei. Mas ontem soube o significado do sorriso parvo: esteve sempre a rir-se dos pedaços de asno.

 

Ferreira Fernandes

Um dia como os outros (179)

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Uma declaração de independência que não foi, porque seguiu-se a respetiva suspensão, tem agora uma independência que não o é, porque os independentistas vão a eleições que, afinal, lhe são permitidas pelos colonizadores, que não o são. Nem burlesco de Cervantes nem surrealismo de Dalí, mas, como prova de que o nacionalismo, hoje, está ultrapassado, uma chanchada brasileira. Catalunha merecia melhor. O líder que a atrapalha, Carles Puigdemont, fugiu para o exílio, numa fuga desnecessária para um exílio inexistente. Foi para o exílio em fins de outubro, para um provável regresso a meados de dezembro para votar e ser votado. Exílio é outra coisa, não tem prazo de validade nem a certeza de votos. Exílio viveu-o o socialista madrileno Largo Caballero, presidente do governo da República espanhola, que com a vitória de Franco foi levado para o campo de concentração nazi de Sachsenhausen. E viveu-o o republicano catalão Lluís Companys, presidente da Generalitat da Catalunha, entregue pelos nazis a Franco e fuzilado. O exílio de Carles Puigdemont é coisa para rir, é um insulto aos verdadeiros exilados espanhóis da trágica história recente. É como comparar a livre, democrática, autónoma e progressista Catalunha a países colonizados e ocupados. Nenhuma das hipóteses com que Puigdemont contava aconteceu: nem a independência surtiu nem os tanques vieram... Restava-lhe a fuga para a frente. Partiu, com uma decisão categórica tão rara nele, para um exílio de comédia.

 

Ferreira Fernandes

Um dia como os outros (178)

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Um mês depois da tragédia, evocando respeitosamente as vítimas, acompanhando a dor dos seus familiares, agradecendo o heroísmo anónimo dos que combateram o fogo e dos que testemunharam e testemunham solidariedade, relembro a exigência de apuramento total de factos e de responsabilidades, e de reconstrução imediata, em clima de trégua eleitoral local, aliás à medida da ilimitada generosidade do povo português.

Sessenta e quatro mortos interpelam-nos, exigindo verdade, convergência e reconstrução, com a humildade de assumirmos que os poderes públicos não corresponderam às expectativas neles depositadas.

 

Marcelo Rebelo de Sousa