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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Afinal não fui só eu

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2017

 

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 2018 

 

(...) A estranhíssima verdade é que, pela primeira vez desde a primeira centelha do universo, Portugal teve a melhor canção da Eurovisão dois anos seguidos. Para não dizer (porque reconheço que a minha opinião é suspeita) que na Eurovisão deste ano e do ano passado as canções portuguesas foram as únicas que se conseguiam ouvir com prazer.

Em 2017 foi Amar Pelos Dois de Luísa Sobral. Em 2018 foi O Jardim de Isaura. Em 2017 a melhor interpretação foi a de Salvador Sobral. Em 2018 foi a de Cláudia Pascoal e Isaura. São três mulheres e um homem – e as duas compositoras são mulheres. Mulheres portuguesas. É um orgulho altamente repetível, este de ver Portugal bem representado na Eurovisão. (...)

 

Miguel Esteves Cardoso

Dos palpites e das considerações

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É claro que nunca ganhei nem ganharei nunca o euromilhões. O meu jeito para apreciar eventos e palpitar resultados, sejam eles de jogos de sorte e azar, concursos televisivos ou resultados eleitorais, é patente em vários dos posts que já aqui deixei, e só ultrapassável pelo Prof. Marcelo.

 

O problema é que me esqueço e reincido. Mas mantenho que, apesar de ter achado impecável o espectáculo, de onde destaco as actuações extra ao próprio festival (apesar de não ter gostado da versão da Mariza do Barco Negro), para além de toda a organização, alegria e profissionalismo das apresentadoras, as canções eram bastante horrorosas, tendo brilhado pelo grotesco a vencedora. O Jardim, da Cláudia Pascoal e da Isaura, foi muito melhor.

 

Definitivamente, nunca serei rica.

Linha de Separação

Desde há muito tempo que não seguia séries na televisão. Há muitos anos mesmo. Mas nos últimos tempos, com as excelentes séries que têm passado na RTP2, esse hábito vem-se instalando.

 

 

Primeiro com Nobel, uma série norueguesa que conta uma falhada negociação política entre a Noruega e o Afeganistão, numa tentativa de fazer um acordo de paz que servisse os vários grupos de talibãs, depois com esta Linha de Separação, redescubro a vontade de me sentar em frente ao televisor, ansiosa por ver a continuação da história.

 

Esta série tem como centro uma aldeia que ficou dividida ao meio pela guerra fria, logo após o fim da II Guerra Mundial. Está muitíssimo bem feita, transportando-nos a um tempo que não é assim tão longínquo, mas que quase parece inventado. A transformação dos fanáticos nazistas em fanáticos comunistas, os oportunistas, os que vivem numa nuvem ideológica, apercebendo-se duramente da mistificação, a forma como se doutrinavam as pessoas desde a mais tenra idade, tudo nos devolve a inquietação pelo que pode ser a instalação de uma ditadura duríssima, mesmo após a queda de outra, não menos dura. E tudo em nome do povo.

 

 

E agora voltamos a outra série norueguesa, que promete - Ocupados.

 

Das ofertas recebidas (3)

 

 

 

 

Este Natal cinéfilo continuou-se com a série de televisão da HBO - The Nº 1 Ladies Detective Agency - que, infelizmente, se ficou pela primeira série. O ritmo, as cores, o sentido de humor e a sensibilidade impregnadas estão de acordo com as histórias de Alexander McCall Smith. Esta série ganhou inúmeros prémios, não se percebendo a razão de não ter continuado. São 6 episódios deliciosos.

 

A protagonista Mma Ramotswe (Jill Scott) está perfeita. Mas a caracterização e interpretação que mais me maravilharam foi a de Mma Makutsi, encarnada por Anika Noni Rose. A dicção lenta e as legendas em inglês facilitam a compreensão e compensam a falta de legendas em português.

 

Uma oferta excelente e aconchegante para estes dias invernosos.

 

 

 

Lamaçal

 

Não assisti ao debate entre Alfredo Barroso e Teresa Caeiro. Mas, via Câmara Corporativa, tive oportunidade de ver o referido debate, se é que se lhe pode chamar isso, moderado pelo sempre inqualificável Mário Crespo.

 

Alfredo Barroso começou por ler um artigo de Filipe Santos Costa, que citava frases de Paulo Portas, em que este referia os montantes exactos das várias específicas despesas a cortar pelo governo, essa direita que não aceitava o aperto fiscal e a recessão. Teresa Caeiro, incapaz de justificar o injustificável, arrastou a conversa para uma troca de insultos, falando de lamaçal repetidamente, sendo ela própria a primeira a atirar lama.

 

É muito difícil para a direita - nomeadamente o Presidente da República e os líderes do PSD e do CDS - que durante anos insultou os governantes do PS, chamando-lhes mentirosos, fazendo campanhas de descredibilização e de ataques de carácter, que justificava toda a situação económica do país pela incúria, incompetência e mentiras de Sócrates, ser agora confrontada com o facto do país se aperceber das campanhas, das calúnias, das manipulações e das mentiras dessa mesma direita.

 

Entretenimento

Ontem vi um pedaço do programa abrilhantado por Jaime Nogueira Pinto, em que traçava um Salazar muito à maneira dele, muito patriótico, muito honesto, muito modesto, muito missionário, muito ditador, mas isso até era bom, sem dúvida, mas este povo até gosta, enfim, nunca mais fomos os mesmos, o que era preciso era mesmo outro Salazar para meter isto na ordem.

Há uma ou duas semanas vi um pedaço do mesmo programa, desta vez abrilhantado pela dramática Odete Santos, toda ela em cores de encarnado, com grandes gestos e emocionado semblante, traçando o perfil do herói mais heróico que tivemos a sorte de ter em Portugal, que lutou contra a longa noite do fascismo, com determinação e coragem.

Estes programas, como muito bem disse A. Teixeira, são de entretenimento, e não de informação. Por isso acho absurdas as posições estremadas, de louvor extremo ao programa até à acusação de neosalazarismo encapotado, que se lê pela blogosfera.

Apesar de saber que Álvaro Cunhal defendia um regime idêntico àquele que combatia, não posso deixar de ter alguma simpatia pela sua figura. De facto era inteligente, aventureiro, artista, enfim um herói romântico, que só o foi porque nunca conseguiu chegar ao poder.

Relativamente a Salazar, para mim ele era tudo menos um grande português. Foi um homem que moldou o país à sua imagem e semelhança, sem grandeza de qualquer espécie. A partir do pós guerra, não vejo qualquer justificação para o aprisionamento das pessoas e das ideias, para o empobrecimento, para o enquistamento do conservadorismo e do provincianismo, para a rejeição das novidades na política e na sociedade.

Auschwitz, há 62 anos (2)

Tive pela primeira vez a uma noção do que poderia ter sido o Holocausto quando vi uma excelente série documental na televisão: O Mundo em Guerra (The World at War, da Thames Television, 1973). Tudo, desde a apresentação, à música de abertura, à voz de Laurence Olivier, era absolutamente arrepiante, pregando-me à cadeira, hipnotizada. Os episódios que narravam a deportação e o extermínio dos judeus, os campos de concentração e a sua libertação, eram aterradores.

A banalidade do mal, a máquina administrativa e bem oleada do Estado Alemão, o esforço daquele país na guerra, a alienação do povo, a luta pela sobrevivência, o despojamento de tudo o que significa ser humano, da dignidade, da identidade, tudo me horroriza. Do que podemos ser capazes!

Depois disso já li muita coisa sobre o Holocausto. A Escolha de Sofia, de William Styron, foi o primeiro, Sem Destino, de Imre Kertész, o último, e o que mais me impressionou. Com este livro nos apercebemos de como nos podemos adaptar ao mal absoluto e absurdo, fazendo do inenarrável o quotidiano, no sofrimento, no adormecimento das funções cerebrais superiores, como nos adaptamos a sobreviver encurralados, como a simples ideia de comer pode ocupar a totalidade da existência.

Assusta-me que a memória colectiva se vá esvaindo, permitindo haver quem ponha em causa a existência do Holocausto. É o primeiro passo para a repetição do horror. Não percebo porque não são obrigatoriamente mostrados filmes e documentários nas escolas, porque não se mostra aos nossos filhos o que a banalização do mal pode fazer.

Fui dar a estes 2 sites: Fórum de comemoração do 60º aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau; museu de Aushwitz-Birkenau.

Para que ninguém esqueça, para que nunca se repita.

Isenção (actualizada)

Considero a argumentação que gira à volta da ausência de José Sá Fernandes no programa Prós & Contras absolutamente abusiva. A RTP é um canal público mas não estamos em campanha eleitoral. Os critérios jornalísticos que ditam o tipo de convidados para cada programa e o local onde estão sentados, não são obrigatoriamente os da proporcionalidade de votos.

Segundo o Sol e o Arrastão, houve um recuo por parte da produção do programa e, afinal, José Sá Fernandes já faz parte do painel central, devido aos protestos do Bloco de Esquerda. Se assim foi, acho uma pena, pois considero uma cedência de profissionais perante o folclore bloquista. A qualidade e a isenção dos organizadores do programa deverão ser avaliadas pelas audiências e pelos organismos de regulação.

A verdade é que este programa tem levantado celeuma, pois só assim se compreende os holofotes nele sempre focados e o sempre animado debate em relação aos eventuais convidados.

Quem se estará a sentir incomodado?

Actualização: vale a pena ler estes “posts”. Até parece que foi combinado!