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Histórias de Lisboa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.06.20

Há um ano estreava Histórias de Lisboa. Para mim, um fantástico desafio e experiência, aumentados pelo orgulho de participar num espectáculo do Teatro Meridional.

Neste vídeo podemos perceber o conceito, os bastidores, a Lisboa de há um ano, poesia, e excelentes profissionais a criarem e a trabalharem. É sempre um milagre. Obrigada a todos por esta oportunidade, especialmente à Natália e ao Rui. E parabéns!

E como a Lisboa de hoje é diferente da Lisboa de então. Como, de um momento para o outro, tudo muda. Talvez se pudéssemos guardar alguma desta Lisboa silenciosa, espaçosa, dormente e luminosa para um futuro que rapidamente irá voltar, negando as juras de revolução na vida e no uso e abuso dos recursos, fosse se não o suficiente pelo menos uma vitaina de ar e de asas para continuarmos a sonhar.

 

Esta é a letra do fado que o Rui Rebelo magistralmente musicou

 

LISBOA

 

Regresso numa noite de alegria

com ondas de memória no olhar

a pele em nuvens de melancolia

de um corpo que recusa naufragar

 

Em barcos ou nas pedras das calçadas

nas ruas que percorro e desconheço

um mundo de palavras soletradas

de quem faz de Lisboa um recomeço

 

Destino de um passado que se esquece

ao ritmo que desfaz a melodia

verdade de um canto que apetece

no Tejo em que se espelha a poesia

 

As aves que ecoam assustadas

nas praças que Lisboa desenhou

desfilam pelas portas desbotadas

como se a luz abrisse o que fechou

 

Nem muros de pobreza e solidão

limitam tantas almas sem idade

dedilham com amor e lentidão

o fado que refaz a liberdade

 

Regresso numa noite imaginada

pelas ruas que a Lua inundou

recolho numa alma enrugada

o canto que Lisboa me ensinou

 

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publicado às 10:26

Ir ao Teatro

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.09.19

mascara-mortuaria-de-beethoven.jpg

Máscara mortuária de Beethoven

 

Sempre acabo a dizer o mesmo. Não percam a peça Kiki Van Beethoven, não deixem para os últimos dias. Façam um favor a vós mesmos e vão ouvir o monólogo de Kiki, brilhantemente interpretado por Teresa Faria, à melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo.

 

O autor da peça é Eric-Emmanuel Schmitt, a encenação de Natália Luísa. Sóbrio, simples, na luz, nos objectos em palco, no ambiente, na música que se ouve. Do riso às lágrimas, o encontro connosco, que nos perdemos.

 

E Beethoven.

 

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publicado às 20:33

Kiki Van Beethoven

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.09.19

sl-1-TeatroMeridional_Kiki_Van_Beethoven.png

Autoria: Eric-Emmanuel Schmitt; Encenação: Natália Luiza

Interpretação: Teresa Faria

Só até Domingo, 13 de Outubro

(Quarta a Sábado - 21:30; Domingo - 17:00)

Bilheteira: (+351) 91 999 12 13 / producao@teatromeridional.net / https://bit.ly/2GfOo8b

Teatro Meridional

A MELHOR Sala de Teatro do Poço do Bispo

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publicado às 15:24

Histórias de Lisboa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.05.19

HLX 4.PNG

É melhor não perderem mais tempo para comprarem os bilhetes.

Costumam esgotar rapidamente.

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publicado às 21:46

HISTÓRIAS DE LX

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.05.19

HLX.jpg

“Groselha, na esplanada, bebe a velha,

e um cartaz, da parede, nos convida

a dar o sangue. Franzo a sobrancelha:

dizem que o sangue é vida; mas que vida?

Que fazemos, Lisboa, os dois, aqui,

na terra onde nasceste e eu nasci?”

 

Alexandre O’Neill, in ‘De Ombro na Ombreira’

 

HLX 3.JPG

HLX 2.JPG

Não deixem para os últimos dias.

Estes espectáculos costumam esgotar depressa.

 

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publicado às 21:26

Carmen

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.07.18

carmen.jpg

Carmen

 

Em palco duas grandes actrizes.

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publicado às 21:24

Teatro Meridional a rimar com genial

por Sofia Loureiro dos Santos, em 03.06.18

FEIRA-DELL-ARTE.png

Feira Dell’Arte

Texto: Mário Botequilha

Encenação: Miguel Seabra

Interpretação: Emanuel Arada e Rosinda Costa

Teatro Meridional

 

 

Para quem perdeu, pode ser que haja uma reposição. Simplesmente genial - tudo. Um texto divertido e corrosivo, actores esplendorosos, luz, cenografia, som, tudo, como sempre, minimalista, engenhoso, simples, a simplicidade da verdadeira arte..

Parabéns.

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publicado às 17:40

Dona Rosinha a Solteira ou a linguagem das Flores

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.04.18

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Ontem fui ao Teatro Meridional ver esta peça de Federico García Lorca.

 

Mas entrar na melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo é sempre uma experiência única, em que tudo se transforma para acolher os espectadores como se fossem velhos amigos. O café e o chá à nossa espera com uma fatia de bolo, cadeiras, mesas e luzes que convidam a uma intimidade simpática e não intrusiva, peças de mobília que nos colocam dentro de um cenário, fazendo dos presentes actores.

 

Por vezes acontecem revezes e inesperados contratempos, como foi o caso de ontem. Um problema na electricidade, devidamente explicado por Miguel Seabra, atrasou o início da representação, para quem não se importou de esperar, que foi a quase totalidade dos presentes. Entretanto, Natália Luíza distribuiu folhas com poemas de Federico García Lorca, no original e traduzidos por Ruy Belo e Eugénio de Andrade. A pouco e pouco, seguindo-se a ela, várias pessoas declamaram os poemas, criando um ambiente de partilha das palavras e da sua melodia, ecoando por dentro de nós a ressonância de sentimentos, que fizeram do tempo de espera um novo espectáculo.

 

A peça fala da espera, da esperança e do desespero, da resiliência e da fuga à realidade, de mulheres e dos homens que as cercam e enganam, das decisões e dos confinamentos a que nos condenamos, do arrastar da memória e do despojamento final. Fios que se esticam e partem, bordados que se desfiam e morrem, numa linguagem de flores.

 

Três mulheres, três épocas. As luzes, os movimentos, a música, o alternar da leveza e da crua realidade, Dona Rosinha a Solteira, ou a linguagem das flores, é uma peça do início do século XX que continua a ser actual.

 

Nunca é demais ir ao Meridional. Preparem-se já para a próxima, que estreia a 9 de Maio.

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publicado às 17:19

Ainda bem que não pararam

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.11.17

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Não sabia o que me esperava, nunca sei. Mas tenho sempre a absoluta certeza de que valerá a pena, quando vou assistir a um espectáculo do Meridional. E este, que comemora os 25 anos de uma carreira excepcional, prometia reflexão – DEVÍAMOS ter parado.

 

Quando acabou, as mais fortes sensações que me ficaram foram as de deslumbramento por um espectáculo belíssimo, e uma grande interrogação sobre tudo o que vi.

 

Esta não é uma peça de texto escrito ou falado, é uma peça de texto mímico e sensorial, em que o que se passa no palco conta uma história diferente para cada um dos espectadores. Aliás quem faz a história é cada um de nós, sendo os actores, a cenografia, a música, tudo, provocações de uma coisa que parece totalmente desligada e desconexa, mas que é uma forma de nos mantermos em interrogação permanente, de adaptarmos o que vamos vendo aos nossos percursos de vida. As personagens vestem e despem continuamente roupagens, que os fazem diferentes. Umas vezes experimentam, como se medissem as consequências, outras fazem-no rápida, repetida e atabalhoadamente, atropelando-se pelas mesmas roupas, outras normalizam-se e adquirem um tom executivo, assertivo e apressado, agressivo e devorador, outras ainda acabam por preferir a própria pele sem adereços, mergulhando numa posição quase fetal e isolada, à parte, como se se auto marginalizassem.

 

E por vezes encontram-se, como na cena em que duas actrizes têm vestido iguais, se movem da mesma maneira e olham espantadas à sua volta, meio crianças, meio bonecas, de mãos dadas. Por vezes encontram-se, como as que caiem nos braços uma da outra, como se desistissem e se amparassem mutuamente. Por vezes encontram-se, como se descobrissem o amor. Por vezes encontram-se, como se pudessem substituir ou acrescentar pormenores uns aos outros, adaptando-se a circunstâncias extremas.

 

E há algumas revoltas isoladas e inconsequentes, como a vontade de cantar de uma personagem que lembra as bailarinas da Paula Rego, que não sabe “o que querem que faça” e desafia “quem quer” com uma voz poderosa, há alguns desesperos, há um guarda-chuva que faz rir, um espelho que roda vagarosamente numa interpelação directa (somos nós que ali estamos), alguém que se passeia com nariz de palhaço e flores, murmurando palavras como silêncio e pausa.

 

A última cena é indescritível de bela. A música, as vozes, a luz, a melancolia, tudo misturado com a sensação de que não percebemos nada de nada, nada do que passámos, do que vivemos, do que somos, e ao mesmo tempo que, apesar de tudo, aquilo é connosco. Que, apesar de tudo, continuamos a procurar a nossa própria personagem, individual e colectiva.

 

Seria isto o que o Meridional pretendia? Penso que cada um fará uma interpretação diferente.

 

Mais uma vez estão todos de parabéns. Não percam, mesmo.

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publicado às 12:35

Meridional - 25 anos de encantamento

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.07.17

meridional 25 anos.jpg

 

 

O Teatro Meridional comemorou, no dia 21 de Julho, 25 anos.

 

Em 54 espectáculos, cerca de 2 por ano, o Teatro Meridional foi criando peças inesquecíveis, em que a simplicidade dos cenários e da música, a magia das palavras, ou mesmo a sua quase ausência, associadas e interligadas com o espantosa performance dos actores, fizeram e fazem a sua imagem de marca - qualidade, ternura, inteligência, humor. Esta qualidade tem vindo a ser reconhecida pelas dezenas de prémios com que tem sido distinguido, e pela presença do público incondicional e cada vez mais numeroso.

 

Desde há cerca de 15 anos que têm o seu espaço próprio no Beco da Mitra, a melhor sala de espectáculos do Poço do Bispo, como diz Miguel Seabra que, com Natália Luíza, dirige esta família de gente de excepção. Não faltam o café e o chá, o bolo, as mantas no Inverno e os leques no verão, tantos toques de atenção particular que, também por isso, fazem do Meridional um Teatro único.

 

Sinto-me uma privilegiada por ter podido partilhar estes 25 anos. Sempre que vou assistir a uma das suas peças, saio de lá mais atenta, mais alerta, mais feliz.

 

Muito obrigada.

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publicado às 17:47


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