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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sondagens

A acreditar na sondagem que saiu ontem, do ICS/ISCTE, esta solução governativa tem hipótese de se repetir. O PS não tem maioria absoluta mas a esquerda soma mais votos que a direita.

 

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É interessante ver que a líder com pior imagem é Assunção Cristas, e que a maioria dos participantes acha que este governo tem feito um bom trabalho. Há, no entanto, 17% de pessoas que dizem não saber em quem votar, o que é muitíssimo expressivo e significativo.

 

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António Costa tem que mobilizar o seu eleitorado, não só para que não se verifique uma vitória da direita, como para que seja o partido mais votado, como ainda para que não fique refém dos partidos à sua esquerda. Por outro lado, terá que negociar um programa de governo antes das eleições, pois os objectivos da próxima legislatura terão que ser mais ambiciosos do que reverter a desgraça anterior. António Costa não tem tarefa fácil e, a avaliar pela última campanha legislativa, convém que lhe corra melhor.

 

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Rui Rio parece estar bastante mal classificado, mesmo dentro de que vota no seu partido. Mas ainda é muito cedo, e teremos europeias e autárquicas* entretanto, pelo que tudo isto ainda pode mudar.

 

*Por lapso escrevi autárquicas mas, na relaidade, como me lembrou um comentador, são eleições para a Região Autónoma da Madeira.

Cada um tem as suas leituras

A propósito das últimas sondagens da Universidade Católica, é interessante verificar a leitura que delas fazem os vários media:

 

A minha leitura é diferente:

  • Se as eleições fossem hoje, a maioria que suporta este governo seria maior do que a que resultou dos votos em 4 de Outubro (em 1%)

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Ou seja, nada mudou de então para cá.

 

Por isso, a tese defendida por Luís Montenegro, em São Bento - Fizeram tudo isto um pouco às escondidas e não disseram antes das eleições o que congeminaram entre si sabe-se lá desde quando. - ou por Carlos Blanco de Morais, em Belém - Outros eleitores não compreenderiam que o seu voto tivesse sido convolado na formação de uma aliança que não fora preanunciada e para muitos, contranatura. - é, ela própria, um embuste (mais um) da PAF, a que os media (ainda) dão cobertura.

Por um governo decente

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 AXIMAGE - 7 de Junho de 2015

 

António Costa e o PS estão a fazer uma campanha limpa e séria, como já há muito tempo não se assistia. O programa eleitoral está publicado, para que quem quiser o leia e discuta, o compare com o da coligação de direita que, a reboque da iniciativa do PS, se sentiu na obrigação de apresentar propostas.

 

O PS, segundo as várias sondagens que vão sendo conhecidas, não consegue uma maioria absoluta. Os valores de abstenção da última sondagem da AXIMAGE situam-se em 35%. É aqui que António Costa e a sua equipa se devem concentrar.

 

É indispensável que o PS convença o eleitorado da importância de conseguir uma maioria absoluta. Como se esperava, o PCP e o BE (não falando noutras formações mais ou menos folclóricas, mais ou menos bem intencionadas) continuam a atacar o PS colando-o ao PSD e CDS. Esta legislatura não lhes ensinou nada, tal como não ensinaram nada as décadas que decorreram desde o 25 de Novembro de 1975, em Portugal e no resto do mundo. Para conseguir aplicar o seu programa, aquele que vai defender em campanha eleitoral, o PS tem de convencer o País a dar-lhe autonomia e a responsabilidade não partilhada para os próximos 4 anos.

 

As alianças pós eleitorais estão nas mãos dos eleitores. Mas os eleitores têm que ser bem esclarecidos do significado da ausência de uma maioria absoluta, tanto para a esquerda como para a direita.

 

A grande diferença é que, à esquerda, não há interlocutores que permitam uma coligação com coerência e com o mínimo de estabilidade. Por muito que o PS se esforce, a sua natureza intrinsecamente democrática e a sua opção por uma economia aberta afasta-o das formações que se dizem de esquerda, defensoras de uma utopia que apenas se materializou em totalitarismos. A sua opção por um Estado que garanta os direitos e os apoios sociais aos cidadãos, um estado promotor de igualdade e desenvolvimento em vez de um Estado mínimo e anémico, afasta-o desta direita trauliteira e retrógrada.

 

Não é entre Passos Coelho e António Costa que os eleitores hesitam mas sim entre António Costa e a demissão de votarem. António Costa, os seus mais próximos conselheiros, os órgãos dirigentes, os militantes e os simpatizantes terão que, persistente e aplicadamente, vencer a propaganda diária dos comentadores, dos alinhamentos noticiosos e da desinformação permanente.

 

O País precisa de um governo decente, para que se recupere a dignidade de viver com segurança e com confiança no futuro. Não há margem para falhar. É urgente a mudança.