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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da preparação olímpica confinada

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Pois se pensava que a quarentena iria livrar-me dos treinos dantescos a que sou submetida, a minha PT decidiu que estava mesmo na altura de me preparar para os jogos olímpicos, visto que foram adiados.

E no meio dos escombros de umas obras suspensas pelo estupor do SARS-CoV-2, depois de salvar a passadeira, que tinha estado adormecida por vários anos e coberta de uma espessa camada de pó, afundada no meio de latas de tinta e tijolos, sempre de Skype (não confia em mim se apenas me ouvir dizer que estou a cumprir as repetições, que estou a encolher a barriga e a juntar as omoplatas), serei das poucas pessoas, se não a única, que vai ultrapassar a quarentena surgindo bela e elegante após o confinamento.

Mas a verdade é que os materiais de fitness estão esgotados em toda a parte – não há pesos, nem TRX, nem bombas para encher bolas de Pilates, tudo equipamentos absolutamente indispensáveis para o fitness at home.

Pensava eu! Porque cá em casa e através da janelinha do computador, as instruções incluem levantar garrafões de água de 5 litros, agachamentos com paus de vassoura e abdominais com tijolos. Portanto, não há desculpas para a inacção.

Sempre a treinar, seja ao ar livre seja no meio das obras, nada fará empalidecer o brilho da próxima medalhada olímpica da classe das sexagenárias – eu mesma!

 

SARS-CoV-2 - distribuição etária – prevenir e proteger

Neste momento, a grande diferença entre as infecções confirmadas em Portugal e Espanha é a distribuição etária. E também por isso, e se calhar exactamente por isso, a diferença entre as respectivas mortalidades - 1,1% e 6,1%.

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El País

 

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DGS

É absolutamente crucial tentar impedir que a infecção se generalize a lares de idosos. É essencial que os mais velhos tenham a noção exacta do risco acrescido.

Prevenir e proteger é o mais importante.

COVID-19 em Portugal - hoje

A evolução da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal tem seguido uma curva ascendente, como se previa e acontece em todos os outros países do mundo. No entanto, para já, tem corrido melhor do que algumas previsões.

Embora seja muito cedo para perceber se a tendência se mantém, é importante registar este facto.

Não podemos entrar em pânico e devemos continuar a nossa vida, o melhor que podemos, sem alarmismos mas com muito cuidado e muito senso, ouvindo e seguindo as indicações da DGS e do governo.

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Em termos de evolução do número de casos confirmados, ela tem uma curva exponencial, com uma percentagem de aumento de novos casos de 25%, já há 2 dias.

 

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A taxa de letalidade é (hoje) de 0,88%.

 

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Se observarmos as curvas de previsão da evolução do número de casos de Buesco - mais optimista (aumento de 30% de casos/dia); mais pessimista (aumento de 39% de casos/dia) - e de Aguiar-Conraria (usando os cálculos da última função exponencial que calculou), percebemos que a real está abaixo de qualquer das outras.

 

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Se analisarmos os desvios percentuais é mais visível essa diferença.

 

Boas notícias que devem ser olhadas com reserva: é cedo, mas é encorajador.

Pode ser que a Primavera nos traga melhores notícias e, principalmente, uma enorme resiliência. Nese momento é disso que precisamos. E de bom humor e de solidariedade. E de serenidade. 

A emergência de continuarmos

Para enfrentar esta pandemia temos que estar municiados de várias coisas - prudência, calma, consciência, responsabilidade e, acima de tudo, não ceder ao medo nem ao alarmismo.

É preciso continuar a viver e a trabalhar, com as precauções e as limitações inerentes e, diariamente, actualizadas pelas entidades oficiais. Mas se caímos na irracionalidade, pedindo medidas drásticas cujos efeitos no controlo da infecção são bastante discutíveis, ao contrário das certezas quanto à devastação económica e social que se lhes seguirão, podemos estar a condenar os cidadãos, em Portugal e no mundo, a anos de empobrecimento com consequências difíceis de gerir.

A declaração do estado de emergência é uma medida grave e sem precedentes que, a ser tomada, poderá ter que ser renovada de 15 em 15 dias, numa escalada de paralisação do país e das vidas de todos que nem sequer imaginamos. Por isso espero que os nossos governantes, a começar pelo Presidente da República, não cedam ao instinto do medo, à tentação de agradar aos múltiplos comentadores especialistas em epidemiologia e virologia que pululam por todo o lado, anunciando certezas e insultando quem tem dúvidas quanto à pertinência desta medida.

Todos somos poucos para esclarecermos e acalmarmos a natural ansiedade que nos assalta. Cabeça fria e coragem para ser lógico, racional e anti-populista, é o que se nos pede, sem excepção.

Do questionar das lideranças - (des)igualdade de género

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Vale a pena ler o artigo no Expresso de ontem (07/Março) sobre Graça Freitas, a Directora Geral de Saúde.

Pelos vistos tem um excelente currículo e não deve ser fácil encontrar-lhe falhas em termos de competências técnicas. Por isso aparecem pequenas frases que nos indispõem quanto ao seu carácter - enerva-se, levando à dúvida se lhe faltarão os nervos de aço necessários para enfrentar a infecciosidade do vírus e a pressão do país. Também é "frontal para baixo e submissa para cima", pois permitiu o esvaziamento dos recursos da DGS, vindo de imediato a comparação com Francisco George e Constantino Sakellarides. Esses sim, conclui-se de imediato, faziam frente ao poder.

Ficamos ainda a saber que tem uma doença oncológica e que foi submetida a quimioterapia, que é muito dedicada à mãe e que cuida de orquídias o que, sinceramente, não sei o que interessa à generalidade da população. E ainda que tem atitude de avó e é paternalista.

Será que este tipo de artigo seria escrito se fosse um homem à frente da DGS? Será que a "emoção" e o tom condescendente seria empregue se o texto fosse sobre Francisco George ou Constantino Sakellarides? Alguém sabe se Francisco George se dedica à família e se gosta de cuidar de flores?

Já percebi que o Expresso é o porta-voz de quem quer denegrir o SNS, aproveitando todos os pretextos para amplificar as verdadeiras e as falsas falhas do SNS, dando visibilidade às opiniões dos que defendem que o SNS, o governo, a Ministra e esta DGS, não estão à altura das circunstâncias.

Mas será apenas por isso? Será que o facto de ser uma mulher não acolhe um subliminar machismo, tentando demonstrar-se a falta de capacidade de liderança de uma mulher, por muito competente e dedicada à causa pública que seja?

A responsabilidade (também) é nossa

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A pandemia de COVID-19 aí está. Todos somos responsáveis pela sua contenção e mitigação.

Nada de entrar em pânico, ir a correr para supermercados e farmácias e esvaziar prateleiras. Isso é totalmente desnecessário e que desencadeia os nossos piores instintos.

Prepararmo-nos sim, informando-nos em sites fidedignos, seguir com atenção o desenrolar dos acontecimentos, cumprir rigorosamente todas as indicações das entidades de saúde, adaptarmo-nos e sermos solidários.

Lavar as mãos bem e muitas vezes, usar lenços descartáveis, espirrar e tossir para lenços ou cobrindo a boca e nariz com o braço, ficar em casa caso se esteja doente.

E, principalmente, não sobrecarregar os serviços de saúde - as outras doenças não fazem intervalos. Sabemos das nossas maleitas e devemos tratar delas sem ir a correr para os serviços de urgência. É a mais correcta conduta sempre, mas agora mais importante que nunca.

E nada de acreditar nas pseudo-ciências pseudo-naturais e pseudo-saudáveis. Não há salada de quinoa nem sumos detox que destruam o vírus. Comer e dormir bem, fazer exercício físico, apanhar sol, arejar a casa, são regras do bom viver e deixam-nos mais bem preparados para enfrentar quaisquer agruras.

E nada de acreditar nas teorias da conspiração, disseminando pseudo-informações pseudo-secretas de laboratórios chineses ou americanos, ou mesmo extraterrestres, onde se fabricariam estes vírus. A realidade ultrapassa sempre a ficção e a natureza sabe perfeitamente desafiar-nos.

Os jornalistas e a comunicação social têm uma responsabilidade acrescida. Contenção, rigor e informação antes de noticiar são fundamentais. O alarmismo e os títulos tremendistas só acrescentam ruído e confusão.

Calma e solidariedade. Estejamos atentos aos nossos familiares e amigos. Se alguém não pode sair de casa outro alguém pode levar-lhe mantimentos e medicamentos. Se não podemos falar pessoalmente, há telemóveis e skypes. Se mão podemos ir para o cinema, há vídeos, televisão e internet. E podemos redescobrir o indizível prazer de ler um bom livro.

Temos que perceber que dependemos uns dos outros e que se falhamos a uma pessoa podemos desencadear uma cadeia de falhanços em dominó. Nada de pânico.

A mediatização da arrogância

Uma das coisas que me deixam mais perplexa é a total ausência de autocrítica. Se isto é grave para qualquer um de nós, é ainda mais grave em responsáveis por entidades tão importantes como a SPMS.

A extraordinária atenção mediática que se deu a Henrique Martins aquando do seu afastamento, o que levou o Expresso a patrocinar até o seu poema de despedida, dá muito que pensar.

Vale a pena atentar nas múltiplas explicações, entrevistas e justificações que Henrique Martins se apressou a dar, com inúmeros microfones ávidos por amplificar. Por um lado estava preocupadíssimo com a desorçamentação da SPMS desde 2018, que também afecta a linha de saúde SNS24, tendo tido diferendos vários com o Ministério da Saúde. Por outro lado tinha demonstrado a sua disponibilidade em se manter à frente da SPMS para mais um mandato de 3 anos. Em que ficamos?

Vale a pena ler atentamente o dito poema de despedida. Ficamos a saber que Henrique Martins é "uma vela de pavio forte, que querem apagar".

“Somos todos” velas
Consumo-me.
Consumo-me no que acredito
Consomes-te, dizem-me aflito
O amigo, a família e o corpo
Morto, que não te veja morto!
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Consumo-me no que acredito
Somos como velas
E é vê-las
Que quanto mais brilham e ardem
Quando mais fazer e mostram
Mas incomodam e acedem
Mais iluminam e revelam
Mais põem a nu
O que outros não fazem, não querem
Não gostam, escondem, mentem e enganam
Como velas de pavio forte
Queimamos ao luar
Das madrugadas passadas
A Trabalhar
A escrever, a digitar
A Criar o digital na saúde em Portugal
9 anos acessos, pela força e paixão
Como velas que ardem dentro do coração.
Mas consumo-me no que acredito
Como vela que arde num devir infinito
Sinto hoje a dor do desprezo e da ignorância
A falta de coragem, que nem falta a uma criança
Que sobe ao quarto na noite escura que a vela acesa
Tem por segura
Guerra que levará por diante, iluminando a mente
Até do mais distante…
No mundo vêm se as velas acesas, como a minha
Só na minha terra, a querem apagar
Só na minha terra a querem apagar
Apagar uma vela? Será possível
apagar das cabeças de quem viu a luz?
“É favor apagar a luz!” deve ter sido assim a ordem
Apagar a luz…
A estratégia, a visão?
De médicos a fazerem receitas só com uma mão
No telemóvel.
Doentes a falar com eles no Portal
E todas as receitas sem papel
E plataformas sem fim, e tantas coisas tantas
Que outros vêem como a luz:
Como estrelas que se seguem,
Vieram do Japão, do Brasil,
da Austrália e sítios mil.
Até de outros Ministérios,
Esses que guardam outros tantos mistérios.
Ontem, quis o vento
de repente que a vela se apague
lento e sorrateiro, sem dignidade nem poleiro,
Quis um vento que esta vela
não se consumisse mais
Ironia: Que se poupe…
Assim sobra para outras noites
Outros negros cantos iluminar
- Assim poupas-te! Diz-me o amigo.
Assim fico com pavio para voltar a acender
Talvez noutra terra, noutra instituição
Sempre com mesma força e paixão.
Quis uma decisão críptica, informada na noite escura,
Que esta alma se calasse e não dissesse ao mundo
O que se passa de mal no Estado em Portugal
Somos como velas.
Consumimo-nos no que acreditados.
E eu acredito que é possível mudar PORTUGAL


Alcainça, 5 Março 2020
Henrique Martins

Se tivesse dúvidas quanto aos motivos da não recondução de Henrique Martins, ele próprio conseguiu justificar a justeza da decisão.

Soundbites e informação

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No meio da uma iminente epidemia em Portugal, causada pelo COVID-19, à falta de casos positivos para regalar os alarmismos dos títulos dos jornais, usam-se frases da Directora Geral de Saúde numa entrevista, em que fala de cenários e número de infectados na totalidade do decurso da referida epidemia.

Em tempos de crise, seja ela de saúde ou outra, a informação é a base de todas as decisões e de todos os planeamentos para minimizar os impactos sociais, económicos, etc. O rigor, a serenidade e o sentido de responsabilidade deveriam pautar as linhas editoriais dos media.

Assiste-se exactamente ao contrário. Graça Freitas tem sido clara, serena e esclarecedora. Mas nada a salva, a ela nem a ninguém, da pesca de soundbites para angariar leitores, independentemente da justeza e verdade dos factos.

Estamos preparados? Tal como o resto do mundo com sistemas de saúde organizados, como é o caso do nosso, estamos preparados para nos prepararmos. É sempre assim, com todas as epidemias, todos os anos. A contribuição tem que ser de todos, começando nas Instituições e acabando nos cidadãos. Calma e serenidade, atenção e confiança. O medo é o pior conselheiro e o mais terrível vírus de todos.

Sites informativos e fidedignos:

Direcção Geral de Saúde; Organização Mundial de Saúde

Artigo informativo: The Guardian

Informação, rigor, ciência, partilha

(...) "Devemos acelerar o desenvolvimento de vacinas, terapias e diagnósticos; combater os rumores e a desinformação; rever os planos de preparação, identificar lacunas e avaliar os recursos necessários para identificar, isolar e cuidar de casos de impedir a transmissão; e partilhar dados, conhecimento e experiência com a OMS e o mundo. A única maneira de derrotar este surto é que todos os países trabalhem juntos num espírito de solidariedade e cooperação. Estamos todos juntos nisto e só podemos parar juntos" (...)

(...) "A OMS não recomenda a restrição de viagens, as trocas comerciais e os movimentos [de pessoas] e opõe-se mesmo a todas as restrições de viagens." (...)

DN

OMS - Conselhos ao público

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OMS - relatórios da situação

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mortalidade até 30/Jan/2020 - 2,17%

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OMS - conferência de imprensa 30/Jan/2020