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Cansaço imenso

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.08.20

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Medicine Woman

Denisa Kolorova

 

Cansaço imenso de me sentir a afogar perante tanta histeria, tanto espectáculo de má qualidade.

Má qualidade das informações e dos informadores, repetição sistemática e ruidosa de lugares comuns, meias falsidades ou mesmo falsidades completas, numa gritaria demente que aterroriza as pessoas, adormece-lhes o sentido crítico e paralisa o raciocínio.

Má qualidade dos protagonistas que, a coberto de cargos institucionais, dão largas às suas agendas e ambições pessoais, cobertura a posturas pesporrentes e arrogantes de quem não entende que nada nem ninguém é indispensável, e que a utilização oportunista de desgraças colectivas é tristemente demonstrativa da falta dos valores que, hipocritamente, se apregoam.

Cansaço imenso de mim própria porque não aceito que mudei, que já não tenho o vigor e a audácia, quem sabe a coragem, da afirmação do que me indigna e revolta. Cansaço imenso da minha própria acomodação ao crescente incómodo. Cansaço imenso da minha cobardia.

Como médica que sou, não me revejo na omnipresença do Bastonário, nos avisos do Bastonário, nas palavras, ditas ou escritas do Bastonário, nas ameaças, veladas ou explícitas do Bastonário. Sindicalizado só está quem quer, mas à Ordem dos Médicos todos pertencemos. Não somos uma irmandade selecta nem um grupo de gente com dons divinos. Somos pessoas de carne e osso, com qualidades e defeitos, que escolhemos a profissão que temos. Fantástica e maravilhosa com os riscos e as responsabilidades inerentes, que conhecemos e aceitamos. Capaz de nos elevar à euforia ou à mais funda depressão, de nos tirar noites de sono, de nos dar dias de enlevo.

Como médica que sou agradeço a possibilidade de continuar a sê-lo, apesar de tudo. E principalmente apesar daqueles que têm como função representar a serenidade, a pedagogia, a empatia, o rigor científico, a tolerância, a exigência, a humildade.

É isso - cansaço imenso.

 

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publicado às 17:35

Vírus e Sistema Nervoso Central

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.07.20

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Multiplicam-se os títulos bombásticos de manifestações da COVID-19. O Público publica uma notícia que cita estudos que alertam para a possibilidade de lesões graves causadas pelo SARS-Cov-2 no Sistema Nervoso Central (SNC).

Uma pequeníssima e rápida busca no Google, mostrou outros estudos, noutros anos, com outros vírus, que alertam para as mesmas possibilidades: nestes casos concretos em relação aos vírus da gripe (H1N1 e H5N1).

Também o vírus da varicela é conhecido por poder causar lesões no SNC. E muitos outros. É indispensável que não percamos a perspectiva do todo - há muitos vírus que têm capacidade para lesar o SNC, o que não significa que o façam sempre nem para sempre.

Este tipo de notícias só aumentam o medo pelo alarmismo. Informação não pode ser apenas a procura de títulos assustadores, completamente desenquadrados e sem qualquer procura mínima de cruzamento de dados.

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publicado às 10:29

Recomeçar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.05.20

Parece que estamos numa fase estável da pandemia em Portugal. Todos os dias há novos casos mas a percentagem de evolução mantém-se entre os 0,5 e os 1% e, mais importante que isso, o número e percentagens de doentes internados e em Unidades de Cuidados Intensivos têm vindo consistentemente a descer.

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Por agora a pandemia está controlada e podemos, com cuidado, mantendo a vigilância, os cuidados de prevenção e de redução de riscos, começar a regressar à nossa vida. Temos que perder o medo de desconfinar.

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muito que ficou suspenso, em termos de cuidados de saúde – consultas, cirurgias, rastreios – que tem que ser recuperado o mais depressa possível, para que se minimizem as consequências inevitáveis desta suspensão, dos atrasos nos diagnósticos e nas terapêuticas.

Talvez fosse de ponderar, como já tantos disseram, retomar a orientação dos doentes com COVID-19 para alguns hospitais de referência, libertando os outros para a necessária recuperação da actividade.

Muito fizemos nestes meses e muito aprendemos, pelo menos assim o espero. As práticas que fomos obrigados a implementar em tempo recorde, no campo das soluções de teletrabalho, de teleconsultas, de agilização dos atendimentos e resolução de problemas online, por telefone, por aplicações, etc., evitando deslocações e perdas de tempo inúteis, deverão ser optimizadas e continuadas, no SNS e em todas as outras áreas de actividade.

A redução de veículos nas estradas, para além do ganho ambiental, faz diminuir os acidentes de viação, as filas de trânsito, as despesas com os combustíveis, os problemas de estacionamento. A melhoria de qualidade de vida se pudermos combinar melhor o trabalho com tudo o resto, a possibilidade de desburocratizar os procedimentos, a disponibilidade para resolver as coisas sem complicar que a pandemia nos deu, são para manter e incentivar.

A pandemia não está vencida, mas temos que vencer o medo. Lavar as mãos, manter a distância social, respeitar os outros e lembrarmo-nos da enorme multidão que não pode nem nunca conseguiu ficar em casa à espera que passasse o perigo, porque esteve a assegurar o sustento, a saúde e o conforto dos outros. E também de outra enorme multidão que está aflitíssima, sem dinheiro para pagar as despesas básicas, nomeadamente comida, e que precisa da nossa solidariedade para viver e para poder continuar a trabalhar.

Todos queremos regressar à vida, rapidamente, mas a qual vida? Essa é a questão verdadeiramente mais importante.

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publicado às 16:51

Heróis de todos os dias

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.20

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Flachsscheuer in Laren

Max Liebermann

 

Sou médica. A minha especialidade tem-me mantido longe do furacão da COVID-19 mas, como todos os cidadãos, tenho tentado colaborar ao máximo para manter o país a funcionar ao mesmo tempo que se limitam contágios e se aguardam avanços terapêuticos e, principalmente, uma vacina.

Ninguém fica indiferente ao enorme empenho dos profissionais de saúde nesta época tão difícil, em que o seu trabalho, profissionalismo, generosidade e entrega são evidentes. Numa crise tão grave de saúde pública, eles são os mais visíveis obreiros da resistência. Aqueles que hoje, como todos os dias, em maior ou menor grau, cumprem o seu objectivo de vida que é cuidar e tratar doentes, com COVID-19, tuberculose, cancro, depressão, traumatismos, etc. E também solidão, tristeza, isolamento, empobrecimento. Porque todos os dias os profissionais de saúde são confrontados com essas realidades, para as quais se prepararam e para a quais continuam teimosamente a preparar-se dia a dia, ano a ano, durante toda a sua vida profissional.

E quando falo de profissionais de saúde estou a incluir todos os profissionais – médicos, de todas as especialidades, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e técnicos, farmacêuticos, gestores, todos os que, diariamente, dão o seu melhor para manter a funcionar bem os serviços de saúde, nomeadamente o SNS que, agora, parece ter recebido o apoio unânime mesmo daqueles que sempre o acharam dispensável, que sempre têm propagado a sua agonia e a sua morte.

Mas a sociedade não se resume nem se esgota nos serviços de saúde e nos seus profissionais. Se eles nos merecem respeito, não menos respeito nos merecem todos os que, nos bastidores e com profissões e trabalhos menos visíveis e, sobretudo, menos glamorosos, permitem manter as cadeias alimentares e de serviços a funcionar, todos os que continuam a escoar produtos, a manter as portas dos supermercados e outras lojas abertas, pessoal de segurança, das Forças Armadas, das Câmaras Municipais, das empresas de recolha e tratamento de lixo, de limpeza das ruas, estabelecimentos hospitalares e outros, das casas mortuárias, dos cemitérios, da Assembleia da República, do Governo, os professores, os PTs, os músicos, os poetas, os actores, todos os artistas que nos entretêm e nos ajudam a não enlouquecer. De todos os invisíveis heróis que não são homenageados nem ovacionados pela sua competência, profissionalismo, generosidade e entrega.

Embora eu própria não faça parte do pelotão da frente no combate a esta pandemia, sinto-me orgulhosa pelo excelente trabalho que tem sido feito e que, neste país que nos habituámos a denegrir e a minimizar, tem mantido a situação controlada e dentro dos limites que possibilitam a adaptação possível ao desconhecido. Isto tudo apesar das inúmeras intervenções alarmistas, arrogantes, descontextualizadas e reivindicativas de estatutos especiais de muitos dos que deveriam ser os mais responsáveis e discretos interventores de todos. Não é assim que defendem os profissionais nem é assim que se dá confiança à população, sedenta de segurança e indicações precisas, quando há tanto que não se sabe e que se muda de dia para dia. Ninguém é especial, todos somos indispensáveis uns aos outros. É e sempre foi uma evidência, mas com esta pandemia tornou-se ainda mais evidente.

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publicado às 12:18

Os velhos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.04.20

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Entrevista a Ramalho Eanes - RTP (01/04/2020)

 

São assim, os velhos. Repetem-nos aquelas coisas que nos fazem encolher os ombros e filosofar perante a decrepitude e a voracidade do tempo, perante a desadequação às modas e aos moderníssimos pensamentos, à moderníssima sociedade, à moderníssima actualidade. Tão previsíveis e, no entanto, tão agudos e certeiros no que de mais fundo e mais autêntico há nos seres humanos.

Os velhos, como se chamou Ramalho Eanes, com a voz tantas vezes embargada pela emoção e pelas lágrimas que engole. Sim, os velhos comovem-se muito e não se importam. Os velhos como ele a dizerem aquilo que nós nos esquecemos de sentir. Coisas tão simples como as inevitáveis e naturais escolhas que se fazem ao longo e no fim da vida, pela vida dos outros. Não para se gabarem, não para serem modelos, não para que os admirem, não para doutrinarem.

São assim, os velhos. Pelo menos alguns, pelo menos Ramalho Eanes. E era também assim o meu pai. Nunca como ontem a sua presença foi tão real e me foi tão dolorosa a sua ausência.

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publicado às 13:08

Da preparação olímpica confinada

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.03.20

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Pois se pensava que a quarentena iria livrar-me dos treinos dantescos a que sou submetida, a minha PT decidiu que estava mesmo na altura de me preparar para os jogos olímpicos, visto que foram adiados.

E no meio dos escombros de umas obras suspensas pelo estupor do SARS-CoV-2, depois de salvar a passadeira, que tinha estado adormecida por vários anos e coberta de uma espessa camada de pó, afundada no meio de latas de tinta e tijolos, sempre de Skype (não confia em mim se apenas me ouvir dizer que estou a cumprir as repetições, que estou a encolher a barriga e a juntar as omoplatas), serei das poucas pessoas, se não a única, que vai ultrapassar a quarentena surgindo bela e elegante após o confinamento.

Mas a verdade é que os materiais de fitness estão esgotados em toda a parte – não há pesos, nem TRX, nem bombas para encher bolas de Pilates, tudo equipamentos absolutamente indispensáveis para o fitness at home.

Pensava eu! Porque cá em casa e através da janelinha do computador, as instruções incluem levantar garrafões de água de 5 litros, agachamentos com paus de vassoura e abdominais com tijolos. Portanto, não há desculpas para a inacção.

Sempre a treinar, seja ao ar livre seja no meio das obras, nada fará empalidecer o brilho da próxima medalhada olímpica da classe das sexagenárias – eu mesma!

 

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publicado às 21:37

SARS-CoV-2 - distribuição etária – prevenir e proteger

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.03.20

Neste momento, a grande diferença entre as infecções confirmadas em Portugal e Espanha é a distribuição etária. E também por isso, e se calhar exactamente por isso, a diferença entre as respectivas mortalidades - 1,1% e 6,1%.

casos espanha 23 03 2020.JPG

El País

 

casos portugal 23 03 2020.JPG

DGS

É absolutamente crucial tentar impedir que a infecção se generalize a lares de idosos. É essencial que os mais velhos tenham a noção exacta do risco acrescido.

Prevenir e proteger é o mais importante.

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publicado às 12:26

COVID-19 em Portugal - hoje

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.03.20

A evolução da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal tem seguido uma curva ascendente, como se previa e acontece em todos os outros países do mundo. No entanto, para já, tem corrido melhor do que algumas previsões.

Embora seja muito cedo para perceber se a tendência se mantém, é importante registar este facto.

Não podemos entrar em pânico e devemos continuar a nossa vida, o melhor que podemos, sem alarmismos mas com muito cuidado e muito senso, ouvindo e seguindo as indicações da DGS e do governo.

evolucao covid 22_03_2020.jpg

Em termos de evolução do número de casos confirmados, ela tem uma curva exponencial, com uma percentagem de aumento de novos casos de 25%, já há 2 dias.

 

mortalidade 22_03_2020.jpg

A taxa de letalidade é (hoje) de 0,88%.

 

casos reais e previsoes 22_03_2020.jpg

Se observarmos as curvas de previsão da evolução do número de casos de Buescu - mais optimista (aumento de 30% de casos/dia); mais pessimista (aumento de 39% de casos/dia) - e de Aguiar-Conraria (usando os cálculos da última função exponencial que calculou), percebemos que a real está abaixo de qualquer das outras.

 

desvios percentagem 22_03_2020.jpg

Se analisarmos os desvios percentuais é mais visível essa diferença.

 

Boas notícias que devem ser olhadas com reserva: é cedo, mas é encorajador.

Pode ser que a Primavera nos traga melhores notícias e, principalmente, uma enorme resiliência. Nese momento é disso que precisamos. E de bom humor e de solidariedade. E de serenidade. 

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publicado às 12:30

A emergência de continuarmos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.03.20

Para enfrentar esta pandemia temos que estar municiados de várias coisas - prudência, calma, consciência, responsabilidade e, acima de tudo, não ceder ao medo nem ao alarmismo.

É preciso continuar a viver e a trabalhar, com as precauções e as limitações inerentes e, diariamente, actualizadas pelas entidades oficiais. Mas se caímos na irracionalidade, pedindo medidas drásticas cujos efeitos no controlo da infecção são bastante discutíveis, ao contrário das certezas quanto à devastação económica e social que se lhes seguirão, podemos estar a condenar os cidadãos, em Portugal e no mundo, a anos de empobrecimento com consequências difíceis de gerir.

A declaração do estado de emergência é uma medida grave e sem precedentes que, a ser tomada, poderá ter que ser renovada de 15 em 15 dias, numa escalada de paralisação do país e das vidas de todos que nem sequer imaginamos. Por isso espero que os nossos governantes, a começar pelo Presidente da República, não cedam ao instinto do medo, à tentação de agradar aos múltiplos comentadores especialistas em epidemiologia e virologia que pululam por todo o lado, anunciando certezas e insultando quem tem dúvidas quanto à pertinência desta medida.

Todos somos poucos para esclarecermos e acalmarmos a natural ansiedade que nos assalta. Cabeça fria e coragem para ser lógico, racional e anti-populista, é o que se nos pede, sem excepção.

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publicado às 08:52

Do questionar das lideranças - (des)igualdade de género

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.03.20

graca freitas expresso.png

 

Vale a pena ler o artigo no Expresso de ontem (07/Março) sobre Graça Freitas, a Directora Geral de Saúde.

Pelos vistos tem um excelente currículo e não deve ser fácil encontrar-lhe falhas em termos de competências técnicas. Por isso aparecem pequenas frases que nos indispõem quanto ao seu carácter - enerva-se, levando à dúvida se lhe faltarão os nervos de aço necessários para enfrentar a infecciosidade do vírus e a pressão do país. Também é "frontal para baixo e submissa para cima", pois permitiu o esvaziamento dos recursos da DGS, vindo de imediato a comparação com Francisco George e Constantino Sakellarides. Esses sim, conclui-se de imediato, faziam frente ao poder.

Ficamos ainda a saber que tem uma doença oncológica e que foi submetida a quimioterapia, que é muito dedicada à mãe e que cuida de orquídias o que, sinceramente, não sei o que interessa à generalidade da população. E ainda que tem atitude de avó e é paternalista.

Será que este tipo de artigo seria escrito se fosse um homem à frente da DGS? Será que a "emoção" e o tom condescendente seria empregue se o texto fosse sobre Francisco George ou Constantino Sakellarides? Alguém sabe se Francisco George se dedica à família e se gosta de cuidar de flores?

Já percebi que o Expresso é o porta-voz de quem quer denegrir o SNS, aproveitando todos os pretextos para amplificar as verdadeiras e as falsas falhas do SNS, dando visibilidade às opiniões dos que defendem que o SNS, o governo, a Ministra e esta DGS, não estão à altura das circunstâncias.

Mas será apenas por isso? Será que o facto de ser uma mulher não acolhe um subliminar machismo, tentando demonstrar-se a falta de capacidade de liderança de uma mulher, por muito competente e dedicada à causa pública que seja?

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publicado às 19:41


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