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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Sinuosos

 

É muito interessante ouvir as pessoas que tanto defenderam a decisão de João Paulo II em levar o seu papado até à morte, levando a sua cruz, tal como Cristo fez (lembro-me de ter ouvido isto), declararem a sapiência deste Papa ao renunciar antes de Deus assim o decidir.

 

Os caminhos do Senhor são sinuosos e insondáveis.

 

O regresso da Santa Inquisição

 

(...) Tenho criticado, sem dúvida, várias posições e acções da Igreja Católica. (Haverá debaixo do sol alguma coisa que eu não tenha criticado neste blogue?) Não confundo isso com respeito institucional. Eu respeito a universidade que me recebe todos os dias, mas nunca me passaria pela cabeça que alguém levasse ao Reitor, ou ao Director do instituto, um dossiê com escritos meus num blogue para o ajudar a decidir qualquer assunto académico. Nem sonharia que qualquer crítica minha ao governo da nação, ou ao Ministro da Ciência, fosse encarada como desrespeito pelo país, que em última instância é a quem pertence essa universidade pública. Já alguém me disse que eu, que fui um católico activo durante muitos anos, mas há muitos anos no passado, estou enganado acerca da actual Igreja Católica, que está muito mais longe do espírito do Vaticano II do que eu sou capaz de imaginar. Talvez seja isso. Pode até parecer que isto foi ingenuidade minha: se eu critico o catolicismo oficial, como poderia dar aulas na UCP? Não é assim que vejo as coisas: não me candidatei a professor no curso de Teologia, admito que poderiam achar estranho um agnóstico querer ser professor de teologia numa universidade católica. Tenho uma ideia da liberdade de pensamento que pode ser alheia a escrevinhadores de dossiês, mas da qual não abdico. (...)

 

 

Porfírio Silva

 

Vale a pena ficar a saber.

Integração

 

Angela Merkel afirmou que o multiculturalismo falhou redondamente na Alemanha. Não concordo que o multiculturalismo tenha falhado, mas sim a inserção e integração de algumas comunidades nas sociedades ocidentais, principalmente a comunidade islâmica, e não só na Alemanha. Não vale a pena escamotear esta realidade e é perigoso usá-la como arma de arremesso político, à esquerda ou à direita.

 

Na verdade as nossas sociedades terão que observar e analisar o que correu mal, especificamente com as comunidades islâmicas, e estas terão que perceber que há também responsabilidades do seu lado. Integração pressupõe aceitação de valores dos países de acolhimento, observância das suas leis, idênticos direitos e idênticos deveres. Não se pode querer acabar com a discriminação religiosa e cultural para depois se usarem essas características para se reivindicar tratamentos diferentes.

 

Por outro lado, as sociedades de acolhimento terão que respeitar as diferenças, quando tal não colide com a legislação dos seus países. A exigência da aprendizagem da língua e da observância do laicismo do estado deve ser intransigente. A forma condescendente como se acolhem as populações imigrantes é o primeiro e mais forte sinal de xenofobia e o melhor incentivo para a guetização e afastamento da vivência comunitária.

 

Barbárie

 

Apedrejar alguém até morrer é uma barbaridade. Deveria sê-lo para toda a humanidade, independentemente da religião, do status sócio-económico, de razões culturais, de cor da pele, de orientações sexuais, de escolhas políticas ou outras.

 

É claro que a opinião pública só é importante nos países em que essa opinião pública se pode informar e manifestar, em que há liberdade de expressão, em que há respeito pelos direitos humanos e pelos valores democráticos. Não é esse o caso do Irão, como não é o caso de Cuba, da China ou da Venezuela.

 

A esses países não chegam as notícias das manifestações, dos protestos, dos movimentos de solidariedade. Essas sociedades não comungam dos mesmos valores das sociedades ocidentais.

 

Mas não é por isso que a lapidação deixa de ser uma barbaridade para a qual todos os que a sintam como tal protestem, se manifestem e escrevam textos condenatórios. Apenas porque, na nossa sociedade ocidental, temos o poder de dizer o que não queremos e não precisamos de justificações para a solidariedade.

 

Promiscuidades

Estou de tal maneira em frontal desacordo com a forma como o Estado Português reage à visita do Papa que me custa expressá-lo.

 

Este é um país em que há legislação sobre a liberdade religiosa, em que a separação entre a religião e o estado está consagrada na Constituição.

 

O Papa deveria ser recebido com a pompa e a circunstância de um Chefe de Estado. O facto de ser um líder religioso é importante para os que professam a mesma religião.

 

Como é possível parar o país durante três dias para receber um líder religioso? Como pode o Presidente da República confundir desta maneira o seu lugar com as suas convicções pessoais? Como pode o chefe de um governo socialista, numa éopca de tantas dificuldades no país, demagogicamente pretender ganhar algum conforto político com esta medida?

 

Com estes gestos o Estado desrespeita-se si próprio.

Cristianismos

 

 

Cristianismo e judaísmo, o cristianismo como a origem do anti-semitismo, a Bíblia como a palavra de Deus, a Bíblia como as palavras dos Homens sobre as interpretações de Deus, do Deus dos Judeus, do Deus dos Cristãos. Jesus como Homem, Jesus como Deus, Jesus como Homem e Deus, Jesus como corpo humano habitado por Deus, Jesus como Homem escolhido por Deus.

 

Os textos da Bíblia, os Evangelhos Canónicos, Gnósticos, Apócrifos, a forma como são diferentes mesmo quando narram episódios semelhantes à luz do que os autores pretendem transmitir, a transformação da figura de Jesus de um judeu que ensina a Lei de Moisés no Messias (em grego Cristo), aproveitando do Livro todas as passagens em que se fala no Messias, transpondo-as para a narrativa da vida de Jesus.

 

O nascimento do Catolicismo com a férrea disciplina, hierarquização e centralização do poder, o Código de Niceia, Constantino e a religião do Estado, a ortodoxia e a heresia.

 

Jesus, Interrupted: Revealing the Hidden Contradictions in the Bible (And Why We Don't Know About Them) – de Bart D. Ehrman, um excelente livro para compreendermos o que foram o crescimento e a implantação do Cristianismo e do Catolicismo, e de como o conhecimento e a informação são os melhores antídotos contra os fundamentalismos e as ideias feitas – como o celibato obrigatório dos Sacerdotes, a submissão das mulheres aos homens e o anti-semitismo.