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Da eternização em círculo

ou de como nunca saímos do mesmo sítio

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.04.22

vaca.jpg

 

A propósito de um artigo que apenas li hoje, no Expresso, de Joana Ascenção e Sofia Miguel Rosa, sobre a partilha da licença de parentalidade, fui reler algumas coisas que eu própria tinha escrito sobre o mesmo tema, em 2008! Passaram-se 14 anos.

Depois, porque estava no mesmo grupo de artigos que apareceram com a palavra licença, li também um texto sobre as notícias da saída de médicos do SNS para o privado. Esse texto é de 2009, portante de há 13 anos.

É extraordinário como os problemas se eternizam, sempre com grandes artigos cheios de opiniões, sentenças e, supostamente, novidades, que têm tudo menos o facto de serem novas. Catorze e treze anos depois, continuam as mesmas discussões, sem que nada de diferente se tenha realizado, sem que qualquer solução se tenha implementado.

Estamos condenados a uma ruminação permanente. De quando em quando regurgitamos as nossas doutas sapiências.

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publicado às 10:53

Vaticínios que não se cumprem

ou de como o erro é o hábito

por Sofia Loureiro dos Santos, em 31.01.22

eleicoes 2022.jpg

Tal como vem sendo habitual, nada como os meus vaticínios eleitorais para não se cumprirem.

Eu, que estava convencida de que iria haver uma enorme disputa no primeiro lugar, entre PS e PSD, assisti estupefacta à maioria absoluta do PS, numas eleições que tinham tudo para resultar na penalização de quem governa há 6 anos, com uma gestão dificílima da pandemia desde o início de 2020.

Mas a verdade é que o eleitorado castigou, precisamente, os partidos que, mais uma vez, resolveram fazer parte do problema e não da solução. Inclusivamente, destruíram-na por muitos e longos anos. Ninguém percebeu as razões do BE e da CDU, porque elas são inexistentes.

O que o eleitorado disse foi que queria um governo de esquerda responsável e estável. As sondagens falharam redondamente, mas talvez tenham mobilizado o eleitorado, levando mais gente a votar.

Infelizmente houve um vaticínio em que não me enganei: a ascensão da extrema-direita. Isso e o desaparecimento do CDS, tal como a subida da IL.

Temos agora um governo para 4 anos, com total e completa responsabilidade pela política que implementará. Estamos todos ansiosos pelo recomeçar após pandemia, melhorar e mudar, em tudo o que é imperativo e urgente. Que a confiança depositada em António Costa seja um seguro para que tudo corra bem.

Acho que o merecemos.

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publicado às 16:05

É seguro votar

ou como o voto é o seguro da democracia

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.01.22

 

escafandros.jpg

Votar é seguro.

Não haverá pestes que nos peguem nem que espalhemos. Não haverá alienígenas nanométricos que nos matem, nem que nos empapem o cérebro.

Depois da inexcedível reflexão a que estamos sujeitos, grave e alegremente omnipresente no dia de hoje, mesmo para quem já votou, que pode sempre reflectir em como devia ter votado de outra forma, podemos pegar no escafandro e ir exercer o nosso direito e dever.

Podemos munir-nos de canetas, máscaras, viseiras, chapéus, luvas, mantas, plásticos, podemos levar biombos, o que melhor impedir de deixar o medo entrar.

Que o medo é bem mais perigoso que vírus, bactérias ou fungos. O medo é o que mais rápida e profusamente nos domina.

O medo mina a democracia.

Ao Voto!

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publicado às 11:02

Rui Rio

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.11.21

rui rio e costa.jpg

Rui Rio ganhou, de novo, as eleições no partido, contra aquilo a que se chama o aparelho.

Cada vez mais tenho a sensação de que a propaganda dos media e o que se lê nas redes sociais nada tem a ver com a realidade. Parece existir uma bolha constituída sempre pelas mesmas pessoas, pelos nomes que nos acompanham há décadas, de dirigentes a comentadores, que falam uns para os outros e não para o comum dos cidadãos.

Rui Rio falou para fora do partido. E a preocupação pela governabilidade futura do país, quando se assiste à retórica de partidos como o PCP e o BE, que perderam a oportunidade de serem levados a sério como verdadeiros parceiros de opções políticas de fundo, que continuam a tratar o PS como pária e o querem encostar à direita, quando se assiste a um PS que parece enquistado, cansado e desgastado por 6 anos no poder e por uma gestão dificílima de uma pandemia que desestruturou, deslaçou e triturou a sociedade, quando se assiste a uma extrema direita sem vergonha e a ganhar músculo por entre os que se sentem abandonados, a procura de uma alternativa ao centro pode ser a solução.

Rui Rio ganhou estas eleições e arrisca-se a ganhar as próximas legislativas.

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publicado às 11:41

O luto da Geringonça

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.11.21

manuel alegre.JPG

JN

 

Gostei muito de ouvir a entrevista com Manuel Alegre, na TSF.

Revejo-me em muito do que diz. Mesmo em muito.

O PS não pode perder a sua marca e não pode aceitar ser tratado como um partido inimigo e de direita pelos seus ex-companheiros.

É completamente estapafúrdio ouvir Catarina Martins dizer que foi António Costa, em conluio com Marcelo Rebelo de Sousa, a provocar o chumbo do OE para que houvesse novas eleições. Tal como é absurdo da parte de Jerónimo de Sousa dizer que não queriam eleições.

A solução nunca poderia ser outra que não a clarificação política com eleições.

Deixem-se de desculpas tontas. A responsabilidade tem que ser assumida. Se as eleições são inoportunas, deveriam ter pensado nisso quando decidiram votar contra o OE.

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publicado às 18:42

Em democracia há sempre a solução das eleições

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.10.21

fim da geringonca.jpg

Público

 

Chegámos ao fim de um ciclo.

Aos eleitores cabe agora fazer a avaliação da actuação do governo e do PS, dos partidos da Geringonça e da oposição de direita. Aos eleitores cabe agora definir o futuro.

Com tristeza e indignação vamos assistindo a declarações incompreensíveis e inaceitáveis, como as de Paulo Rangel ao pretender eleições para o fim de Fevereiro, ou as de Jerónimo de Sousa, pretendendo que não queria eleições, e também a atitudes presidenciais, como a audiência concedida a Paulo Rangel.

As eleições são a solução, mas o país não pode viver em suspenso por mais 4 a 6 meses, entre o acto eleitoral, formação de governo e aprovação do Orçamento de Estado. É bom que todos os protagonistas políticos assumam as suas responsabilidades e facilitem a celeridade dos procedimentos constitucionais.

Que se demita o Primeiro-ministro, que o Presidente dissolva o Parlamento e marque, para o mais breve possível, o dia das eleições, para que os eleitores, cansados de uma crise que não compreendem e que os assusta, possam decidir os próximos passos.

É muito importante que todos nós nos apercebamos do que está em jogo. A vez da direita e da extrema-direita coligadas, a vez do PS em maioria absoluta, a manutenção do (des)equilíbrio da última legislatura, ou um bloco central.

Certa mesmo é a tentativa de assalto ao poder de Paulo Rangel e Nuno Melo, que se preocupam mais com as suas ambições do que com o país, é a muito provável subida do Chega e o iminente regresso de alguns dos protagonistas do governo da troika.

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publicado às 09:13

Traições

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.04.21

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Só agora começou

 

Atraiçoada é exactamente o sentimento que define o que, durante algum tempo, senti em relação a José Sócrates.

Fui eleitora de Sócrates para Primeiro-ministro nas duas eleições em que ganhou, primeiro em maioria absoluta e depois em relativa. Defendi as políticas de saúde e de educação dos seus governos, as opções estratégicas pelas energias renováveis, a aposta na literacia digital e nas tecnologias de informação. Ainda hoje defendo tudo isto.

Indignei-me com as manipulações políticas, as falsas acusações, as fugas de informação, a inacreditável forma como foi preso em directo. Tudo o que escrevi sobre o assunto, mantenho.

No entanto foram as suas palavras, as suas justificações, as suas alegações e as suas mentiras que me deixaram boquiaberta, que me deixaram indignada de novo, mas com a minha própria ingenuidade. Como me foi possível, a mim e a tantos outros, sermos tão redondamente enganados pela sua personalidade? É claro que fiz e faço um julgamento moral da sua pessoa, do seu carácter, e da sua falta de vergonha para afirmar que foi afirmando.

E por isso, se calhar como tantos outros, me senti atraiçoada naquilo que, para mim, era uma questão de honra, de probidade de quem nos governa. Não é preciso santidade nem virtudes robóticas e enganosas. Nunca confiaria em alguém sem mácula nem vício, porque as pessoas são uma mescla de tudo e tudo é necessário para se ser inteiro. Mas afirmar que se sente atraiçoado pelo partido parece-me uma tal forma de alheamento da realidade, de desconhecimento da sua própria pessoa, para não dizer de desfaçatez e falta de vergonha, que me custa a entender.

Não é fácil admitir perante nós próprios as nossas fraquezas e defeitos, as nossas ingenuidades e faltas de sagacidade. Mas não é possível fingir que as somas em dinheiro vivo trocadas entre Sócrates e o motorista, as justificações sempre diferentes da proveniência do dinheiro, primeiro da mãe, depois do amigo, o facto de guardar obras de arte em casa dos empregados, enfim, tantos e tão profusos disparates debitados ao longo destes anos que a ninguém convencem.

A Justiça tem o seu papel e ninguém deve ser condenado em praça pública. O que se passou e passa no caso do ex-Primeiro-ministro é um susto para qualquer cidadão. Mas não podemos fechar os olhos e os ouvidos ao que o próprio nos ofereceu e oferece. E não é bonito. Não são estas as características que desejo para alguém que nos represente e governe.

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publicado às 16:21

Justiça

por Sofia Loureiro dos Santos, em 10.04.21

Ao fim de 7 anos de prisão em directo, fugas de informação, escutas e julgamento na praça pública, o Juiz Ivo Rosa destroçou as acusações do Ministério Público, muitas delas já prescritas aquando da acusação. Culpado ou inocente, ninguém merece que isto lhe possa acontecer.

É tudo muito mau, seja qual for o ângulo pelo qual se tente olhar.

Nem José Sócrates e os outros acusados saem ilibados dos crimes de corrupção, nem o Ministério Público sai ilibado de incompetência. Os populismos têm uma época cheia, destilando o ódio aos políticos, aos magistrados, aos juízes, a tudo e a todos.

Ninguém se pode sentir seguro com uma justiça que funciona desta forma. A democracia está mais frágil.

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publicado às 19:44

Dos modernos e virais enigmas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 20.03.21

O aumento de novos casos de COVID-19 na Alemanha, França e Itália será devido a algum Natal tardio, à antecipação da Páscoa ou ao Carnaval?alemanha.jpg

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E Portugal, passou de ser uma vergonha europeia (mundial) para um modelo de comportamento cívico?

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publicado às 19:49

Da clarividência lusa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.03.21

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Portugal e os portugueses são tão avançados, tão à frente e de uma clarividência científica tão especial, que depois de décadas a discutir o novo aeroporto, a sua localização e especificidade, afinal nem vai ser preciso construí-lo porque provavelmente vai deixar de fazer sentido apostar nos transportes aéreos e nos aeroportos.

Isto é que é avanço e previdência!

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publicado às 12:31


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