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Por acaso

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.11.21

fish sculpture.jpegAdriaan Vanderlugt

 

Como se por acaso encontrei o mar

arrastado por ondas de areia e peixes verdes

numa textura de segredos longínquos

na sombra da espuma que em silêncio se desfaz.

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publicado às 19:04

Nós e os outros

por Sofia Loureiro dos Santos, em 12.09.21

Jerzy Kalina Passage.jpg

Passage

Jerzy Kalina

 

Às vezes vale a pena olharmos para nós e para os outros.

O que fizemos por nós? E pelos outros?

Quem somos nós? E os outros?

Que somos nós sem os outros?

Só valeremos nós se valermos os outros.

Só seremos nós se formos os outros.

 

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publicado às 17:12

Questões

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.09.21

Moses-Aaron-Ten-Commandments-right-foot-manuscript

Moisés recebendo os 10 mandamentos

Enciclopédia Britânica

 

Há a questão do sol da pele

do curtir da paciência.

Há a questão do tempo do secar

do vento da resistência.

Há a questão do acre do sabor

da vida da desistência.

Há a questão do sumo do dilúvio

do sal da providência.

 

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publicado às 16:38

O vazio inicial

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.08.21

Kim Hoa Tram.jpg

Kim Hoa Tram

(2005)

 

O vazio

inicial o susto do indizível

o risco secreto o medo do gesto

a mão que hesita a sombra o fundo

o silêncio a terra em suspenso

o morno acordar da palavra

o poema.

 

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publicado às 10:24

Asfalto

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.07.21

graça Morais 1.jpg

Graça Morais

 

Um círculo de sol infiltrado

as certezas esculpidas a canivete

tudo numa estival lisura

dedos subitamente envelhecidos.

 

Encadear a sorte que se deseja

nas estradas que o asfalto liquefaz,

o abandono da quieta sonolência

o bafejo

o gotejo

da preguiça nas esquinas.

 

Releio as páginas que se esfumam

reencontro as palavras que não escrevo,

poemas de outro tempo

de outra espuma

murmúrio de uma memória leve

e breve.

 

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publicado às 14:38

Manjericos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.06.21

sardinhas 2021.jpg

Se eu cheirasse a manjerico

Como bem cheira Lisboa

Dispensava o abanico

Que o calor desabotoa

 

Vou passando para a frente

E depois já volto atrás

Tenho uma pressa dormente

Alergia que o Sol trás

 

Nesta dança de rodar

Entra mão e entra pé

Não reparto com meu par

O meu bule de café

 

Vou marchar de manjerico

De mão dada com meu par

Pois que este namorico

Mal chegou que vai ficar

 

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publicado às 17:01

Afagos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.05.21

mother-and-child-pablo-picasso.jpg

Pablo Picasso

 

Nestes tempos sem abraços

vigio os teus passos

vagarosos incertos

tento alinhar desacertos.

Nestes tempos amargos

respiramos afagos

aguardamos que se soltem

e voltem.

 

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publicado às 16:56

Trava-línguas pascal

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.04.21

pascoa 2021.jpg

 

Um dois três

quatro cinco seis

vamos ter festa

e não é de Reis.

Sete oito nove

dez onze doze

amêndoas não tenho

que ninguém as trouxe.

Treze catorze quinze

dezasseis dezassete dezoito

mas em vez delas

comprei um biscoito.

 

Dezanove vinte vinte e um

foge cabritinho

que já estás gordinho.

Vinte e dois vinte e três vinte e quatro

vamos embora

que está na hora.

 

Já se faz tarde

nesta vidinha

o que vai dar

não se adivinha.

Besunta a forma

espreme o limão

à nossa retoma

de escravidão.

Sopra no forno

limpa a colher

que não há retorno

vamo-nos benzer.

Cristo confina

confino também

a alma definha

e fica refém

do corpo dobrado

que não se sustém.

 

Recolhe a esmola

que sem vintém

ninguém se consola

e esta revolta

já não se detém.

 

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publicado às 13:54

Margarida

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.03.21

Schiele_-_Welke_Sonnenblume.jpg

Egon Schiele

 

Margarida consolada

Pelo sol da Primavera

Foi da nuvem deserdada

Tanto verde desespera

 

Margarida veste branco

Rasga a pele devagar

Que a memória é solavanco

Da fogueira a esfriar

 

Margarida gasta as mãos

Em tantos corpos de vento

Decepadas por irmãos

Sem espadas com talento

 

Margarida cava o mundo

Com arados de esperança

Arrepende-se num segundo

Que uma flor também se cansa

 

Margarida já não chora

Pela vida que enlutou

Fecha o sol e vai embora

Que esta terra já secou

 

Margarida não se sente

Tem a alma ressequida

Dispersou-se em semente

Pode ser que volte à vida

 

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publicado às 09:42

Geometrias

por Sofia Loureiro dos Santos, em 05.03.21

Marisol_Escobar_The_Party_Bagtazo_Periodical.jfif

Marisol Escobar

 

Nunca aceitei geometrias de comportamentos simétricos

adequados a género e idade pés em bico empoleirados

pernas pesadas a espreitar pelas saias

casacos assertoados decotes a condizer

cabelos disciplinados lábios de rosas

anéis pulseiras colares arrebiques de senhora

que se acomoda nas vestes do seu destino.

Mas sobretudo nunca entendi o calar dos sentidos

dos desejos dos impulsos da vontade de abraços beijos

de gostar de quem se gosta muito ou tudo

sem cuidar dos outros das conveniências das inusitadas

e estranhas regras da sociedade.

Talvez porque o estado de adulto ainda não fez caminho

que chegue lá onde estão as memórias

e a imperiosa necessidade de amar e ser amada.

 

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publicado às 18:50


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