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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Dos Natais gastronómicos

almoco natal 2015.png

 

De facto o borrego ficou bastante bom. De pernas de peru que não havia, ao cabrito que também já tinha acabado, o almoço do dia de Natal transformou-se em perna e costeleta de borrego assadas no forno. Era mais condicente com almoço pascal, mas não faz mal, o senhor do talho foi bastante persuasivo, defendendo que o borrego era até bastante melhor que o cabrito porque o último é muito mais caro e tem mais ossos.

 

A marinada começou ontem à tarde, após a habitual confecção da aletria e das rabanadas, este ano feitas com pão de forma especial torradas. Ficaram melhores do que com as fatias mais finas, não há qualquer dúvida. O óleo gostou menos e saltou muito mais, mas são problemas menores comparados com a macieza das ditas, polvilhadas e a ensopar de açúcar e canela. As couves também já estavam arranjadas e o grão bem cozido, enquanto as postas de bacalhau (e a cara) esperavam a respectiva vez de serem cozinhadas.

 

Dizia eu que o borrego ficou a marinar em sal, pimentão doce, muito alho, cebola, tomilho, gengibre (eu agora uso gengibre em tudo), louro, margarina, azeite, vinho branco e aguardente. Antes de ir para o merecido descanso nocturno virei a perna e as costelas, para ficar tudo bem embebido. Hoje ficou a assar por duas horas e meia. Acompanhamos com castanhas, assadas ao mesmo tempo e no mesmo tabuleiro, esparregado e salada de tomate.

 

Enfim, vamos agora ficar a sopas de legumes até ao próximo Natal, depois de tanta doçaria - azevias, sonhos, fofos de abóbora, bolo escangalhado e umas maravilhosas filhós que, este ano, sofreram um upgrade aplicacional porque usei a batedeira em vez das mãos - menos tradicional mas muitíssimo mais prático, convenhamos. A revolução industrial serviu para alguma coisa.

 

E vai começar agora a degustação das ofertas recebidas. Devagar, para durar mais...

Da espiritualidade da Arte

As minhas comemorações de Natal começaram a 5 deste mês, com A Colectividade colectiva, sediada no Teatro Meridional para comemorar o seu 75ª aniversário. Tive a sorte de ter havido uma desistência mesmo à última hora, pois já estava tudo esgotado. Muito, muito bom, como aliás é hábito do Meridional, nomeadamente de Natália Luíza. Os espectáculos são sempre inovadores, divertidos, inteligentes e comoventes, fazendo a ponte entre a realidade e o imaginário, a crítica irónica e a militância cívica, saio sempre com o coração dilatado de ternura e orgulho.

 

Depois fui ver A ponte dos espiões, seguido de um jantar ameno com alguém que me aquece e aconchega, com quem a conversa nunca se esgota.

 

E hoje entrei pelo júbilo místico com a Oratória de Natal de Johann Sebastian Bach (Cantatas I, III e VI) no CCB, pela Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Coro Lisboa Cantat, com os solistas Ana Quintans, Maria Luísa Freitas, Marco Alves dos Santos, João Fernandes, e os maestros Jorge Carvalho Alves (coro) e Leonardo García Alarcón (coro e orquestra). Que orgulho ouvir excelentes músicos e cantores líricos portugueses nesta maravilhosa interpretação das Cantatas de Bach.

 

Oratória de Natal, BWV 248 Cantata I

 

Oratória de Natal, BWV 248 Cantata III

 

Oratória de Natal, BWV 248 Cantata VI 

 

Investir na cultura deveria ser uma das prioridades para o desenvolvimento económico de Portugal. Sala cheia e aplausos demorados, de uma plateia cheia de gente sedenta de música. Começo bem o Natal.

Não nos escapamos...

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... ao Natal.

 

Preparemo-nos para sujar as mãos, dobrar papéis, enrolar fitas e usar a imaginação.

 

Este ano, só de licores, há algumas novidades - de caroços de nêsperas(!!!), ideia do Chef Avillez, nas manhãs da comercial, de cereja e de mirtilos (o de romãs só estará pronto lá para Fevereiro). Entretanto, depois da compota de abóbora que é já um clássico tradicional nos nossos Natais, resolvi inovar - bombons de abóbora com amêndoa e cobertura de chocolate. Ficaram muito bons!

 

Receitas:

 

  • os licores são todos feitos mais ou menos da mesma forma: o de caroços de nêsperas é mesmo com os ditos, em aguardente (quanto mais caroços, melhor) durante bastante tempo. Acho que os meus estiveram cerca de 3 meses. Depois é só mistura o xarope de água com açúcar e deixar repousar uns dias antes de consumir. Os de cerejas e mirtilos são iguais, substituindo os caroços pelos frutos.
  • Quanto aos bombons, usa-se a doce de abóbora com gengibre misturada com amêndoa ralada até ficar com consistência própria para moldar umas bolinhas. Depois derrete-se chocolate (culinário, 70% de cacau) no microondas, mexe-se bem e mergulham-se as bolinhas, depositando-as em cima de papel vegetal de cozinha, para secarem. Quando estiverem secas, estão prontos os bombons.

 

Ainda pensei em fazer abóbora cristalizada mas, para já, ainda não fiz e temo que não o farei tão cedo. É que é mais fácil projectar do que realizar.