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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A que faltava

 

(...) Também já tive a ocasião de dizer que a orientação geral de todas essas reformas será a democratização da nossa economia. Queremos colocar as pessoas, as pessoas comuns com as suas actividades, com os seus projectos, com os seus sonhos, no centro da transformação do País. Queremos que o crescimento, a inovação social e a renovação da sociedade portuguesa venha de todas as pessoas, e não só de quem tem acesso privilegiado ao poder ou de quem teve a boa fortuna de nascer na protecção do conforto económico. (...)

 

(...) Ora, um dos objectivos prioritários do programa de reforma estrutural do Governo consiste precisamente na recuperação e no fortalecimento da confiança. Não só da confiança dos cidadãos nas instituições, mas também da confiança que temos uns nos outros, nas nossas relações profissionais, nas nossas relações sociais e nas nossas relações de cidadania. (...)

 

 

 
Estes dois excertos mostram a pose majestática do Primeiro-ministro e a escassez de ideias que grassa na direita governativa. Para além de que confiança é coisa que este Primeiro-ministro não merece, pois não soube conquistar. A expressão democratização da economia quer dizer nada.
 
Nada. É exactamente isso que esta mensagem é. Mesmo assim menos ridícula que as anteriores.
 
Também nada que me espante, Ana, tal como o nada das reacções partidárias, todas.
 

Natal de esquerda

 

 

Em minha casa discute-se se tratar das couves é de esquerda ou de direita. É claro que quem defende ser de esquerda declama quadras de Manuel Alegre, com uma voz que imita a de Manuel Alegre, ribombando pela sala.

 

Pois eu já tratei das rabanadas e da aletria, sempre com uma atitude combativa e interventiva, de esquerda portanto, e agora estou a intervalar, numa cedência descarada e anti-revolucionária à direita.

 

Mas como o bacalhau, o grão e as batatas esperam a sua vez, vou permitir-me esta escapadela, desejando a todos os que costumam passar por aqui a alegria pura de estar com quem se gosta.

 

Divirtam-se, o mais que puderem.

 

Estou em ânsias

 

 

 

A época natalícia torna-se ainda mais difícil quando nos confrontamos com as Boas-Festas do nosso Presidente, ou mais precisamente, do Casal Presidencial, porque agora temos direito a mensagem do Próprio e da sua Esposa, e com as Boas-Festas de António José Seguro.

 

O Casal à frente de um presépio e o Opositor ao lado de uma árvore de Natal, é quase um Carnaval antes do tempo, mas do lado mais negro, ou mais pequeno, de pequenino, de... como é possível?

 

 

Falta a mensagem do Primeiro-ministro. Estou em ânsias.

 

Quadras de Natal (2)

 

 

 

 

Pelo vento deste norte

entra a chuva de permeio

pelo teto da má sorte

já perdemos o sorteio.

 

Nem taluda de Natal

aquece o fim de Janeiro

nem festa de Carnaval

alumia o ano inteiro.

 

Vaticinam Entidades

em voz alta ou burburinho

tormentosas tempestades

a barrar-nos o caminho.

 

Respiramos nevoeiros

lendas velhas com bolor

sem armas nem cavaleiros

que nos respeitem a dor.

 

Faremos do astro rei

terra água fogo e ar

pelo povo e pela grei

havemos nós de clamar.

 

De Jesus não precisamos

parcos de fé e tão poucos

ao Menino nós amamos

mesmo que cegos e loucos.

 

Somos nós filhos de Deus

a pedir felicidade

possa ele fazer seus

nossos sonhos sem idade.

 

Uma história de Natal

 

 

Conhece-os pelos nomes, pelos pais e pelas mães, os ausentes e os presentes, os desempregos e as necessidades especiais. Conhece-os pelas letras, pelas linhas, pelos risos. Sabe-lhes das tristezas, dos defeitos, dos almoços, das violências, das doçuras.

 

Tão séria e tão risonha, tão sarcástica e ternurenta, percorre  mundo a direito, percorre a vida que curva, percorre a cinza que incendeia. De memórias se fazem livros, de vontades se fazem dias, de simplicidade se fazem aqueles que dão o tempo, os dedos, as fantasias. Livros e desenhos, ecritores e pintores, a cada um uma palavra, para cada nome o elefante, ou o sol, ou a menina. Das memórias se podem dar pequenas grandes felicidades.

 

Feliz será este Natal, pelas mãos da Professora, de uns quantos fortuitos mecenas, de Alice Vieira, Afonso Cruz, Rita Taborda Duarte e Luís Henriques.

 

Assim será.

 

 

Camelos de Presépio - Natal 2011

 

Mais uma vez a Barbearia mais conhecida do bairro decidiu promover o famoso Concurso de Natal.

 

Este ano os concorrentes não se fazem esperar, e já há alguns algumas bossas alinhadas na primeira fila.

 

O Quadrado defende-se em todas as circunstância e, também este ano, apresenta a concurso um camelo bastante festivo, para alienar das amargas agruras da época que se avizinha.

 

O regulamento está bem explícito.

 

 

A vitória é certa.

 

À volta do lume

 

 

Para mim, a época de Natal começa a ser preparada mais ou menos por esta altura. Começam os fins-de-semana com panelas ferventes de marmelos, laranja, canela, abóbora, jeropiga, rótulos, frascos, garrafinhas, rolhas de cortiça, cola e açúcar, tanto quanto o necessário para abrandar as aarguras da existência.

 

À volta do lume conversa-se, cimentam-se silêncios e cumplicidades. Colheres de pau e mãos meladas, facas, cascas e sementes, chá e paciência, preparam-se cabazes com a substância da amizade.

 

É bom e quente, e sabe-me tão bem.