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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Subitamente, na Madeira

 

Na Madeira os cidadãos passaram a pagar por inteiro os medicamentos. As dívidas são de tal ordem que a ANF resolveu deixar de fornecer a crédito. É o resultado das opções políticas e económicas do governo regional da Madeira. Alberto João Jardim foi eleito com maioria absoluta. Mas já se perfila a justificação: um nova patifaria do Contnente.

 

A clarificação

 

Apenas vi excertos da entrevista concedida por Passos Coelho, ontem, na RTP1. Mas numa das partes que vi Passos Coelho demarcou-se definitivamente de Alberto João Jardim.

 

É claro que eu gostaria muito que fosse possível, estatutariamente, afastá-lo da candidatura ao Governo Regional. Mas o PSD da Madeira é independente do PSD nacional. Portanto não concordo com Carlos Zorrinho, que o acusou de ter uma posição dúbia.

 

Quem se mantém em silêncio é o Presidente.

Pornografia política

 

A tentativa que alguns fazem, ao comparar a situação na Madeira com a situação no resto do país, de colar a inenarrável prestação de Alberto João Jardim à de Sócrates e dos seus governos, assim como as mais recentes declarações do ainda Presidente da Região Autónoma, pertencem ao domínio da pornografia política.

 

Alberto João Jardim sempre governou em défice, tanto em épocas de recessão como em épocas de expansão, desprezando as várias tentativas que houve para por cobro a tanto populismo despesista. A República, ou o Contenente, palavra que ele cospe com arrogância, já encaixaram vários milhões pelo perdão de dívidas resultantes do seu desgoverno.

 

Em política não pode valer tudo. No entanto o Presidente Cavaco Silva ainda não se pronunciou. 

Madeira - democracia por cumprir

 

Pacheco Pereira, na última Quadratura do Círculo, queixava-se da mediocridade do congresso do PS. Não tenho muita dificuldade em dar-lhe razão. Mas a mediocridade não tem apenas a ver com o que se passa dentro do congresso, do PS ou de outros partidos. Está na proporção directa da mediocridade de quem, na comunicação social, faz a divulgação do que se passa nos congressos.

 

Durante o dia de hoje, na TSF, as grandes e importantes perguntas que os jornalistas fizeram a António José Seguro foi se o PS está ou não unido, se A criticou B e se C gostou das declarações de D, e se E se ofendeu com F.

 

A cobertura mediática da luta política transformou-se numa telenovela sem qualidade, assemelhando-se às tricas de vizinhos coscuvilheiros. Os próprios responsáveis políticos entram na telenovela e alimentam o guião, lançando farpas uns aos outros sem a menor vergonha, para poderem aparecer à hora das notícias, de semblante severo e ar contrito, a dizer as maiores banalidades.

 

António José Seguro exige que Pedro Passos Coelho retire a confiança política a Alberto João Jardim - a que propósito? Há muito tempo que penso que todos anteriores governantes têm responsabilidade na manutenção de semelhante figura à frente do Governo Regional. Tanto quanto me recordo, Passos Coelho foi mesmo o Presidente do PSD que, até agora, mais se demarcou da actuação dele. Mas o problema verdadeiro é o facto do PSD Madeira o manter à frente do partido, é o facto do eleitorado da Madeira continuar a votar nele.

 

Temos que mudar de povo? Não, temos é que garantir que o povo está na posse de toda a informação. E isso é uma questão de funcionamento da democracia na Região Autónoma da Madeira, de liberdades, direitos e garantias. Isso é assunto para pedir declarações ao Presidente da República.

 

Portanto, o que eu gostaria é que António José Seguro e outros exigissem uma declaração a Cavaco Silva. Os silêncios esfíngicos mantém a cumplicidade que o Presidente sempre sustentou com a situação madeirense, a par de Manuela Ferreira Leite, Jaime Gama e, por fim, José Sócrates que, após a guerra iniciada por causa da lei das finanças regionais, acabou por capitular.

 

Por isso eu continuo a aguardar a comunicação ao país do Mais Alto Magistrado da Nação, sobre o gravíssimo défice democrático na Região Autónoma da Madeira.

 

 

 

A Madeira não pode continuar a ser Jardim

 

O total desgoverno na Região Autónoma da Madeira, com o desvario de Alberto João Jardim, é fruto da irresponsabilidade dos anteriores governos, de direita, de centro e de esquerda, dos anteriores Presidentes da República e também do actual.

 

Finalmente, a estrela de Alberto João Jardim está a empalidecer, infelizmente à custa de todos nós. Restam-me poucas dúvidas que a descoberta, ou mais especificamente, a divulgação da descoberta das dívidas da Madeira, se devem à Troika. Além do descrédito internacional, aguardemos as consequências que as décadas da insanidade e populismo de Alberto João Jardim terão.

 

Também penso que a confiança política deverá ser o povo madeirense a dar ou retirar. Mas qual é a informação que o povo madeirense tem desta situação? Que conhecimento tem tido o povo madeirense do que se passa na sua terra? Que fiscalização democrática tem sido exercida pelo povo madeirense, em relação ao seu governo regional? Que garantia do funcionamento das instituições há no território madeirense?

 

Seria muito interessante que a magistratura de influência de Cavaco Silva resultasse no afastamento imediato e definitivo do actual Presidente do Governo Regional. Mas não é espectável. Não com este Presidente da República, que nem sequer teve a ousadia de recusar o desrespeito institucional a que foi sujeito quando não foi recebido condignamente no Parlamento da região.

 

A Madeira não é Jardim

 

 

Durante décadas as inacreditáveis prestações de Alberto João Jardim, antidemocráticas, populistas, despesistas, demagógicas e ditatoriais, foram toleradas e bem aceites pelos seus correligionários políticos, pelos jornalistas e pelos comentadores.

 

O Presidente da República aceitou ser destratado, aceitou o apoucamento da Assembleia Regional da Madeira, tornando-se cúmplice de toda a triste palhaçada que tem sido o desgoverno da Região Autónoma da Madeira. Sócrates e Teixeira dos Santos não tiveram a solidariedade da oposição quando tentaram por cobro a esses desmandos.

 

Agora os jornais gritam a astronómica dívida da Madeira e as dementes declarações de Alberto João Jardim. Será que é o milagre da Santa Troika? O que tem o Presidente da República a dizer à hipotética fraude nas eleições presidenciais de 1980?

 

Será altura do PSD e do Presidente da República claramente se demarcarem de Alberto João Jardim. Não é lícito calar tudo em troca de votos.

 

Inimputável

 


 

Alberto João Jardim continua a arrastar pela lama a dignidade do lugar para o qual foi eleito, de um político, de uma pessoa com o mínimo de decoro.

 

Quem o vê aos berros em frente a uma multidão ululante, a falar do seu Portugal homofóbico, boçal e intolerante, comezinho e maledicente, cora de vergonha. Pelo que diz, pelo significado do que diz e pela ovação que o acompanha.

 

Alberto João Jardim tem-se comportado como alguém que é inimputável, gozando de uma tolerante bonomia de todos os responsáveis políticos, o que apouca a democracia e diminui a credibilidade dos nossos representantes.

 

A traição é dele. E o Portugal dele não é igual ao meu.

Nota: Também aqui.

 

Madeira - aquele Jardim

 

Gostaria de saber se os responsáveis políticos do PSD, Manuela Ferreira Leite, por exemplo, apesar de engripada, não tem nada a dizer sobre o regime democrático que vigora na Madeira, em que Alberto João Jardim acusa Sócrates de “dar cabo” de Portugal com “a política de Salazar” e, simultaneamente, se recorre à violência, mais precisamente a tiros de carabina, para impedir uma manifestação política (por estrambólica que seja) previamente autorizada,de um partido político (PND).

 

E o Presidente da República, também não está preocupado?

 

Nota: também aqui.