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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

COVID-19: desconfinamento e gestão dos riscos

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Os meios de comunicação, as redes sociais e os inúmeros comentadores, virologistas e epidemiologistas que pululam pelo espaço mediático, já decidiram que estamos muito mal, que o governo, a ministra da Saúde, a DGS e o Presidente, para além dos jovens, dos velhos e dos de meia-idade, estão a portar-se terrivelmente e a promover surtos de COVID-19, tanto que já há países na Europa que nos baniram como bons companheiros para o turismo dos seus concidadãos.

A política é feita de percepções e eu confesso que não percebo a quem interessa continuar a espalhar a irracionalidade do medo. Os países da Europa, que propagandeiam a solidariedade e escondem as suas estatísticas para se promoverem a eles próprios, não surpreendem.

Mas o alarmismo social constante, diário, com a demonstração de hecatombes e pedidos de mais confinamento, cercas sanitárias, multas, etc., parecem-me exageradas e sem sustentação.

Nada disto significa que não esteja preocupada. Só se fosse tola ou irresponsável. Mas não percebo tanto alarido. Será que se esperava que com o desconfinamento o vírus desaparecia?

Apesar de não ter sido (e não ser) adepta de medidas draconianas de confinamento, reconheço que tiveram uma enorme vantagem – achatar ou aplanar a curva em Portugal. Mas aplanar a curva não significa acabar com a pandemia.

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Número de casos confirmados por dia e percentagem da evolução de novos casos (dados da DGS - 21/06/2020)

 

Aquilo que se conseguiu e muito bem, foi evitar a infecção simultânea de muitas pessoas, inundando os serviços de saúde e impossibilitando o tratamento daqueles que precisavam de internamento, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos (UCIs).

Ou seja, o contágio continua mas o número de doentes ao mesmo tempo foi controlado, provavelmente uma das maiores razões para a manutenção de uma taxa de letalidade relativamente baixa, comparando com outros países que não conseguiram suster a avalanche (Itália, Espanha, Reino Unido, por exemplo).

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Taxa de letalidade em Portugal (dados da DGS - 21/06/2020)

 

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Taxa de letalidade comparada com alguns países europeus (dados de 21/06/2020)

 

Logo que se permitiu a reabertura das actividades económicas, escolas e algumas actividades de lazer, por muito cuidado que haja – e é preciso que continue a haver e que se seja rigoroso nas medidas de prevenção – é impossível impedir que haja novas infecções. Isso só se resolverá ou com a vacina ou com a imunidade de grupo.

A percentagem de crescimento de novos casos tem-se mantido à volta de 1%, com os internamentos nas enfermarias e nas UCIs controladas, também mais ou menos estáveis, embora a descer ligeiramente (se olharmos para as variações semanais e não diárias).

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Número de casos por dia e evolução dos internamentos (enfermarias gerais e UCIs - dados da DGS - 21/06/2020)

 

Na realidade Portugal mantém um número de infectados por milhão habitantes inferior a muitos países que nos querem barrar a entrada, e uma letalidade à volta dos 4%, também inferior a muitos desses países.

É importante perceber que as comparações directas são difíceis, pois os dados não são apresentados de uma forma homogénea e, pior, nem sempre podemos acreditar na fiabilidade dos mesmos. Por exemplo – testes significam testes diagnóstico ou todo o tipo de testes? E contam-se todos os que se fazem ou por pessoa? E como são contados os óbitos?

Por isso em vez de arrepelarmos agora os cabelos, flagelando-nos e aos responsáveis pela gestão da epidemia, como antes nos congratulávamos pelo bom exemplo, olhemos com serenidade a situação e tentemos ser racionais.

Cumprir todas as medidas preconizadas pela DGS e pela OMS – concordemos ou não, é nas instituições que nos devemos apoiar. O vírus é desconhecido e há muitíssimas coisas que só serão claras daqui a uns anos, nomeadamente a avaliação das estratégias usadas – confinamentos mais ou menos restritivos, usos de máscaras (vários tipos), terapêuticas, etc. Por isso temos que ter a humildade de reconhecer a nossa ignorância e nos irmos adaptando às evidências que vão surgindo.

Combater os mitos, as fake-news, os alarmismos e, sobretudo, os estados bipolares da sociedade, que tanto aplaude entusiasticamente – somos os maiores – como se denigre estupidamente – somos os piores.

É forçoso que regressemos o mais rapidamente à vida, usando o conhecimento já existente e as cautelas inerentes, mas aceitando que não há risco zero. É imperioso que recomecemos a tratar as outras patologias que não se confinaram à espera que o SARS-Cov-2 passasse. É indispensável que mantenhamos as rotinas de vacinação porque há já doenças que se podem evitar com vacinas – aproveitemos para nos livrarmos das crenças reactivadas que têm levado a um recrudescimento de infecções que também são perigosas e que matam, essas totalmente evitáveis.

E preparemo-nos para outras pandemias. Esta não é a primeira nem será a última.

O jornalismo a que temos direito (2)

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Não sei se é por ignorância: só há UMA Ordem dos Médicos, que tem órgãos representativos regionais - a Secção Regional do Norte, a Secção Regional do Centro e a Secção Regional do Sul, cada uma com o seu Presidente, ou por não saber expressar-se por escrito. Para a jornalista Rita Rato Nunes o Presidente da Ordem dos Médicos do Sul (Alexandre Valentim Lourenço) fez declarações retumbantes, pelo que é preciso dar-lhes o devido realce, mesmo dando-lhe uma função inexistente.

Mas o mais cómico, ou dramático, é que esta asneira foi replicada por variados meios de comunicação que, de forma acéfala e sem qualquer juízo crítico, propagam disparates com o maior desplante. Mas incompetentes são os ministros novatos e titubeantes.

O jornalismo a que temos direito (1)

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Vale a pena ler esta notícia, escrita por João Pedro Henriques, na sua qualidade de jornalista e não na de opinador.

Começa logo pelo título: A entrada de Leão: retórica hesitante mas os truques de sempre.

Portanto o novo ministro das Finanças está a ser avaliado pelo jornalista – esteve hesitante. Quanto aos truques de sempre já todos sabemos que os políticos são uns aldrabões, e pretendem enganar-nos com truques, mas ainda por cima são pouco espertos, porque recorrem aos de sempre. E o Sr. Jornalista, já rodado nestas coisas de ministros e truques, fareja-os à distância.

Depois continua a notícia - ele é novato e titubeante, sempre ao lado do Primeiro-ministro (pois estaríamos à espera de que estivesse ao lado de quem?), usando as armas dos socialistas (o ataque é a melhor defesa), ele explica como se fosse o elemento de um júri o resultado do exame de um aluno particularmente mal dotado.

É tal a arrogância, a pesporrência, o desprezo e a deselegância que dói ver o DN a abraçar o estilo dominante e modernaço dos pseudojornalistas que pensam que quem os lê está interessado em saber a sua opinião.

Os velhos

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Entrevista a Ramalho Eanes - RTP (01/04/2020)

 

São assim, os velhos. Repetem-nos aquelas coisas que nos fazem encolher os ombros e filosofar perante a decrepitude e a voracidade do tempo, perante a desadequação às modas e aos moderníssimos pensamentos, à moderníssima sociedade, à moderníssima actualidade. Tão previsíveis e, no entanto, tão agudos e certeiros no que de mais fundo e mais autêntico há nos seres humanos.

Os velhos, como se chamou Ramalho Eanes, com a voz tantas vezes embargada pela emoção e pelas lágrimas que engole. Sim, os velhos comovem-se muito e não se importam. Os velhos como ele a dizerem aquilo que nós nos esquecemos de sentir. Coisas tão simples como as inevitáveis e naturais escolhas que se fazem ao longo e no fim da vida, pela vida dos outros. Não para se gabarem, não para serem modelos, não para que os admirem, não para doutrinarem.

São assim, os velhos. Pelo menos alguns, pelo menos Ramalho Eanes. E era também assim o meu pai. Nunca como ontem a sua presença foi tão real e me foi tão dolorosa a sua ausência.

Das inaceitáveis desautorizações

Felizmente somos uma democracia e, apesar do declarado estado de emergência, a liberdade de expressão e a inexistência de censura são uma realidade.

Nas conferências de imprensa diárias, a DGS e um representante do governo, para além de outras pessoas de outras instituições, prestam contas e respondem a perguntas dos jornalistas. Ontem assim aconteceu e, a partir dos 32:17, a DGS responde a quem questiona o porquê da falta da cerca sanitária no Porto quando tal já tinha sido pedido.

A resposta, ao contrário do que foi amplamente replicado nas redes sociais, não me pareceu nada desastrada. Apenas foi a resposta a uma pergunta, ainda por cima fundamentada (a pergunta) numa carta que teria sido enviada por Rui Moreira ao MAI.

Não se pode pedir transparência e verdade aos responsáveis das Instituições e exigir que não respondam às perguntas politicamente incómodas. Pode e deve criticar-se aquilo que, tecnicamente, impede uma análise rigorosa da situação, como os problemas da colheita de dados para reporte, por exemplo. Pode e deve criticar-se a DGS por incongruências e inconsistências.

No entanto aquilo que Rui Moreira fez é inaceitável seja em que circunstâncias forem. Rui Moreira não tem que aceitar nem deixar de aceitar a autoridade da DGS. E se ontem alguém houve que não esteve à altura das suas responsabilidades foi precisamente o Presidente da Câmara do Porto, que resolveu assumir o papel de vítima numa situação em que apenas deverá imperar a avaliação do que poderá controlar o melhor possível, o avanço do contágio do vírus. Tal como aconteceu em Ovar.

Já agora convém perceber que as previsões de picos e de planaltos e dos momentos em que poderão acontecer dependem da evolução da epidemia e isso, como de resto tudo o que diz respeito a esta situação, tem uma reavaliação e reajustamento diários.

Graça Freitas está cansada? É natural, estamos todos. Eu estou particularmente cansada de tantos especialistas em COVID-19 que pululam na nossa sociedade. Apesar de tudo, as coisas até não estão a correr mal, pelo menos por enquanto. Assim se reconhece fora do país mas nós, como de costume, preferimos denegrir-nos.

(vale a pena ler este texto de Tiago Barbosa Ribeiro)

Da política em tempo de COVID-19

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Mensagem do Presidente da República ao País sobre a declaração do estado de emergência

Marcelo Rebelo de Sousa quis retomar a iniciativa política após a sua auto infligida quarentena um bocado extemporânea, que muitos louvaram e outros criticaram por não se justificar nas circunstâncias em que ocorreu.

Nesse sentido, e sempre com o Expresso como porta-voz oficioso, lançou-se imediatamente a imensa e irreversível emergência de decretar o estado da dita, dando ressonância à resistência do Primeiro-ministro.

Após o Conselho de Estado, e depois da amplificação da vontade do Presidente da República em decretar o Estado de Emergência, a decisão tornou-se irreversível até pelo alarme social a que se assistia. A atitude de António Costa só podia ser a de apoiar o Presidente, tal como aconteceu com o Parlamento, numa demonstração de grande responsabilidade institucional e de coesão entre os vários órgãos de soberania e poder.

Marcelo assumiu a responsabilidade e assumiu o protagonismo, essencial em tempo da crise já instalada e da que há-de vir, até porque as eleições presidenciais aí estão.

A convocatória a Mário Centeno para ir a Belém, com o Expresso a propagandear que Marcelo queria garantir que Centeno não abandonava o barco, imediatamente seguida pela insinuação de que teria sido a reunião com o Presidente a convencer Centeno a ficar e a assumir a sua responsabilidade, são exemplos gritantes de notícias plantadas. No mínimo essa insinuação é ofensiva. Nunca Mário Centeno assumiu que ia abandonar o governo e seria um suicídio político se o fizesse numa altura destas.

A confiança nos nossos governantes é essencial para que possamos atravessar esta grave situação. É indispensável que o escrutínio continue, através dos órgãos próprios e do jornalismo, ele próprio um órgão de controlo dos poderes quando não se transforma numa correia de transmissão de um qualquer projecto político, com é o caso.

Não quero ser mal interpretada. Como já aqui referi considero que no meio de tanta desgraça temos a felicidade de contar com um Presidente, um Governo e um Parlamento, com especial destaque para Rui Rio que tem tido uma postura de grande responsabilidade. Por isso me custam estas manobras, que me parecem dispensáveis.

Ou se calhar não. Pelo menos há um arremedo de que a vida continua.

E tem mesmo de continuar.

SARS-CoV-2 - distribuição etária – prevenir e proteger

Neste momento, a grande diferença entre as infecções confirmadas em Portugal e Espanha é a distribuição etária. E também por isso, e se calhar exactamente por isso, a diferença entre as respectivas mortalidades - 1,1% e 6,1%.

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El País

 

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DGS

É absolutamente crucial tentar impedir que a infecção se generalize a lares de idosos. É essencial que os mais velhos tenham a noção exacta do risco acrescido.

Prevenir e proteger é o mais importante.

COVID-19 em Portugal - hoje

A evolução da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal tem seguido uma curva ascendente, como se previa e acontece em todos os outros países do mundo. No entanto, para já, tem corrido melhor do que algumas previsões.

Embora seja muito cedo para perceber se a tendência se mantém, é importante registar este facto.

Não podemos entrar em pânico e devemos continuar a nossa vida, o melhor que podemos, sem alarmismos mas com muito cuidado e muito senso, ouvindo e seguindo as indicações da DGS e do governo.

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Em termos de evolução do número de casos confirmados, ela tem uma curva exponencial, com uma percentagem de aumento de novos casos de 25%, já há 2 dias.

 

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A taxa de letalidade é (hoje) de 0,88%.

 

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Se observarmos as curvas de previsão da evolução do número de casos de Buesco - mais optimista (aumento de 30% de casos/dia); mais pessimista (aumento de 39% de casos/dia) - e de Aguiar-Conraria (usando os cálculos da última função exponencial que calculou), percebemos que a real está abaixo de qualquer das outras.

 

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Se analisarmos os desvios percentuais é mais visível essa diferença.

 

Boas notícias que devem ser olhadas com reserva: é cedo, mas é encorajador.

Pode ser que a Primavera nos traga melhores notícias e, principalmente, uma enorme resiliência. Nese momento é disso que precisamos. E de bom humor e de solidariedade. E de serenidade. 

A emergência de continuarmos

Para enfrentar esta pandemia temos que estar municiados de várias coisas - prudência, calma, consciência, responsabilidade e, acima de tudo, não ceder ao medo nem ao alarmismo.

É preciso continuar a viver e a trabalhar, com as precauções e as limitações inerentes e, diariamente, actualizadas pelas entidades oficiais. Mas se caímos na irracionalidade, pedindo medidas drásticas cujos efeitos no controlo da infecção são bastante discutíveis, ao contrário das certezas quanto à devastação económica e social que se lhes seguirão, podemos estar a condenar os cidadãos, em Portugal e no mundo, a anos de empobrecimento com consequências difíceis de gerir.

A declaração do estado de emergência é uma medida grave e sem precedentes que, a ser tomada, poderá ter que ser renovada de 15 em 15 dias, numa escalada de paralisação do país e das vidas de todos que nem sequer imaginamos. Por isso espero que os nossos governantes, a começar pelo Presidente da República, não cedam ao instinto do medo, à tentação de agradar aos múltiplos comentadores especialistas em epidemiologia e virologia que pululam por todo o lado, anunciando certezas e insultando quem tem dúvidas quanto à pertinência desta medida.

Todos somos poucos para esclarecermos e acalmarmos a natural ansiedade que nos assalta. Cabeça fria e coragem para ser lógico, racional e anti-populista, é o que se nos pede, sem excepção.

À altura das circunstâncias

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DN

 

Estou a ouvir a conferência de imprensa com a Directora Geral de Saúde - Graça Freitas - e com a Ministra da Saúde - Marta Temido. Tal como eu, todo o país tem tido os olhos postos nestas duas mulheres.

Felizmente. Serenas, rigorosas, respondem calmamente às perguntas e vão dando conselhos e dicas para que possamos guiar-nos no meio da floresta de desinformação e ruído criminosos que ecoam por toda a parte. Este é um tempo de responsabilidade, dos nossos dirigentes políticos e nossa. Todos temos que estar à altura da situação.

Neste momento o mais importante é conseguirmos acalmar os nossos medos e ansiedades e destrinçar, de entre o emaranhado de notícias que nos chegam pelo facebook, pelo whatsApp, por email, pelo telefone, através de alguém que é amigo e ouviu de um amigo de outro amigo, as histórias mais descabeladas e disparatadas. Há de tudo, desde artigos científicos a demonstrar que os anti-inflamatórios como o ibuprofeno pioram a infecção, até às gravações de telefonemas de supostos médicos a dizerem que há milhares de infectados e de mortos.

Temos que ter confiança nas entidades de Saúde, nacionais e internacionais, cruzar informação, procurar em sites fidedignos como o da DGS, OMS, da ECDC, da CDC, etc. E se não tivermos a certeza perguntar e tentar esclarecer a veracidade antes de divulgar.

E temos que viver segundo os nossos valores universais de solidariedade e de compromisso com o outro, com o próximo, com os nossos próximos - pais, mães, filhos, amigos, vizinhos, conhecidos. Ajudar no que pudermos como ir ao supermercado ou à farmácia, esclarecermos o que soubermos, uma e outra e ainda outra vez, cumprirmos rigorosamente os preceitos da higiene e prevenção e não entrar em pânico.

Não invadir nem sobrecarregar os serviços de saúde, sempre, mas agora mais que nunca, é imperativo e decisivo. Não ir aos hospitais, às urgências, aos centros de saúde, a não ser que seja absolutamente indispensável. Temos que nos manter em casa e tratarmos o que pode ser tratado, recorrer à linha de apoio SNS24 - 808 24 24 24, aos nossos médicos, mas não inundar os serviços de saúde com o que se pode resolver de outra forma.

Temos tido uma liderança forte e serena - um Presidente como Marcelo Rebelo de Sousa, um Primeiro-ministro como António Costa, as duas mulheres que já referi. Temos um SNS público com gente competente, generosa e motivada, uma Segurança Social que nos pode apoiar. No meio deste enorme problema, temos motivos para confiar. As medidas estão a surgir, de forma proporcional às necessidades. Se tiverem que ser mais restritivas, não tenho dúvidas que serão tomadas.

A comunicação social é crucial. Se há uma oportunidade de o jornalismo recuperar credibilidade e importância (que nunca deixou de ter) é esta, desde que sejam, de facto, o paradigma do rigor e da informação, onde poderemos esclarecer as nossas dúvidas e acalmar os nossos receios. Também a eles se exige um enorme sentido de responsabilidade.

E vamos manter o país a funcionar. Depende de nós. E nós estaremos à altura.