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Das armas repressivas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.01.21

Controlo da pandemia - segundo a TSF.

Quem quer sair de casa para "fruir de momentos ao ar livre" ou passear animais de estimação pode comprovar que vive por perto com um comprovativo de morada, nomeadamente a carta de condução ou qualquer recibo de água, eletricidade ou telecomunicações.

Para adquirir bens essenciais podem ser apresentadas faturas ou outros comprovativos da compra, bem como uma declaração sob compromisso de honra.

Usar um carro para usar a exceção que permite sair de casa para ter um "momento ao ar livre" está claramente proibido.

(...) o Governo decidiu, de uma vez por todas, usar a arma repressiva das forças de segurança para terminar com aquilo que está a acontecer no país (...)

Extraordinário.

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publicado às 16:32

Das INverdades

Desinformação e manipulação

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.01.21

Tenho visto, em notícias de rodapé nos noticiários televisivos, que Portugal tem o maior número do mundo em óbitos e número de caso por COVID-19. Nunca aparece a informação relativa à ou às fontes que usam para tão alarmantes e assustadoras notícias.

Fui procurar fontes internacionais:

  • Dados do Jonh Hopkins:

letalidade john hopkins 23_01_2021.png

Letalidade - Portugal - 1,6%

moratlidade 1m john hopkins 23_10_2021.png

Óbitos por milhão de habitantes - Portugal - 9648

 

  • Dados do Worldometer: ranking de Portugal no Mundo e na Europa em relação ao número de óbitos por milhão de habitantes (em 27º e 20º lugares, respectivamente) e ao número de casos por milhão de habitantes (16º e 10º lugares, respectivamente).

ranking covid worldometer 23_01_2021.png

Qual o objectivo de mentir tão descaradamente?

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publicado às 16:11

A raridade de um ser pensante e sensato

a quem ninguém tem interesse em ouvir

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.01.21

Para quem tiver interesse em saber quem é o Professor Jorge Torgal.

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publicado às 17:25

Dos regimes que escolhemos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 10.01.21

PR 2021.jfif

Os debates das presidenciais foram dominados por André Ventura. Não que André Ventura se tenha mostrado merecedor disso, mas porque os media o elevaram ao centro de todas as atenções. Não só lhe deram protagonismo naqueles em que era um dos oponentes, na maioria dos casos pela demissão dos moderadores em cumprirem o seu papel, como nos outros em que a sua presença, mais uma vez assegurada pelas perguntas dos moderadores, era imposta.

Mais uma vez o papel dos media nas democracias é crucial, tanto pela indispensável necessidade da sua existência, pela pluralidade de opiniões e pelo escrutínio dos vários poderes, como pela capacidade de manipulação e modelação da opinião pública.

A forma como as prestações são avaliadas, nomeadamente a unanimidade das loas a Vitorino Silva, pela autenticidade, pela criatividade e pelo fantástico uso das metáforas, é espantoso. Chego mesmo a pensar que devo ter uns óculos diferentes dos restantes, pois tudo o que vi foi uma lamentável tristeza de inanidades ditas e reditas por alguém que se está a candidatar, é preciso que não nos esqueçamos, ao cargo de Presidente da República.

Debates de 30 minutos são tudo menos esclarecedores, mesmo que tivessem corrido brilhantemente. Na maioria dos casos as perguntas versaram tudo menos o que de facto importa na Presidência da República. Com raras excepções, como a postura dos candidatos aos acordos e maiorias de governo, por exemplo.

Para conhecer os candidatos, as suas posições políticas e éticas, a sua forma e opções de vida, era preferível entrevistá-los com calma. Assisti a duas entrevistas feitas por Rui Unas a Ana Gomes e a Tiago Mayan que foram muito mais informativas e interessantes que qualquer dos debates.

Penso que o mais importante objectivo destas eleições é reduzir ao máximo a abstenção e tentar mobilizar, no meio da pandemia, os cidadãos a votar. Temos de nos convencer que quanto mais longe estivermos das nossas obrigações cívicas, quanto mais nos demitirmos de intervir e de escolher, participando nos actos eleitorais, mais frágil será o nosso regime democrático.

E todas as eleições são importantes. Esta também é. De um momento para o outro o Presidente pode ser a peça fundamental da nossa vida colectiva. Para isso temos que escolher aquele que pensamos ser a melhor e mais apta pessoa para o desempenho dessas funções.

Os adeptos dos extremismos nunca se abstêm. Os moderados é que negligenciam esse seu dever. Basta assistir ao que se está a passar nos EUA. A omissão e o oportunismo de muitos dos que estavam perto de Trump, que permitiram que aquela criatura se candidatasse a Presidente e que, após a eleição, se mantivesse no cargo à custa de mentiras e de atitudes indignas e que envergonham os mais distraídos, são exemplos a que devemos estar atentos para que não se repitam aqui.

Não, André Ventura não tem graça, não é um fenómeno ridículo e residual. A verbalização dos mais negros instintos do ser humano passou a ser a norma, os insultos e a gritaria, o abandalhar da moral e da ética passou a ser vista como o novo normal, para usar um dos jargões da época.

Ouvi há dias alguém defender que a redução e quase desaparecimento dos hábitos de leitura têm como consequência um enorme encolhimento do vocabulário e da capacidade de elaborar pensamentos mais complexos, o que deixa os cidadãos acríticos e crentes nas mais diversas idiotices, presos dos aldrabões e vigaristas que proliferam. Se olharmos para os nossos aprendizes de Trump não podemos deixar de concordar.

Em tempo de pandemia há formas alternativas de exercer o direito de voto. Basta ir a este link para nos informarmos.

E pensemos, interroguemos as nossas consciências. Julgar os outros é muito mais fácil do que tentar perceber as dificuldades pelas quais passa tanta gente, pelos mais diversos motivos. O racismo, a xenofobia, o desrespeito pelas mais elementares direitos humanos nunca resolveu problemas, só causou caos, miséria e sofrimento atroz. As ditaduras nunca foram a resposta a pandemias, desigualdades, corrupção ou pobreza.

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publicado às 09:27

Presidenciais 2021

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.12.20

Tenho tentado ver as entrevistas conduzidas por José Adelino Faria aos candidatos presidenciais. É impossível. A arrogância, truculência, pesporrência, agressividade e sede de protagonismo do entrevistador apaga todos os esforços.

Ao contrário do que estes entrevistadores pensam - Miguel de Sousa Tavares, Ricardo Costa, Bernardo Ferrão - não são eles que nós queremos ouvir. Não me interessam minimamente as opiniões dos entrevistadores. Se eles quiserem fazer ouvir a sua voz política podem sempre candidatar-se.

É uma visão da democracia muito deles. E com a decisão de deixar de fora Vitorino Silva (Tino de Rans), por critérios que eles próprios decidem, à revelia da mais elementar noção da igualdade de oportunidades para todos os candidatos, é mais uma demonstração da cultura da omnipresença de decisores nunca mandatados por ninguém para decidirem.

A liberdade dos media é crucial num regime democrático. O papel dos media na manipulação da informação também é crucial. E estes sinais não são nada tranquilizadores. Não são novos, mas são mais fortes.

Insisto. Não tenho interesse nenhum nas opiniões dos entrevistadores mas tenho muito nas dos entrevistados. Gostaria imenso de poder ouvi-los sem interrupções constantes nem apreciações valorativas. Os eleitores é que julgam, nas urnas.

 

Nota: vale a pena ler este post.

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publicado às 10:21

Dizer bem

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.12.20

figuras ano 2020.png

Há um ano seria difícil sequer imaginar o que 2020 iria significar.

A pandemia provocada pelo SARS-CoV-2, a forma como o mundo reagiu, os confinamentos, o fechar das sociedades, a hecatombe económica, o medo, a histeria muito assoberbada pelos media, as notícias falsas, os alarmismos e a dura realidade de tentar gerir esta mistura explosiva, colocaram os holofotes no Governo, no Presidente e nas Instituições de Saúde.

Houve muita coisa que correu mal e muitas outras que poderiam ter corrido melhor. Mas nunca, que me lembre, tanto se exigiu de duas pessoas que desde o início da crise pandémica, diariamente, apareceram a prestar contas e informação.

Falo de Marta Temido e de Graça Freitas. Sem esquecer o Primeiro-ministro que por sorte nos calhou, um Presidente da República que sempre o foi secundando, todos os restantes protagonistas que foram aparecendo para nos acalmar e informar (no qual não incluo, infelizmente, muitos dos representantes dos médicos e enfermeiros de Ordens e Sindicatos), estas duas mulheres foram e são exemplos de sobriedade e resiliência que nos devem orgulhar e a quem devemos o nosso respeito e agradecimento.

Não foram sempre perfeitas nem o serão nunca, mas foram serenas, rigorosas, sérias e leais. Por isso fiquei muito satisfeita pelo regresso de Graça Freitas ao seu trabalho, por isso me indignei com alguns comentários ao assomo de fragilidade de Marta Temido, quando se emocionou até às lágrimas numa cerimónia no INSA.

Para mim são indubitavelmente as figuras do ano.

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publicado às 16:46

Do inqualificável

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.12.20

sef andre carrilho.jpg

André Carrilho

 

É difícil acabar este ano sem nos virem à boca todas as palavras azedas e desesperançadas que conhecemos, para expurgar pensamentos e vinagres interiores.

Para não falar do SRAS-CoV-2 e da pandemia, de confinamentos e emergências, de manipulações, histeria e ratos, a minha tristeza e perplexidade olham para o que se tem passado no SEF perante a nossa indiferença e alheamento.

Depois de nos termos apercebido de que um cidadão ucraniano tinha sido morto à pancada em Portugal, na porta de entrada para o que ele esperava ser uma hipótese de vida futura, às mãos do Estado português, perante a cumplicidade e inactividade de todos, com raras e honrosas excepções para muito poucos jornalistas que mantinham a denúncia, vemo-nos confrontados com a incúria e a inépcia política da gestão deste gravíssimo caso, que põe em causa tudo o que propagandeámos de país amigo, tolerante e acolhedor.

O Ministro não actuou de imediato, demitindo a Presidente do SEF, visto que ela própria não o fez. Não só não actuou de imediato como meses depois assumiu a sua inquestionável gestão do caso, divulgando a sua conclusão de que aquele assassinato era caso único e que não manchava o SEF. De tal forma que só depois de mais denúncias, o crédulo Ministro decidiu alargar o âmbito da investigação, como se nada fizesse crer que tudo o que ali se passa deve ser digno de um filme negro de máfias e conluio entre gente inqualificável, que devia estar atrás das grades.

Não só o Ministro mas também o Presidente dos afectos não tiveram a decência de publicamente e em nome do País se desculparem perante tal horror, fazendo o que pudessem para tentar minimizar a dor da família e a nossa vergonha colectiva.

É muito, muito mau. António Costa já devia ter demitido o Ministro, visto que ele não o faz. Mas, mais uma vez, não consegue gerir estas situações, deixando-as apodrecer arrastando todo o governo e a si próprio em marinada lenta de descrédito e estupefacção.

É muito triste, muito mau, muito grave. Só de imaginar o que aquele homem e muitos outros, homens e mulheres, sofreu, sofrem e sofrerão naquele pedaço de Portugal, devia obrigar-nos a todos a olhar para as nossas prioridades.

No fim deste ano de 2020, que parece nem ter existido mas que varreu o mundo destruindo muitos dos alicerces da vida em sociedade, esta é uma péssima amostra do que se passa nalguns cantos que teimamos em não ver.

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publicado às 09:43

Da nossa vergonha

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.12.20

"(....) Mas a triste sorte de Ihor Homeniuk não mereceu até agora nem a indignação geral nem sequer o interesse específico da Provedora de Justiça, que tanto tem denunciado as condições inaceitáveis dos CIT, aos quais chamou "terras de ninguém" e espaços de "não direito". Não mereceu a exigência de que o SEF seja mudado de cima a baixo - ou extinto. Não mereceu praticamente nada a não ser a obsessão de poucos jornalistas, entre os quais me incluo.

E no entanto pouco houve nos últimos anos que merecesse mais o nosso clamor. Porque se é isto uma polícia portuguesa do século XXI, se é assim que tratamos pessoas completamente desprotegidas, que país somos? Se não chega a diretora do SEF assumir que um homem foi torturado sob a sua guarda, a do Estado português - a nossa - para que lhe indemnizem a família, que falta? Que nos falta?"

É uma vergonha colectiva. Com raras excepções, como a de Fernanda Câncio (21/11/2020), calamos um inqualificável e gravíssimo atropelo a tudo o que tem a ver com leis, Direitos Humanos, decência.

Nem Cristina Gatões, nem Eduardo Cabrita, nem António Costa, em Marcelo Rebelo de Sousa, nem nós, cidadãos, que tantas indignações diárias temos por ninharias e tanto nos calamos por aquilo que de facto importa.

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publicado às 21:40

Da irresponsabilidade criminosa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.12.20

vacinas covid expresso.jpgTítulos do Expresso entre 26 e 27 de Nov/2020, por ordem cronológica

 

Vivemos tempos de perigo e populismo. A pandemia libertou fantasmas e o pior que há em nós.

A incerteza, o medo, o nascimento espontâneo de especialistas em virologia, epidemiologia, imunologia, saúde pública, vacinação e estatística, arrebatados e comandados pela enorme necessidade de ter audiências e pelo desnorte dos responsáveis políticos, leva ao descrédito e à desconfiança de quem tenta perceber o que se passa.

O Expresso deixou há muito de ser um jornal sério e de referência, mas vai-se superando a si próprio. O mais assustador é a falta de calma e ponderação de quem vai atrás dos títulos bombásticos e gera ainda mais pânico. Talvez um dia haja várias teses de doutoramento sobre o comportamento dos media na pandemia (refiro-me a esta - COVID-19).

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publicado às 16:47

Respeito

por Sofia Loureiro dos Santos, em 15.11.20

virus.jpg

 

Vivemos tempos muito difíceis, a todos os níveis. A pandemia veio agravar e reacender problemas anteriores, colocando as populações perante dilemas impossíveis.

A cacofonia de opiniões, interpretações, descobertas reais ou fictícias, a disseminação da certeza de que todos sabemos de tudo e o fenómeno da proliferação de meios de manipulação, desde os tradicionais aos futuristas, transforma a decisão individual e colectiva numa tarefa hercúlea.

Por outro lado, a politização da pandemia vem baralhar ainda mais os cidadãos. Em vez de uma troca de informações e opiniões baseadas nas evidências científicas assistimos à divisão entre os bons e os maus, os certos e os errados, colando cada sector a uma área ideológica, o que é, por si só, a negação da evidência científica.

Acrescem as revoltas e incertezas quanto ao futuro, que se nos afigura triste e longínquo, o aumento das desigualdades, da pobreza, da marginalização dos mais fracos e indefesos e o crescer dos populismos e das tentações autoritárias. Trump é anterior a tudo isto, mas é bem o corolário da loucura instalada.

Por isso mesmo é preciso que tenhamos a noção daquilo que, apesar de tudo, mesmo com muitos erros e indecisões, mudanças de atitude e de orientações, nos é pedido. Vivemos numa democracia representativa e num Estado de Direito. Todas as decisões sobre confinamentos, recolheres obrigatórios, máscaras, etc., por muito penosas e discordantes das nossas próprias opiniões e (in)certezas, são tomadas pelos representantes das instituições que livremente elegemos, que mandatámos excatamente para estes fins.

Esta é uma crise global, que nos assusta e desafia a todos. Não nos devemos impedir de pensar e de partilhar as nossas opiniões e dúvidas, de debater as medidas uma a uma, de questionar e os poderes sobre as suas decisões e de os julgar, nas urnas. É assustador o espírito pidesco e de pensamento único que se está a impor nas nossas sociedades, apelidando todos os que não concordam com a linha oficial de negacionistas e divulgadores de fake news.

Mas nada disto deve diminuir a nossa vontade de fazer aquilo que está determinado pelo governo, assente nas promulgações do Presidente da República e pela aprovação do Parlamento. Nada disto deve colocar em causa a confiança na competência da DGS nem no SNS. Não há milagres e as mudanças nas orientações gerais são o espelho do que ainda há a descobrir sobre esta doença e este vírus, e do andamento das investigações internacionais que, comparando com outros momentos semelhantes, tem sido de uma rapidez notável.

Tenho imenso respeito por todos aqueles que, neste momento, têm nos ombros a tarefa de nos orientar. Imagino as infindáveis horas de reuniões, discussões, trocas de argumentos, indecisões, desespero, as insónias e as angústias antes de decisões com custos tão elevados.

Respeito por todos eles, um enorme respeito. Mesmo que não concorde, que me irrite, que me espante e me revolte, cumprirei as regras.

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publicado às 09:23


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