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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Exame prévio

As mulheres são diferentes dos homens. São biologicamente diferentes pelo que é natural e espectável que tenham comportamentos diferentes.

 

A igualdade de género é um assunto muito sério, que precisa de políticas activas e urgentes, para que as mulheres tenham as mesmas oportunidades que os homens, que possam ter as mesmas ambições, pessoais e profissionais, que possam escolher, livremente e em igualdade de circunstâncias, o que querem fazer da sua vida, que vejam reconhecidas as suas funções e os seus méritos da mesma forma e com as mesmas remunerações que os homens.

 

Vem isto a propósito da polémica em relação ao filme da campanha anti tabágica que usa o sentimento de culpa de uma mãe que está a morrer com cancro do pulmão, em relação à sua filha, e à mensagem que quer passar – será sempre a sua princesa e as princesas não fumam.

 

O tabagismo tem tido uma redução percentual na população masculina enquanto aumenta na feminina, predominantemente entre as mulheres jovens. Uma das maiores preocupações das mulheres jovens com cancro, qualquer que ele seja, é os filhos, de como vão reagir, o medo de os deixar sem a sua protecção, de não os ver crescer.

 

As campanhas anti tabágicas são sempre baseadas no medo e na culpa, aliás tal como qualquer campanha que queira criticar comportamentos – anti-açúcar, anti-gorduras, etc. No caso do tabaco não só é explorada a culpa própria mas também a culpa por causar doença nos fumadores passivos.

 

As crianças imitam os adultos e têm os pais como referência. Na generalidade dos casos as filhas olham para as mães e imitam-nas, tal como os filhos olham para os pais, imitando-os. A campanha usa precisamente o papel de modelo da mãe - o mau exemplo - e a culpa da mãe - não estarei cá por minha culpa e se tu fumares a culpa também é minha. Quanto à princesa - uma banalidade nas expressões usadas entre mães e filhas - pode ser utilizada como símbolo de um comportamento exemplar.

 

Podemos achar a campanha pirosa e excessiva – eu até acho, tal como a campanha que usa imagens chocantes nos maços de cigarro. Mas transformá-la numa bandeira para a luta contra a desigualdade de género parece-me totalmente disparatado. É até assustadora a existência de uma polícia de palavras, de imagens, de conteúdos, de intenções. Não tarda temos uma comissão para o Exame Prévio!

 

A banalização deste tipo de críticas acaba por desvalorizar a real necessidade de denúncia contra todas as situações que perpetuam a desigualdade de género. Isso é que é intolerável.

Este país não é para mulheres

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Charging Bull, Arturo Di Modica

Fearless Girl, Kristen Visbal

 

Confesso que estou cansada de dias internacionais, de mulheres, jovens, velhos ou quaisquer outros. Os problemas não se resolvem.

 

Servem para acordar consciências? Sim, mas elas voltam a adormecer de imediato. Doutra forma não se entende como é possível haver uma tal desigualdade no valor dos salários, maior ainda para empregos mais qualificados.

 

Em vez de rosas e juras de amor, era bem mais eficaz igualarem-se as remunerações, não as distinguindo por género mas por qualificação e mérito.

Da relativização dos tempos

 

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Dorothy Vaughan & Kathryn Johnson & Mary Winston Jackson

 

Temos grande tendência a considerar as gerações mais novas ignorantes e irresponsáveis, sem interesse naquilo que achamos ser o essencial de conhecimentos, sentimentos, educação e cultura.

 

Outro dia, depois de assistir ao filme Elementos Secretos (Secret Figures), bastante agradável e leve, pus-me a pensar na estranheza com que nos apercebemos de que apenas há cerca de 50 anos havia segregação racial nos EUA, e o que isso significava no dia a dia das pessoas segregadas, para além da discriminação de género. O filme passa-se à volta do ano em que nasci. Como é possível para nós, hoje em dia, acreditarmos que havia uma sociedade compartimentada pela cor da pele? Talvez daqui a 50 anos a reacção dos nossos netos ou bisnetos seja a mesma quando virem as histórias contadas à volta de outros grupos e outras minorias, desencadeando incredulidades idênticas às que me assaltaram durante o filme.

 

Num salto de raciocínio apercebi-me de que, na altura em que assisti pela primeira vez ao documentário The World at War, nos anos setenta do século passado, tinham passado apenas 30 anos do fim da II Guerra Mundial. Que sabia eu do assunto? O que tinha aprendido no liceu? Eram matérias versadas nos currículos? Hitler, Mussolini, Estaline, o Holocausto, o anti-semitismo, a Guerra Civil Espanhola?

 

Por isso mesmo, quando nos espantamos com o desconhecimento dos jovens sobre o 25 de Abril de 1974, que aconteceu já há mais de 40 anos, é melhor percebermos que eles são tão ignorantes como nós éramos e o seu interesse ou desinteresse é semelhante ao que era o nosso.

 

As memórias têm que ser também construídas, activadas e reactivadas, para que os novos entendam o que se passou antes da sua geração, antes daquilo que lhes parece óbvio, permanente, eterno, e que é apenas uma fracção de segundo num tempo circular, que pode desaparecer, retroceder ou perecer.

 

A Arte d(n)a Resistência

 

MoMA Takes a Stand: Art From Banned Countries Comes Center Stage

 

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Zaha Hadid

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

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Marcos Grigorian

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

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Parviz Tanavoli

 

This work is by an artist from a nation whose citizens are being denied entry into the United States, according to a presidential executive order issued on January 27, 2017. This is one of several such artworks from the Museum’s collection installed throughout the fifth-floor galleries to affirm the ideals of welcome and freedom as vital to this Museum, as they are to the United States.

 

 

A partir de Yvette Centeno

 

O SNS promove a igualdade

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Leonardo da Vinci

 

Por muito que queiramos os doentes não são todos iguais. Não por causa dos seus corpos, todos constituídos pelos mesmos compostos orgânicos, com mais ou menos equilíbrio hidroeletrolítico. Não por causa da alma, aquela consciência que não sabemos localizar de forma precisa e que caminha do coração para o cérebro, mas pelos motivos inerentes ao continente, ao país, à cidade onde se nasce, vive e morre, pelos percursos de vida das famílias mais longínquas ou mais chegadas, pelo percurso das próprias vidas, pela existência ou não de emprego.

 

Mas o que mais diferencia as pessoas, para além da sua naturalidade e da sua genealogia é o seu status sócio económico e cultural. Especificamente em Portugal não é indiferente ser pobre – e cada vez há mais pobres e cada vez é mais fácil e frequente cair na pobreza.

 

Se um doente pertencer a um estrato social e económico mais favorecido e se não tiver rapidamente acesso ao SNS, tem possibilidade de recorrer ao sector privado e aí contar com os recursos necessários e indicados ao seu caso. E até pelo facto de pagar os serviços exige e assume que tem o direito ao melhor pois está a comprá-lo. Se um doente pertencer a um estrato social e económico menos favorecido fica dependente dos serviços que o SNS lhe oferece. Portanto todas as ineficiências, incapacidades, atrasos e constrangimentos se reflectirão de imediato no seu atendimento, no seu tratamento, no seu prognóstico e na sua qualidade de vida. Ou seja, o SNS é a sua única opção.

 

Se deixarmos que o SNS se degrade ainda mais, se não acudirmos às carências várias, de recursos humanos e de equipamentos, se não aproximarmos os cuidados dos doentes, se falharmos na oferta pública do que melhor há à disposição de quem sofre, nunca lhes poderemos assegurar o direito à saúde. Estão inexoravelmente condenados a esperar que haja vagas, a esperar que haja médicos, a esperar pelas tomografias, pelas ressonâncias, pelas biopsias, pelos médicos de família, pelos especialistas, pela radioterapia e por tudo o mais que a medicina moderna tem para oferecer.

 

Os doentes não são todos iguais e o SNS é a única forma de tentar reduzir essas desigualdades. Todos os corpos e todas as almas são constituídos pela mesma matéria orgânica e inorgânica, que se desloca inconscientemente entre o coração e o cérebro. o serviço público de saúde é uma excelente demonstração do uso de ambos.

 

Da desigualdade no acesso à Universidade

A desigualdade gritante no acesso à Universidade tem décadas e é um assunto a que ninguém quer dar atenção. No último Expresso e, agora, na RTP 2, falou-se da divulgação de um estudo de Gil Nata e Tiago Neves, que demonstra que há uma acentuada inflação das notas, mais no ensino privado que nos público, mais em certas regiões do país que noutras, estudo esse que não consegui encontrar no portal InfoEscola.

 

vários anos que defendo que seria preferível fazer exames nacionais a todos os candidatos, sendo a nota de exame aquela que se considerava para o acesso à Universidade. Ou então permitir que cada Universidade tivesse as suas próprias provas de acesso. Pelo menos colocaria todos os candidatos em pé de igualdade. Por muito injusta que seja uma prova na avaliação de conhecimentos, é menos injusta que a situação presente, em que há uma elite que paga e compra as notas de entrada nas Faculdades.

 

É um escândalo que nada se tenha feito em tantos anos, permitindo esta claríssima violação do princípio Constitucional que se convoca para outras matérias (e bem) - o da igualdade.

Integração

 

Angela Merkel afirmou que o multiculturalismo falhou redondamente na Alemanha. Não concordo que o multiculturalismo tenha falhado, mas sim a inserção e integração de algumas comunidades nas sociedades ocidentais, principalmente a comunidade islâmica, e não só na Alemanha. Não vale a pena escamotear esta realidade e é perigoso usá-la como arma de arremesso político, à esquerda ou à direita.

 

Na verdade as nossas sociedades terão que observar e analisar o que correu mal, especificamente com as comunidades islâmicas, e estas terão que perceber que há também responsabilidades do seu lado. Integração pressupõe aceitação de valores dos países de acolhimento, observância das suas leis, idênticos direitos e idênticos deveres. Não se pode querer acabar com a discriminação religiosa e cultural para depois se usarem essas características para se reivindicar tratamentos diferentes.

 

Por outro lado, as sociedades de acolhimento terão que respeitar as diferenças, quando tal não colide com a legislação dos seus países. A exigência da aprendizagem da língua e da observância do laicismo do estado deve ser intransigente. A forma condescendente como se acolhem as populações imigrantes é o primeiro e mais forte sinal de xenofobia e o melhor incentivo para a guetização e afastamento da vivência comunitária.

 

A igualdade perante a lei (2)

 

A Sentença, um debate onde estarão presentes:
ANTÓNIO MARINHO PINTO, Bastonário Ordem dos Advogados
RUI RANGEL, Juiz Desembargador
JOSÉ MANUEL FERNANDES, Jornalista
DANIEL OLIVEIRA, jornalista

 

Em Portugal há cidadãos que têm lugar cativo na televisão pública, para fazerem a sua defesa em directo. Em Portugal o Bastonário da Ordem dos Advogados e um Juíz Desembargador aceitam participar nesta iniquidade.

 

A igualdade perante a lei (1)

 

(...) Em comunicado, o Eliseu sugeriu que poderá ser retirada a nacionalidade, dez anos após ter sido adquirida, aos cidadãos de origem não francesa que atentem contra a vida dos agentes policiais. (...)

 

Em França prepara-se a reversão do princípio da igualdade perante a lei. Haverá franceses de primeira e franceses de segunda categoria; aqueles cujo castigo é perder a cidadania são os de segunda.