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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Do orgulho

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Aprovado por unanimidade

 

 

VOTO N.º 660/XIII/4.ª DE PESAR PELO FALECIMENTO DE

GENERAL LOUREIRO DOS SANTOS

 

É com profundo pesar que a Assembleia da República assinala o falecimento do General José Alberto Loureiro dos Santos.

 

O General Loureiro dos Santos era considerado um dos mais notáveis militares da sua geração, cuja distinta carreira o levou aos cargos de Vice-Chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas e Chefe do Estado-Maior do Exército. Também na política, teve papel de relevo ao desempenhar o cargo de Ministro da Defesa Nacional nos IV e V Governos constitucionais.

 

Nascido a 2 de setembro de 1936, em Vilela do Douro, no concelho de Sabrosa, Vila Real, concluiu com distinção os estudos secundários em 1953, tendo ganho o prémio nacional de melhor aluno dos liceus, e ingressou na Escola do Exército, onde se formou em Artilharia.

 

Combatente na Guerra Colonial, o General Loureiro dos Santos participou na Revolução de Abril, tendo assumido o cargo de secretário do Conselho da Revolução, e foi um elemento ativo no processo de transição para a democracia em Portugal.

 

Doutrinador com vasta obra publicada, o General Loureiro dos Santos foi um dos grandes mestres da moderna escola de Estratégia em Portugal, com um papel fundamental no moldar do pensamento militar do pós-25 de Abril e na definição teórica da política externa portuguesa.

 

O General Loureiro dos Santos lecionou no Instituto de Estudos Superiores Militares, do qual fez parte do conselho científico, e no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas (ISCSP) — no qual foi membro do Conselho de Honra. Era também membro da Academia das Ciências de Lisboa e do Conselho Geral da Universidade Nova de Lisboa, como personalidade externa.

 

Foi membro fundador do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais, membro do Centro de Estudos Estratégicos do Instituto de Altos Estudos Militares, membro do Grupo de Reflexão Estratégica do Ministério da Defesa Nacional e participou na Comissão de Revisão do Conceito Estratégico de Defesa Nacional em 2012.

 

Como comentador de assuntos de estratégia, segurança e defesa, o General Loureiro dos Santos era presença frequência nos meios de comunicação social, tendo granjeado a admiração do grande público.

 

Reunida em sessão plenária, a Assembleia da República lamenta profundamente a morte do cidadão ilustre, do militar exemplar e do pensador ímpar e endereça à família, aos amigos e ao Exército português as mais sentidas condolências. Palácio de São Bento, 21 de novembro de 2018.

 

O Presidente da Assembleia da República, Eduardo Ferro Rodrigues.

 

Outros subscritores: André Pinotes Batista (PS) — Lúcia Araújo Silva (PS) — José Manuel Carpinteira (PS) — Lara Martinho (PS) — Maria Conceição Pereira (PSD) — Ivan Gonçalves (PS) — Wanda Guimarães (PS) — Santinho Pacheco (PS) — Francisco Rocha (PS) — José Rui Cruz (PS) — António Sales (PS) — Ricardo Bexiga (PS) — Ana Passos (PS) — Norberto Patinho (PS) — João Marques (PS) — Sofia Araújo (PS) — Rui Riso (PS) — Cristina Jesus (PS) — Odete João (PS) — Maria Augusta Santos (PS) — Joana Lima (PS) — Ana Sofia Bettencourt (PSD) — Luís Pedro Pimentel (PSD) — Carla Sousa (PS) — Carla Tavares (PS) — Maria Manuela Tender (PSD) — Luís Leite Ramos (PSD) — Eurídice Pereira (PS) — Edite Estrela (PS) — Paulo Pisco (PS) — Luís Vales (PSD) — António Costa Silva (PSD) — Susana Lamas (PSD) — Nilza de Sena (PSD) — Elza Pais (PS) — João Gouveia (PS) — Regina Bastos (PSD) — Margarida Mano (PSD) — Maria Germana Rocha (PSD) — Alexandre Quintanilha (PS) — Berta Cabral (PSD) — Pedro Pimpão (PSD) — Sandra Pereira (PSD) — Sara Madruga da Costa (PSD) — Ana Oliveira (PSD).

Intrusos

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Jonathan Callan

 

Os óculos abandonados sobre a secretária, os papéis cobertos de anotações, números e letras ilegíveis, os jornais espalhados pela mesa, uma manta, o pijama passado a ferro e dobrado, a sensação constante de que vai aparecer à porta um vulto quase sem espessura, quase transparente, o som da voz ainda forte, a silabar os nomes. Os despojos, os artefactos que representam os dias, as pequenas tarefas quotidianas, os gestos que fazem o ritual de viver, o alimento do corpo e do espírito. Uma casa que repentinamente se despiu e esfriou, recolhendo os intrusos que devassam sem querer um santuário.

 

Papéis e livros, livros e papéis, assim se vai construindo uma história, uma tão exígua amostra de tantos anos de mudanças, vitórias, dúvidas, derrotas, pensamentos elevados e mesquinhos, amores e desamores, alegrias e tristezas, companhia e solidão. Tão pouco resta de nós, tão pouco significativos e importantes somos à luz do que nos julgamos.

 

Não é fácil encarar a ausência definitiva. Temos que esperar o dia em que o tempo faz as pazes para conseguirmos aceitar a nossa própria incapacidade de esquecer.

Hoje

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Há sempre uma hora que tememos e que sabemos inevitável, aquela que teremos que viver. Todas as árvores morrem e o meu pai, qual árvore de tronco rijo, com as raízes bem presas nas suas convicções e na bravura do que conseguiu, partiu com o silêncio e a certeza do dever cumprido.

 

Foi muitas coisas, tantas como tanto já disseram e escreveram, mas para além de todas as coisas foi um homem honrado que honrou a sua vida e o seu País. Foi um modelo e uma razão, um exemplo e uma inspiração, com todos os defeitos e qualidades que todos os pais têm aos olhos dos filhos.

 

Por isso, hoje, sabendo que ninguém será nunca insubstituível, tenho a certeza de que, para mim, ele não é substituível.

Miguel Portas

 

 

Miguel Portas foi um homem que sempre lutou por aquilo em que acreditava. Tinha uma força que lhe vinha das suas profundas convições. Serviu o País em vários momentos e em várias circunstâncias. Devemos-lhe uma merecida homenagem.