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Portugal e a Europa

e agora?

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.03.24

eleicoes portugal 2024.JPG

Depois de umas eleições resultantes da combinação de um golpe de estado judicial e de uma decisão pouco compreensível do nosso Presidente que, durante um ano, andou a ameaçar demitir o governo do PS, suportado numa maioria absoluta (para além de Mário Centeno, António Costa sugeriu 3 nomes do PS para formarem governo - António Vitorino, Carlos César e Augusto Santos Silva), temos uma constelação de instabilidade.

O Chega conseguiu 50 deputados. Não partilho do coro condescendente de quem justifica o voto no Chega com a zanga ou o protesto. Pode protestar-se de muitas formas. Mas quem vota escolhe e, para escolher, tem a obrigação de ouvir e ler. No caso do Chega basta ouvir o que dizem, principalmente André Ventura, mas não só. E o que dizem é assustador.

O PS teve uma derrota eleitoral, grande se olharmos aos resultados de 2022. Mas após o ano horribilis que teve, com tanto disparate, a governar desde 2015, o mais espantoso é não ter tido uma muito maior diferença para a AD.

A AD tem uma tarefa espinhosa pela frente. Ainda mais quando é torpedeada por gente que escreve cartas a pedir a Luís Montenegro que faça o contrário do que prometeu.

Mas o que mais me preocupa são as eleições americanas. Se Trump as ganha a Europa deixará de ter quem a defenda. Nada disso foi discutido.

eleicoes americanas.JPG

Estará Portugal preparado para as consequências dessa eventualidade? Com a extrema-direita cada vez mais poderosa em toda a Europa, para além de Trump, estaremos a chegar à beira da generalização da guerra?

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publicado às 16:26

A paz será a derrota de Putin

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.02.23

ucrania 1 ano.jpg

Antena 1

Há um ano começou uma guerra que não pensava possível.

O regime russo, encimado pelo ditador Putin, que mantém os seus súbditos na indignidade do silêncio, que mata quem se lhe opõe, sejam eles adversários políticos ou não, mantém-se surdo à mínima razoabilidade. Em nome de uma grandeza mirífica, de uma auto-imagem distorcida, de uma Rússia regressada aos tempos da guerra fria.

Cidades calcinadas, milhares de mortos e de feridos, milhões de refugiados, um país destroçado. Felizmente, e até agora, a Europa e os EUA têm sido cúmplices e aliados na guerra.

Ontem, na Assembleia da República, multiplicaram-se as homenagens de Portugal ao esforço ucraniano. A solidariedade de um país livre e democrático para com outro país que o quer ser. Mais uma vez, é lamentável que forças políticas que se dizem democráticas, apoiem o regime russo e Putin, mesmo reclamando que são contra a guerra e a favor da paz.

Todos somos a favor da paz - de uma paz que não seja provisória, de uma paz que defenda a autodeterminação dos povos, a liberdade e a democracia. De uma paz que defenda os valores pelos quais a Europa se bateu e se bate, pela afirmação dos Direitos Humanos e do primado do Direito Internacional.

Não há fim à vista. Sabemos como começou, mas nunca como e quando acabará.

 

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publicado às 11:13

Europe stands with Ukraine

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.03.22

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publicado às 21:38

Guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.03.22

The Telegraph

 

As imagens entram pelos nossos olhos sem intervalos. A destruição o medo, os destroços, os estrondos, as lágrimas, o espanto, o indizível subitamente real e feroz.

Que fazer? Até onde e quando se poderá permitir a escalada?

Putin não vai parar. E nós a assistir.

Não sei muito bem como nem quando, mas todos vamos ser chamados a participar nesta guerra. A apoiar quem precisa. Se não for pior, haverá uma recessão económica mais grave e duradoura que aquelas que passámos.

Tristes tempos nos esperam.

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publicado às 18:54

A crueldade das boas intenções

por Sofia Loureiro dos Santos, em 03.03.22

protestos russia.jpg

São Petersburgo (24/02/2022)

No frenesim de apoiar os ucranianos, que defendem o seu país da invasão da Rússia, um estado ditatorial imposto por Putin, estão a atingir-se proporções assustadoras no que diz respeito à massificação do espectáculo que é a solidariedade e às boas intenções dos povos democráticos.

Mas, como em tudo, não há bons e maus, heróis e vilãos, por muito que seja isso o que a inundação mediática nos faz crer. O mundo livre, nomeadamente os países da União Europeia e os EUA, combate a Rússia, não os russos.

No mundo livre e democrático, ninguém deve ser obrigada a dizer quais as suas opções políticas. Ninguém deve ser perseguido pelas suas opiniões ou pelo silêncio sobre elas.

Considero uma aberração, compreensível, mas não deixando de o ser, as várias manifestações de bulling à comunidade russa portuguesa, tal como aos intelectuais que não se declaram contra a invasão e contra Putin. Num país em que o uso da palavra guerra é considerado traição, parece-me incrível que os corajosos intelectuais ocidentais, sentados confortavelmente nas suas sociedades livres e democráticas, julguem aqueles que pagam com a sua liberdade e a sua vida a manifestação de discordância perante o poder autocrático de um ditador.

Ainda por cima vindo de tantos que, por exemplo em Portugal e durante a ditadura, tiveram que assinar documentos em que negavam ser comunistas ou participar em actividades subversivas para que pudessem manter o emprego.

A liberdade deve ser para todos, de se manifestarem ou de não se manifestarem. Tenho as maiores dúvidas sobre os boicotes culturais e sobre a condenação de quem não expressa o que, subitamente, se tornou na nova verdade inquestionável e soberana. Tenho as maiores reticências à censura de canais de televisão e de agências de informação.

Tenho um enorme cepticismo sobre estas ondas mediáticas intensíssimas e fugazes, que se arriscam a soçobrar perante o peso do ruído omnipresente.

Tenho uma enorme desconfiança a tantos postos de trabalho já disponíveis a quem foge da guerra. Será que já se esqueceram dos médicos, engenheiros, professores, músicos e tantos outros técnicos qualificados que, durante anos, alimentaram a mão de obra barata da construção civil e do serviço doméstico, sem que o país lhes reconhecesse as competências e pudesse oferecer-lhes os empregos correspondentes às suas qualificações?

Há muita crueldade nestas ondas mediáticas de apoios, julgamentos e solidariedades, muitas vezes postiças e fúteis. Espero que esteja enganada, pois esta guerra vai durar e destruir ainda muitas vidas. E nós vamos esquecer depressa as boas intenções e regressar rapidamente às nossas vidas em que o medo do outro e o preconceito são reis.

A não ser que também façamos parte da destruição. E mesmo na dor e no sofrimento, a solidariedade é uma rara ocorrência.

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publicado às 17:43

Russians

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.03.22

Sting

In Europe and America there’s a growing feeling of hysteria
Conditioned to respond to all the threats
In the rhetorical speeches of the Soviets
Mister Krushchev said, “We will bury you”
I don’t subscribe to this point of view
It’d be such an ignorant thing to do
If the Russians love their children too
How can I save my little boy from Oppenheimer’s deadly toy?
There is no monopoly on common sense
On either side of the political fence
We share the same biology, regardless of ideology

Believe me when I say to you
I hope the Russians love their children too

There is no historical precedent
To put the words in the mouth of the president?
There’s no such thing as a winnable war
It’s a lie we don’t believe anymore
Mister Reagan says, “We will protect you”
I don’t subscribe to this point of view
Believe me when I say to you
I hope the Russians love their children too

We share the same biology, regardless of ideology
But what might save us, me and you

Is if the Russians love their children too

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publicado às 16:16

A censura como arma de guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.02.22

A notícia da suspensão do acesso a canais russos, nomeadamente ao Russia Today, e ao Sputink (agência noticiosa) anúncio feito pela União Europeia, parece-me um precedente perigoso, com o qual não posso estar de acordo.

Os cidadãos têm que poder escolher ver e ouvir o que quiserem, por muitas mentiras que se propagandeiem. Nos países livres e democráticos não há nenhum organismo de censura para dizer o que é ou o que não é propaganda e que notícias são ou não falsas. Há, sim, capacidade de escolha e escrutínio pela sociedade.

A censura pura e simples, com a justificação de defender os cidadãos de propaganda mentirosa, é exactamente o mesmo que se passava em Portugal antes do 25 de Abril - também para a ditadura de Salazar e Caetano, a inexistência de liberdade de acesso à imprensa, aos livros, ao cinema, etc, era uma forma de proteger os cidadãos dos ataques nocivos dos subversivos.

Não podemos usar os métodos dos quais acusamos a Rússia, e com razão. Nas democracias a livre escolha pertence aos cidadãos, não aos governos, por muito bem intencionados que sejam.

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publicado às 18:40

Solidariedade com a Ucrânia

Contra a guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.02.22

solidariedade ucrania.jpg

Público

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publicado às 19:10

Linhas vermelhas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.02.22

pcp russia ucrania.jpg

A reacção do PCP à invasão da Ucrânia pela Rússia é inqualificável.

Afinal, aquela voz interior que sempre me murmurou ao ouvido que a aliança entre o PS e o PCP era estranha e contra natura, pois o PCP é um partido com tiques antidemocráticos e o PS é um partido fundador da democracia, tinha razão.

Na verdade aquilo que pensei ser passado voltou a grande velocidade - a cegueira ideológica do PCP que, para defender o indefensável, não se envergonha de negar as evidências.

E por isso eu própria me envergonhei. Durante os últimos seis anos esqueci esses mesmos tiques antidemocráticos e aceitei um governo apoiado pelo partido que defende Putin e o passo de gigante que deu para um conflito armado mundial.

Realmente é preciso traçar linhas vermelhas. E o PCP ultrapassou-a.

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publicado às 19:37

A inacreditável Guerra

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.02.22

guerra ucrania.jpg

Público

Acordámos hoje para uma realidade que não acreditávamos pudesse acontecer.

Para mim é muito difícil não estar assustada. Sabemos como e quando as guerras começam mas não sabemos quando e como acabam.

Lembramos a incredulidade das I e II Guerra Mundiais, os acontecimentos que ninguém julgava possíveis, o agudizar de conflitos em que ninguém acreditava.

Não sou crente. Não tenho fé na boa vontade dos Homens nem na bondade de um Deus inexistente.

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publicado às 19:23


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