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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da desconstrução dos doces

 

 

A habilidade está na adaptação às contrariedades. Grandes descobertas se fizeram por acaso, ou porque alguma experiência correu mal.

 

É sempre com esse espírito que enfrento os meus preparados. Na verdade, o doce de abóbora ficou com ponto a mais, descoberto quando a colher de pau se recusou a mover-se presa do dito doce. Por outro lado, a geleia de marmelo ficou com ponto a menos. Eis se não quando a minha mente imaginou de imediato uma conjunção de vontades entre o pétreo doce de abóbora e a mole geleia de marmelo.

 

Pois este fim-de-semana, como já estamos quase no Natal, reuniram-se os membros da Grande Cozinha Semanal, armados de paciência e criatividade. As prioridades estavam bem definidas: sem o doce e os licores nem Jesus nasce. Portanto agarrou-se na panela maior cá de casa e misturaram-se o doce com a geleia. Deixou-se ferver com um bocadinho de água e transformou-se em Doce de Abóbora em cama de Geleia de marmelo, na consistência perfeita.

 

Os licores foram um de laranja e marmelo e outro de amora, que já estão engarrafados. As numerosas degustações afiançam a delicadeza e doçura dos mesmos. Aí não houve surpresas.

 

Enfim, mais um fim-de-semana de exaustão.

 

Azáfama pré-natalícia

 

Recuperação do tempo perdido - grande azáfama da Irmandade do Avental - foi a vez do doce de abóbora. Este ano não ficou a macerar de um dia para o outro. Só hoje houve tempo e paciência para atacar a abóbora, que rendeu 3 quilos para o doce e mais um saco dela para congelar. Juntei canela em pau (2/Kg), sumo de lima (não havia limões - 2/Kg) e cravinhos (2/Kg), para além do açúcar, claro. No fim - nozes partidas aos bocadinhos. Está maravilhosa.

 

Ainda produzimos 2 tortas (foi tudo aos pares) com recheio de geleia de marmelo e iogurtes magros de café e canela. A torta fez-se batendo 3 ovos com 150g de açúcar até duplicar o volume da massa; juntámos 75g de farinha e foi a cozer num tabuleiro previamente untado com margarina e polvilhado com farinha, durante 10 minutos, em forno médio.

 

Os iogurtes de café resultaram de uma ideia que me deram outro dia. Segui os passos destas receitas:

  • 1l leite magro (do dia)
  • 2 colheres sopa leite em pó, magro
  • 200g de iogurte natural, magro, sem açúcar (o do Continente é o melhor)
  • 2 saquetas de café instantâneo
  • 1 pau de canela

Fervi 1/2 l do leite com o café e o pau de canela; misturei depois o leite frio e juntei aos iogurtes e ao leite em pó. Deitei tudo nos copinhos da iogurteira que liguei durante 12 horas - vou consumir amanhã, depois de gelarem no frigorífico.

 

Para o próximo fim-de-semana estão programados os licores. Depois do engarrafamento, impressão e colagem de rótulos, tudo estará pronto para as festividades da época.

 

 

Reunem-se os Aventais

 

As reuniões têm-se sucedido, secretas e buliçosas, onde as colheres e as batedeiras rivalizam com ovos, farinha e açúcar. A crise abunda e não há tempo para delongas. Somam-se experiências para aproveitar, reciclar, adoçar, saborear, utilizando ingredientes, fragrâncias e paladares na prossecução dos ideias da Grande Cozinha Semanal. A investigação internáutica é essencial para a elaboração dos projectos.


Por vezes, divulgam-se algumas actas. A de hoje passou por entre os ruídos de aprovação deleitada, que distraíram os Aventais mais rigorosos.

 

Tarte de ameixas

Ingredientes:

Massa:

1 folha massa quebrada (qualquer uma já preparada, daquelas que se compram nos hipermercados)

Recheio:

10 a 14 ameixas maduras (cortadas em metades sem caroço)

30ml de aguardente, conhaque, rum, vodka...

20g + 100g de açúcar

2 ovos

200ml de natas

30g de farinha

Preparação:

Retira-se a massa quebrada do frigorífico e forra-se uma forma de tarte, mantendo o papel.

Numa frigideira espalha-se o açúcar e colocam-se as ameixas descaroçadas e cortadas ao meio. Regam-se com a aguardente e levam-se ao lume brando, deixando-se cozer durante 5 minutos. Viram-se as ameixas e cozem outros 5 minutos, colocando-se depois sobre a massa.

Batem-se os ovos e o açúcar até obter um creme espesso e esbranquiçado. Adicionam-se as natas, sempre batendo, depois a farinha.

Deita-se o creme por cima das ameixas e leva-se ao forno (médio) cerca de 20 minutos.

Come-se só ou com gelado.

Em nome dos aventais

 

 

 

Hoje resolvi fundar uma nova Loja Maçónica – Grande Cozinha Semanal. Em honra de uma das Arquitetas, Pavlova transformou-se em código de irmandade entre os membros da Grande Cozinha Semanal. Como não podia deixar de ser, os aventais são obrigatórios, mesmo que pendurados atrás das portas. Envergam-se os valores pelos quais lutamos, pesar, medir, provar. Instrumentos vários nos rodeiam e há alguns ritos iniciáticos – o roubo da água quente.

 

Nesta Grande Cozinha Semanal procura-se a perfeição no tempero, a doçura nevada das natas, o perfume divino das ervas e do açúcar a queimar. Nesta Grande Cozinha Semanal há obstáculos a ultrapassar como a descrença dos vizinhos próximos e a temperatura dos fornos.

 

Pela calada dos sábados e domingos, trocamos receitas e favores em géneros, abrimos as portas do conhecimento e da informação, transformamos claras em altos castelos, retalhamos pêssegos e regamos caldas, reciclamos açúcar granulado em pós finos e do golpe de vinagre avançamos vitoriosamente para o paraíso.