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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A tentação do abismo

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André Carrilho

 

 

Andamos numa vertigem de fabricação e exploração de casos, sem distinguir a sua gravidade e importância e sem cuidar de preservar as Instituições. O caso do desaparecimento/ reaparecimento das armas de Tancos é disso um exemplo. Na corrida para a visibilidade e para o protagonismo, mastigam-se os actores políticos e as Instituições. Responsáveis partidários, comentadores e jornalistas, na ânsia de se fazerem notados, baralham e envolvem ministros, militares, polícias e, como já é pouco, também o Primeiro-.ministro e o Presidente da República.

 

Cada vez é mais difícil tentar perceber o que se passou e o que se está a passar - houve ou não roubo? Se sim quem foram os ladrões, onde estavam e onde estão as armas que faltam? Vendidas, traficadas, destruídas, emprestadas? Se não, qual o objectivo da farsa? Quem a criou e com que fim? A sua restituição foi negociada para encobrir os criminosos ou não? Se sim, porquê? Quem é que se quis encobrir? Se não, porque se falou em encobrimento? A sensação que tenho é que nada disto é real e que tudo é uma manobra de diversão para distrair do foco principal - e qual é o foco principal? Voltamos ao princípio - houve ou não roubo?

 

O que mais destrói a confiança dos cidadãos no regime democrático são estas graves palhaçadas, em que a corrida para alcançar a fama vai destruindo e atropelando tudo o que aparece. As pessoas vêm-se perdidas, sem perceberem o que se passa, e cansam-se da repetição até à náusea das mesmas coisas. O novo mote, lançado por Marques Mendes, é o atrito entre António Costa e Marcelo Rebelo de Sousa, que se vai repetindo por todos os media.

 

No dia em que há eleições nos EUA, país que tem como Presidente uma criatura inominável que apela aos nossos piores instintos, deveríamos pensar bem no perigo do descrédito das Instituições que, por acção ou omissão, estamos a incentivar.

A nova Ministra da Saúde

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Nuno Ferreira Santos

Público

 

Se tem propostas polémicas é bem vinda. Com algumas delas concordo, já há bastante tempo. Espero que as possa colocar mesmo em prática.

 

É urgente mudar e adaptar o SNS às novas realidades. Já o era há uma década, agora é ainda mais.

 

(17.01.2015)

(...) Continuo à espera que o PS, como partido que procura uma maioria absoluta para governar este desgoverno, proponha uma reforma, reestruturação, ou outra qualquer palavra que tenha um significado semelhante, com as seguintes prioridades:

  1. Investir nos cuidados primários de saúde – descentralizar o sistema deslocando a porta de entrada dos doentes para os seus centros de saúde, afastando-as do sistema hospitalar;
  2. Prover esses centros de saúde com meios de diagnóstico de rotina, próprios ou contratualizados, para que possam tratar e seguir doentes com patologias crónicas;
  3. Prover os centros de saúde de consultas de especialidade por especialistas, que possam acompanhar os doentes na comunidade, em vez de terem que sobrecarregar os hospitais, incluindo pequenas cirurgias, estomatologia, oftalmologia, etc, para que permitisse a saudável e indispensável convivência interdisciplinar com os médicos de medicina geral e familiar;
  4. Rever e providenciar para que as carreiras de enfermagem e de técnicos de diagnóstico e terapêutica possam assumir determinadas funções que, ao contrário de retirarem competências aos médicos os ajudam e os preservam para actos e funções que só eles podem fazer, com a respectiva formação e recertificação de competências;
  5. Rever e reestruturar as redes e os serviços hospitalares, começando por definir as prioridades de atendimento e de serviços oferecidos, com base no conhecimento das patologias e realidade/ dimensão das populações – investir em centros de estudo epidemiológico, estatístico, como o registo oncológico nacional, etc.
  6. Reajustar e renovar os quadros de recursos humanos, em todas as vertentes, mantendo uma estrutura que permita a formação dos mais novos e a optimização e eficiência do funcionamento dos serviços
  7. Alterar as remunerações do pessoal de saúde, com uma avaliação do desempenho real e rigorosa, adaptada a cada área e a cada função, motivando e premiando o mérito
  8. Apoiar e incentivar a formação contínua, a recertificação e a acreditação dos serviços e dos profissionais, numa cultura de verdadeira aposta na qualidade – redução dos riscos. (...)

 

Do que nos assombra

O circo à volta do assalto de Tancos e da pretensa devolução das armas roubadas, com as suas cumplicidades escondidas ou escancaradas nas cartas anónimas e nos memorandos de militares, tudo inqualificável, risível e grotesco, já levou à demissão do Ministro da Defesa, mas sem qualquer assomo de assumpção de responsabilidades de qualquer das chefias militares, o que é assombroso.

 

Mas convém que não nos esqueçamos do cerne da questão – alguém roubou armas (ou não?), alguém conspirou para as devolver (porquê, como e a que propósito?) e é essencial que se descubra o que, de facto, aconteceu. É tudo muito mau, pequenino, mesquinho e idiota.

 

No entanto a remodelação governamental resultante foi boa, e uma forma de António Costa fugir um pouco da pressão político-mediática que se tinha instalado. Aguardemos os próximos capítulos deste romance de cordel.

 

Finalmente acabou a novela

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Lucília Gago

 

 

Presidente da República nomeia Procuradora-Geral da República

O Presidente da República, sob proposta do Governo, decidiu nomear Procuradora-Geral da República a Senhora Procuradora-Geral Adjunta, Dra. Lucília Gago, com efeitos a partir de 12 de outubro de 2018.

Fê-lo por duas razões determinantes:

1.ª - Sempre defendeu a limitação de mandatos, em homenagem à vitalidade da Democracia, à afirmação da credibilidade das Instituições e à renovação de pessoas e estilos, ao serviço dos mesmos valores e princípios.

2.ª - Considera que a Senhora Dra. Lucília Gago garante, pela sua pertença ao Ministério Público, pela sua carreira e pela sua atual integração na Procuradoria-Geral da República - isto é, no centro da magistratura - a continuidade da linha de salvaguarda do Estado de Direito Democrático, do combate à corrupção e da defesa da Justiça igual para todos, sem condescendências ou favoritismos para com ninguém, tão dedicada e inteligentemente prosseguida pela Senhora Dra. Joana Marques Vidal.

Dinossauro

Mário Nogueira pode orgulhar-se do seu poder. Durante anos e anos tem mantido os professores na crista da onda, chantageando todos os tipos de governo, sejam eles de direita, esquerda ou do centro, e transformando os professores numa poderosíssima corporação dentro da função pública.

 

Ele manifesta, ele confronta, ele determina, ele interrompe, ele exige.

 

E António Costa, pela forma como se deixou levar para a discussão de rua, desautorizando o seu Ministro da Educação que também não parece importar-se com a sua evidente incapacidade e inutilidade políticas, reconheceu a Mário Nogueira, esse dinossauro do sindicalismo, o seu poder.

Da fabricação de factos políticos

Mais uma vez, desta vez pela mão do Público, um título bombástico sugere que houve destruição intencional de provas e documentos sobre os focgos de Pedrógão Grande, tendo vindo já o Presidente da República acenar com a eventual matéria criminal. No entanto, se lermos o corpo da notícia:

 

(...) Esta é uma situação que decorre, dizem alguns comandantes ao PÚBLICO, da falta de meios para trabalho num posto de comando, uma vez que estes planos são desenhados e redesenhados conforme o evoluir da situação. Acrescentam os auditores que este caso mostra a necessidade de investimento "no plano informático" que guarde informação, o que não acontece actualmente. No terreno, as situações tácticas (SITAC) vão sendo desenhadas num plástico ou acrílico colocado por cima de uma carta militar, e quando se desenha a mais recente, a anterior é apagada. Alguns comandantes vão guardando fotografias desse trabalho, mas no incêndio de Pedrógão, de acordo com os auditores, isso não aconteceu.

Já os restantes planos e informações vão circulando entre os responsáveis, mas de acordo com o relatório da DNAF, que foi revelado em parte pela RTP em Novembro, os documentos em papel que os suportavam terão sido destruídos. Este é apenas um dos detalhes que a auditoria revela e que mostram que há vários pontos amadores no combate a incêndios em Portugal. (...)

 

... parece que a destruição das ditas provas é um procedimento decorrente da falta de meios informáticos, e não com a intenção deliberada de impedir qualquer investigação.

 

Também voltámos às acusações de ocultação de relatórios. O governo diz que está em segredo de justiça. Em que ficamos?

 

Tudo isto é muito triste.

Da ala pediátrica (Hospital de São João)

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Afinal parece que as condições indignas em que são atendidas e tratadas as crianças no Hospital de São João, a ser verdade o que diz o Observador, não têm nada a ver com as cativações de Centeno. Afinal parece que a responsabilidade do assunto será da Associação O Joãozinho, cujo Presidente é o economista Pedro Arroja.

 

No meio estão promessas de construção de um supermercado à SONAE e a não aceitação da administração da obra pelo Ministério da Saúde. É uma situação que se arrasta desde 2011 e que este governo está a tentar resolver desde 2016. Mais uma vez a informação vai caindo a conta-gotas, dando espaço a que profiram afirmações que, se calhar, não têm fundamento.

Desilusões

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O grande problema é que nos iludimos. Acreditámos que, desta vez, ia ser diferente.

 

Mas não. Apenas há a promessa da diferença, bem aconchegada no preconceito que temos de que a esquerda ama as artes, a cultura, o povo, e de que a direita é ignorante, imprópria para consumo, descartável.

 

Afinal são ambas - a esquerda e a direita - e o nosso preconceito estende-se à fantasia de que este país um dia perceberá que é na cultura que está o nosso motor de desenvolvimento.

Das decisões ponderadas em política externa

Ao contrário do que vozes ligadas ao PSD advogam, parece-me muito serenaavisada a posição do governo português em relação ao conflito diplomático com a Rússia, por causa do envenenamento do ex-espião russo e a filha. Por muito que acreditemos que é obra de Putin, há uma investigação em curso e deve haver prudência para evitar conclusões precipitadas.

 

Não me esqueço que Portugal apoiou a guerra do Iraque, contra a resolução da ONU, seguindo as posições do Reino Unido e dos EUA, acreditando na existência de armas de destruição massiva, que se provou ter sido uma mentira para justificar a guerra. Apesar da posição de muita gente sensata, como Freitas do Amaral e Mário Soares, entre outros, o governo português colou-se de imediato e com subserviência às ordens inglesas e americanas.

 

Pois ainda bem que, desta vez, não o fez.