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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O jornalismo a que temos direito (2)

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Não sei se é por ignorância: só há UMA Ordem dos Médicos, que tem órgãos representativos regionais - a Secção Regional do Norte, a Secção Regional do Centro e a Secção Regional do Sul, cada uma com o seu Presidente, ou por não saber expressar-se por escrito. Para a jornalista Rita Rato Nunes o Presidente da Ordem dos Médicos do Sul (Alexandre Valentim Lourenço) fez declarações retumbantes, pelo que é preciso dar-lhes o devido realce, mesmo dando-lhe uma função inexistente.

Mas o mais cómico, ou dramático, é que esta asneira foi replicada por variados meios de comunicação que, de forma acéfala e sem qualquer juízo crítico, propagam disparates com o maior desplante. Mas incompetentes são os ministros novatos e titubeantes.

O jornalismo a que temos direito (1)

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Vale a pena ler esta notícia, escrita por João Pedro Henriques, na sua qualidade de jornalista e não na de opinador.

Começa logo pelo título: A entrada de Leão: retórica hesitante mas os truques de sempre.

Portanto o novo ministro das Finanças está a ser avaliado pelo jornalista – esteve hesitante. Quanto aos truques de sempre já todos sabemos que os políticos são uns aldrabões, e pretendem enganar-nos com truques, mas ainda por cima são pouco espertos, porque recorrem aos de sempre. E o Sr. Jornalista, já rodado nestas coisas de ministros e truques, fareja-os à distância.

Depois continua a notícia - ele é novato e titubeante, sempre ao lado do Primeiro-ministro (pois estaríamos à espera de que estivesse ao lado de quem?), usando as armas dos socialistas (o ataque é a melhor defesa), ele explica como se fosse o elemento de um júri o resultado do exame de um aluno particularmente mal dotado.

É tal a arrogância, a pesporrência, o desprezo e a deselegância que dói ver o DN a abraçar o estilo dominante e modernaço dos pseudojornalistas que pensam que quem os lê está interessado em saber a sua opinião.

Mário Centeno

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Expresso

 

Na sua estreia parlamentar, em 2015, Mário Centeno foi gozado pela direita. O País ainda estava perplexo com a reviravolta pós-eleitoral, uns esperançosos outros raivosos. O ministro das Finanças era uma pedra chave da Geringonça e, depois de Vítor Gaspar, ter um Ministro peculiar que se estreava na política levantava muitas dúvidas e muitos receios. Sei que foi o que aconteceu comigo.

E no entanto, ano após ano, Mário Centeno foi acertando as contas e cumprindo promessas e previsões, muitas vezes incompreendido mas com os melhores resultados de sempre. Foram cerca de 6 anos memoráveis.

Esperemos que a sua saída não faça regressar o descrédito dos cidadãos no governo. A tarefa do seu sucessor é hercúlea e não há ninguém insubstituível. Mas Mário Centeno merece os nossos agradecimentos e aplausos.

Aguaremos os próximos tempos.

Traquitana ou Carripana

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Catarina Martins sabia que, sem o PCP, o PS não teria condições para assinar um acordo de legislatura com o BE.

 

O PCP terá que digerir a pesada derrota eleitoral e não faltarão vozes a ligá-la à sua participação na Geringonça. Não é essa a minha interpretação, pois acho que o PCP está a percorrer o caminho inexorável de um partido que assenta naquilo que já não existe.

 

As circunstâncias de 2015 mudaram e são totalmente diferentes. Uma coisa é certa - a solução governativa anterior foi sufragada pelo povo - a mudança na continuidade. Seja Geringonça, Caranguejola, Traquitana ou Carripana, o PS tem mandato para se entender com o BE e o PCP (e o Livre e até o PAN). Espero que todos cumpram a vontade eleitoral.

Rescaldos

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O povo quer uma nova Geringonça. Não sei se vai ser mais fácil do que em 2015, mas António Costa já nos habituou à sua habilidade política.

Mas o PS tem que olhar bem para dentro de si quando a análise dos votantes mostra que o voto no PS está envelhecido e é de gente pouco qualificada.

Os jovens qualificados têm empregos precários e mal pagos, não conseguem resolver o problema da habitação e não conseguem levar uma vida independente, com qualidade. Os jovens em Portugal revêm-se cada vez menos nas propostas do PS.

O PSD e o CDS tiveram uma pesada derrota. Acho que Rui Rio ainda não percebeu.

A abstenção mantém-se e é muito preocupante, tal como a entrada da extrema-direita no Parlamento.

Tempos complicados se avizinham.

Das eleições

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Sondagem ICS/ISCTE 13/09/2019

 

A menos de 1 mês das eleições legislativas, todos os esforços devem ser dirigidos ao combate à abstenção. Não há sondagens que resistam à contagem dos votos.

Os debates e as entrevistas têm corrido com civilidade e bonomia o que, quanto a mim, é uma bênção. Mas ainda faltam muitos dias de campanha, de redes sociais e directos pelas televisões, a chamarem sound bites, pelo que não me engano com tão bons augúrios.

A novidade destas eleições são o PAN, levado ao colo pelos media, e o PSD, vilipendiado pelos mesmos media. A verdade é que ninguém tem paciência para ler programas e vale a pena ir lendo o do PAN, que tem tiques de autoritarismo, como todos os que se acham iluminados e donos da verdade, e que se esquece de tantas áreas importantes da governação e da sociedade.

O BE tenta o impossível para crescer, principalmente à custa do PS. A demagogia e o oportunismo político do BE está bem patente na guerra às PPP e nas promessas de nacionalização de tudo o que mexe. Mais tiques de autoritarismo.

Habituámo-nos a pensar que a uniformização era a chave para maior rigor e maior eficiência. Cada vez estou mais em desacordo. As experiências diversas na saúde, na educação, em todas as áreas da sociedade deveriam ser avaliadas individualmente e acarinhadas, caso os resultados fossem positivos. Fala-se muito da satisfação das pessoas mas não se respeitam as suas necessidades e não se aplaudem as iniciativas que vão de encontro a essas mesmas necessidades.

Espero mais manipulação, desinformação e títulos tremendistas nas próximas semanas. É preciso não esmorecer e duvidar de tudo o que se lê e ouve. E depois escolher e ir votar. Votar é o mais importante de tudo. A decisão é sempre nossa.

Das tempestades que se levantam

Gostava imenso que Roque da Cunha dissesse ao governo e a todos nós como iria convencer os obstetras com mais de 55 anos a fazer urgências (61% em 2017) e os que têm mais de 50 anos a fazê-las à noite. Quais os incentivos, vantagens, condições, etc, que estaria disposto a dar para assegurar equipas legais nas urgências.

 

E também gostava de saber qual a razão porque não estava de acordo com as urgências rotativas na área da Grande Lisboa, uma forma de juntar e optimizar escassos recursos, quando ela foi proposta e infelizmente de imediato retirada, pela ARSLVT.

... que mal soasse a badalada da 1 hora na torre de São Denis...

... entraria por aquela porta!

Não foi o Edmundo a entrar, mas a Lei de Bases da Saúde a ser, finalmente, acordada entre os partidos da Geringonça. Vamos lá a ver se o Seixas sabe as deixas todas, mas suspeito que a promulgação não está, de todo, assegurada.

Por outro lado, tendo sido adiada a discussão e decisão sobre as PPP, parece-me que a nova Lei de Bases dependerá da geometria parlamentar que resultar das eleições legislativas. Mas ainda bem que a Geringonça se conseguiu acertar. É um bom fim de legislatura.

Que, apesar de todas as dúvidas, maus presságios e pesares, conseguiu terminar os 4 anos deixando o País bem melhor do que o encontrou. E não vale a pena tentar desmerecer o muito que fez. Repentinamente, há muita gente a redescobrir o que há muito existe e piora, nos hospitais e restantes serviços públicos. Exige-se, nomeadamente, que uma ministra que iniciou funções em Outubro passado resolva os problemas de toda uma legislatura (Adalberto Campos Fernandes ocupou o cargo durante 3 anos), ou mesmo de décadas.

A Geringonça resultou. Esperemos que o próximo ciclo político seja ainda melhor que este.

Nota: Num filme qualquer, não me lembro qual, dizia-se que O Padrinho tinha a resposta a todos so problemas da humanidade. Entre nós, convenhamos que é O Pai Tirano.

Das coisas misteriosas

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Há, de facto, algumas coisas que ultrapassam a minha capacidade de entendimento.

A decisão, quanto a mim importante e meritória, de reutilizar manuais escolares, deve ter sido tomada por alguém que não fazia ideia de como são os ditos manuais agora, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade. Agora e há cerca de 30 anos, pois já eram assim quando os meus filhos andaram na escola.

A ideia peregrina de que se podiam reutilizar livros escritos pelos alunos, depois de apagados, obrigando e achando normal que os pais e os miúdos, no fim dos anos, apagassem os escritos ao longo do tempo escolar, só pode ter saído de mentes iluminadas que nunca apagaram qualquer manual.

Claro que reutilizar manuais faz sentido, para aqueles que não funcionam como fichas escolares. Se não se fazem livros onde não seja obrigatório preencher espaços em branco, levando as crianças a estimá-los para que possam servir para outras crianças, é um disparate sugerir a sua reutilização.