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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Ainda há tempo

 

 

António José Seguro está em fuga para a frente, entrincheirado com os seus indefectíveis, cego e surdo aos eleitores. Há sondagens em relação às próximas legislativas que ainda são mais desastrosas do que as eleições de ontem.

 

Até quando vai o PS esperar para mudar de liderança. Aqueles que são mais lúcidos têm a responsabilidade dessa lucidez e, já que António José Seguro não percebe que tem que se ir embora, é bom que alguém lhe faça entender que este resultado não tem nada a ver com o governo anterior à crise nem com Sócrates, antes ou depois. Este resultado é o que se poderia esperar de quem não teve nem tem ideias para o país, de quem não tem capacidade de mobilizar as pessoas, de quem não tem alternativas. É confrangedor ouvir as suas entrevistas, no táxi, a dizer que se dá bem com os vizinhos, como há pouco vi na SIC-N.

 

Temos que acabar de vez com esta pseudo política pseudo humana e pseudo simpática de pseudo corações em pseudo líderes. Não me interessa que sejam mais ou menos delicodoces, que peçam desculpa ou com licença, que sejam gordos ou magros. Interessa-me que governem, que imaginem, que sonhem e que concretizem.

 

Há ainda tempo para a mudança - mas tem que começar dentro do PS.

 

 

Vitórias e derrotas

 

 

 

Não houve surpresas, nem em Portugal nem na Europa.

 

A abstenção foi gigante, como era de prever, por razões nossas e europeias. A derrota da Aliança Portugal, apesar de expressiva, soube-me a pouco. A vitória do PS foi uma estrondosa derrota. O PS, depois de 3 anos de uma governação que empobreceu o país, que mentiu de forma desavergonhada, que tem desmantelado o Estado, os serviços públicos e a segurança social, que aumentou as desigualdades sociais, não consegue uma diferença superior a 4%. É, de facto, muito mau.

 

É altura de, no PS, se tirarem as devidas conclusões - com esta liderança há a possibilidade de o PS perder, inclusivamente, as próximas eleições legislativas.

 

O LIVRE não conseguiu eleger Rui Tavares, infelizmente. Gostaria muito que o tivesse conseguido.

 

O BE está a esfarelar-se, o que é uma boa notícia.

 

O PCP e o Marinho Pinto foram os grandes vencedores da noite. É, de facto, um artefacto do artesanato português a existência e a pujança de um partido tão anquilosado como o PCP. Marinho Pinto é um fenómeno populista, como acontece nestes períodos de grande crise das instituições.

 

Em França ganhou a extrema-direita, se bem que concordo com Sócrates - houve uma penalização dos partidos que contribuíram para esta Europa, como se percebe pela vitória do partido de extrema esquerda na Grécia.

 

Aguardemos as repercussões dos resultados eleitorais. Espero sinceramente que tenham algum efeito, nomeadamente a substituição da liderança do PS.

 

 

Antes da reflexão

 

 

Antes da reflexão agendada para o dia de amanhã, antes do dia da agendada votação para o Parlamento Europeu, aquele grupo de países que são iguais mas que há uns que são mais iguais que outros, antes de não se poder dizer em quem se vota, antes de ser irreversível e definitiva a nossa decisão, antes de colocar a tal cruzinha, solene e aplicadamente, como sempre nos dias de celebração democrática, vou declarar a minha intenção:

 

Voto livremente no LIVRE.

 

Voto contra este governo e a favor de uma Europa diferente.

 

Acham um disparate? Pois muito bem, votem então noutro partido, mas votem. Votar é preciso.

 

Votar - sempre, sempre - votar

 

 

É preciso votar. Nas eleições europeias, nas legislativas, nas autárquicas, nas presidenciais, sempre. Não podemos deixar que os outros decidam por nós. A responsabilidade é nossa - de escolher ou de nos demitirmos de ter voz.

 

Se não concordamos com as posições dos partidos, podemos ir votar em branco. Se estamos tão zangados, podemos votar nulo, como voto de protesto. Se gostamos do governo, votamos nele. Se não gostamos do governo, votamos em qualquer dos outros partidos, contra o governo.

 

Não votar não afirma nem nega, apenas omite. A própria pessoa, o direito e o dever.

 

Posto isto, tenho pensado madura e persistentemente em quem votar nestas eleições. Não são eleições legislativas, pois não, mas terá que haver uma leitura nacional do resultado eleitoral, até porque este governo não se afirmou na Europa como representante de um País soberano nem lutou por regras diferentes. A oposição, mais precisamente o PS, não soube nem é capaz de mostrar o que poderia ter sido diferente, o que será diferente. Com este tipo de liderança, pobre, mole, vazia, sem chama nem vontade, António José Seguro está à espera que a crise e a incrível desfaçatez da maioria governamental lhe coloquem o poder nas mãos.

 

O PCP (CDU) e o BE, para além de terem sido objectivamente cúmplices desta maioria, rivalizam com a Aliança Portugal no conservadorismo e reaccionarismo.

 

Dos novos partidos, resta o LIVRE como hipótese, para o meu voto. Espero que os partidos do governo tenham uma estrondosa derrota, mas o PS merece uma derrota não menos estrondosa. António José Seguro tem que ser rapidamente substituído, e o eleitorado é quem tem que lho dizer. Porque se isso não acontece, teremos António José Seguro como Primeiro-Ministro em 2015, se é que consegue ganhar as eleições.

 

Continuarei a pensar maduramente no assunto, até ao momento do voto. Mas seja aonde for, no que for, ou sem ser, uma coisa é certa:

 

No Domingo irei votar!

 

Das percepções políticas

Quarenta anos depois dos dias 25 de Abril e 1º de Maio de todos os encantos e saudades, temos que mudar. Não com um golpe de estado - vivemos numa democracia - mas a partir de dentro.

 

Tenho votado sempre no PS porque, apesar de todos os problemas e discordâncias, é o partido que mais se aproxima da minha forma de estar. Mas o PS, tal como os outros partidos que se iniciaram e/ou cresceram durante estes 40 anos - PSD, CDS e BE, para não falar de um partido com história anterior, de antanho e conservador, PCP - não dão mostras de perceberem o quanto é preciso renovação, desde a escolha dos líderes à auscultação dos anseios da população, das medidas inovadoras e credíveis ao ganho de confiança dos eleitores e, mais importante ainda, à existencia de uma visão para o País, dentro de um quadro europeu que se discuta por todos os estados-membros, sem menorizações nem condescendências.

 

Tenho assistido com algum cepticismo ao emergir de algumas associações/ partidos políticos. Mas a verdade é que estou cada vez mais convencida de que a constituição de novos agrupamentos políticos, dentro do quadro constitucional de pluripartidarismo, pode ser o começo de uma reforma do sistema político, pode ser o início da reconciliação dos cidadãos com a política e com os políticos. Pessoas que arriscam a defesa das suas ideias procurando construir, para além da crítica sistemática ao sistema, merecem-me o maior respeito.

 

É possível que a votação em agrupamentos e partidos que, pelo menos para já, terão pouca representação parlamentar, abra ainda mais a dificuldade de formar governos estáveis em coligações. Por outro lado pode ser que, com novos protagonistas, seja possível alargar plataformas de entendimento numa determinada área política para assumir o poder. E pode ser a única forma de conseguir que os eleitores votem, alargando o leque de escolhas.

 

As próximas eleições para o Parlamento Europeu estão a ser instrumentalizadas pelos chamados partidos do arco da governação, levando os eleitores a escolherem consoante estão ou não de acordo com a política deste governo. É claro que essa é uma vertente importante da eleição, mas os problemas de Portugal não são apenas nacionais, são também europeus. Ou seja, estas eleições europeias deveriam ter um enfoque particular na nossa posição face à Europa, tendo um plano para a Europa que queremos que exista, ou para o divórcio europeu, mais ou menos litigioso.

 

Já aqui disse várias vezes que a nossa integração nesta Europa deve ser equacionada, passando pelo manutenção ou saída do euro, significando isso o que significar. As escolhas que fizemos não podem ser eternas e nem devem ser irreversíveis. Penso o mesmo em relação a novas Constituições. Devem discutir-se todas as ideias, sem que nenhuma delas se transforme em tabu.

 

Eu faço um balanço muito positivo da adesão à Comunidade Europeia, mas muito tem que mudar e ser diferente, saibam e possam os nossos representantes pugnar por essa diferença.

 

Outra dimensão importante a reter no resultado das próximas eleições é a opinião em relação à oposição. Será que estes partidos de oposição, com grande preponderância para o PS, merecem o nosso vosso? Terá o PS capacidade, liderança e ideias para defender os valores que apregoa? Os outros partidos - PCP/CDU e BE - foram e são cúmplices da direita, sempre que é o apoio ao PS foi e é necessário. São tão ou mais conservadores que o PSD/CDS, mesmo a coberto de grandes, alternativas e revolucionárias declarações de esquerdismo.

 

Na maior parte dos casos votamos em líderes partidários, muito mais que em programas políticos. Os líderes dos partidos habituais perderam toda a credibilidade, mas também não vejo grande carisma em Rui Tavares, por muito que me seja simpático.

 

Enfim, embora a minha razão me indique o voto no PS, cada vez me sinto mais afastada desse partido e, depois de fazer o EUvox 2014, fiquei espantada com a dimensão desse afastamento. Será que mudo o meu voto?

 

 

 

 

 

Europa

 

 

 

Eu até concordo que se fale da Europa, durante a campanha para as próximas eleições. O problema é que o que há a dizer é nada. Não conheço nenhuma ideia original que os partidos tenham a apresentar e discutir sobre a Europa política, económica e social.

 

Na verdade o país depende exactamente do que todos pensarmos sobre a forma como o espaço europeu funciona, ou melhor, não funciona. Mas será que há algum dos nossos candidatos a deputados que tenha alguma sugestão a fazer? E o Presidente? O que pensa do nosso passado recente, do presente e do futuro da União Europeia? Será que pensa?