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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Comprar a licenciatura

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Assunção Cristas

 

Se alguma dúvida existisse quanto ao que o CDS representa e propõe, aquela medida de possibilitar aos alunos que não conseguem nota para entrar na Universidade a entrada através das vagas para os alunos estrangeiros, a troco do pagamento da respectiva propina, é absolutamente emblemática da postura de uma certa direita (ou de toda?).

"(...) Esta proposta é socialmente injusta. Não é aceitável que haja uma repescagem com base na carteira, permitindo que um estudante com pior média aceda a um curso vedado a um estudante melhor apenas porque um paga e outro não. Se o CDS considera os numerus clausus baixos e quer mais portugueses no ensino superior público, o que tem a propor é simples: que se abram mais vagas. Ponto."

Luís Aguiar Conraria

Das coisas misteriosas

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Há, de facto, algumas coisas que ultrapassam a minha capacidade de entendimento.

A decisão, quanto a mim importante e meritória, de reutilizar manuais escolares, deve ter sido tomada por alguém que não fazia ideia de como são os ditos manuais agora, pelo menos nos primeiros anos de escolaridade. Agora e há cerca de 30 anos, pois já eram assim quando os meus filhos andaram na escola.

A ideia peregrina de que se podiam reutilizar livros escritos pelos alunos, depois de apagados, obrigando e achando normal que os pais e os miúdos, no fim dos anos, apagassem os escritos ao longo do tempo escolar, só pode ter saído de mentes iluminadas que nunca apagaram qualquer manual.

Claro que reutilizar manuais faz sentido, para aqueles que não funcionam como fichas escolares. Se não se fazem livros onde não seja obrigatório preencher espaços em branco, levando as crianças a estimá-los para que possam servir para outras crianças, é um disparate sugerir a sua reutilização.

Dinossauro

Mário Nogueira pode orgulhar-se do seu poder. Durante anos e anos tem mantido os professores na crista da onda, chantageando todos os tipos de governo, sejam eles de direita, esquerda ou do centro, e transformando os professores numa poderosíssima corporação dentro da função pública.

 

Ele manifesta, ele confronta, ele determina, ele interrompe, ele exige.

 

E António Costa, pela forma como se deixou levar para a discussão de rua, desautorizando o seu Ministro da Educação que também não parece importar-se com a sua evidente incapacidade e inutilidade políticas, reconheceu a Mário Nogueira, esse dinossauro do sindicalismo, o seu poder.

O carrossel argumentativo

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Tal como a Penélope, a rádio que me acompanhou por alguns minutos, no caminho para o trabalho, foi a Antena 1. E ouvi boquiaberta, a propósito da revisão dos financiamentos estatais à escolas privadas com contratos de associação, outro argumento diferente daqueles que têm sido bombardeados a toda a hora e momento nos jornais, nas televisões, nas rádios, para que se consiga a lavagem cerebral do costume - a esquerda radical quer destruir o ensino privado.

 

Pois para a Helena Garrido o que interessa é a qualidade do ensino, partindo obviamente do princípio que a qualidade está do lado da escola privada. E se houver uma escola privada e uma pública lado a lado, se a privada tiver mais qualidade, deve fechar-se a pública.

 

Claro que não se pode voltar a investir na requalificação das escolas como foi feito pela Parque Escolar e como defendeu António Costa a premência de se voltar a fazer. Não, isso seria enterrar milhões. A qualidade, como facilmente se pode perceber, não tem nada a ver com isso, mas na escola pública. E também não é argumento, para quem defende o rigor das contas e os cortes nas gorduras do Estado, a poupança que representa para o mesmo Estado acabar com os subsídios às escolas privadas quando as públicas estão subaproveitadas.

 

Mas o mais interessante é assistir à emergência de novos argumentos quando se percebe que os anteriores não servem o propósito pretendido. Já ouvi vários: um ataque à Igreja Católica, impedir que os mais pobres tenham acesso ao ensino privado, coarctação da livre escolha das famílias entre público e privado, e por fim este argumento da qualidade.

 

Há apenas um ponto em que estou totalmente de acordo com Helena Garrido - Mário Nogueira nunca foi um factor de qualidade e de modernização na Escola Pública, muito pelo contrário. Esteve sempre do lado das forças mais retrógradas e reaccionárias, sendo um dos grandes responsáveis por muita da degradação da tão falada qualidade da Escola Pública. 

 

Ao contrário da Penélope, ando com o sentido de humor pouco apurado.

Escola Pública

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Uns anos depois volta a guerra das associações de ensino privado com a manipulação informativa a que já nos habituámos, tentando deixar, outra vez, tudo como estava.

 

O que é interessante é o epíteto com que se quer desvalorizar estas decisões governativas dizendo depreciativamente que é uma questão ideológica. É de facto uma questão ideológica. Enquanto os que estiveram no poder na última legislatura têm como objectivo o Estado mínimo, tendo desmantelado o que puderam dos serviços públicos, com a redução da despesa do Estado do lado da vergonhosa redução salarial, redução de investimento na melhoria das condições e nas instalações e equipamentos, para que a iniciativa privada crescesse à custa do outsourcing dos serviços públicos, os que estão no poder agora preferem rentabilizar os serviços do estado e reduzir a multiplicação dos gastos, gerindo os dinheiros públicos e reduzindo a despesa mas do lado do que se gasta em contratualização externa do que deveria ser assegurado internamente.

 

Não está em causa a liberdade de escolha. O Estado deve assegurar para todos os cidadãos a escola pública de qualidade. Só assim será possível escolher entre o público e o privado, com o corolário óbvio de que as escolas privadas deverão se pagos por quem os quer utilizar e não pelo Estado. A não ser que o Estado não consiga assegurar a obrigatoriedade constitucional que, felizmente, é cada vez menos o caso.

 

Parece-me claríssimo que é, de facto, uma questão ideológica. O desemprego dos professores existe e será cada vez maior por causa da acentuada quebra da natalidade, por causa da forma como se distribuem os alunos por turma, se reorganizaram os horários e as ofertas curriculares, etc., etc. E convenhamos que o desemprego dos professores do estado foi enorme nos últimos anos.

 

É muito interessante ouvir as pessoas que tanto vilipendiaram as obras de remodelação das escolas, transformando-as em espaços modernos e adequados para todos os que dela necessitam e em igualdade de circunstâncias, virem agora usar o argumento da falta de condições para justificar a manutenção do status quo, facilitando e incentivando o esvaziamento do ensino público e a proliferação de escolas privadas, financiadas pelo Estado.

Da desigualdade no acesso à Universidade

A desigualdade gritante no acesso à Universidade tem décadas e é um assunto a que ninguém quer dar atenção. No último Expresso e, agora, na RTP 2, falou-se da divulgação de um estudo de Gil Nata e Tiago Neves, que demonstra que há uma acentuada inflação das notas, mais no ensino privado que nos público, mais em certas regiões do país que noutras, estudo esse que não consegui encontrar no portal InfoEscola.

 

vários anos que defendo que seria preferível fazer exames nacionais a todos os candidatos, sendo a nota de exame aquela que se considerava para o acesso à Universidade. Ou então permitir que cada Universidade tivesse as suas próprias provas de acesso. Pelo menos colocaria todos os candidatos em pé de igualdade. Por muito injusta que seja uma prova na avaliação de conhecimentos, é menos injusta que a situação presente, em que há uma elite que paga e compra as notas de entrada nas Faculdades.

 

É um escândalo que nada se tenha feito em tantos anos, permitindo esta claríssima violação do princípio Constitucional que se convoca para outras matérias (e bem) - o da igualdade.

Maria de Lurdes Rodrigues

 

Da justiça temos uma ideia romântica de igualdade, imparcialidade e infalibilidade. De um sistema de justiça queremos que seja rápido, certeiro e rigoroso.

 

Não conheço Maria de Lurdes Rodrigues. Pertenço a uma área profissional totalmente distinta, nunca me cruzei com ela nem profissional nem socialmente. Tenho dela, no entanto, a maior das admirações e um enorme respeito pelo que tem lutado pelo serviço público de Educação, nomeadamente no governo de Sócrates.

 

Não seria intelectualmente honesto da minha parte se, agora, viesse a desacreditar todo o processo em que está envolvida. Ainda tenho esperança que o objectivo da justiça seja ser certeira e rigorosa, já que não é igual para todos os cidadãos, muito menos rápida.  Espero portanto, tal como todos o devemos fazer para todos os processos, o desenrolar dos acontecimento e a conclusão de que, ao contrário de ter prevaricado no exercício de um cargo público, o honrou e dignificou, como eu penso que o fez.

 

No entretanto presto-lhe a minha homenagem.

Distracções

 

Fiquei hoje a saber que António José Seguro é contra esta prova de avaliação dos professores.

 

O que não sei é se António José Seguro acha que há professores a mais na escola pública ou não; se é a favor da escola a tempo inteiro, do ensino obrigatório do inglês, qual o número máximo de alunos por turma que considera ideal; não sei o que António José Seguro pensa sobre o acesso à carreira docente, como se deve estruturar e como se deve ser feita a avaliação do desempenho dos docentes para subida na carreira.

 

É que eu estou de acordo com a restrição do acesso à carreira docente da escola pública para quem mostre melhor capacidade e maior empenho em ensinar. Aliás como estou de acordo que o Estado restrinja o acesso à prestação do serviço público aos melhores, seja ele o ensino, a saúde, a justiça, a segurança. Também penso que este tipo de provas, apenas para quem tem menos de 5 anos, acaba por ser injusta para quem a faz, pois haverá sempre quem está de pedra e cal na profissão, há vários anos, que não tem condições para ensinar. Acabam por ser sempre os mais vulneráveis, neste caso quem é contratado, a ir para o desemprego.

 

Porque deixemo-nos de hipocrisias - esta prova apenas tem como objectivo dispensar professores. O estado não é uma agência de emprego, é verdade, mas tem obrigação de gerir os seus recursos humanos de forma a poder fornecer o melhor serviço com a maior qualidade. Mas essa qualidade será atingida com carreiras que premeiam o mérito, com avaliações justas e rigorosas, em que a competência e a motivação sejam os critérios primordiais para ascensão na carreira, com melhorias remuneratórias, obviamente.

 

Mas sobre esses assuntos não sei o que pensa António José Seguro, e o que faria diferente, perante as circunstâncias concretas. Provavelmente é porque ando muito distraída.