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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Dos anos que passam

13 anos DQ.jpg

 

 

 

 

Dei-me conta, quase sem querer, de que hoje este blogue faz 13 anos de vida.

 

Mudei muito, nestes 13 anos. Estou mais velha, mais amarga, mais silenciosa. Muito me desiludi das ilusões que tinha (e algumas ainda tenho). Nessa altura confiava na Justiça, tinha das nossas sociedades ocidentais uma onírica e ingénua visão, achava que a globalização do acesso fácil e barato à informação iria tornar os cidadãos mais exigentes, mais maduros e mais democráticos, porque mais conhecedores de factos, porque mais estimulados, porque menos ignorantes e preconceituosos.

 

Fui perdendo a ingenuidade e as esperanças, fui desacreditando das pessoas e dos sistemas políticos. Percebi que as minhas angústias e pensamentos não interessavam a ninguém e perdi a suprema arrogância de tentar mudar alguma coisa. À minha volta vejo muitos que, como eu, estão mais empalidecidos e menos certos das certezas que nos amparavam. Cheguei à conclusão que deixei de perceber o mundo, se é que alguma vez o percebi.

 

Mudei em muitos aspectos, pessoais e profissionais. Mudei de locais de trabalho, mudei de funções, tive algumas belas e estimulantes pequenas vitórias, outras tristes e estrondosas derrotas, aprendi muito com ambas, mas mais com as últimas. Conheci gente fantástica com quem tive oportunidade de trabalhar e que considero, para além disso, minha amiga, pude experimentar ideias que tinha e que me deram um enorme prazer implementar. Conheci também gente inqualificável, que me transtornou e me entristeceu, que não merece ser sequer mencionada. Creio que, apesar de tudo, consegui fazer o meu trabalho, com dedicação e empenho, catalisando, de algum modo, o despertar do melhor que há em nós.

 

Publiquei 4 livros de poesia, contando com algumas editoras que foram acreditando minimamente na qualidade do que escrevo. Deram-me muito gozo e, independentemente das apreciações que possam ser feitas por quem entende destes misteres, orgulho-me de todos eles, agradecendo a quem os ajudou a concretizarem-se. Por outro lado, descobri música, teatro, cinema e exposições, partilhei viagens, receitas e estados de alma, troquei impressões com pessoas que nunca encontraria se não fosse esta aventura blogueira.

 

Não sei por quanto tempo ainda manterei o blogue. Os desenvolvimentos políticos e sociais a que assistimos, com a ascensão de uma turbamulta autoritária, racista, xenófoba, intolerante, que apela ao ódio e à violência, deixa-me atarantada e sem saber bem como reagir. A forma como se discutem os textos, retirando do contexto frases e expressões, crucificando as pessoas que se expõem, inventando factos e transformando insignificâncias em dramas e motores de transformações estranhas, não são bons augúrios.

 

O caminho faz-se caminhando, dia a dia, mês a mês, e este continuará a ser um espaço de reflexão, pois a possibilidade de expressar o que temos dentro de nós é um exercício de liberdade que não devemos descurar. Até porque a Liberdade é frágil e fugidia, se não a cuidarmos. O meu quadrado, o nosso quadrado, pode sempre contar comigo.

 

São mesmo 11 anos...

...que o Defender o Quadrado faz hoje...

 

Maria Bethânia

Zeca Pagodinho

 

 

SONHO MEU

(Yvonne Lara/Delcio Carvalho)

 

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe

Sonho meu

 

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe

Sonho meu

 

Vai mostrar esta saudade

Sonho meu

Com a sua liberdade

Sonho meu

No meu céu a estrela-guia se perdeu

A madrugada fria só me traz melancolia

Sonho meu

 

Sinto o canto da noite

Na boca do vento

Fazer a dança das flores

No meu pensamento

 

Traz a pureza de um samba

Sentido, marcado de mágoas de amor

Um samba que mexe o corpo da gente

E o vento vadio embalando a flor

 

Traz a pureza de um samba

Sentido, marcado de mágoas de amor

Um samba que mexe o corpo da gente

E o vento vadio embalando a flor

Sonho meu

 

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe

Sonho meu

 

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe

Sonho meu

 

Vai mostrar esta saudade

Sonho meu

Com a sua liberdade

Sonho meu

No meu céu a estrela-guia se perdeu

A madrugada fria só me traz melancolia

Sonho meu

 

Sinto o canto da noite

Na boca do vento

Fazer a dança das flores

No meu pensamento

 

Traz a pureza de um samba

Sentido, marcado de mágoas de amor

Um samba que mexe o corpo da gente

E o vento vadio embalando a flor

 

Traz a pureza de um samba

Sentido, marcado de mágoas de amor

Um samba que mexe o corpo da gente

E o vento vadio embalando a flor

Sonho meu

 

Sonho meu, sonho meu

Vai buscar quem mora longe

Sonho meu

 

... a laborar há 9 anos...

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Nesta casa serve-se tudo a quente.

As cadeiras são de pau e têm as costas direitas.

Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação.

A porta está sempre aberta...

... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado.

Esta casa tem nas janelas a bandeira do desafio.

Espalhadas pelas mesas as palavras que não lhe faltam.

Serve silêncios de cumplicidade.

Regista o tempo que passa nas paredes da memória.

Esta casa é varrida por tempestades cíclicas com elevado grau de intensidade.

O equilíbrio das ideias é periclitante.

De luz permanece uma lâmpada acesa...

... mesmo que escondida entre as brumas do desconcerto.

A renovação vai abrindo fendas e reconstruindo o remendo das incertezas.

 

Sejam bem-vindos.

Fico

 

 

Há oito anos era-me impossível imaginar que me sentisse tão pouco integrada na sociedade que, entretanto, se construiu. Um tempo de entusiasmo e luta transformou-se num marasmo desesperado e taciturno. Não há já trovas mas muitos ventos que passam.

 

Tal como o país sinto-me sem rumo nem vontade. Faço dos dias um exercício de esforço, sentimento de perda permanente e susto. Desamparo perante tanto cinzentismo e tanto futuro adiado.

 

E no entanto, persisto. Mais que não seja porque assim consigo viver. De tristeza ou raiva, com alguns laivos de esperança, sempre que percebo que há alguns que de alguma maneira não desistem. E não me deixam desistir.

 

Fico.

 

Anuário

 

 

 

Vou acendendo velas, tantas quantos os anos que tenho passado a escrever neste blogue, com periodicidade irregular, à medida das fúrias, incertezas, estados depressivos ou de exaltação a que sou acometida. Escrevo para mim e muito me pergunto porque tenho esta necessidade de me afirmar publicamente, mesmo que o público seja tão minoritário como é a minha própria dimensão.

 

Quando leio os primeiros textos quase me não reconheço. Os sete anos que passaram assistiram a um envelhecimento e a um desencanto que me seria difícil aceitar como verdadeiro, se eles não fossem o testemunho indesmentível desse facto.

 

Atravesso um período de questionamento de muitos dos fundamentos que sempre me guiaram na minha vida. As crises servem para fazer balanços, análises e tomar decisões, escolhas difíceis mas indispensáveis.

 

Nunca me refugiei no desalento. Mesmo que apeteça. Mal ou bem, faço parte de um todo que começa pelo meu próprio corpo, se insere numa família, numa comunidade e num país, pelo menos. Mal ou bem, consequente ou não, aqui me vou expondo, em afirmações e contradições que me são inerentes.

 

A quem me lê, me ouve ou me sente, o meu muito obrigada pela companhia.

 

Seis anos

 

De 5 de Novembro de 2005, a torcer por Manuel Alegre, a 5 de Novembro de 2011, a torcer por... nós todos. Não sei se me apetece tanto como há 6 anos. Mas ainda me apetece escrever neste blogue, por vezes descabelado, por vezes morno, cada vez com menos certezas. A todos os que vão aparecendo, obrigada. Vou continuando.

 

Ontem...

... fez 5 anos que comecei este blogue. Já o blogue mudou de visual umas quantas vezes, eu outras tantas, mas muito menos radicalmente.

 

Mas a essência mantém-se e o Quadrado precisa de ser defendido, ainda e sempre contra os invasores, de dentro ou de fora, por mar, terra ou ar ou outras mais secretas vias de dominação, como o medo.

 

Aqui estou por mais, quem sabe, outros cinco?

E já lá vão 4 anos

 

A reserva impede-me de nomear o autor desta prenda de aniversário pelo quarto ano que o Defender o Quadrado faz hoje.

 

Mas que é uma bela homenagem, tenho que concordar que sim.

 

Para todos os que por aqui vão passando, obrigada. Quanto ao Kermit (antes Rechoncha), continuaremos a comparar notas.

 

A Miss Piggy (antes Bonemine), continuará a atacar.