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Das festas que escolhemos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 12.04.20

mousse chocolate.jpg

 

Não tenho feito pão, nem bolos, nem compotas, nem licores, nem nada que se coma, para além do que já fazia antes do confinamento obrigatório – umas saladinhas, uns ovinhos cozidos, enfim, deixo a comida para o expert cá de casa.

Mas ontem resolvi recuperar um pouco da minha veia artística e inventiva e resolvi fazer uma mousse de chocolate, já várias vezes tentada e muitas sem grandes resultados.

Portanto comprei uma tablete de 200 g de chocolate negro com 70% de cacau, parti-o em pedaços para dentro de um tacho, juntei 150 g de açúcar, um bocado de leite do dia gordo (não medi, mas foram cerca de 100 a 150 ml) e, grande acrescento que aprendi por essa internet fora, uma colher de sopa de azeite. Sim, leram bem: uma colher de sopa de um bom azeite. Liguei o fogão baixinho, para o chocolate derreter e não queimar.

Entretanto tinha deixado 6 ovos fora do frigorífico para ficarem à temperatura ambiente – li algures que isso fazia tooooooooda a diferença. Separei as gemas das claras e mexi muito bem as gemas, com uma colher de pau, de forma a que se transformassem num creme amarelado e homogéneo.

Depois do chocolate ficar em papa com o açúcar, o leite e o azeite, tudo muito bem mexido, retirei do lume, deitei lá para dentro um bom golo de licor caseiro de poejo e, devagarinho e mexendo sempre com grande vigor (todas as minhas receitas necessitam e evidenciam enorme vigor), fui juntando o creme das gemas para se irem incorporando na papa de chocolate.

A seguir, sempre com o pensamento estratégico na finalização da dita mousse, que requer mais planeamento que o isolamento viral, bati as claras em castelo bem firme (o castelo, claro) com uma pitada de sal, outro dos grandes segredos mal guardados da culinária ancestral. Mal o castelo se manteve de cabeça para baixo sem sofrer a acção da gravidade, comecei a misturar levemente as claras com o preparado de chocolate, envolvendo-as delicadamente, desta vez sem qualquer vigor, para que a mousse ficasse leve.

Frigorífico com ela e hoje, após deglutir um cabrito que demorou séculos a assar, mas que estava delicioso (do qual não sei a receita porque não meti prego nem estopa na sua confecção), com esparregado e batatinhas novas com casca, foi devidamente apreciada por todos os que partilhamos a almoçarada.

Enfim, mesmo com as ameaças invisíveis que nos rodeiam tratámos de nos banquetear, celebrando a festa de estarmos juntos. E a festa somos sempre nós que a decidimos e escolhemos.

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publicado às 18:21

Do início das festividades

por Sofia Loureiro dos Santos, em 14.12.19

A verdade é que o meu espírito natalício custa cada vez mais a chegar e chega cada vez mais tarde. Mas o tempo urge. Hoje dei início às hostilidades.

Os cabazes cá de casa estão esqueléticos e anémicos, literalmente, pois o licor de pêssego, embora delicioso, tem uma cor ligeiramente descorada.

Portanto este ano experimenta-se o doce de dióspiro. Este é um fruto que sempre evitei, pela sua textura e aparência demasiado gelatinosa, até ao ano passado, altura em que o experimentei (o de roer) e fiquei fã.

diospiro.jpg

dióspiro

 

Como cá em casa tudo se transforma em compotas e licores, lá descasquei e cortei em pedacinhos 1,5 Kg de dióspiros que coloquei num enorme tacho com 1 Kg de açúcar, sumo e casaca de 1 laranja, 3 paus de canela e uns goles de moscatel de Setúbal.

Depois de fervilhar fazendo espuma durante algum tempo, resolvi reduzir a puré com a varinha mágica e deixar ferver mais um pouco.

Agora está a aguardar que arrefeça, para ver se necessita de voltar ao lume. Os frasquinhos serão cheios e rotulados para rechear os frugais cabazes, que serão saudáveis, naturais e sustentáveis - tudo muito bio e artesanal, para não ferir a economia circular - discurso muito em voga, seja lá o que for que significa.

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publicado às 15:58

Da gula sem culpa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.05.17

tartes.png

 

 

Há épocas de estoicismo em que as dietas são seguidas à risca, em que nos sentimos monjas de expiação do pecado da gula, fortalezas de força e vontade, sobrevivendo alegre e arrogantemente sem comer batatas, arroz, massa, pão, queijo, manteiga, doces, deglutindo pequenas quantidades de carnes brancas e peixes pouco gordos (é uma ciência esotérica), fiambre de peru, ovos, manteigas que não são manteigas, litros de sopas com os mais estranhos legumes, cogumelos a rodos, queijo fresco e iogurtes magros e gelatina 10 Kcal, a única guloseima permitida, muito saciante, para além das duas peças de fruta (contando os bagos de uva) e da inevitável garrafa de litro e meio de água.

 

(Confesso que não sei como os franceses não têm todos obesidade mórbida com a quantidade avassaladora de maravilhosos e gordíssimos queijos que comem, devidamente acompanhados por pão branco e vinho. Talvez a minha inveja não tenha sido totalmente visível nos olhares espantados com que os mimoseei, enquanto por lá passeei.)

 

Outras há em que vamos deixando as ervas daninhas das comidas normais entrarem nas nossas refeições, com as consequentes e abruptas alterações na nossa rotunda figura, em que nos debatemos diariamente com a negligência traduzida numa alimentação em que os proibidos hidratos de carbono, ou os líquidos de Baco reentram insidiosamente nos pratos e copos.

 

Este intróito vem a propósito das minhas pesquisas em relação à existência de sobremesas, daquelas fantásticas porque não são doces, com a respectiva concretização e degustação. E eu adoro tartes. Combinando receitas ouvidas pela rádio, do Chefe Avillez, com outros inputs dietéticos e a própria intuição, eis o resultado:

 

Tarte de maçã com canela e gengibre:

  1. Forra-se uma tarteira com 1 folha de massa folhada já feita (compram-se em qualquer super hipermercado), até pode ser uma light (também há);
  2. Acende-se o forno a médio gás
  3. Cortam-se várias maçãs (a quantidade depende da quantidade de recheio com que se quer encher a tarteira), com ou sem pele (eu tirei a pele) em gomos fininhos para dentro de uma frigideira anti aderente, em camadas, alternando com canela em pó, uma pitada de gengibre, também em pó, e uns borrifos de limão;
  4. Pode-se juntar 2 colheres de chá, mal cheias, de mel
  5. Deixa-se amolecer o recheio de maçã ao lume.
  6. Enche-se a tarteira com o preparado anterior
  7. Vai ao forno até assar a massa folhada (cerca de 30 minutos)

 

Tarte de pêra com chocolate

  • Exactamente o mesmo, mas em vez de maçã usa-se pêra.
  • Entre o ponto 6 e 7, rala-se chocolate em barra, preto (70% de cacau) para cima do recheio, como se fosse pó, ou mesmo em lascas

 

Experimentem. Ficam muito boas. Para quem não tem os problemas de rotundidade focados mais acima, junte uma bola de gelado de natas ou de baunilha.

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publicado às 12:03

Dos doces muito bons porque são pouco doces

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.04.17

doce de maca.png

 

 

Confesso que se me eriçam os cabelos quando ouço dizer que um doce é muito bom porque é pouco doce. A minha gulodice não aguenta e toda se revolta perante esta heresia. Doce para ser doce tem que ser doce, ter açúcar, melar os dedos, lambuzar a cara, etc.

 

Mas como a luta diária pela bela figura, com a menor rotundidade possível, é feroz, experimentei um doce muito bom porque se açúcar.

 

Natural, dietético, esplendorosamente saudável e doce o suficiente para agradar aos pobres que, como eu, procuram em qualquer alimento um pouco da satisfação redentora das guloseimas.

 

Experimentei com maçã: cortei várias maçãs, umas 6, aos bocadinhos, com casca e tudo, reguei com o sumo de 2 laranjas bem sumarentas, juntei canela em pó generosamente e tâmaras secas (sem caroço), também aos bocadinhos. Depois de a maçã amolecer ao lume, reduzi tudo a puré com a varinha mágica e deixei mais um bocado a fervilhar.

 

Foi um instante. Ficou acastanhada e muito saborosa. Com tostas integrais e chá de rooibos, é uma felicidade!

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publicado às 21:52

... se calhar é mesmo talvez...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 08.02.15

chef.png

 O terceiro jurado pronunciou-se apenas 2 dias depois e fez desaparecer a dita tarte a alta velocidade. Pelos vistos deixa-se comer bastante bem. O que me animou bastante, pelo que vou disponibilizar (palavra bastante em voga) outra receita de doce, com a qual despachei a segunda abóbora que tentava passar despercebida entre os projectos (palavra também na moda) de licor, o que se tornava difícil pela magnitude da mesma.

 

Mais uma vez recorri a um blogue vizinho, cuja sobrevivência na culinária está mais assegurada que a minha, para me inspirar - misturar a abóbora com gengibre, mas em vez de gengibre cristalizado ou fresco (a minha primeira ideia), decidi utilizar em pó, como tinha visto noutra receita à solta na rede internáutica.

 

Portanto para cada quilo de abóbora (já descascada, sem pevides nem fios), 650 g de açúcar, 2 laranjas pequenas (ou uma grande, a raspa e o sumo), 2 paus de canela, 1 colher de sobremesa de gengibre em pó. Deixei tudo a cozinhar um bom bocado; quando a abóbora já estava mole reduzi a puré com a varinha mágica (retirando primeiro os paus de canela), e deixei mais um bocado até fazer ponto de estrada.

 

Devo confessar que não é fácil perceber se o ponto já está de estrada, se é só caminho e se já caramelizou, principalmente com a compota triturada. Mas enfim, não me tenho dado mal. Pode sempre colocar-se um termómetro ou um pesa-xaropes - utensílio de que muito ouvi falar mas que me é totalmente desconhecido.

 

O doce é bastante bom e já resta pouco enfrascado. Para a terceira abóbora ainda não sei o que arranjar. Devo dizer que também já utilizei o que sobrou da anterior para fazer tarte - eu adoro tartes. No fundo a ideia é a mesma - 500 g de abóbora descascada, 400 g de açúcar, 3 ovos, 100 g de farinha, casca de 2 limões, 1 vagem de baunilha e 2 colheres chá canela em pó: abóbora e açúcar ao lume com a vagem de baunilha (aberta ao meio e raspada, adicionando a vagem e o conteúdo raspado) e a casca de limão (também ralada); triturar e juntar a farinha que se bateu com os ovos e a canela; tudo para dentro da massa (das pré confeccionadas), que entretanto se colocou na forma e forno, durante 20 a 30 minutos. Pode polvilhar-se com açúcar e canela, mas não é preciso.

 

E pronto, com a auto-estima um pouco mais recomposta, vou manter estes domingos de grande azáfama entre tachos e panelas, em velocidade espampanante.

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publicado às 19:34

A Chefe sou Eu...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.02.15

Está decidido. O próximo MasterChef será meu, só meu, vencedora incontestada, manejando célere os instrumentos mais afiados, desde descascadores de cenouras (utensílio recentemente descoberto) até raladores e máquinas 123, tudo num grande rodopio. Não será a full-course dinner em 90 minutos, mas uma two-course meal fiz eu hoje, em 120 (com a insignificante ajuda da panela de pressão).

 

Ao contrário dos concorrentes aprendizes dos vários programas que correm pelo mundo, comecei pela sobremesa, que eu andava a magicar já há algum tempo. E tudo isto porque queria arranjar uma tarte que não contivesse natas, nem farinha, a mais saborosa, leve e deliciosa (e dietética, se é que isso pode existir) tarte do mundo. Além do facto de ter umas maçãs que queria despachar, por já estarem a ficar um pouco avelhentadas.

 

Mas isso são pormenores. Armada de todas as aprendizagens nas horas somadas das observações de culinária às audições de O Chefe sou Eu, com o Chef Avillez, estou transformada numa Chefe Sofia sem chapéu nem jaqueta mas capaz de descascar, pelar, triturar e amassar o que for preciso, sem medo nem compaixão.

 

Voltemos à tarte e comecemos pelo nome – importantíssimo, diria mesmo fundamental!

 

"Tarte folhada de maçã macerada em rum, com gratinado da mesma em crosta de amendoim"

 

Então, não soa bem?

  • Forra-se uma tarteira, daquelas antiaderentes e com o fundo amovível, com uma folha de massa folhada já feita, daquelas que se compram com papel vegetal (aquela chinesice de fazer a pasta fresca não é para mim); liga-se o forno para ir aquecendo; cortam-se em pedacinhos as maças descascadas até pesar 500 g; mistura-se com 400 g de açúcar amarelo, raspa de 1 limão, 2 colheres de café de canela em pó e uma boa golada de rum (eu usei rum porque era o que tinha em casa, visto que os maravilhosos licores já são só boas memórias) e deixa-se ao lume até ganhar um pouco de ponto – até as maçãs ficarem bem moles e a calda começar a ficar tipo mel e acastanhada; tritura-se com a varinha mágica e deixa-se a papa resultante a arrefecer.
  • Partem-se 3 ovos para uma taça e mistura-se um requeijão (eu usei um de leite de vaca, ovelha e cabra), batendo-se até estar tudo ligado – fica assim com uns grumos de requeijão, mas não faz mal. A seguir junta-se a papa de maçã a esta mistura e deita-se para dentro da tarteira. Cortam-se mais umas maçãs (para mim foram 1 e meia) descascadas em fatias finas e distribuem-se em cima da tarte, cobrindo a superfície.
  • Enquanto as maçãs estão ao lume, fui procurar a parte crocante, tão ao gosto dos grandes cozinheiros (como eu, evidentemente). Estava convencida que tinha uns flocos de cereais dietéticos mas não os encontrei. Em vez disso apareceu-me um saco de amendoins. Descasquei uns tantos, reduzi-os a pó com a picadora 123 e misturei-os muito bem com mais um bocado de açúcar amarelo (não sei dizer as quantidades porque foi a olhómetro). Pois foi este granulado que espalhei em cima das fatias fininhas da maçã.
  • E ao lume com ela, entre o baixo e o médio, onde esteve cerca de meia hora.

tarte maca 3.jpg

 

A seguir fui para o main-course:

 

"Estufado de novilho com vegetais em cama de arroz de tomilho"

 

  • 2 cebolas, 4 dentes de alho, uma caixinha pequena de bacon aos bocadinhos, 2 tomates sem pele, 2 cenouras, 1 pimento verde e outro vermelho, um pouco de azeite e um molho de salsa para dentro da panela, ao lume; depois cortei uma carne de novilho (1 kg rotulada de maravilhosa para estufar), retirando-lhe as gorduras a mais - também para dentro da panela; temperei com um pouco de sal (a medo, por causa do bacon) e um pouco de pimenta moída, um copázio de vinho branco; deixei fervilhar um pouco, rectifiquei os temperos e deixei na pressão por 30 minutos. Foi acompanhado de arroz singelamente branco (com um pouco de tomilho).

 

Aguardemos que os comensais se manifestem...

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publicado às 21:00

Do diletantismo (pouco) militante

por Sofia Loureiro dos Santos, em 17.01.15

compota abobora chocolate.png

Hoje lembrei-me desta minha amiga e colega por duas vezes. Primeiro porque ouvi, por acaso, um programa na TSF (Património à mesa) sobre história da alimentação e dos alimentos, hábitos culturais ligados à gastronomia e à mesa, dos ricos e dos pobres. Ana Marques Pereira foi uma das convidadas e ainda bem. Desde há muito tempo que lhe conheço o gosto e a curiosidade por estes e outros temas, que ela não é pessoa para se esgotar num único interesse. Há cerca de 1 ano organizou uma exposição sobre licores, publicou um livro, e até eu participei numa aula sobre a confecção dos mesmos.

 

A segunda foi ao ver um episódio de uma série com a Miss Marple, detective amadora criada por Agatha Christie. E lembro-me de discutirmos as nossas adaptações preferidas dos detectives de Agatha Christie: Poirot e Miss Marple. Na realidade, embora concorde que a série protagonizada por David Suchet é a que melhor representa a personagem de Hercule Poirot, um detective belga muito vaidoso, pequeno e de cabeça ovóide, com um bigode magnificente e umas células cinzentas bem activas, não a acompanho quando considera que a Jane Marple de Joan Hickson é fiel ao retrato que dela faz a sua criadora.

 

Confesso  que não conheço nenhuma série nem nenhum filme que, a meu ver, consiga mostrar-nos uma velhota solteirona frágil, ligeiramente anafada, um pouco atarantada, coberta de malhas fofas, com uns olhos azuis penetrantes e inteligentes e que, sempre em conversa com os outros, deslinda os mais complicados e misteriosos crimes. A que está a passar agora no FOX Crime é muito interessante mas, mais uma vez, longe daquilo que eu imagino que seja a Miss Marple.

 

Não sei se a minha Miss Marple gostaria de cozinhar, mas suspeito que sim e que apreciaria a experimentação e a curiosidade de combinar produtos diferentes. No seguimento dessa minha hipótese já despachei uma das abóboras, fazendo um doce de abóbora com chocolate, cuja receita encontrei neste blogue fantástico, tal como o outro da mesma autora.

 

Juntei abóbora aos bocadinhos (enfim, mais aos bocadões) com açúcar (650 g por cada quilo de abóbora), canela (em pau, 2 por quilo), sumo e raspa de laranja (1 por quilo) numa grande panela que foi ao lume, e esperei mais ou menos pacientemente que começasse a fazer ponto. Nessa altura triturei a abóbora com a varinha mágica (é melhor retirar os paus de canela antes) e deixei que chegasse à tão ambicionada estrada. Depois parti chocolate de culinária (com 70% de cacau, 100 g por quilo) aos quadradinhos e deixei derreter, mexendo sempre. Foi um êxito, mais fora do que dentro de casa porque, como em tudo, Santos da casa não fazem milagres, dá Deus nozes a quem não tem dentes, etc.

 

Resta-me encontrar mais novidades para as outras arrumadas na cozinha, a estorvarem um pouco os passos de quem quer chegar à roupa. Enfim, tudo a seu tempo, que a vida não está para pressas nem inconseguimentos.

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publicado às 21:38

... da deglutição vagarosa e conventual

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.09.14

 

Depois do crime a expiação - com grande sentido de contrição, pedindo desculpas por este acto deliberado e presunçoso de bem comer, saboreamos a sobremesa com a arrogância que se impõe, seguindo os exemplos dos nossos governantes.

 

E assim se acaba a semana.

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publicado às 21:03

... da maravilhosa Sericaia (pouco) alentejana...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.09.14

 

 

Faltava, portanto, a prova de fogo, a dita Sericaia. Como está na moda ser-se provinciano e lutar contra as elites desta Capital de gente malformada, é sempre bom assumir a minha condição de alentejana: é verdade, nasci em Vendas Novas.

 

Ao lume com 1/2 litro de leite gordo, raspa de 1 limão (com o inexcedível Microplane) e 2 paus de canela; antes, no entanto, liguei o forno com um tabuleiro redondo e baixo de cerâmica vidrada, para aquecer. Bati 6 gemas com 200g de açúcar até ficar um creme branco e fofo, juntei 75g de farinha e bati de novo até ficar tudo homogéneo. Foi misturando o leite, já arrefecido e levei ao lume até engrossar.

 

Depois bati as 6 claras em castelo firme (com uns grãozinhos de sal) e incorporei as claras no preparado anterior, depois de este arrefecer (estes arrefecimentos aumentam o tempo de confecção mas previnem alguns desastres, como a cozedora inapropriada de claras e grumos no creme). Coloca-se a mistela no recipiente que está em brasa, com cuidado e às colheradas (confesso que deitei tudo lá para dentro sem o pormenor das colheradas), cobre-se de bastante canela e deixa-se a cozer no forno durante 25 minutos em forno alto nos primeiros 10 e médio nos restantes.

 

Quando arrefeceu o centro ficou com um aspecto bastante encolhido, convenhamos.

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publicado às 21:00

Das ameixas de Elvas que se urbanizaram...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.09.14

 

Embora seja o tradicional dia do Senhor, para mim é dia da gula - um dia na semana que começa com um pequeno almoço partilhado num tabuleiro empoleirado nos joelhos, por sua vez dentro dos lençóis. Já há bastante tempo que não me aventurava pelos tortuosos caminhos culinários. Hoje, depois de um cozido à montanheira feito pelo Chefe cá de casa, resolvi que era tempo de experimentar a sericaia com ameixas de Elvas. Para dizer a verdade ainda equacionei a hipótese de substituir as ameixas de Elvas por outro doce qualquer, dando-lhe um toque de adaptação ou não fosse eu uma inveterada indisciplinada no que concerne à confecção de doces.

 

Mas não. Decidi que ia seguir à risca (enfim..., quase) a receita que encontrei neste blogue, muito bom e muito bem explicado. Ontem comprei ameixas pequeninas numa frutaria cujos donos são indianos, o que dificulta um pouco a comunicação, porque percebo mal o que dizem. Nada como os gestos para ultrapassar este pequeno problema.

 

E assim escolhi as ameixas mais duras, contei 3 por pessoa e pesei-as; coloquei-as num tacho cobertas de água e deixei ao lume durante 30 minutos depois de levantar fervura. Juntei o peso em açúcar e ficou ao lume até ao ponto de estrada; deixei arrefecer e repeti a operação 4 vezes - levantar fervura, ferver por 2 ou 3 minutos e arrefecer (juntei um pouco de água de cada vez porque a calda estava a ficar demasiado grossa).

 

Hoje estavam prontas.

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publicado às 20:58


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