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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Catalunya

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 Puigdemont detido na Alemanha

 

O que se está a passar em Espanha, mais precisamente na Catalunha, é vergonhoso. Dentro da democracia espanhola, dentro da União Europeia, prendem-se pessoas por delito de opinião, por delitos políticos. Não estão asseguradas as elementares liberdades de expressão de pensamento, de direitos de cidadania.

 

As últimas eleições foram marcadas pelo poder central e Rajoy não aceitou os resultados eleitorais. O Rei descredibilizou-se como sendo um elemento unificador das várias Espanhas.

 

O fosso cava-se mais fundo e uma solução para o problema da Catalunha está cada vez mais longe de se vislumbrar.

Este país não é para mulheres

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Charging Bull, Arturo Di Modica

Fearless Girl, Kristen Visbal

 

Confesso que estou cansada de dias internacionais, de mulheres, jovens, velhos ou quaisquer outros. Os problemas não se resolvem.

 

Servem para acordar consciências? Sim, mas elas voltam a adormecer de imediato. Doutra forma não se entende como é possível haver uma tal desigualdade no valor dos salários, maior ainda para empregos mais qualificados.

 

Em vez de rosas e juras de amor, era bem mais eficaz igualarem-se as remunerações, não as distinguindo por género mas por qualificação e mérito.

O discurso do Rei

 

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Mais uma vez reafirmo que não tenho opinião em relação às pretensões separatistas da Catalunha. Penso que têm todo o direito de querer e tentar a independência, no respeito pelos princípios democráticos e de liberdade de expressão de pensamento de todos os catalães.

 

Não me parece que o apoio ou a falta dele da União Europeia faça qualquer diferença. Na verdade a opinião das Instituições europeias não são confiáveis e variam conforme as conveniências da própria Europa. Todos nos lembramos das ameaças da União Europeia caso a Escócia escolhesse a independência, e do namoro explícito aquando do referendo do Brexit.

 

Aquilo a que assistimos no domingo, com as cargas policiais e a brutalidade da Guardia Civil sobre os catalães não tem desculpa, justificação ou perdão. E foi essa referência, esse reconhecimento e essa palavra de repúdio que faltou no discurso do Rei. Não esperava que deixasse de defender a unidade do Estado, a Constituição e a legalidade, acusando os separatistas de aventureiros perigosos e em rotura com a democracia e o Estado de Direito, mas o apagamento da repressão gratuita na Catalunha remeteu-o para um apoiante incondicional da facção centralista, protagonizada por Rajoy.

 

Na realidade todo este problema está inquinado pelos extremismos, o populismo e a fuga em frente. A verdade é que não sei quantos são os catalães que querem a independência. Não me parece ter havido igualdade de circunstância ou oportunidades para as divulgações e propagandas de ambas as partes, a consulta referendária foi um simulacro (participação de 43,03%) sem qualquer garantia de cumprimento das mais elementares regras democráticas.

 

Enquanto não houver serenidade e reconhecimento do poder central da necessidade de auscultar a opinião dos catalães, dando-lhes a possibilidade de referendar a independência a sério, tal como o reconhecimento das autoridades catalãs em querer saber verdadeiramente a opinião do seu povo, enquanto não houver compromissos de parte a parte, nada se resolverá.

 

Infelizmente o discurso do rei foi uma oportunidade perdida. Radicalizou os catalães já radicalizados e não condenou nem se afastou das soluções totalitárias e violentas de Rajoy. Penso que o Rei acabou por cavar mais fundo a sepultura da monarquia espanhola.

Puigdemont

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Carles Puigdemont

 

Não é só a Rajoy que se devem assacar as responsabilidades do desastroso processo a desentolar-se à volta do referendo catalão. É também a todos os que, numa fuga para a frente, tentam empurrar o processo para um beco sem saída. Vale a pena ler a análise de José Almeida Fernandes.

Ao voto

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sapo

 

Votar é a maior e melhor manifestação da democracia, uma espéce de sacramento, um dever ciclicamente renovado, uma prática de cidadania, um direito e uma responsabilidade individual.

 

Serve esta laudatória introdução para lembrar que as urnas estão abertas até às 19:00h.

 

Vá a correr comprar as cervejolas, as bifanas e faça uma mousse de chocolate, para poder assistir, na primeira fila, ao espectáculo da liberdade e da democracia, do qual somos todos figuras de cartaz. E se ainda não votou, não perca essa experiência que é sempre nova, em todas as catedrais do poder soberano do povo.

 

É do melhor que há!

Catalunya

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DN

 

Não tenho opinião sobre a independência da Catalunha. Mas tenho opinião sobre o extremar de posições, nomeadamente a do governo central de Madrid, que está a tentar resolver um problema muito sério e complicado com a força bruta. Apenas consegue um recrudescimento do sentimento separatista e que a revolta se instale.

 

A Espanha franquista permanece na memória de muitos saudosos de uma Nação que nunca foi una.

Amanhã vamos votar

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Amanhã é dia de renovar a festa, o hábito, o vício da democracia. Votar, escolher, ter voz.

 

Que ninguém fique em casa. As assembleias de voto estão abertas muitas horas, ninguém precisa de faltar ao supermercado, à caminhada, ao futebol, ao almoço de família, ao café com os amigos, à missa, à meditação. Há tempo para tudo.

 

Se estiver frio vistam casacos, se estiver sol ponham chapéu, se chover levem guarda-chuva, se estiver calor vão de calções. Não razões nem desculpas.

 

Amanhã é dia de votar.

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 https://www.portaldoeleitor.pt/Paginas/Ondesevota.aspx

O regresso da extrema direita alemã

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Angela Merkel

 

 

Custa e preocupa muito apercebermo-nos de que a extrema direita alemã é a terceira força mais votada na Alemanha, regressando ao Parlamento donde estava afastada desde o fim da II Guerra Mundial.

 

Até hoje, e apesar dos diversos avisos, a liderança da Europa não tem ligado aos sinais de descontentamento dos cidadãos, nomeadamente em relação à União Europeia. A prolongada crise, as desigualdades e o voluntarismo dos partidos defensores da presente orientação política, empurrou todos os eurocépticos para a direita, pois não se sentem representados por nenhum partido tradicional. O último discurso de Juncker, com a proposta de um Ministro das Finanças comum, é mais uma fuga em frente na suposta necessidade de integração política, sem haja o cuidado de ter a explícita aprovação dos povos.

 

É claro que esta não é a única razão, mas parece-me uma razão muito importante. Para além disso o desaparecimento das gerações que viveram a II Grande Guerra, o terrorismo, a crise económica e a insegurança sentida dentro do espaço europeu, para além dos fluxos de refugiados, são mais razões para o aumento do racismo e da xenofobia.

 

É urgente o repensar da construção europeia, o respeito pelas democracias e pelas diferenças entre os vários Estados. São precisas novas políticas sociais, de emprego e de promoção da igualdade. Caminhamos a passos largos para um ciclo que acorda todos os nossos medos.

Da falsidade das notícias...

... ou de como o jornalismo é o campeão da desinformação

 

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Confesso que estremeci quando li a manchete do último Expresso, pensando num escândalo inominável e de uma imensa gravidade. Ao contrário do que é meu hábito, comprei o saquinho com todas aquelas folhas de papel de jornal, para ler com cuidado todo o artigo.

 

É mesmo um escândalo inominável - ter um semanário, como o Expresso, a fazer uma primeira página com uma falsidade que a própria notícia, depois de lida, desmente. Mais inominável ainda é ler o Expresso curto de hoje, onde Pedro Santos Guerreiro repete a falsidade e desmente-a, de novo, de seguida.

 

Afinal, quais e quantas são as vítimas de Pedrógão Grande que não estão incluídas na lista dos 64 mortos? Não existem. Até porque o critério de inclusão das vítimas está explícito na própria reportagem - aquelas que resultaram directamente do incêndio. E, infelizmente, são 64 mortos. Aliás, independentemente de concordar ou não com o critério, nunca o vi ser questionado noutras tragédias.

 

Além de ser uma notícia falsa, é manipuladora e pretende criar um facto político usando desavergonhadamente a tragédia de Pedrógão Grande. No entretanto, tanto o PSD como o BE continuaram o embuste e amplificaram o facto político, pedindo explicações sobre os mortos escondidos.

 

Passamos o tempo a falar do pseudo jornalismo do Correio da Manhã, mas ele já se espalhou. Tanto faz ler as notícias no facebook como nos jornais ditos de referência. Já não se distinguem. É pena que os pedidos de demissão dos vários actores políticos, permanentemente brandidos pelos jornalistas, que se auto nomearam os seus juízes, não se estendam a eles mesmos, actores políticos também, ma não eleitos.

 

Como é hábito após a compra do Expresso concluo que foi dinheiro atirado ao lixo.