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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das datas fracturantes

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Manifestação do PS na Fonte Luminosa, na Alameda, em Lisboa (30-12-1975)

 

No dia 25 de Novembro de 1975 defrontaram-se duas concepções de sociedade - os defensores de um regime democrático multipartidário de tipo ocidental e os de um regime totalitário ditatorial de tipo comunista. Foi uma data fundamental para a consolidação da democracia portuguesa, tal como o 25 de Abril de 1974 foi a data fundacional desse mesmo regime. Ambas foram fracturantes e em ambas poderia ter eclodido uma guerra civil.

Aos militares que organizaram e concretizaram o golpe militar a 25 de Abril e aos que defenderam o regime democrático a 25 de Novembro, devemos o nosso reconhecimento e as nossas homenagens.

O PS foi o partido político mais importante no combate à deriva extremista e totalitária de 1975. Essa memória faz parte da sua e da nossa História recente. Durante muitos anos foi precisamente ese momento um dos grandes entraves ao entendimento entre o PS e os partidos que, no 25 de Novembro, representavam a facção antidemocrática. António Costa conseguiu ultrapassar ressentimentos e posicionamentos monolíticos, fazendo uma ponte indispensável entre o que unia o PS e os partidos à sua esquerda, seguindo a abertura do PCP, que a percebeu como a única forma de desapear a direita do poder.

Mas o PCP e o BE terão que perceber que o caminho reiniciado a 25 de Novembro foi aquele que permitiu que eles próprios sobrevivessem, para não falar da democracia e da liberdade. A existência da Geringonça não pode levar o PS a negar a sua história nem a sua identidade intrinsecamente democrática, para não ferir as sensibilidades dos seus parceiros.

Ao permitir que a direita e a extrema direita se mostrem como os únicos defensores do 25 de Novembro, reclamando-o como uma das suas vitórias, o PS acaba por se deixar colar aos que, nessa altura, estavam do lado do totalitarismo esquerdista, esquecendo que foi uma trave mestra da liberdade naqueles tempos revolucionários. Eu não o esqueço e penaliza-me muito que, no Parlamento, seja apenas a direita a querer homenagear o 25 de Novembro.

Adenda: Grupo parlamentar do CDS/PP - Voto de saudação n.º 41/XIV – Pelo 44.º Aniversário do 25 de Novembro

Grupo parlamentar do PS - Voto de saudação n.º 53/XIV - À construção da Democracia em Portugal

Traquitana ou Carripana

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Catarina Martins sabia que, sem o PCP, o PS não teria condições para assinar um acordo de legislatura com o BE.

 

O PCP terá que digerir a pesada derrota eleitoral e não faltarão vozes a ligá-la à sua participação na Geringonça. Não é essa a minha interpretação, pois acho que o PCP está a percorrer o caminho inexorável de um partido que assenta naquilo que já não existe.

 

As circunstâncias de 2015 mudaram e são totalmente diferentes. Uma coisa é certa - a solução governativa anterior foi sufragada pelo povo - a mudança na continuidade. Seja Geringonça, Caranguejola, Traquitana ou Carripana, o PS tem mandato para se entender com o BE e o PCP (e o Livre e até o PAN). Espero que todos cumpram a vontade eleitoral.

Rescaldos

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O povo quer uma nova Geringonça. Não sei se vai ser mais fácil do que em 2015, mas António Costa já nos habituou à sua habilidade política.

Mas o PS tem que olhar bem para dentro de si quando a análise dos votantes mostra que o voto no PS está envelhecido e é de gente pouco qualificada.

Os jovens qualificados têm empregos precários e mal pagos, não conseguem resolver o problema da habitação e não conseguem levar uma vida independente, com qualidade. Os jovens em Portugal revêm-se cada vez menos nas propostas do PS.

O PSD e o CDS tiveram uma pesada derrota. Acho que Rui Rio ainda não percebeu.

A abstenção mantém-se e é muito preocupante, tal como a entrada da extrema-direita no Parlamento.

Tempos complicados se avizinham.

Sempre, sempre votar

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O voto é a nossa arma, a nossa voz, a nossa oportunidade de dizer quais as propostas e quais os prtogonistas que queremos que nos representem e nos governem.

O voto é não só um direito mas também um dever. E uma festa de civismo e uma festa de cidadania.

No domingo vou votar no PS. Não acreditei na Geringonça, não defendi esta solução. Mas fiquei rendida pelos resultados, pela descompressão da sociedade, pelo apaziguamento entre os governados e os governantes.

Houve erros e problemas, pois houve. E também por isso é preciso votar no PS, para que a sua representação parlamentar seja reforçada.

Mas o essencial é ir votar, sempre, com a seriedade e alegria dos gestos que verdadeiramente têm importância e significado.

O que se sabe que não se sabe mas que se saberia caso se soubesse

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Não sei porque é melhor a teoria de que o PS teria conspirado com os militares e o governo para o o encobrimento do achamento das armas roubadas em Tancos, do que a teoria de que o roubo de Tancos foi uma encenação para comprometer o governo, que deu tanto brado que depois foi preciso arranjar uma forma de encontrar as armas, e nisso estão conluiados militares e políticos da oposição.

 

Também não percebo a razão pela qual se acha que se o Ministro da Defesa sabia o Primeiro-ministro tinha que saber e se nega enfaticamente que o Presidente soubesse, mesmo sabendo que o seu ex-chefe da Casa Militar sabia.

 

Cada um pode escolher a teoria de que mais gosta e que mais se insere na busca de culpados e vítimas políticas, à medida das crenças individuais.

 

Mas o mais extraordinário é a mudança de princípios éticos de Rui Rio que num dia vitupera a Justiça e o Ministério Público, e com toda a razão, por causa dos julgamentos na praça pública, e no outro é ele que os faz.

 

Enfim, mais uma vez temos a Justiça a manobrar as eleições - outra das minha teorias da conspiração favoritas.

Comprar a licenciatura

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Assunção Cristas

 

Se alguma dúvida existisse quanto ao que o CDS representa e propõe, aquela medida de possibilitar aos alunos que não conseguem nota para entrar na Universidade a entrada através das vagas para os alunos estrangeiros, a troco do pagamento da respectiva propina, é absolutamente emblemática da postura de uma certa direita (ou de toda?).

"(...) Esta proposta é socialmente injusta. Não é aceitável que haja uma repescagem com base na carteira, permitindo que um estudante com pior média aceda a um curso vedado a um estudante melhor apenas porque um paga e outro não. Se o CDS considera os numerus clausus baixos e quer mais portugueses no ensino superior público, o que tem a propor é simples: que se abram mais vagas. Ponto."

Luís Aguiar Conraria

Das eleições

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Sondagem ICS/ISCTE 13/09/2019

 

A menos de 1 mês das eleições legislativas, todos os esforços devem ser dirigidos ao combate à abstenção. Não há sondagens que resistam à contagem dos votos.

Os debates e as entrevistas têm corrido com civilidade e bonomia o que, quanto a mim, é uma bênção. Mas ainda faltam muitos dias de campanha, de redes sociais e directos pelas televisões, a chamarem sound bites, pelo que não me engano com tão bons augúrios.

A novidade destas eleições são o PAN, levado ao colo pelos media, e o PSD, vilipendiado pelos mesmos media. A verdade é que ninguém tem paciência para ler programas e vale a pena ir lendo o do PAN, que tem tiques de autoritarismo, como todos os que se acham iluminados e donos da verdade, e que se esquece de tantas áreas importantes da governação e da sociedade.

O BE tenta o impossível para crescer, principalmente à custa do PS. A demagogia e o oportunismo político do BE está bem patente na guerra às PPP e nas promessas de nacionalização de tudo o que mexe. Mais tiques de autoritarismo.

Habituámo-nos a pensar que a uniformização era a chave para maior rigor e maior eficiência. Cada vez estou mais em desacordo. As experiências diversas na saúde, na educação, em todas as áreas da sociedade deveriam ser avaliadas individualmente e acarinhadas, caso os resultados fossem positivos. Fala-se muito da satisfação das pessoas mas não se respeitam as suas necessidades e não se aplaudem as iniciativas que vão de encontro a essas mesmas necessidades.

Espero mais manipulação, desinformação e títulos tremendistas nas próximas semanas. É preciso não esmorecer e duvidar de tudo o que se lê e ouve. E depois escolher e ir votar. Votar é o mais importante de tudo. A decisão é sempre nossa.

Da misantropia

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Pode ser que sim, pode ser que esteja com um ataque de misantropia e que o meu tédio seja imenso e se estenda a vários géneros. Mesmo assim ainda não estou completamente enclausurada.

Vou vivendo a minha vidinha, espreitando as notícias, confesso que com a dita melancolia e muita desesperança, de vez em quando com sobressaltos e aumento de frequência cardíaca, afundada nas análises e nos compromissos vários que vou somando, mesmo querendo diminuí-los, omnipresentes treinos, algumas opíparas refeições, confecção de licores e experimentação de receitas de bolos.

Enfim, nada de queixas nem de lamúrias. Aproximamo-nos a largos passos das legislativas e, diga-se em abono da verdade, os debates e as entrevistas até têm sido civilizados, o que é muito bom sinal e decorre de alguns dos protagonistas e da descompressão a que se assistiu na nossa vida política, após estes 4 anos de Geringonça e de Presidente Marcelo.

Gostaria muito que a abstenção fosse menor que a que se tem verificado, mas não tenho grande fé. As sondagens que dão muitos votos ao PS e muito poucos ao PSD podem induzir à não participação eleitoral. Não estou assim tão convencida da irrelevância e incapacidade eleitoral de Rui Rio. Acho que tem feito muito boas entrevistas. Mas eu sou aquela que nunca acerta, portanto estarei, muito provavelmente, enganada.

Nunca conseguirei entender a razão de tantas páginas escritas sobre o pedido de maiorias absolutas pelos líderes partidários. É um enigma. Como se alguém votasse mais ou menos num partido por lhe ter sido pedido que se lhe desse uma maioria absoluta. E o raciocínio de não votar para impedir a dita maioria também me parece abstruso, pois no limite, esse partido até poderia perder.

O que é preciso é votar e estar atento a fenómenos populistas de direita e de esquerda, para não alimentar projectos mais ou menos totalitários, travestidos de boas intenções. E vigiar as inúmeras manipulações que se preparam ou que já estão em acção. Acreditemos que o voto ainda é aquele que traduz o nosso pensamento e a nossa vontade. Pelo menos a 6 de Outubro.