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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Das notas que tomamos (8)

 

Afinal, ao contrário do que eu pensava, Cavaco Silva fez bem em dissolver a Assembleia da República, como se demonstrou com o resultado das eleições. Houve uma alteração muito significativa da relação de forças parlamentar e uma viragem ideológica à direita.

 

Afligem-me muitos comentários que vou lendo pela blogosfera, em relação à derrota do PS e de Sócrates.  A falta de grandeza dos vencedores mostra bem a massa de que são feitos.

 

Francisco Louçã não se demitiu. O BE teve uma derrota esperada. A esquerda grande não lhe perdoou a aliança à direita, a ineficaz e megalómana demagogia, o indisfarçável populismo. O PCP continua entrincheirado no seu canto, dizendo as mesmas coisas, com as mesmas palavras e o mesmo tom.

 

No PS começam a posicionar-se os candidatos. Espero sinceramente que António Costa ou Ferro Rodrigues, ou até Francisco Assis se perfilem. António José Seguro não me parece uma alternativa capaz de movimentar e de liderar uma verdadeira oposição.

 

Das notas que tomamos (7)

 

Depois de uma crise internacional gravíssima, com o país em recessão e em austeridade absoluta, cumprindo as exigências externas supranacionais, com o desemprego em níveis altíssimos, descontentamento social generalizado, o PS continua com intenções de voto idênticas ao maior partido da oposição. Isto mostra bem o que a população pensa das alternativas a governo existente.

 

  • Como já é habitual, para o PSD, é lícito interromper, boicotar e impedir comícios do PS. É uma noção antidemocrática do que é a liberdade.
  • Paulo Rangel decidiu ressuscitar a asfixia democrática. Ouvi-lo torna-se, de facto, claustrofóbico.
  • Passos Coelho faz prestidigitação com concursos que insinua suspeitos, para se cobrir de ridículo.
  • Num dia de campanha eleitoral o momento alto foi a apanha das cerejas. Este tipo de campanha eleitoral é totalmente ridículo e parte do princípio de que os cidadãos são apoucados. Independentemente dos protagonistas, porque todos os partidos apanham fruta, arrancam legumes ou plantam batatas, conforme os gostos.
  • Os média divulgaram ontem que o memorando assinado a 3 de Maio, pelo governo demissionário e pela Troika, aceite pelo PSD e pelo CDS, é diferente do assinado pelo mesmo governo demissionário, na reunião da EcoFin, a 17 de Maio. Passos Coelho, Paulo Portas e Eduardo Catroga dizem que não sabiam da diferença. Sócrates diz que os partidos políticos sabiam da existência dos dois documentos, um com o FMI outro com os representantes da Comissão Europeia, e que o memorando final de 17 de Maio é o documento resultante da compatibilização dos outros dois. Depois do PSD ter negado o conhecimento do PEC4, quando posteriormente admitiu que foi chamado pelo Primeiro-ministro para debater o assunto, na véspera da sua aprovação em Bruxelas, ninguém sabe em quem acreditar. Se o acordado é realmente diferente do que se previa, não é admissível que o governo demissionário não tenha disso dado conhecimento as partidos que, dentro de duas semanas, poderão ter que colocar em prática essas medidas. É uma questão de respeito democrático.

 

Das notas que tomamos (6)

 

Será mesmo verdade que Passos Coelho, ou alguém por ele, vai pedir conselhos a Dias Loureiro?

 

Em relação ao programa Novas Oportunidades, cuja avaliação externa foi coordenada por Roberto Carneiro, os resultados de 2010 estão disponíveis - é só ler.

 

Volta a ideia de pagar taxas moderadoras por escalões de IRS, sem se explicitar que já há pagamentos escalonados, para a saúde e para tudo o resto, através dos impostos. Passos Coelho também passou a ser adepto das novas tecnologias e das auto-estradas informáticas, querendo usar o cartão do cidadão, o tal horror que acaba com a privacidade das pessoas, para que se possa, através dele, ter acesso à informação fiscal, de forma a poder cobrar taxas diferenciadas. Melhor que isto só a implementação de um cartão de pobreza.

 

Das notas que tomamos (5)

Um dia passado, às voltas com as notícias que vão saindo nos jornais online, no rádio e na televisão, algumas notas vou tomando:

 

      • Pudemos perceber que, ao longo do último mês, pelo menos, os jornais serviram de veículo de propaganda e de desinformação, alarmando continuamente a população, tudo fazendo para que a avaliação que fizéssemos do governo fosse aquela que os partidos de direita e de extrema esquerda, em união perfeita, uns por um lado outros pelo outro, queriam.
      • À parte uma nota final no editorial de Pedro Santos Guerreiro, não me apercebi de qualquer tentativa de justificação da parte dos media de tanta incompetência. A não ser que não seja incompetência, que seja mesmo luta política, da mais baixa.
      • As medidas que se vão conhecendo são, tanto quanto me apercebi, as que estavam previstas no PEC 4, com algumas outras alterações ou especificações, nomeadamente na redução da despesa do estado, privatizações, etc.
      • De facto a sensação que fica, mais uma vez e com mais sustentação, é que o PSD precipitou a queda do governo para evitar que Sócrates conseguisse evitar a intervenção externa e, apesar de tudo, pudesse aguentar-se este ano, com a eventual ajuda da União Europeia, e ultrapassar a pressão d'Os Mercados.
      • Ficámos com a certeza de que o PSD precipitou a demissão do governo negando apoio ao último PEC, primeiro porque era muito duro, depois porque era pouco duro, para agora vir a apoiá-lo, ensaiando uma distância e uma soberba ridículas, descredibilizando-se totalmente, se ainda tinha algum crédito de sobra.

Sócrates conseguiu ganhar mais esta batalha. Vamos a eleições sem qualquer razão, perdemos um mês sem qualquer préstimo, mostrámos internacionalmente uma imagem de doidos e oportunistas, cavámos mais fundo o insuportável fosso entre eleitores e eleitos.

 

Cada vez mais se configura a repetição do quadro parlamentar anterior, com a vitória do PS nas próximas eleições. E ainda bem, porque este PSD demonstrou bem qual a importância que dá ao país. Tudo vale, mas mesmo tudo, para alcançar o poder.

 

Das notas que tomamos (4)

 

A pré campanha eleitoral desenrola-se perante os nossos olhos espantados, cheia de surpresas e truques de magia. O populismo é a moeda mais valiosa no vaivém entre os dois maiores partidos políticos. Imunes ao disparate, as personagens vão debitando as suas deixas, nesta tragicomédia em que somos actores e público.

  1. Fernando Nobre insiste em mostrar o seu desprezo pela Assembleia e pelos deputados. As eleições, para ele, são dispensáveis, pelo menos no que diz respeito ao lugar que negociou com Pedro Passos Coelho.
  2. Marinho e Pinto também dispensa o acto eleitoral. Faz lembrar a facção do MFA, nos bons velhos tempos do PREC, que instava o povo a votar em branco nas eleições para a Assembleia Constituinte.
  3. Basílio Horta é, no mínimo, uma figura polémica nas listas do PS nas próximas eleições legislativas. Independente? Arrependido? Convertido?
  4. Adensa-se o mistério - Pacheco Pereira, Miguel Relvas, Pedro Passos Coelho e José Sócrates em Entre Portugal e Bruxelas - os (2) dias de todas as perguntas.

 

Das notas que tomamos (3)

 

 

Coerência e sentido de estado:

  • Cavaco Silva, no discurso de posse, deu o tiro de partida para eleições antecipadas.
  • O Presidente manteve um silêncio inaceitável e politicamente sepulcral nas vésperas da anunciada demissão do governo, dando total cobertura ao chumbo do PEC IV, esquecendo o que, para amedrontar os votantes avisou da irritação dos mercados se ele não fosse eleito à 1ª volta.
  • Passos Coelho não apoiou o PEC IV porque era quadro típico de ajuda externa que tinha medidas extremamente gravosas e injustas.
  • Há uns meses Passos Coelho avisava que se o governo pedisse a intervenção externa era a prova de que tinha falhado, no que foi secundado por Cavaco Silva.
  • Neste momento Passos Coelho diz que o PSD apoiará o governo se este pedir a intervenção externa. E afirma que não apoiou o PEC IV não por irem longe de mais, mas porque não iam suficientemente longe.
  • O Presidente acha que um governo de gestão pode pedir ajuda externa.

Das notas que tomamos (1)

 

Algumas conclusões a que podemos chegar perante os acontecimentos:

  1. Aquando da aprovação do OE2011, Cavaco Silva desdobrou-se em conversas e influências para que este fosse aprovado, por causa da estabilidade, da crise económica, enfim, das catástrofes todas que nos vão desabar.
  2. Agora, que os fantasmas do passado, do presente e do futuro nos apontam o apocalipse, Cavaco Silva mantém um esfíngico silêncio, mesmo depois da espantosa ameaça em como, se houvesse segunda volta eleitoral para a Presidência, o país soçobraria.
  3. Durante esta última legislatura, se dúvidas houvesse nalgumas mentes, ficámos com a certeza de que os designados partidos da esquerda, da larga, ampla e grande esquerda de Francisco Louçã, da massa de trabalhadores, operários e camponeses de Jerónimo de Sousa, não só não servem para viabilizar uma solução de governo à esquerda, como estão dispostos a todas as coligações para se afirmarem contra, para se manifestarem do contra, protagonizando coligações negativas que abram a porta a um governo de direita.
  4. José Sócrates é um dos políticos mais determinados e corajosos das últimas décadas. Aquilo que é uma enorme virtude podem transformar-se num terrível defeito ao transpor os limites, cometendo erros infantis e cegos ao não se aperceber que, à sua volta, os ventos e as tempestades já mudaram os pressupostos.
  5. Passos Coelho soube aproveitar o erro do seu adversário, embalado pelos discursos de Sua Presidência, esquecida da indispensabilidade do entendimento entre as forças centrais em bloco. Com a voz que Deus lhe deu, ensaia gorjeios de ave para a esquerda e para a direita. A campanha está em marcha.
  6. De ameaça em ameaça, de crise em crise, estamos vacinados pelo abismo de que nos abeiramos diariamente, já nada nos estremece. Vamo-nos entretendo até às próximas eleições.