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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

A Máfia do Pinhal*

pinhal leiria.jpg

 

Serei eu que tenho o foco desviado mas acho gritante o relativo silêncio à volta da reportagem da TVI sobre a combinação criminosa de fazer arder o pinhal de Leiria, a 15 de Outubro do ano passado. Lembro-me bem do que aconteceu após a reportagem sobre a corrupção nas Raríssimas.

 

Onde estão os títulos diários nos jornais, as reportagens nas televisões, as indignações, comentários e apelos presidenciais? Será que a devastação criminosa do pinhal de Leiria é menos grave que a corrupção nas Raríssimas?

 

No dia 15 de Outubro do ano passado houve 523 ocorrências, morreram 48 pessoas e arderam mais de 50.000 hectares de terreno. Confesso que não entendo as prioridades dos nossos media informativos.

 

*Título da reportagem da TVI

O pecado da Igreja

 

A Igreja Católica escondeu a pedofilia, sendo conivente com crimes durante décadas, tal como foi conivente com a violência doméstica, com os crimes de sangue e de honra, tal como foi conivente com as visões mais conservadoras e reaccionárias da sociedade, durante muitos anos.

 

Numa sociedade aberta como a que existe hoje, não é mais possível manter em segredo situações como estas. A Igreja perdeu influência, principalmente perdeu poder, que usou de forma autocrática e ditatorial, cobrindo tudo o que dizia e fazia com efectivos poderes terrenos e hipotéticos poderes celestes. Todos os desvios, prepotências, imoralidades e crimes praticados, anteriormente escondidos, calados e lançados como calúnia para quem tinha a coragem de falar deles, afloram agora à superfície.

 

A Igreja pede perdão pelos padres pedófilos. Mas o seu silêncio é um pecado pesado e longo, pelo qual não sei há penitência que a possa limpar.

 

Anna Politkovskaia

PORQUE

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.
Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.
Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.
Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.
Porque os outros calculam mas tu não.


(poema de Sophia de Mello Breyner Andresen; fotografia de Anna Politkovskaia)

Crianças


Menores suspeitos de homicídio no Porto ficam à guarda de pais e instituições
23.02.2006 - 21h06, Lusa, PUBLICO.PT

Todos os criminosos já foram crianças. E quando os criminosos ainda são crianças?

Que grupo, que prazer, que objectivo neste crime? Como podem crianças não recuar perante os gritos, o sangue, o fedor? Como podem crianças serem fisicamente capazes de eliminar, matar, acabar com a vida de alguém? Foi uma brincadeira, um ritual de iniciação?

Que vida para eles, depois desta morte?

(pintura de Danièle Jaquillard)