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Das terapêuticas anti-virais

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.07.20

nectarinas.jpg

Contra gripes repentinas

e outros vírus coroados

compota de nectarinas

e ficamos vacinados.

 

Corte tudo em pedacinhos

retire só o caroço

de canela uns pauzinhos

de cravinho só um esboço.

 

Açúcar pesa metade

do peso das nectarinas

tudo em conformidade

das dietas em ruínas.

 

Não se deve esquecer

o que diz a tradição

e que consta em espremer

um sumarento limão.

 

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publicado às 21:07

Vírus e Sistema Nervoso Central

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.07.20

scary germs.jpg

Multiplicam-se os títulos bombásticos de manifestações da COVID-19. O Público publica uma notícia que cita estudos que alertam para a possibilidade de lesões graves causadas pelo SARS-Cov-2 no Sistema Nervoso Central (SNC).

Uma pequeníssima e rápida busca no Google, mostrou outros estudos, noutros anos, com outros vírus, que alertam para as mesmas possibilidades: nestes casos concretos em relação aos vírus da gripe (H1N1 e H5N1).

Também o vírus da varicela é conhecido por poder causar lesões no SNC. E muitos outros. É indispensável que não percamos a perspectiva do todo - há muitos vírus que têm capacidade para lesar o SNC, o que não significa que o façam sempre nem para sempre.

Este tipo de notícias só aumentam o medo pelo alarmismo. Informação não pode ser apenas a procura de títulos assustadores, completamente desenquadrados e sem qualquer procura mínima de cruzamento de dados.

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publicado às 10:29

Soltam-se os cães

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.06.20

fernando medina.jpg

Há coisas que, por muito que racionalmente saiba que são assim, sempre me surpreendem.

Fernando Medina, após as notícias de que António Costa se teria irritado com os técnicos e com a ministra da Saúde, não sei se por iniciativa própria ou se por estratégia concertada, resolveu abrir fogo.

Instalada a ideia de que a pandemia está a correr mal em Lisboa, é preciso arranjar responsáveis por este facto (alternativo). Já ninguém se lembra, e também não interessa a ninguém lembrar, que há escassas semanas as mesmas autoridades, as mesmas chefias e os mesmos exércitos eram os melhores do mundo.

Em primeiro lugar, após a decisão de reduzir as medidas de confinamento e há já várias semanas, temos uma evolução de novos casos à volta de 1% , uma letalidade a reduzir-se paulatinamente (à volta de 4%), o número de internamentos e de camas de UCI ocupadas também controladas. Até hoje, e felizmente, temos conseguido controlar a pandemia apesar da pobreza, das desigualdades gritantes, nomeadamente na região da Grande Lisboa, da imensidade de imigrantes em situações precárias, dos bairros sociais, dos lares clandestinos, dos transportes apinhados, do escasso número e do envelhecimento dos profissionais de saúde, da obsolescência dos sistemas informáticos, da inadequação dos equipamentos, do cansaço, da necessidade de retomar a economia e a sanidade mental.

novos caso_semana.jpg

Evolução dos novos casos por semana (DGS)

 

Estes problemas já existiam antes da pandemia e não desapareceram nestes últimos meses, altura em que éramos o exemplo mundial no combate à COVID-19. Por isso as palavras de Fernando Medina são ainda mais obscenas. Já agora, o que fez ele, como responsável autárquico, para tentar resolver o problema do distanciamento físico nos transportes públicos? Será que não podia, por exemplo, implementar o desfasamento de horários para mitigar as horas de ponta? Aumentar o número de autocarros alternativos? Ou mesmo usar uma varinha mágica e acabar em 2 meses o que não conseguiu em 5 anos?

É uma pena que o SARS-Cov-2 não se comporte como António Costa gostaria. Nós todos preferiríamos que ele tivesse desaparecido, que o conhecimento sobre máscaras, desinfecções, confinamentos e desconfinamentos, terapêuticas, etc, fosse maior e mais certo.

A evidência científica perde terreno nestes tempos de chumbo. Não é só Trump nem Bolsonaro. O pensamento mágico substitui a racionalidade. E a forma como os responsáveis políticos manipulam os factos e a opinião pública para os seus proveitos é tão asquerosa quanto velha.

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publicado às 10:00

A necessidade de dizer coisas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.06.20

rui rio.jpg

Realmente, é claro que a DGS não tem estado à altura!. Nem aqui nem na Alemanha, nem na China, nem na Nova Zelândia!

Não percebo a quem interessa este arrazoado diário. Estamos numa pandemia, será que já todos se esqueceram?

Se o disparate pagasse imposto, havia sempre excedentes governamentais. Já agora, Sr. Primeiro-ministro, nos tempos que correm ainda não sabe que os antibióticos não servem para tratar infecções virais?

E se voltássemos à sanidade mental?

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publicado às 14:53

Do medo que paralisa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.06.20

Depois de se ter repetido à exaustão, desde o início da pandemia, que haveria tempos muito difíceis, que nada seria como dantes, que tínhamos que estar preparados para a profunda recessão, etc., multiplicam-se agora as notícias dos problemas da baixa do turismo, do vazio dos restaurantes e das lojas de comércio, da crise em todas as áreas económicas.

Por muito que as evidências existam e se espraiem diante dos nossos olhos, nunca acreditamos realmente naquilo que nos é muitíssimo desagradável, que nos assusta, que nos coloca em risco, tal como Jonathan Safran Foer diz, a propósito da crise climática.

Vamos ter, de facto, muitos meses pela frente cheios de complicações, pobreza, desemprego, falências e aprofundamento das desigualdades. Em vez de estarmos todos a pedir impossíveis depois de termos todos jurado mudar, passando a amar os outros, a abraçar a solidariedade e a refazer as nossas prioridades, clamamos pela vida que tínhamos e que conhecíamos, esquecendo todas as músicas à janela, os aplausos e os heróis.

Convém que sejamos realistas e que usemos a nossa cabeça e a nossa imaginação, mas sobretudo que exerçamos as nossas obrigações para com os outros, exercitemos o nosso compromisso para com a sociedade, para que façamos mais do que exigimos. E que deixemos de julgar os nossos concidadãos a que nos apressamos a apontar as responsabilidades pela falta de distanciamento, de desinfecção, da não observação de etiquetas, porque no fundo foram eles que nos permitiram as semanas filosóficas em que publicámos fotos e poemas em louvor dos novos amanhãs.

Deixemo-nos de criancices e hipocrisias. Trabalhemos, desconfinemos responsavelmente, olhemos criticamente para as notícias que nos amedrontam, tenhamos a noção de que a vida e o mundo são muito mais que os nossos receios.

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publicado às 15:20

São João

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.06.20

sao joao.jpg

Oh meu rico São João

Que já estou tão empenada

O corona que se vá

Vou ficar desconfinada

 

Vou ficar desconfinada

À procura do destino

Oh meu rico São João

A ver se não desatino

 

A ver se não desatino

Neste baile sem ter par

Oh meu rico São João

O que quero é cantar

 

O que quero é cantar

Que a vida é pra se viver

Oh meu rico São João

De medo não vou morrer

 

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publicado às 21:21

COVID-19: desconfinamento e gestão dos riscos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.06.20

Desconfinamento_desktop.jpg

Os meios de comunicação, as redes sociais e os inúmeros comentadores, virologistas e epidemiologistas que pululam pelo espaço mediático, já decidiram que estamos muito mal, que o governo, a ministra da Saúde, a DGS e o Presidente, para além dos jovens, dos velhos e dos de meia-idade, estão a portar-se terrivelmente e a promover surtos de COVID-19, tanto que já há países na Europa que nos baniram como bons companheiros para o turismo dos seus concidadãos.

A política é feita de percepções e eu confesso que não percebo a quem interessa continuar a espalhar a irracionalidade do medo. Os países da Europa, que propagandeiam a solidariedade e escondem as suas estatísticas para se promoverem a eles próprios, não surpreendem.

Mas o alarmismo social constante, diário, com a demonstração de hecatombes e pedidos de mais confinamento, cercas sanitárias, multas, etc., parecem-me exageradas e sem sustentação.

Nada disto significa que não esteja preocupada. Só se fosse tola ou irresponsável. Mas não percebo tanto alarido. Será que se esperava que com o desconfinamento o vírus desaparecia?

Apesar de não ter sido (e não ser) adepta de medidas draconianas de confinamento, reconheço que tiveram uma enorme vantagem – achatar ou aplanar a curva em Portugal. Mas aplanar a curva não significa acabar com a pandemia.

covid 21062010.jpg

Número de casos confirmados por dia e percentagem da evolução de novos casos (dados da DGS - 21/06/2020)

 

Aquilo que se conseguiu e muito bem, foi evitar a infecção simultânea de muitas pessoas, inundando os serviços de saúde e impossibilitando o tratamento daqueles que precisavam de internamento, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos (UCIs).

Ou seja, o contágio continua mas o número de doentes ao mesmo tempo foi controlado, provavelmente uma das maiores razões para a manutenção de uma taxa de letalidade relativamente baixa, comparando com outros países que não conseguiram suster a avalanche (Itália, Espanha, Reino Unido, por exemplo).

mortalidade 21_06_2020.jpg

Taxa de letalidade em Portugal (dados da DGS - 21/06/2020)

 

letalidade europa 22062020.jpg

Taxa de letalidade comparada com alguns países europeus (dados de 21/06/2020)

 

Logo que se permitiu a reabertura das actividades económicas, escolas e algumas actividades de lazer, por muito cuidado que haja – e é preciso que continue a haver e que se seja rigoroso nas medidas de prevenção – é impossível impedir que haja novas infecções. Isso só se resolverá ou com a vacina ou com a imunidade de grupo.

A percentagem de crescimento de novos casos tem-se mantido à volta de 1%, com os internamentos nas enfermarias e nas UCIs controladas, também mais ou menos estáveis, embora a descer ligeiramente (se olharmos para as variações semanais e não diárias).

evolucao covid 21_06_2020.jpg

Número de casos por dia e evolução dos internamentos (enfermarias gerais e UCIs - dados da DGS - 21/06/2020)

 

Na realidade Portugal mantém um número de infectados por milhão habitantes inferior a muitos países que nos querem barrar a entrada, e uma letalidade à volta dos 4%, também inferior a muitos desses países.

É importante perceber que as comparações directas são difíceis, pois os dados não são apresentados de uma forma homogénea e, pior, nem sempre podemos acreditar na fiabilidade dos mesmos. Por exemplo – testes significam testes diagnóstico ou todo o tipo de testes? E contam-se todos os que se fazem ou por pessoa? E como são contados os óbitos?

Por isso em vez de arrepelarmos agora os cabelos, flagelando-nos e aos responsáveis pela gestão da epidemia, como antes nos congratulávamos pelo bom exemplo, olhemos com serenidade a situação e tentemos ser racionais.

Cumprir todas as medidas preconizadas pela DGS e pela OMS – concordemos ou não, é nas instituições que nos devemos apoiar. O vírus é desconhecido e há muitíssimas coisas que só serão claras daqui a uns anos, nomeadamente a avaliação das estratégias usadas – confinamentos mais ou menos restritivos, usos de máscaras (vários tipos), terapêuticas, etc. Por isso temos que ter a humildade de reconhecer a nossa ignorância e nos irmos adaptando às evidências que vão surgindo.

Combater os mitos, as fake-news, os alarmismos e, sobretudo, os estados bipolares da sociedade, que tanto aplaude entusiasticamente – somos os maiores – como se denigre estupidamente – somos os piores.

É forçoso que regressemos o mais rapidamente à vida, usando o conhecimento já existente e as cautelas inerentes, mas aceitando que não há risco zero. É imperioso que recomecemos a tratar as outras patologias que não se confinaram à espera que o SARS-Cov-2 passasse. É indispensável que mantenhamos as rotinas de vacinação porque há já doenças que se podem evitar com vacinas – aproveitemos para nos livrarmos das crenças reactivadas que têm levado a um recrudescimento de infecções que também são perigosas e que matam, essas totalmente evitáveis.

E preparemo-nos para outras pandemias. Esta não é a primeira nem será a última.

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publicado às 11:40

Recomeçar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.05.20

Parece que estamos numa fase estável da pandemia em Portugal. Todos os dias há novos casos mas a percentagem de evolução mantém-se entre os 0,5 e os 1% e, mais importante que isso, o número e percentagens de doentes internados e em Unidades de Cuidados Intensivos têm vindo consistentemente a descer.

grafico 2 covid19 25052020.png

 

grafico 1 covid19 25052020.png

Por agora a pandemia está controlada e podemos, com cuidado, mantendo a vigilância, os cuidados de prevenção e de redução de riscos, começar a regressar à nossa vida. Temos que perder o medo de desconfinar.

grafico 3 covid19 25052020.png

grafico 4 covid19 25052020.png

muito que ficou suspenso, em termos de cuidados de saúde – consultas, cirurgias, rastreios – que tem que ser recuperado o mais depressa possível, para que se minimizem as consequências inevitáveis desta suspensão, dos atrasos nos diagnósticos e nas terapêuticas.

Talvez fosse de ponderar, como já tantos disseram, retomar a orientação dos doentes com COVID-19 para alguns hospitais de referência, libertando os outros para a necessária recuperação da actividade.

Muito fizemos nestes meses e muito aprendemos, pelo menos assim o espero. As práticas que fomos obrigados a implementar em tempo recorde, no campo das soluções de teletrabalho, de teleconsultas, de agilização dos atendimentos e resolução de problemas online, por telefone, por aplicações, etc., evitando deslocações e perdas de tempo inúteis, deverão ser optimizadas e continuadas, no SNS e em todas as outras áreas de actividade.

A redução de veículos nas estradas, para além do ganho ambiental, faz diminuir os acidentes de viação, as filas de trânsito, as despesas com os combustíveis, os problemas de estacionamento. A melhoria de qualidade de vida se pudermos combinar melhor o trabalho com tudo o resto, a possibilidade de desburocratizar os procedimentos, a disponibilidade para resolver as coisas sem complicar que a pandemia nos deu, são para manter e incentivar.

A pandemia não está vencida, mas temos que vencer o medo. Lavar as mãos, manter a distância social, respeitar os outros e lembrarmo-nos da enorme multidão que não pode nem nunca conseguiu ficar em casa à espera que passasse o perigo, porque esteve a assegurar o sustento, a saúde e o conforto dos outros. E também de outra enorme multidão que está aflitíssima, sem dinheiro para pagar as despesas básicas, nomeadamente comida, e que precisa da nossa solidariedade para viver e para poder continuar a trabalhar.

Todos queremos regressar à vida, rapidamente, mas a qual vida? Essa é a questão verdadeiramente mais importante.

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publicado às 16:51

Voltar ao (velho) normal

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.05.20

presidenciais.jpg

 

Realmente as candidaturas presidenciais para o próximo Janeiro não devem fazer parte das maiores preocupações dos portugueses.

Mas são importantes. Marcelo Rebelo de Sousa está em plena campanha eleitoral (se é que alguma vez deixou de estar). Note-se que tenho apreciado muitíssimo o seu desempenho que foi, para mim, uma enorme surpresa e agradável. Mas a verdade é que tem defeitos, como todos nós, felizmente.

Além disso Marcelo vem acumulando erros que considero graves, talvez na ânsia de se fazer notado, tentando rivalizar com a popularidade de António Costa. O episódio da transferência da verba inscrita no OE 2010 para o Novo Banco é disso um excelente exemplo.

Acho que ainda ninguém percebeu nada do que se passou, ou então percebemos todos bem de mais. António Costa não queria arriscar-se a ser acusado de dar tanto dinheiro à banca numa altura em que as camadas socialmente mais frágeis da população estão a ver os seus rendimentos, empregos, perspectivas de futuro, etc., esfumarem-se a uma velocidade estonteante. E por isso aquela promessa de não haver dinheiro para o Novo Banco antes de uma auditoria. Provavelmente esqueceu-se de acertar essa estratégia com o Ministro das Finanças. Depois Marcelo cavalgou a onda populista e resolveu interferir no governo, desautorizando Mário Centeno.

Enfim, esta explicação é tão boa como qualquer outra. Mas há alguns factos que são indesmentíveis, mesmo na época dos alternativos: a transferência da verba era conhecida por todos visto que estava no OE; não havia qualquer auditoria que pudesse parar essa transferência; Marcelo Rebelo de Sousa não tem nada que comentar as performances de qualquer ministro.

Portanto já estão todos fartos fartíssimos da COVID-19 e é preciso desatar a falar de outras coisas.

Como o Verão não vai veranear muito, temos nós que começar a inventar assunto. À falta do futebol, claro!

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publicado às 14:58

Rascunhos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 13.05.20

mulher-chorando.jpg

Mulher chorando

Cândido Portinari

 

Acerto os olhos na parede

Numa simetria discreta

Esquadria de luz em rede

Tristeza alinhada e secreta

 

Guardo nos braços a saudade

Beijos de sol e maresia

Espreito o povo e a cidade

A dor do medo que esvazia

 

No pouco que resta de nós

Colados ao muro da casa

Ensaiamos dedos e voz

Rascunho vibrante de asa

 

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publicado às 18:31


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