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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Da abjecção - não pode valer tudo

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candidato Rangel

 

Acabo de ouvir o candidato Paulo Rangel a associar este governo e a sua negligência em relação ao SNS ao aumento da taxa de mulheres na gravidez e/ ou parto.

 

É absolutamente irresponsável fazer, neste momento, qualquer tipo de acusações, pois não se sabe, sequer, se este é um aumento pontual ou uma tendência que se irá manter; quando a escassez de dados e as opiniões de quem sabe desta matéria (tal como aconteceu com o aumento das mortes neo-natais) aconselham cautela e indicam como provável causa o aumento da idade das mulheres que engravidam.

 

Este é um assunto demasiado importante e grave para se usar desta forma obscena. Não pode valer tudo. Mesmo para um candidato como Paulo Rangel, isto é surpreendentemente mau.

Amanhã, nas mesas de voto

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Cá em casa tudo se discute. Não há tabus nem atitudes paternalistas dos mais velhos perante os mais novos. E se as há, esbarram de imediato em argumentos bem estruturados e alicerçados em conhecimento. Ninguém se dá por satisfeito com abordagens superficiais ou estereotipadas aos vários assuntos em debate.

 

Mas há um tema, como agora muito se diz, em relação ao qual há unanimidade - é preciso votar. O voto universal, acessível a todos os cidadãos portugueses maiores de 18 anos, pobres e ricos, mulheres e homens, casados e solteiros, em uniões de facto ou independentes, com e sem filhos, doentes e saudáveis, analfabetos e letrados, foi implementado com a fundação do regime democrático a 25 de Abril de 1975.

 

É por isso uma conquista preciosa e delicada, uma arma poderosa na mão de todos e de cada um de nós. Será uma oportunidade desperdiçada não fazer uso dessa manifestação de cidadania, uma obrigação que temos enquanto membros de uma comunidade.

 

Que chova, que vente, que arda o sol, que troveje. Não serão os elementos que impedirão de nos afirmarmos cívica e exemplarmente, aguardando na fila o momento de decidir em igualdade, democrática e livremente, o nosso próximo futuro. Que ninguém abdique desse poder, que se negue a esse serviço público. É o exacto momento de ter voz.

Do verdadeiro gozo

Gostaria muito que o PS ganhasse com larga folga, por todas as razões e também pelo adicional e intenso gozo de ver todos estes comentadores, analistas e jornalistas que analizam e discutem, com ar sério e grave, as asneiras do PS e de António Costa e a sua derrota eleitoral, que consideram mais que certa e merecida.

No domingo, nas mesas de voto

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 Amanhã mergulharemos em meditação.

 

Meditemos no imenso país desempregado, pobre, triste e entregue a si próprio, zangado consigo e com os outros, invejando os ricos e escondendo a penúria, regalando-se com o surdo boicote que faz aos políticos, aos patrões, aos comerciantes, ao Estado.

 

Meditemos nas nossas raivas e frustrações e naquilo que gostaríamos que fosse diferente. Meditemos nos nossos desejos e na nossa desresponsabilização, nos ombros caídos e na nossa reles desistência.

 

Meditemos no gesto simples e digno, a sós com a nossa consciência, força, desencanto e certezas que é votar.

 

Meditemos na nossa obrigação de contribuir para a solução. E com a satisfação de nos sentirmos úteis e de servirmos os nossos concidadãos.

 

Amanhã meditaremos na necessidade de votar e em quem vamos votar.

 

Amanhã meditaremos na decisão de domingo. Nas mesas de voto.

Do voto útil

Olhemos com muita atenção o país e pensemos bem na nossa escolha – a única forma de termos um governo diferente do de hoje é votando no PS. Votar no BE ou no PCP apenas retira votos ao PS e reduz a hipótese de um governo forte e coeso à esquerda. Se o PS não tiver mais deputados que a soma dos deputados do PSD e do CDS, não será o PS a formar governo, pelo que não poderá sequer propor um governo de coligação à esquerda.

 

Não vale a pena estarmos a fazer contas de maiorias de esquerda ou de direita: se o PSD e o CDS concorrem coligados e se juntos tiverem mais deputados que o PS deverão ser eles a formar governo, visto que é isso que resulta da vontade popular, mesmo que o PS tenha mais deputados que o PSD. O contrário será desvirtuar o resultado eleitoral.

 

Portanto deixemo-nos de considerandos e sejamos práticos. O momento assim o exige. Para que não haja continuação desta política temos que votar no PS – não é no PAN, nem no PDR, nem no Livre, nem no BE, nem na CDU, nem no Agir, nem em qualquer outro partido ou movimento ou coligação – a única hipótese é mesmo o PS.

É preciso votar

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Em todos os actos eleitorais renovo a esperança de uma forte e maciça presença de eleitores nas mesas de voto. Aqueles que nos representam são pessoas, como nós, a quem outorgamos um mandato de confiança para decidir e dispor do bem comum para o nosso próprio bem e uso. Não há escolhas perfeitas, tal como não há pessoas perfeitas. A nossa opção é o resultado da avaliação que fazemos de quem nos representou, assim como do que pensamos do que nos propõem.

 

Toda a campanha que tem sido feita, com as sondagens e tracking polls a ajudar, com o objectivo de apagar a avaliação dos últimos 4 anos, incutindo-nos o medo do que poderá acontecer caso o PS ganhe as eleições, com pouca ou muita margem, confinando a discussão às medidas do PS para os próximos 4 anos.

 

A verdade é que, mesmo que não tenhamos a certeza da bondade de todas as propostas do PS, mesmo que nos assustemos com o que os jornais, a rádio, a televisão, os comentadores e os jornalistas dizem do voltar ao passado e do aumento da despesa pública, a verdade é que tudo isso e muito mais aconteceu nestes últimos 4 anos, com a política que este governo escolheu e implementou, contra tudo e contra todos.

 

Quando se fala de instabilidade política não podemos esquecer-nos nunca de que foram estes mesmos protagonistas – Paulo Portas e Passos Coelho – que protagonizaram vários momentos de instabilidade, com a irrevogável demissão de Portas, mostrando-se agora mais unidos que gémeos siameses. Durante esta legislatura assistimos ao desmantelar dos serviços públicos, à acentuada redução do poder de compra, ao enorme aumento de impostos, à desertificação do país com a debandada das gerações mais jovens, ao aumento da desigualdade e da pobreza, do desemprego e da desesperança. Temos hoje as gerações acima dos 60 anos a suportarem filhos e netos com as magras pensões que emagreceram ainda mais, e as gerações nas idades mais criativas e produtivas no desemprego ou nos restantes países do mundo.

 

Tudo isto nós sabemos que aconteceu e sabemos quem foram e quem são os seus defensores. E não vale a pena tentarem enganar-nos com os milhões de euros que vão dar aos enfermeiros, os milhares de médicos que vão agora contratar, os fundos sem fundo que aparecem nestes últimos dias para engodo dos mais desprevenidos.

 

É essencial que toda a gente vá votar. Façamos do dia 4 de Outubro o nosso dia de protesto, de manifestação, de grito de revolta. Não votar não resolve nem ajuda a resolver nada. É com o nosso voto que temos a força de mudar.

Em Outubro, nas mesas de voto (3)

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Todos os dias são publicadas sondagens, tracking polls e previsões. Todos os dias se ouvem os comentadores explicar as razões pelas quais a campanha do PS é má e a do PAF é boa.

 

Mas é a 4 de Outubro que se vota. E todos os votos são necessários. Só depois de serem contados se poderá dizer quem ganhou e quem perdeu, quem irá formar governo e que alianças serão precisas.

 

É preciso ir votar, maciçamente. Nós é que decidimos.

Debate radiofónico

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A pouco tempo do debate radiofónico entre António Costa e Passos Coelho, deve haver uma legião de comentadores no facebook e no twiter que irão reproduzir frases de ambos, para que se multipliquem em partilhas e likes, numa tentativa de condicionar as opiniões que os comentadores debitarão, explicando de imediato quem ganhou e quem perdeu o dito.

 

Resta saber se tudo isto tem alguma influência nos eleitores. Dá-me a sensação que há dois mundos separados e que cada vez menos se entrecruzam - o real e o virtual. Também não estou cerca a qual deles eu pertenço - se estou alheada da realidade ou se a realidade já só é a virtual.