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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Contradições

 

A tragédia na Madeira deve ser tratada como tal, e o governo deve prestar toda a ajuda e colaboração que puder a essa região de Portugal.

 

Mas como muito bem disse Teixeira dos Santos, não se deve misturar isso com o problema da Lei das Finanças Regionais. Tal como não se deve deixar de apurar eventuais responsabilidades por erros cometidos reiteradamente, lá como em muitíssimos mais lugares de Portugal, e que pioraram as consequências das intempéries, nomeadamente na Madeira.

 

Nuclearzinho

A pouco e pouco, com debates e opiniões lançadas e debatidas pela “entourage” de Patrick Monteiro de Barros, já se fala de um REFERENDO a propósito da construção de uma central nuclear.

A mim crescem-me os anticorpos a tudo o que diga respeito a esse senhor. A opção energética está a ser feita a reboque das ambições empresariais de uma pessoa que, inclusivamente, já anda a sondar câmaras municipais.

Qual será o preço que o país está disposto a pagar? Será que está disposto? Quais serão os responsáveis políticos que vão ter a coragem de assumir frontalmente essa discussão, dando a cara por ela?

O Sr. Engenheiro Sócrates, muito caladinho, anda a ver no que vão parar as modas. A conversa cheira a mentira, perdão, a inverdade.

Chernobyl


O acidente na central nuclear de Chernobyl, há 20 anos, transformou em medo tudo o que diga respeito à energia nuclear.

Claro que continua a haver armamento nuclear, claro que o poder continua a ser proporcional à possibilidade de construção de armas nucleares. Mas na realidade, há um manto diáfano e obscuro de medo e sensação de assunto intocável quando se fala em energia nuclear.

É óbvio que a ciência evoluiu muito em 20 anos e que não há verdades inamovíveis, é óbvio que as condições das centrais mais modernas são outras, é óbvio que o regime ditatorial que existia na antiga União Soviética impediu que a informação fosse mais veloz e que a ajuda exterior fosse mais eficaz (também no caso do acidente no submarino Kursk, bem mais recente, os mesmos “tiques” se notaram). Bem a propósito vem um artigo assinado por Mikhail Gorbatchov, no "Público" de ontem, em que afirma que o que verdadeiramente fez desmoronar a União Soviética foi a catástrofe de Chernobyl.

Para além de todas as consequências imediatas e de médio prazo a que se assiste, nomeadamente ao enorme aumento de incidência de neoplasias malignas da glândula tiroideia e de outras neoplasias, de patologias da gravidez com hemorragias, descolamento placentar e atraso de crescimento intra-uterino, o que mais assusta é que ainda ninguém sabe como resolver o problema do sarcófago que envolve o reactor, nem quais as consequências a longo prazo, para já não falar do enorme esforço económico sem limite temporal visível.

E parece que a substituição do petróleo pela energia nuclear não resolve minimamente a dependência crescente do petróleo a que o mundo está sujeito, porque não há alternativas para combustível para os meios de transporte.

A opção ou não pela energia nuclear deve ser discutida a sério, sem enfiar a cabeça na areia, e sem perder de vista problemas técnicos ainda irresolúveis, como o lixo nuclear e, mais importante e mais preocupante, como impedir e estancar as consequências de um acidente semelhante ao de Chernobyl, que pode voltar a acontecer.

Infelizmente, em Portugal, o assunto está a ser abordado porque um senhor chamado Patrick Monteiro de Barros quer fazer uma central nuclear! Ainda não ouvi ninguém dizer quanto é que se poupa em divisas, qual a percentagem de energia que poderia ser substituída, qual o preço a que pagaríamos a electricidade, aonde se faria, quais os riscos e quais os planos de contingência na hipótese de um acidente nuclear.

Será que o Patrick Monteiro de Barros sabe responder?

Co-incineração (2)

Embora tenha procurado com afinco na Internet, não consegui encontrar o relatório, ou parte dele, sobre o estudo epidemiológico à população de Souselas. Só encontrei citações em vários jornais, afirmando que há lá mais doenças respiratórias (bronquites, asma, etc), endocrinológicas e malignas (não diz quais), do que no restante país.

Não conheço o estudo. Mas algumas coisas me intrigam, como por exemplo: quais as estatísticas utilizadas para se saber a incidência destas várias doenças a nível nacional e regional, comparando-as com as de Souselas?

Por outro lado, faz-se uma associação, nos jornais, entre o défice de saúde pública e a existência de uma cimenteira que, se não estou em erro, foi instalada há cerca de 30 anos. Depois utilizam-se essas informações para concluir que o início da co-incineração em Souselas pioraria ainda mais a saúde das mesmas populações.

Sejam quais forem os resultados e conclusões desse estudo epidemiológico, só é pena ele ter-se realizado muito por motivos de luta política (pelo menos assim parece). Mas ainda bem que se realizou! Espero é que não seja usado para acirrar a mesma luta política.

Se, em Souselas, a saúde pública tem sido ameaçada pela presença da cimenteira (o que me parece muitíssimo provável), o processo de co-incineração, pela diminuição de emissão de poluentes para a atmosfera, só melhoraria o ambiente (segundo os documentos da CCI que consultei).

Estes assuntos são demasiado sérios para serem tratados de forma leviana, em argumentos e contra argumentos de partidos políticos e organizações “pró” ambientais. A verdade é que continuamos a aguardar uma decisão de como tratar os resíduos industriais perigosos, seja ele a co-incineração, a incineração dedicada ou outro qualquer!

(Parece que Manuel Alegre, prudentemente e ao contrário do que fez num passado recente, decidiu não se pronunciar, enquanto não conhecer o relatório da CCI.)

Co-incineração


A co-incineração, um processo de tratamento de resíduos industriais perigosos, foi objecto de um estudo aprofundado, com a formação de uma Comissão Científica Independente, (CCI) nomeada pela Assembleia da República, no tempo do governo Guterres (1999), cuja composição, objectivos, métodos de trabalho, etc, obedecia a um conjunto de leis emanadas pela mesma assembleia e pelo mesmo governo.

Ao contrário do que é habitual neste país, a dita CCI, presidida pelo Doutor Sebastião Formosinho, não só levou a cabo as tarefas que lhe foram incumbidas, como produziu relatórios, conclusões e recomendações, tudo obedecendo ao método científico que, pensava eu, tiraria as teimas relativamente aos alegados perigos para a saúde das populações.

É claro que, como os resultados cientificamente comprovados não eram os que convinham a determinados políticos, demagógicos e ignorantes, de todas as forças políticas, nomeadamente do PS, e estou a lembrar-me de Manuel Alegre e de Carlos Pimenta, por exemplo, deu-se o dito por não dito, a CCI já não era científica e muito menos independente e, o governo seguinte, de Durão Barroso, produziu abundante legislação para revogar a anterior.

Neste momento voltou a discussão. De 2002 até agora, nem co-incineração, nem incineração sem co, nem nada. Espero que, de uma vez por todas, pelo menos neste assunto, se esqueçam as politiquices, reatando o assunto onde ele foi deixado – no avanço deste processo de tratamento de resíduos industriais perigosos que, por essa santa Europa, parece ser razoavelmente seguro e tolerado.

A propósito, há um site com tudo (ou quase) sobre este processo Kafkiano.
http://paginas.fe.up.pt/~jotace/home.htm