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Vírus e Sistema Nervoso Central

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.07.20

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Multiplicam-se os títulos bombásticos de manifestações da COVID-19. O Público publica uma notícia que cita estudos que alertam para a possibilidade de lesões graves causadas pelo SARS-Cov-2 no Sistema Nervoso Central (SNC).

Uma pequeníssima e rápida busca no Google, mostrou outros estudos, noutros anos, com outros vírus, que alertam para as mesmas possibilidades: nestes casos concretos em relação aos vírus da gripe (H1N1 e H5N1).

Também o vírus da varicela é conhecido por poder causar lesões no SNC. E muitos outros. É indispensável que não percamos a perspectiva do todo - há muitos vírus que têm capacidade para lesar o SNC, o que não significa que o façam sempre nem para sempre.

Este tipo de notícias só aumentam o medo pelo alarmismo. Informação não pode ser apenas a procura de títulos assustadores, completamente desenquadrados e sem qualquer procura mínima de cruzamento de dados.

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publicado às 10:29

A necessidade de dizer coisas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.06.20

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Realmente, é claro que a DGS não tem estado à altura!. Nem aqui nem na Alemanha, nem na China, nem na Nova Zelândia!

Não percebo a quem interessa este arrazoado diário. Estamos numa pandemia, será que já todos se esqueceram?

Se o disparate pagasse imposto, havia sempre excedentes governamentais. Já agora, Sr. Primeiro-ministro, nos tempos que correm ainda não sabe que os antibióticos não servem para tratar infecções virais?

E se voltássemos à sanidade mental?

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publicado às 14:53

Do medo que paralisa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 28.06.20

Depois de se ter repetido à exaustão, desde o início da pandemia, que haveria tempos muito difíceis, que nada seria como dantes, que tínhamos que estar preparados para a profunda recessão, etc., multiplicam-se agora as notícias dos problemas da baixa do turismo, do vazio dos restaurantes e das lojas de comércio, da crise em todas as áreas económicas.

Por muito que as evidências existam e se espraiem diante dos nossos olhos, nunca acreditamos realmente naquilo que nos é muitíssimo desagradável, que nos assusta, que nos coloca em risco, tal como Jonathan Safran Foer diz, a propósito da crise climática.

Vamos ter, de facto, muitos meses pela frente cheios de complicações, pobreza, desemprego, falências e aprofundamento das desigualdades. Em vez de estarmos todos a pedir impossíveis depois de termos todos jurado mudar, passando a amar os outros, a abraçar a solidariedade e a refazer as nossas prioridades, clamamos pela vida que tínhamos e que conhecíamos, esquecendo todas as músicas à janela, os aplausos e os heróis.

Convém que sejamos realistas e que usemos a nossa cabeça e a nossa imaginação, mas sobretudo que exerçamos as nossas obrigações para com os outros, exercitemos o nosso compromisso para com a sociedade, para que façamos mais do que exigimos. E que deixemos de julgar os nossos concidadãos a que nos apressamos a apontar as responsabilidades pela falta de distanciamento, de desinfecção, da não observação de etiquetas, porque no fundo foram eles que nos permitiram as semanas filosóficas em que publicámos fotos e poemas em louvor dos novos amanhãs.

Deixemo-nos de criancices e hipocrisias. Trabalhemos, desconfinemos responsavelmente, olhemos criticamente para as notícias que nos amedrontam, tenhamos a noção de que a vida e o mundo são muito mais que os nossos receios.

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publicado às 15:20

COVID-19: desconfinamento e gestão dos riscos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.06.20

Desconfinamento_desktop.jpg

Os meios de comunicação, as redes sociais e os inúmeros comentadores, virologistas e epidemiologistas que pululam pelo espaço mediático, já decidiram que estamos muito mal, que o governo, a ministra da Saúde, a DGS e o Presidente, para além dos jovens, dos velhos e dos de meia-idade, estão a portar-se terrivelmente e a promover surtos de COVID-19, tanto que já há países na Europa que nos baniram como bons companheiros para o turismo dos seus concidadãos.

A política é feita de percepções e eu confesso que não percebo a quem interessa continuar a espalhar a irracionalidade do medo. Os países da Europa, que propagandeiam a solidariedade e escondem as suas estatísticas para se promoverem a eles próprios, não surpreendem.

Mas o alarmismo social constante, diário, com a demonstração de hecatombes e pedidos de mais confinamento, cercas sanitárias, multas, etc., parecem-me exageradas e sem sustentação.

Nada disto significa que não esteja preocupada. Só se fosse tola ou irresponsável. Mas não percebo tanto alarido. Será que se esperava que com o desconfinamento o vírus desaparecia?

Apesar de não ter sido (e não ser) adepta de medidas draconianas de confinamento, reconheço que tiveram uma enorme vantagem – achatar ou aplanar a curva em Portugal. Mas aplanar a curva não significa acabar com a pandemia.

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Número de casos confirmados por dia e percentagem da evolução de novos casos (dados da DGS - 21/06/2020)

 

Aquilo que se conseguiu e muito bem, foi evitar a infecção simultânea de muitas pessoas, inundando os serviços de saúde e impossibilitando o tratamento daqueles que precisavam de internamento, nomeadamente nas unidades de cuidados intensivos (UCIs).

Ou seja, o contágio continua mas o número de doentes ao mesmo tempo foi controlado, provavelmente uma das maiores razões para a manutenção de uma taxa de letalidade relativamente baixa, comparando com outros países que não conseguiram suster a avalanche (Itália, Espanha, Reino Unido, por exemplo).

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Taxa de letalidade em Portugal (dados da DGS - 21/06/2020)

 

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Taxa de letalidade comparada com alguns países europeus (dados de 21/06/2020)

 

Logo que se permitiu a reabertura das actividades económicas, escolas e algumas actividades de lazer, por muito cuidado que haja – e é preciso que continue a haver e que se seja rigoroso nas medidas de prevenção – é impossível impedir que haja novas infecções. Isso só se resolverá ou com a vacina ou com a imunidade de grupo.

A percentagem de crescimento de novos casos tem-se mantido à volta de 1%, com os internamentos nas enfermarias e nas UCIs controladas, também mais ou menos estáveis, embora a descer ligeiramente (se olharmos para as variações semanais e não diárias).

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Número de casos por dia e evolução dos internamentos (enfermarias gerais e UCIs - dados da DGS - 21/06/2020)

 

Na realidade Portugal mantém um número de infectados por milhão habitantes inferior a muitos países que nos querem barrar a entrada, e uma letalidade à volta dos 4%, também inferior a muitos desses países.

É importante perceber que as comparações directas são difíceis, pois os dados não são apresentados de uma forma homogénea e, pior, nem sempre podemos acreditar na fiabilidade dos mesmos. Por exemplo – testes significam testes diagnóstico ou todo o tipo de testes? E contam-se todos os que se fazem ou por pessoa? E como são contados os óbitos?

Por isso em vez de arrepelarmos agora os cabelos, flagelando-nos e aos responsáveis pela gestão da epidemia, como antes nos congratulávamos pelo bom exemplo, olhemos com serenidade a situação e tentemos ser racionais.

Cumprir todas as medidas preconizadas pela DGS e pela OMS – concordemos ou não, é nas instituições que nos devemos apoiar. O vírus é desconhecido e há muitíssimas coisas que só serão claras daqui a uns anos, nomeadamente a avaliação das estratégias usadas – confinamentos mais ou menos restritivos, usos de máscaras (vários tipos), terapêuticas, etc. Por isso temos que ter a humildade de reconhecer a nossa ignorância e nos irmos adaptando às evidências que vão surgindo.

Combater os mitos, as fake-news, os alarmismos e, sobretudo, os estados bipolares da sociedade, que tanto aplaude entusiasticamente – somos os maiores – como se denigre estupidamente – somos os piores.

É forçoso que regressemos o mais rapidamente à vida, usando o conhecimento já existente e as cautelas inerentes, mas aceitando que não há risco zero. É imperioso que recomecemos a tratar as outras patologias que não se confinaram à espera que o SARS-Cov-2 passasse. É indispensável que mantenhamos as rotinas de vacinação porque há já doenças que se podem evitar com vacinas – aproveitemos para nos livrarmos das crenças reactivadas que têm levado a um recrudescimento de infecções que também são perigosas e que matam, essas totalmente evitáveis.

E preparemo-nos para outras pandemias. Esta não é a primeira nem será a última.

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publicado às 11:40

Recomeçar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.05.20

Parece que estamos numa fase estável da pandemia em Portugal. Todos os dias há novos casos mas a percentagem de evolução mantém-se entre os 0,5 e os 1% e, mais importante que isso, o número e percentagens de doentes internados e em Unidades de Cuidados Intensivos têm vindo consistentemente a descer.

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Por agora a pandemia está controlada e podemos, com cuidado, mantendo a vigilância, os cuidados de prevenção e de redução de riscos, começar a regressar à nossa vida. Temos que perder o medo de desconfinar.

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muito que ficou suspenso, em termos de cuidados de saúde – consultas, cirurgias, rastreios – que tem que ser recuperado o mais depressa possível, para que se minimizem as consequências inevitáveis desta suspensão, dos atrasos nos diagnósticos e nas terapêuticas.

Talvez fosse de ponderar, como já tantos disseram, retomar a orientação dos doentes com COVID-19 para alguns hospitais de referência, libertando os outros para a necessária recuperação da actividade.

Muito fizemos nestes meses e muito aprendemos, pelo menos assim o espero. As práticas que fomos obrigados a implementar em tempo recorde, no campo das soluções de teletrabalho, de teleconsultas, de agilização dos atendimentos e resolução de problemas online, por telefone, por aplicações, etc., evitando deslocações e perdas de tempo inúteis, deverão ser optimizadas e continuadas, no SNS e em todas as outras áreas de actividade.

A redução de veículos nas estradas, para além do ganho ambiental, faz diminuir os acidentes de viação, as filas de trânsito, as despesas com os combustíveis, os problemas de estacionamento. A melhoria de qualidade de vida se pudermos combinar melhor o trabalho com tudo o resto, a possibilidade de desburocratizar os procedimentos, a disponibilidade para resolver as coisas sem complicar que a pandemia nos deu, são para manter e incentivar.

A pandemia não está vencida, mas temos que vencer o medo. Lavar as mãos, manter a distância social, respeitar os outros e lembrarmo-nos da enorme multidão que não pode nem nunca conseguiu ficar em casa à espera que passasse o perigo, porque esteve a assegurar o sustento, a saúde e o conforto dos outros. E também de outra enorme multidão que está aflitíssima, sem dinheiro para pagar as despesas básicas, nomeadamente comida, e que precisa da nossa solidariedade para viver e para poder continuar a trabalhar.

Todos queremos regressar à vida, rapidamente, mas a qual vida? Essa é a questão verdadeiramente mais importante.

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publicado às 16:51

Heróis de todos os dias

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.20

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Flachsscheuer in Laren

Max Liebermann

 

Sou médica. A minha especialidade tem-me mantido longe do furacão da COVID-19 mas, como todos os cidadãos, tenho tentado colaborar ao máximo para manter o país a funcionar ao mesmo tempo que se limitam contágios e se aguardam avanços terapêuticos e, principalmente, uma vacina.

Ninguém fica indiferente ao enorme empenho dos profissionais de saúde nesta época tão difícil, em que o seu trabalho, profissionalismo, generosidade e entrega são evidentes. Numa crise tão grave de saúde pública, eles são os mais visíveis obreiros da resistência. Aqueles que hoje, como todos os dias, em maior ou menor grau, cumprem o seu objectivo de vida que é cuidar e tratar doentes, com COVID-19, tuberculose, cancro, depressão, traumatismos, etc. E também solidão, tristeza, isolamento, empobrecimento. Porque todos os dias os profissionais de saúde são confrontados com essas realidades, para as quais se prepararam e para a quais continuam teimosamente a preparar-se dia a dia, ano a ano, durante toda a sua vida profissional.

E quando falo de profissionais de saúde estou a incluir todos os profissionais – médicos, de todas as especialidades, enfermeiros, técnicos de diagnóstico e terapêutica, assistentes operacionais e técnicos, farmacêuticos, gestores, todos os que, diariamente, dão o seu melhor para manter a funcionar bem os serviços de saúde, nomeadamente o SNS que, agora, parece ter recebido o apoio unânime mesmo daqueles que sempre o acharam dispensável, que sempre têm propagado a sua agonia e a sua morte.

Mas a sociedade não se resume nem se esgota nos serviços de saúde e nos seus profissionais. Se eles nos merecem respeito, não menos respeito nos merecem todos os que, nos bastidores e com profissões e trabalhos menos visíveis e, sobretudo, menos glamorosos, permitem manter as cadeias alimentares e de serviços a funcionar, todos os que continuam a escoar produtos, a manter as portas dos supermercados e outras lojas abertas, pessoal de segurança, das Forças Armadas, das Câmaras Municipais, das empresas de recolha e tratamento de lixo, de limpeza das ruas, estabelecimentos hospitalares e outros, das casas mortuárias, dos cemitérios, da Assembleia da República, do Governo, os professores, os PTs, os músicos, os poetas, os actores, todos os artistas que nos entretêm e nos ajudam a não enlouquecer. De todos os invisíveis heróis que não são homenageados nem ovacionados pela sua competência, profissionalismo, generosidade e entrega.

Embora eu própria não faça parte do pelotão da frente no combate a esta pandemia, sinto-me orgulhosa pelo excelente trabalho que tem sido feito e que, neste país que nos habituámos a denegrir e a minimizar, tem mantido a situação controlada e dentro dos limites que possibilitam a adaptação possível ao desconhecido. Isto tudo apesar das inúmeras intervenções alarmistas, arrogantes, descontextualizadas e reivindicativas de estatutos especiais de muitos dos que deveriam ser os mais responsáveis e discretos interventores de todos. Não é assim que defendem os profissionais nem é assim que se dá confiança à população, sedenta de segurança e indicações precisas, quando há tanto que não se sabe e que se muda de dia para dia. Ninguém é especial, todos somos indispensáveis uns aos outros. É e sempre foi uma evidência, mas com esta pandemia tornou-se ainda mais evidente.

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publicado às 12:18

Da irrealidade dos dias que vivemos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 11.04.20

via saca portinari.jpeg

Via Sacra

Portinari

 

Não sei porque tentamos sempre encontrar uma explicação ou um propósito para o que nos acontece, individual ou colectivamente. Olhamos para os factos e pensamos sempre num qualquer propósito, num determinismo natural ou divino que faz com que os transtornos da vida tenham uma qualquer justificação e um qualquer significado moral. Não acho que o homem mereça os castigos divinos, que as doenças sejam uma punição ou que as calamidades naturais sejam a vingança de um qualquer deus.

Não acredito nisso. Não acredito na revolta da natureza transformada em pandemia vírica, na nossa redenção como cidadãos melhores, mais disponíveis e mais solidários no fim deste confinamento forçado. Aliás temo pelo adensar de situações de conflito e de violência, pelo tédio e ansiedade, pela depressão e pela escassez de dinheiro, pela confusão e pelo barulho, pela incapacidade de isolamento ou pela inusitada solidão.

O que podemos e devemos é tentar aproveitar esta situação para repensar algumas prioridades, refazer alguns processos e procedimentos, inventar formas de nos mantermos minimamente sãos. Assim, quando formos libertados, poderemos apreciar a vida mais livres e mais felizes.

Porque tudo isto há-de passar e seremos outra vez responsáveis e irresponsáveis, alegres e tristes, solidários e egoístas, como só os seres humanos sabem ser. E havemos de poder abraçar, apertar as mãos, beijar e mimar, quem nos apetece. E não haverá deus pequeno ou grande que no-lo possa impedir.

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publicado às 21:58

Os velhos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 02.04.20

ramalho eanes.png

Entrevista a Ramalho Eanes - RTP (01/04/2020)

 

São assim, os velhos. Repetem-nos aquelas coisas que nos fazem encolher os ombros e filosofar perante a decrepitude e a voracidade do tempo, perante a desadequação às modas e aos moderníssimos pensamentos, à moderníssima sociedade, à moderníssima actualidade. Tão previsíveis e, no entanto, tão agudos e certeiros no que de mais fundo e mais autêntico há nos seres humanos.

Os velhos, como se chamou Ramalho Eanes, com a voz tantas vezes embargada pela emoção e pelas lágrimas que engole. Sim, os velhos comovem-se muito e não se importam. Os velhos como ele a dizerem aquilo que nós nos esquecemos de sentir. Coisas tão simples como as inevitáveis e naturais escolhas que se fazem ao longo e no fim da vida, pela vida dos outros. Não para se gabarem, não para serem modelos, não para que os admirem, não para doutrinarem.

São assim, os velhos. Pelo menos alguns, pelo menos Ramalho Eanes. E era também assim o meu pai. Nunca como ontem a sua presença foi tão real e me foi tão dolorosa a sua ausência.

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publicado às 13:08

COVID-19 em Portugal - hoje

por Sofia Loureiro dos Santos, em 22.03.20

A evolução da infecção por SARS-CoV-2 em Portugal tem seguido uma curva ascendente, como se previa e acontece em todos os outros países do mundo. No entanto, para já, tem corrido melhor do que algumas previsões.

Embora seja muito cedo para perceber se a tendência se mantém, é importante registar este facto.

Não podemos entrar em pânico e devemos continuar a nossa vida, o melhor que podemos, sem alarmismos mas com muito cuidado e muito senso, ouvindo e seguindo as indicações da DGS e do governo.

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Em termos de evolução do número de casos confirmados, ela tem uma curva exponencial, com uma percentagem de aumento de novos casos de 25%, já há 2 dias.

 

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A taxa de letalidade é (hoje) de 0,88%.

 

casos reais e previsoes 22_03_2020.jpg

Se observarmos as curvas de previsão da evolução do número de casos de Buescu - mais optimista (aumento de 30% de casos/dia); mais pessimista (aumento de 39% de casos/dia) - e de Aguiar-Conraria (usando os cálculos da última função exponencial que calculou), percebemos que a real está abaixo de qualquer das outras.

 

desvios percentagem 22_03_2020.jpg

Se analisarmos os desvios percentuais é mais visível essa diferença.

 

Boas notícias que devem ser olhadas com reserva: é cedo, mas é encorajador.

Pode ser que a Primavera nos traga melhores notícias e, principalmente, uma enorme resiliência. Nese momento é disso que precisamos. E de bom humor e de solidariedade. E de serenidade. 

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publicado às 12:30

A emergência de continuarmos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 18.03.20

Para enfrentar esta pandemia temos que estar municiados de várias coisas - prudência, calma, consciência, responsabilidade e, acima de tudo, não ceder ao medo nem ao alarmismo.

É preciso continuar a viver e a trabalhar, com as precauções e as limitações inerentes e, diariamente, actualizadas pelas entidades oficiais. Mas se caímos na irracionalidade, pedindo medidas drásticas cujos efeitos no controlo da infecção são bastante discutíveis, ao contrário das certezas quanto à devastação económica e social que se lhes seguirão, podemos estar a condenar os cidadãos, em Portugal e no mundo, a anos de empobrecimento com consequências difíceis de gerir.

A declaração do estado de emergência é uma medida grave e sem precedentes que, a ser tomada, poderá ter que ser renovada de 15 em 15 dias, numa escalada de paralisação do país e das vidas de todos que nem sequer imaginamos. Por isso espero que os nossos governantes, a começar pelo Presidente da República, não cedam ao instinto do medo, à tentação de agradar aos múltiplos comentadores especialistas em epidemiologia e virologia que pululam por todo o lado, anunciando certezas e insultando quem tem dúvidas quanto à pertinência desta medida.

Todos somos poucos para esclarecermos e acalmarmos a natural ansiedade que nos assalta. Cabeça fria e coragem para ser lógico, racional e anti-populista, é o que se nos pede, sem excepção.

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publicado às 08:52


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