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Da clarividência lusa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 07.03.21

mapa_novoaeroporto_montijo.jpg

 

Portugal e os portugueses são tão avançados, tão à frente e de uma clarividência científica tão especial, que depois de décadas a discutir o novo aeroporto, a sua localização e especificidade, afinal nem vai ser preciso construí-lo porque provavelmente vai deixar de fazer sentido apostar nos transportes aéreos e nos aeroportos.

Isto é que é avanço e previdência!

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publicado às 12:31

Presidenciais

por Sofia Loureiro dos Santos, em 05.12.20

presidenciais 2021.jpg

 

As próximas eleições presidenciais arriscam-se a ser uma desresponsabilização total, por parte da população, de um acto extremamente importante nos sistemas democráticos. Para isso contribuem as diversas crises que nos têm assolado e depauperado, a pandemia e o medrar dos populismos, que a abstenção alimenta.

A cerca de um mês do fim do prazo para a finalização das candidaturas, Marcelo Rebelo de Sousa vai fazendo campanha a coberto do seu cargo, sem ter ainda formalizado a sua recandidatura. Não havia necessidade.

Os restantes candidatos têm a árdua tarefa de mobilizar um eleitorado descrente, desmotivado e alheado, encolhendo os ombros a mais esta eleição, a que não dão qualquer importância.

E no entanto, prevendo as enormes dificuldades económicas e sociais, para não dizer políticas, que se avizinham, a legitimação de um Presidente com uma grande afluência às urnas seria fundamental para que os cidadãos se pudessem rever no seu representante.

A democracia não é um assunto dos políticos. É um assunto de todos. No momento em que deixarmos de acreditar nisso abrimos as portas à instalação de ditaduras e à entrega do poder a gente inqualificável.

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publicado às 15:37

Discordo frontalmente...

por Sofia Loureiro dos Santos, em 14.10.20

... da obrigatoriedade do uso da aplicação StayAway COVID, da obrigatoriedade do uso de máscaras na via pública, e da hipótese de um novo confinamento.

É óbvio que estamos no meio de um aumento do número de casos positivos para SARS-Cov-2, o que não é o mesmo de um aumento de casos de COVID-19. É claro que teremos todos que reforçar a nossa responsabilidade pessoal de prevenção e cuidado, com distanciamento social, higienização das mãos, etiqueta respiratória, para reduzir ao máximo o número de contágios.

Mas não podemos continuar a condenar a sociedade a uma crise sanitária gravíssima no que diz respeito a todas as outras patologias não COVID-19, à continuação de uma crise económica gravíssima de cujas consequências ainda não nos apercebemos bem, a um desmantelamento das redes sociais e familiares que são a essência da vivência dos seres humanos.

Não é possível manter as comunidades transidas de medo, procurando afincadamente notícias de alarme. A letalidade da COVID-19 está a descer (hoje é de 2,32), mesmo com o aumento dos casos positivos; o período de quarentena pode ser reduzido de 14 para 10 dias (caso os sintomas não existam ou sejam ligeiros); embora esteja a aumentar, e são precisos planos de contingência, o número de internamentos (principalmente em UCI) mantém-se controlado.

Espero que o Parlamento tenha calma e bom senso. É tudo o que se pede. Calma e bom senso.

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publicado às 16:09

Populismo e trapalhadas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 31.08.20

trapalhadas.jpg

Marcelo Rebelo de Sousa, fala, fala e fala demais, dizendo o que não devia, metendo-se onde não deve meter-se. A DGS não tem que ser politizada e Marcelo sabe muito bem disso, ou deveria saber.

Por outro lado, se a DGS não tinha que divulgar as orientações em relação à festa do Avante (e, de facto, quem deveria divulgá-las seria o próprio PCP), o governo não tinha que a desautorizar, correndo atrás de Marcelo e de Rui Rio. O populismo a ser o norte e o sul da política portuguesa.

Tanta trapalhada!

Começo a pensar que é mesmo importante que Ana Gomes avance para a Presidência.

 

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publicado às 14:41

Cansaço imenso

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.08.20

medicine woman.jpeg

Medicine Woman

Denisa Kolorova

 

Cansaço imenso de me sentir a afogar perante tanta histeria, tanto espectáculo de má qualidade.

Má qualidade das informações e dos informadores, repetição sistemática e ruidosa de lugares comuns, meias falsidades ou mesmo falsidades completas, numa gritaria demente que aterroriza as pessoas, adormece-lhes o sentido crítico e paralisa o raciocínio.

Má qualidade dos protagonistas que, a coberto de cargos institucionais, dão largas às suas agendas e ambições pessoais, cobertura a posturas pesporrentes e arrogantes de quem não entende que nada nem ninguém é indispensável, e que a utilização oportunista de desgraças colectivas é tristemente demonstrativa da falta dos valores que, hipocritamente, se apregoam.

Cansaço imenso de mim própria porque não aceito que mudei, que já não tenho o vigor e a audácia, quem sabe a coragem, da afirmação do que me indigna e revolta. Cansaço imenso da minha própria acomodação ao crescente incómodo. Cansaço imenso da minha cobardia.

Como médica que sou, não me revejo na omnipresença do Bastonário, nos avisos do Bastonário, nas palavras, ditas ou escritas do Bastonário, nas ameaças, veladas ou explícitas do Bastonário. Sindicalizado só está quem quer, mas à Ordem dos Médicos todos pertencemos. Não somos uma irmandade selecta nem um grupo de gente com dons divinos. Somos pessoas de carne e osso, com qualidades e defeitos, que escolhemos a profissão que temos. Fantástica e maravilhosa com os riscos e as responsabilidades inerentes, que conhecemos e aceitamos. Capaz de nos elevar à euforia ou à mais funda depressão, de nos tirar noites de sono, de nos dar dias de enlevo.

Como médica que sou agradeço a possibilidade de continuar a sê-lo, apesar de tudo. E principalmente apesar daqueles que têm como função representar a serenidade, a pedagogia, a empatia, o rigor científico, a tolerância, a exigência, a humildade.

É isso - cansaço imenso.

 

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publicado às 17:35

A realidade a ultrapassar a ficção

por Sofia Loureiro dos Santos, em 06.08.20

trump 4.jpg

 

Nunca julgaria possível ver na Presidência dos Estados Unidos alguém tão inqualificável como Donald Trump.

Todos os dias se excede em afirmações bombásticas, estúpidas, mentirosas, irresponsáveis. Não sei se estará demente ou se é apenas uma desculpa que arranjamos para aceitar que foi eleito, que o mesmo país que elegeu Obama foi capaz de o substituir por tamanho incapaz.

Estaremos ainda para assistir a piores desmandos, com a desavergonhada suspeição que levanta sobre as próximas eleições, com a inusitada classificação de ataque ao imenso desastre em Beirute.

Isto passa-se nos Estados Unidos da América, não numa qualquer República de um país de banda desenhada ou de filme do Woody Allen.

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publicado às 21:46

Expressamente manipulados

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.07.20

expresso 23_07_2020.jpg

Expresso (23/07/2020)

 

Atentemos neste artigo do Expresso (não tenho acesso à notícia completa). Ficamos a saber que a DGS tem uma nota NEGATIVA de 33,4%. Mas não sabemos qual é a nota POSITIVA - será de 66,6%?

Marta Temido também tem uma nota NEGATIVA de 29,4%. Mas ficamos a saber que a maioria (52,4%) acha que esteve bem (nota POSITIVA) e 14% acham até que esteve muito bem - POSITIVA também. Ou seja, 66,4% deu-lhe nota POSITIVA!

Pois, mas é muito mais interessante realçar, no caso da DGS e da Ministra Marta Temido, as notas negativas.

expresso 2 23_07_2020.jpg

Já no caso de Marcelo Rebelo de Sousa o destaque é feito pela percentagem que lhe deu nota MÁXIMA (25,6%), mas ficamos sem perceber qual a percentagem dos que acharam a sua acção NEGATIVA.

Pois eu, usando os mesmos critérios do Expresso, dou-lhe uma nota NEGATIVA.

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publicado às 15:05

Concursos fictícios

por Sofia Loureiro dos Santos, em 09.07.20

rita rato.jpeg

Rita Rato, licenciada em Ciência Política e Relações Internacionais, não conhecia, em 2009, a realidade dos atropelos aos Direitos Humanos na China, nomeadamente a existência de presos políticos, e nunca tinha estudado nem lido nada sobre os gulags, as purgas e o terror do estalinismo.

Rita Rato decidiu concorrer ao lugar de direcção do Museu do Aljube Resistência e Liberdade. Para o perfil pedia-se

  • Formação superior adequada à função (preferencialmente na área de história política e cultural contemporânea);
  • Experiência em funções similares (preferencialmente na área dos museus);
  • Experiência em programação e produção de exposições;
  • Experiência em gestão de pessoal e equipas;
  • Domínio da língua portuguesa falada e escrita;
  • Proficiência em inglês e francês;
  • Domínio das ferramentas do Microsoft Office;
  • Elevadas competências de relacionamento interpessoal;
  • Elevado sentido de responsabilidade e de confidencialidade.

Pelos vistos Rita Rato não preenchia os 3 primeiros requisitos. Mas isso não impediu o júri de lhe dar o lugar, pelos vistos pela forma como decorreram as entrevistas realizadas durante o concurso.

Tentar transformar o espanto e a indignação de várias entidades e pessoas quanto a esta escolha, dificilmente compreensível não só face ao perfil requerido como à evidente ignorância e / ou cegueira da candidata, num ataque misógino e anti-comunista, é triste e constrangedor.

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publicado às 15:07

Soltam-se os cães

por Sofia Loureiro dos Santos, em 30.06.20

fernando medina.jpg

Há coisas que, por muito que racionalmente saiba que são assim, sempre me surpreendem.

Fernando Medina, após as notícias de que António Costa se teria irritado com os técnicos e com a ministra da Saúde, não sei se por iniciativa própria ou se por estratégia concertada, resolveu abrir fogo.

Instalada a ideia de que a pandemia está a correr mal em Lisboa, é preciso arranjar responsáveis por este facto (alternativo). Já ninguém se lembra, e também não interessa a ninguém lembrar, que há escassas semanas as mesmas autoridades, as mesmas chefias e os mesmos exércitos eram os melhores do mundo.

Em primeiro lugar, após a decisão de reduzir as medidas de confinamento e há já várias semanas, temos uma evolução de novos casos à volta de 1% , uma letalidade a reduzir-se paulatinamente (à volta de 4%), o número de internamentos e de camas de UCI ocupadas também controladas. Até hoje, e felizmente, temos conseguido controlar a pandemia apesar da pobreza, das desigualdades gritantes, nomeadamente na região da Grande Lisboa, da imensidade de imigrantes em situações precárias, dos bairros sociais, dos lares clandestinos, dos transportes apinhados, do escasso número e do envelhecimento dos profissionais de saúde, da obsolescência dos sistemas informáticos, da inadequação dos equipamentos, do cansaço, da necessidade de retomar a economia e a sanidade mental.

novos caso_semana.jpg

Evolução dos novos casos por semana (DGS)

 

Estes problemas já existiam antes da pandemia e não desapareceram nestes últimos meses, altura em que éramos o exemplo mundial no combate à COVID-19. Por isso as palavras de Fernando Medina são ainda mais obscenas. Já agora, o que fez ele, como responsável autárquico, para tentar resolver o problema do distanciamento físico nos transportes públicos? Será que não podia, por exemplo, implementar o desfasamento de horários para mitigar as horas de ponta? Aumentar o número de autocarros alternativos? Ou mesmo usar uma varinha mágica e acabar em 2 meses o que não conseguiu em 5 anos?

É uma pena que o SARS-Cov-2 não se comporte como António Costa gostaria. Nós todos preferiríamos que ele tivesse desaparecido, que o conhecimento sobre máscaras, desinfecções, confinamentos e desconfinamentos, terapêuticas, etc, fosse maior e mais certo.

A evidência científica perde terreno nestes tempos de chumbo. Não é só Trump nem Bolsonaro. O pensamento mágico substitui a racionalidade. E a forma como os responsáveis políticos manipulam os factos e a opinião pública para os seus proveitos é tão asquerosa quanto velha.

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publicado às 10:00

A necessidade de dizer coisas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 29.06.20

rui rio.jpg

Realmente, é claro que a DGS não tem estado à altura!. Nem aqui nem na Alemanha, nem na China, nem na Nova Zelândia!

Não percebo a quem interessa este arrazoado diário. Estamos numa pandemia, será que já todos se esqueceram?

Se o disparate pagasse imposto, havia sempre excedentes governamentais. Já agora, Sr. Primeiro-ministro, nos tempos que correm ainda não sabe que os antibióticos não servem para tratar infecções virais?

E se voltássemos à sanidade mental?

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publicado às 14:53


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