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"A ele a pátria deve"

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.07.21

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A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.

Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.

O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.

Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.

E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.

Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.

António Ramalho Eanes

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publicado às 17:50

Avenida

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.21

cartaz-vieira-1-site.jpg

Maria Helena Vieira da Silva

 

Vou florir na avenida

De cravos brancos ao peito

Que o encarnado da vida

Trago de vestido inteiro

 

Vou cantar na avenida

Os sonhos da liberdade

Que a canção da minha vida

Vai gritando a realidade

 

Vou correr pela avenida

Atrás da felicidade

Que esta profunda corrida

Nunca passa da metade

 

Vou marchar na avenida

Com bandeiras sem idade

Que não me dou por vencida

Na manhã da eternidade

 

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publicado às 11:09

Manhã da madrugada inaugural

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.21

cravos vermelhos.jpg

 

Manhã da madrugada inaugural
De um tempo claro liso branco
De uma nova e luminosa vida
Ainda que dorida
Ainda que sofrida
Bem vinda
Liberdade.

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publicado às 09:59

Cantigas do Maio

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:38

Quatro quadras soltas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:31

Liberdade

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:14

25 Abril 2020

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.20

Zeca Afonso & Manuel de Oliveira

 

Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já

Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá

Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar

De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar

 

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...

 

A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei

Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem

Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar

 

Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei

Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem

Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar

 

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publicado às 11:09

25 Abril 2020

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.20

25 abril 2020.JPG

André Carrilho

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publicado às 10:59

25 Abril (1974 - 2020)

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.20

25042020.jpg

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publicado às 10:44

A democracia não está suspensa

por Sofia Loureiro dos Santos, em 19.04.20

Tudo se aproveita para acirrar os ânimos do populismo. A última moda é o pseudo ultraje pelas comemorações oficiais do 25 de Abril de 1974.

Num País a cumprir a segunda renovação do estado de emergência, em que a excepção abre a porta aos desvarios totalitários, é indispensável que as Instituições democráticas permaneçam em funcionamento e que demonstrem que a democracia se mantém e vai continuar, mesmo contra os apelos virais de quem usa o medo para alimentar a raiva contra os representantes eleitos do povo.

O Parlamento está a trabalhar, como todos os que podemos devemos fazer, dentro dos constrangimentos da pandemia. A falta de respeito seria exactamente o contrário. E o CDS, à falta de ideias que o salvem da extinção, cavalga a onda e copia o estilo do CHEGA.

O facto de não podermos ir para a rua comemorar o 25 de Abril só avoluma a importância da cerimónia parlamentar. As comemorações do 1º de Maio, desde que obedeçam às restrições impostas, são absolutamente legítimas e somos livres de participar, ou não, como acontece todos os anos, desde o dia 25 de Abril de 1974.

 

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publicado às 11:22


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