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Madrugamos

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.23

Vase_with_Carnations_by_Vincent_van_Gogh.jpg

Vaso com cravos

Vincent Van Gogh

 

Nos cravos que madrugamos

inauguramos renovamos

refazemos celebramos

o início do sol e das flores

a querida

a sofrida

liberdade.

 

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publicado às 11:55

Este lugar

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.22

site_cabecalho 25Abril22-01.png

Parlamento

 

Se estes 48 anos fossem um lugar, uma paisagem, um país de terra e mar com gente que vive, sofre, luta, ama e morre, ao lado de um país anterior, de terra e mar com gente que vivia, sofria, lutava, amava e morria, eu abriria as minhas fronteiras para que essa gente do país anterior pudesse viver no país de Abril.

É a mesma gente, a mesma terra, mas é uma outra paisagem, um outro clima, uma outra natureza. Há ventos e maremotos de liberdade, culturas de democracia, prados vermelhos de cravos e poemas.

Estes são os 48 anos do meu país, do meu país de Abril. Temos ainda parcelas de eternidade até ao próximo lugar, que construiremos com esta gente, desta terra, que vive, sofre, luta, ama e morre, colhendo com esforço e leveza alguns momentos de felicidade.

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publicado às 19:17

Proibido por inconveniente

por Sofia Loureiro dos Santos, em 23.04.22

proibido por inconveniente.jpg

No antigo edifício do Diário de Notícias, ao cimo da Avenida da Liberdade, junto ao Marquês de Pombal, está a exposição Proibido por inconveniente, organizada a partir do espólio Ephemera de José Pacheco Pereira.

Simples, sóbria e muito eficaz, damo-nos conta de todas as áreas aonde, durante 48 anos - a sociedade, as ideias, os filmes, as notícias, os livros, os filmes, as opiniões, desde as políticas às religiosas, da Guerra Colonial aos direitos das mulheres, da sexualidade à moralidade e costumes - eram passadas a pente fino pelos olhos dos inquisidores, mantendo um povo anónimo, cinzento, sem sobressaltos sentidos e sem alma visível.

Junto o exemplo da avaliação do livro A Criação do Mundo, de Miguel Torga, e Jesus de Nazaré, de José da Felicidade Alves.

miguel torga censura.jpg

Miguel Torga - A Criação do Mundo

jose da felicidade alves.jpg

José da Felicidade Alves - Jesus de Nazaré

A liberdade e a democracia são nossa responsabilidade diária. Convém que nos lembremos do que era antes de 25 de Abril de 1974.

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publicado às 17:35

"A ele a pátria deve"

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.07.21

Otelo.jfif

A notícia da morte do Otelo Saraiva de Carvalho magoou-me e surpreendeu-me. Magoou-me, por se tratar de mais um amigo que parte. Surpreendeu-me, porque estive, recentemente, com o Otelo, no funeral da sua mulher, e achei-o, naturalmente, abatido, mas, aparentemente, com vigor e saúde.

Conheci o Otelo na Guiné, onde o substituí na Direcção da Secção de Radiodifusão e Imprensa do Comando-Chefe. Tornámo-nos amigos. Foi, aliás, essa amizade que me levou a testemunhar em seu favor no julgamento a que foi submetido, apesar de muitos reparos e apelos para que o não fizesse.

O Otelo era um homem bom, generoso, embora, por vezes, pouco prudente, pouco realista – contraditório, mesmo. Adorava representar, até na vida real, esquecendo que a representação exige um espaço delimitado, em que tudo o que aí é normal não o é na vida real.

Para mim, e apesar de todas as contradições, o Otelo tem direito a um lugar de proeminência histórica. E tem esse direito, apesar da autoria de desvios políticos perversos, de nefastas consequências, porque foi ele quem liderou a preparação operacional do 25 de Abril, a mobilização dos jovens capitães, o comando da operação militar bem-sucedida.

E penso assim porque entendo que um Homem é uma unidade e continuidade, uma totalidade complexa, e que só é bem julgado quando considerando, historicamente, esse quadro e o seu contexto. Mas há homens que, num momento histórico especial, se ultrapassam, ganhando dimensão nacional, indiscutível, porque souberam perceber e explorar uma oportunidade histórica única, e sentir os anseios mais profundos do seu povo.

Otelo é uma dessas personalidades. A ele a pátria deve a liberdade e a democracia. E esta é dívida que nada, nem ninguém, tem o direito de recusar.

António Ramalho Eanes

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publicado às 17:50

Avenida

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.21

cartaz-vieira-1-site.jpg

Maria Helena Vieira da Silva

 

Vou florir na avenida

De cravos brancos ao peito

Que o encarnado da vida

Trago de vestido inteiro

 

Vou cantar na avenida

Os sonhos da liberdade

Que a canção da minha vida

Vai gritando a realidade

 

Vou correr pela avenida

Atrás da felicidade

Que esta profunda corrida

Nunca passa da metade

 

Vou marchar na avenida

Com bandeiras sem idade

Que não me dou por vencida

Na manhã da eternidade

 

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publicado às 11:09

Manhã da madrugada inaugural

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.21

cravos vermelhos.jpg

 

Manhã da madrugada inaugural
De um tempo claro liso branco
De uma nova e luminosa vida
Ainda que dorida
Ainda que sofrida
Bem vinda
Liberdade.

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publicado às 09:59

Cantigas do Maio

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:38

Quatro quadras soltas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:31

Liberdade

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.04.21

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publicado às 17:14

25 Abril 2020

por Sofia Loureiro dos Santos, em 25.04.20

Zeca Afonso & Manuel de Oliveira

 

Venham mais cinco, duma assentada que eu pago já

Do branco ou tinto, se o velho estica eu fico por cá

Se tem má pinta, dá-lhe um apito e põe-no a andar

De espada à cinta, já crê que é rei d'aquém e além-mar

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar

 

Tiriririri buririririri, Tiriririri paraburibaie, Tiiiiiiiiiiiiii paraburibaie ...

 

A gente ajuda, havemos de ser mais eu bem sei

Mas há quem queira, deitar abaixo o que eu levantei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem

Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d' embalar a trouxa e zarpar

 

Bem me diziam, bem me avisavam como era a lei

Na minha terra, quem trepa no coqueiro é o rei

A bucha é dura, mais dura é a razão que a sustem

Só nesta rusga, não há lugar prós filhos da mãe

 

Não me obriguem a vir para a rua gritar

Que é já tempo d'embalar a trouxa e zarpar

 

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publicado às 11:09


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