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De Granada a Antequera

por Sofia Loureiro dos Santos, em 24.07.21

Antes de nos dirigirmos a Antequera pareceu-nos uma boa ideia visitar a Sierra Nevada, subindo a um dos seus picos, mais precisamente ao Pico Veleta. A estrada é bastante boa e a paisagem é sumptuosa e inspiradora.......

.......... e absolutamente assustadora para quem, como eu, sofre de acrofobia. Foi um sofrimento fazer aquela estrada a subir, e depois a descer, de tal forma que acabámos por desistir aos 2500 metros.

Uma pena, de facto, que me faz sentir culpada. Mas a sensação de queda iminente, os suores frios, enfim, todos os sinais e sintomas de alguém tresloucada em pânico, por muito maravilhosa que sejam as vistas e muito decepcionante que seja a frustração.

Parámos num miradouro e pudemos apreciar a paisagem, embora de uma altura menos impressionante que a do Pico Veleta. Mas tenho um companheiro muito compreensivo, pelo que lá nos dirigimos para Antequera, sem mais delongas. Cruzámo-nos com imensos ciclistas, o que me deixou muito espantada, pois a subida é mesmo a sério, tal como a descida.

Corral_Veleta.jpg

Foto que NÃO tirei na Sierra Nevada

Chegámos a Antequera à hora de almoço. O Parador, perto do centro da cidade, é mesmo muito agradável e fomos muito bem recebidos. As refeições eram servidas no bar da piscina o que, à noite, é uma beleza, com uma serenidade e uma paisagem que nos concilia com todos os (nossos) defeitos.

Quando nos preparávamos para visitar o museu da cidade, houve um acidente, algo inevitável em qualquer viagem que tenha feito. Normalmente sou eu que caio, ou tropeço, ou outro incidente que me deixa irritadíssima e com um pé, um dedo, um joelho, etc., em mau estado.

Mas desta vez não fui eu! O meu companheiro deu um valente porrazo, numa curva do passeio particularmente íngreme e escorregadio, ficando com um pé em posição anacrónica e irregular, acompanhado por um clic.

De imediato surgiram 3 homens do nada - um deles de um carro parado no semáforo - que o ajudaram a levantar-se. Gente muitíssimo simpática e solidária. Já em Granada, depois da visita a Alhambra, exaustos do calor, resolvemos apanhar um taxi para o Hotel. A paragem de taxis estava deserta, nomeadamente sem os ditos. Depois chegou mais uma cliente com a sua filha que, muito simpaticamente, ligou a pedir um carro para ela e outro para nós! E partimos primeiro, porque estávamos lá antes dela. Fartámo-nos de dizer gracias, gracias, gracias.

Mas um clic com um porrazo daqueles obrigava a um RX, para excluir (ou confirmar) uma fractura. E foi assim que visitámos o SNS espanhol, mais especificamente Andaluz. Atenderam-nos com alguma dificuldade, por causa da língua, mas tudo correu como se fosse em Portugal. Depois de 2 horas, de lá saiu um casal aliviado, com o elemento masculino a coxear e com o pé atado de ligaduras e a indicação de congelar o pé e... dar tempo ao tempo.

Mesmo assim não desistimos. No dia seguinte lá fomos ao museu da cidade, não sem antes tentarmos uma incursão pelo Torcal de Antequera, um afloramento de rochas em que os diversos agentes de erosão levaram a formas muito estranhas e exóticas, para dizer o mínimo. Mas a minha fobia atacou de novo, pelo que acabámos por dar meia volta e regressar.

Torcal de antequera.jpg

Foto que NÃO tirei do Torcal de Antequera.

O museu não nos impressionou por aí além. No entanto tem em exposição uma estátua de bronze - o efebo de Antequera - do séc. I do Império Romano, descoberta em 1955. Está em perfeito estado de conservação, faltando-lhe apenas o polegar da mão direita.

Efebo_de_Antequera.jpg

Efebo de Antequera

Experimentámos também a porra antequerana, uma espécie de gaspacho mas bastante mais espesso. Não fiquei fã, confesso.

Mas gostei muito de Antequera, apesar do porrazo.

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publicado às 22:18

Antes de Antequera*

por Sofia Loureiro dos Santos, em 21.07.21

Granada, a cidade das romãs.

escudo de granada.jpg

Por todo o lado há ruas estreitas que sobem e descem, íngremes e deslizantes, escadas e escadarias, pátios entre as casas onde abundam as laranjeiras e os limoeiros, algumas fontes para refrescarem o ar pesado e quente, o sol inclemente e brilhante, que cega e afoga os pulmões.

Impossível não ir a Alhambra (ou Alambra, a vermelha), todos nos tinham dito. Não podes deixar de ir a Alhambra, aconselharam-nos.

É um conjunto de palácios e jardins que foram a morada da dinastia Nazarí. Estende-se por uma das colinas de Granada até lá bem no alto, local privilegiado para um olhar sobre a cidade.

Os jardins são lindos, lindos, rodeados por cedros com um desenho quase labiríntico, cheios de recantos e de miradouros, demoram algum tempo a percorrer. As escadas de pedra com degraus altíssimos combinaram-se para nos fazer um vigoroso treino, nunca perdendo de vista o exercício de respirar perante o calor que aumentava à medida que as horas passavam. Mas isso foi antes de Antequera.

granada 1.jpg

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Muito espantada fiquei com os procedimentos de segurança. A toda a hora - na aquisição dos bilhetes, à entrada dos jardins, à entrada dos palácios, enfim, em todo o lado - pediam os nossos DNI e os bilhetes, lendo obsessivamente os códigos. Os nossos CC não estiveram nunca pelos ajustes, mas deixam-nos passar na mesma.

O palácio de Carlos V é interessante. Mas os Palácios Nazárides são extraordinários. A arquitectura, os detalhes, os arabescos, os pátios, tudo lindíssimo e muito bem conservado.

granada 5.jpg

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granada 8.jpg

Na noite anterior tínhamos ido jantar a uma esplanada junto ao hotel, mesmo no centro de Granada. Com duas cañas vieram duas pequenas tostas com umas tiras de bifanas, absolutamente maravilhosas. Pedimos depois uma parrillada de verduras. Fomos advertidos pelo camarero de que era grande. Resolvemos mudar de ideias e pedimos uma mais pequena (disse ele) ensaladilla da casa. Chegou uma monumental ensaladilla, onde não faltava nada, nem o omnipresente atum!

20210717_204621.jpg

Simpatiquíssimos, os camareros. Granada!

*Título roubado a Out of Africa (before Tzabo)

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publicado às 18:09

Carlos do Carmo

por Sofia Loureiro dos Santos, em 01.01.21

Estrela da Tarde

 

Lisboa Menina e Moça

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publicado às 10:19

Que sejamos felizes

por Sofia Loureiro dos Santos, em 31.12.20

picnic.JPG

Picnic

Anna McNeil

 

Nem tudo foi mau.

Internacionalmente os sinais foram muito positivos – congregação de esforços na investigação científica, investimento maciço no desenvolvimento da vacina contra o SARS-CoV-2, equipamentos e recursos humanos nas áreas da saúde e da segurança social, uma União Europeia que aprendeu alguma coisa com os erros da crise anterior, a derrota de Trump.

Mas muita coisa foi péssima.

O vírus, a pandemia, a inacreditável invasão de falsidades, o enorme aumento da pseudociência, do autoritarismo, do medo irracional, da pobreza, das desigualdades, da caça às bruxas, dos sentimentos pidescos, da solidão, da tristeza e do desamparo.

Esperam-nos muitas dificuldades e, como sempre, a uns mais que a outros, nomeadamente aos mais frágeis e desfavorecidos, mas estou confiante que o próximo ano será melhor.

Temos que nos empenhar nas nossas vidas, individual e colectiva. Temos que nos amar, sem conta, peso ou medida. Isso é o que verdadeiramente importa. Em todas as esferas da nossa vida pessoal, no trabalho, nas responsabilidades que assumimos, nas escolhas que fazemos.

E isso significa saber o quanto para o outro significam todas as carências e abundâncias, todas as vitórias e derrotas, todos os lutos e renascimentos.

Que sejamos felizes, o mais que pudermos, fazendo felizes os outros.

Até ao próximo ano.

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publicado às 14:38


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