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SNS eficaz e sustentável - concentração das equipas

por Sofia Loureiro dos Santos, em 26.12.15

Simplificando muitíssimo, a taxa anual de rotura de aneurismas cerebrais é de 8 a 10/100.000 habitantes o que, em Portugal, significa 800 a 1.000 casos em todo o País (considerando que somos 10.000.000) ou seja no máximo cerca de 83 por mês ou 20 por semana. Se dividirmos grosseiramente o País em 5 grandes regiões - norte, centro, sul, Açores e Madeira, concluímos que, em cada uma, haverá necessidade de intervenção em 4 casos por semana.

 

É claro que têm que se acautelar as distribuições demográficas e geográficas e os perigos de transferência destes doentes, mas a verdade é que talvez devesse ser ponderada, pelo menos para algumas situações altamente especializadas, como é o caso, a concentração de esforços e a formação de equipas de urgência inter-hospitalares. Se calhar não haveria necessidade de ter 3 ou 4 centros hospitalares na Grande Lisboa (CHLO, CHLN, CHLC e Hospital Garcia de Orta, pelo menos) com equipas de urgência a funcionar em prevenção. Porque não haver uma ou 2 equipas formadas por médicos, enfermeiros e técnicos que pudessem usar um ou os vários centros hospitalares, conforme fosse mais exequível?

 

Estou apenas a dar um exemplo, não faço ideia se seria uma boa solução, mas a verdade é que provavelmente não se justifica ter equipas de cirurgia neurovascular (ou de outras especialidades) em todas as unidades hospitalares. Os meios devem ser usados criteriosamente e sem desperdício de recursos técnicos e humanos. Os custos devem ser adequados, nem a menos nem a mais.

 

Espero que as verdadeiras reformas do SNS comecem. O objectivo de servir o melhor possível e com adequação de meios deve nortear-nos a todos, decisores políticos, gestores, profissionais de saúde e cidadãos.

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publicado às 22:01


1 comentário

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De Niki a 28.12.2015 às 14:37

Infelizmente este caso não é o único o jovem era da zona de Santarém e o que eu posso dizer é que conheço um caso de família próxima cuja a mãe num domingo ao almoço perdeu a força num braço, seguiu para o hospital de Santarém.... dai disseram que talvez fosse um AVC mas não tinham TAC (equipamento avariado) para confirmar, sem TAC não havia transferência para o hospital central de Lisboa, o escolhido o de Santa Maria... foi para o hospital de Abrantes que fez a TAC mas por não ter nenhum médico especializado em neurologia não podiam confirmar se a senhora teria ou não um AVC, de novo para Santarém, onde chegou para além do braço com o rosto e corpo paralisados.... chegou a Santarém a equipa médica confirmou enviando as imagens da TAC para a equipa de neurocirurgia de Santa Maria que efetivamente já se tratavam de múltiplos AVC e derrames e que precisava de cirurgia emergente. Seguiram para Santa Maria a senhora deu entrada no bloco operatório assim que chegou já passava da meia noite... passou uma tarde e uma noite quase toda a passear de unidade hospitalar em unidade hospitalar...
Ficou um vegetal, só olhava, não falava, não se mexia, teve imensas complicações respiratórias porque as sequelas no cérebro foram muito extensas e comprometeram a sua respiração.... veio a falecer após um mês e meio de muito sofrimento.
Tanta equipa de neurocirurgia espalhada em Lisboa, não seria realmente ter 4 centros especializados em todo o País. Na região Norte, na região Centro, em Lisboa e outra no Algarve.
O que eu noto nas pessoas que vivem na região de Santarém, Torres Novas e Abrantes é que fazem Km a passear nos diversos hospitais porque as especialidades estão espalhadas e a informação pouco ou nada é cruzada... os procedimentos administrativos absurdos, se tinham TAC avariada e havendo suspeita de AVC porque não levar para um hospital com capacidade para fazer a TAC e proceder de acordo?! Enviar para um hospital com TAC mas sem equipa médica que consiga operar o doente, e ainda enviar para o hospital de residência porque só este é que pode transferir para um hospital Central é de loucos... são Km e suposta poupança de dinheiro mas é uma vida com uma família que estão dentro da ambulância a saltar de hospital em hospital.
Centros hospitalares para mim só vieram piorar a qualidade dos ditos hospitais... quem lá trabalha, queixa-se que tem mais trabalho mas que não tem acesso a informação clínica dos hospitais do mesmo centro hospitalar... cortaram verbas... mas aumentaram os cargos de gestão hospitalar para poderem gerir estes grandes centros hospitalares.... mas está tudo uma grande salganhada que ninguém se entende... e quem sofre é o utente.
Se me perguntar o porque da família que eu conheço não ter feito queixa... para eles seria prolongar o sofrimento dela e deles... e quando ela partiu não a trazia de volta... apesar de a queixa deles poder ou não salvar vidas, o luto por vezes dá nisto, o egoísmo de ficar quieto... enquanto que a outros da para gritar de raiva e lutar contra o mundo.

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