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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Reviver o passado em Brideshead

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O distanciamento temporal em relação aos acontecimentos garante uma certa aproximação ao que de facto aconteceu. O espaço de uma vida é pouco e aquilo que se passou desde que nascemos parece-nos muito mais actual do que na realidade o é.

 

Quando olhamos para as mudanças sociológicas que se observaram durante todo o século XX, parece-nos impossível igualar as revoluções e as notáveis alterações que partiram o século grosseiramente em três partes: antes da I Grande Guerra, entre a I e a II Guerras Mundiais e o pós-guerra, se ignorarmos o fim da guerra fria e a extraordinária descoberta das novas tecnologias de informação, que já entram pelo século XXI.

 

Reviver o passado em Brideshead é uma série televisiva que se baseia no romance homónimo de Evelyn Waugh (Brideshead Revisited, The Sacred & Profane Memories of Captain Charles Ryder), escritor britânico que atravessou grande parte dos tumultos a que me refiro. A história que conta é passada precisamente no período entre as duas Grandes Guerras, uma recordação melancólica do fim de uma determinada época.

 

O estilo de vida das elites inglesas, umas relacionadas com a aristocracia decadente, outras representando o novo poder económico, sem passado mas com futuro, as bolhas aparentemente algodonosas em que existiam os pobres meninos ricos, Oxford, o ócio, a intelectualidade e a boémia da vida estudantil dos poucos afortunados que a ela podiam ascender, os problemas religiosos num mundo em constante mutação, os costumes, o amor nas suas várias facetas – homossexual, heterossexual, sufocante e manipulador, delicado e superprotector, a estratificação social. A própria recordação, como se fosse um encantamento anterior aos duros tempos da Guerra, encarnado pela personagem de Charles Ryder (talvez até um pouco autobiográfico), que já no fim da mesma regressa mentalmente ao conforto e às inquietações da juventude.

 

O livro é excelente e a série cola-se-lhe como uma segunda pele. Não me lembro de a ter visto quando por cá passou, já há vários anos. Ou se, pura e simplesmente, não tinha idade, estofo ou profundidade para gostar dela. Mas para quem tenha oportunidade não perca o livro e, depois, a série. Não me posso pronunciar sobre o filme de 2008 porque não o vi. Mas confesso custar-me a entender como se condensa o livro em duas horas. Uma das razões pelas quais me deleito com as séries inglesas é o seu ritmo, o seu rigor e a sua espantosa veracidade.

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