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Presidenciais 2021

por Sofia Loureiro dos Santos, em 27.12.20

Tenho tentado ver as entrevistas conduzidas por José Adelino Faria aos candidatos presidenciais. É impossível. A arrogância, truculência, pesporrência, agressividade e sede de protagonismo do entrevistador apaga todos os esforços.

Ao contrário do que estes entrevistadores pensam - Miguel de Sousa Tavares, Ricardo Costa, Bernardo Ferrão - não são eles que nós queremos ouvir. Não me interessam minimamente as opiniões dos entrevistadores. Se eles quiserem fazer ouvir a sua voz política podem sempre candidatar-se.

É uma visão da democracia muito deles. E com a decisão de deixar de fora Vitorino Silva (Tino de Rans), por critérios que eles próprios decidem, à revelia da mais elementar noção da igualdade de oportunidades para todos os candidatos, é mais uma demonstração da cultura da omnipresença de decisores nunca mandatados por ninguém para decidirem.

A liberdade dos media é crucial num regime democrático. O papel dos media na manipulação da informação também é crucial. E estes sinais não são nada tranquilizadores. Não são novos, mas são mais fortes.

Insisto. Não tenho interesse nenhum nas opiniões dos entrevistadores mas tenho muito nas dos entrevistados. Gostaria imenso de poder ouvi-los sem interrupções constantes nem apreciações valorativas. Os eleitores é que julgam, nas urnas.

 

Nota: vale a pena ler este post.

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publicado às 10:21


2 comentários

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De Tri a 28.12.2020 às 17:34

Esta sede de protagonismo que se faz sentir hoje em dia, seja os entrevistadores que querem fazer valer a sua opinião, seja comentadores (de tudo e mais alguma coisa) que nem sabem sequer ouvir opiniões alheias.
Quando às entrevistas aos candidatos têm sido, de facto, lamentáveis ...concordo consigo.
Sem imagem de perfil

De Konigvs a 14.01.2021 às 10:20

Como disse à pouco não vi nenhum debate, vejo sim umas coisitas que partilham no Twitter (e a informação é sempre muita) mas não gosto mesmo nada, nem de entrevistadores da escola Moura Guedes, arrogantes que estão sempre a interromper o entrevistado, nem de pessoas parciais que vão para as entrevistas como quem vai para o café com os amigos mas com outros candidatos já mudam a postura. Tal como não não entendo como é que num debate onde não está Ventura se façam (coo disseram que a Clara de Sousa fez) 16 perguntas sobre uma pessoa que não estava ali nem eram tida nem achada.
Um entrevistador deveria ter presente que quem tem que brilhar numa entrevista é o entrevistado. Uma entrevista não é uma luta entre entrevistador e entrevistado para ver quem ganha, é sempre uma tentativa de esclarecer opiniões. E se os média tivessem excluído o Vitorino Silva das entrevistas e debates o meu voto estava imediatamente escolhido.

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