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Pont du Gard

de Avignon a Nîmes

por Sofia Loureiro dos Santos, em 20.05.23

Recuperando lentamente das vicissitudes de alguém a quem a idade tudo trás, um dos maiores problemas era comer, nomeadamente ao pequeno almoço. O café, que me é indispensável a esta hora da manhã, era intragável. Aliás intragável durante toda a viagem. Não sei que se passa com os franceses que assassinam alegremente o expresso, servindo uma água acastanhada, acre, em chávenas almoçadeiras, o que o faz arrefecer quase de imediato. Do outro lado da medalha, as fantásticas baguettes. Entretanto, a fruta é uma assunto que não lhes diz respeito. As sobremesas são sempre doces ou tábuas de queijo. As saladas de frutas que servem ao pequeno almoço são parcas e fingidas.

Mas não nos dispersemos em pormenores. A ideia era ir a Nîmes, passando por Pont du Gard. Esta ponte não é mais que uma porção do aqueduto romano de Nîmes, para atravessar o rio Gard, construído por volta do séc. I a.C. Tem 3 andares, sendo o superior o canal de conduta da água, que se encontrava desnivelado entre as duas pontas do mesmo, para permitir o escoamento da água, permitindo um débito médio de estimado em 40.000 metros cúbicos por dia (400 l de água por segundo!). É, sem dúvida, uma obra prima de engenharia daquela época.

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Após vários séculos de degradação e ruínas, reganhou interesse a partir do século XVI, tendo sido sujeito a vários épocas de obras e de restauração. A partir de 2002, com a ajuda da UNESCO e da União Europeia, foi realizado um projecto de preservação deste monumento. Hoje em dia há uma área envolvente que acolhe turistas e estudantes, com um museu dedicado à arqueologia do sítio e à descoberta da forma de construção e arquitectura do aqueduto, bastante interessante.

Desta vez não subimos a lado nenhum. Depois de contemplarmos o aqueduto e visitarmos o museu, dirigimo-nos a Nîmes, em busca do anfiteatro romano de Nîmes (les Arènes), um dos mais bem conservados do mundo. Terá sido construído por volta do séc. I a.C, e era destinado a grandes espectáculos, como combates de gladiadores (mais frequentemente) ou , mais raramente, caça a animais selvagens. Tem forma elíptica em que as bancadas, de vários níveis, envolvem a arena.

Mais uma vez, lá fui subindo muito a custo as bancadas, para poder apreciar, em toda a sua magnitude, a enormidade do recinto.

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Depois de respirar várias vezes de alívio e recuperar a serenidade, demos uma volta pela zona antiga e desembocámos no Festival Biennale de la BD, na Praça Charles de Gaulle. E lá foi ele, feliz que nem uma criança, igual às várias presentes, de tenra e menos tenra idade, que se acotovelavam entre as bancadas de livros e que enfileiravam para receber os autógrafos e desenhos dos seus autores favoritos.

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Um maravilhoso momento vernissage, como lhe chamamos.

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