Pó
Vacancy
Levanto pó quando desloco os olhos para o infinito.
Não há infinito que se mova sem pó
nem movimento sem olhos que o observem.
Nem eu.
Desato o ruído quando leio o pó que cobre o mundo.
Não há mundo que se escreva sem pó
nem ruído que se desate sem o sopro que o cobre.
Nem tu.
Amasso o barro quando arrumo o pó que molda o corpo.
Não há corpo que se molde sem pó
nem barro que se arrume sem o amasso das mãos.
Nem nós.
