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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Palácio Nacional da Ajuda

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O Palácio Nacional da Ajuda - o seu projecto, construção, readaptação de projecto, etc. - é um bom retrato da forma como o País funciona. Quando as idades passam a ser mais avançadas, a tendência para vermos degradação e laxismo nas novas gerações é cada vez maior. Mas basta um pequeno conhecimento, mesmo que escasso e limitado, da nossa História, e percebemos que sempre fomos feitos da mesma massa, e que os pendentes arrastados e seculares são um princípio, um meio e um fim, uma mistura de incúria, lentidão, arrojo, capacidade de adaptação e de ultrapassagem de dificuldades, económicas e outras, megalomania e realismo.

 

O Palácio Nacional da Ajuda, projectado para residência real no rescaldo do terramoto de 1755, foi erigido como Real Barraca que, como é hábito entre nós, foi um palácio provisório por 33 anos, tendo sido destruído por um incêndio. Depois, entre projectos barrocos e reprojectos neoclássicos, invasões francesas e mortes reais, o Palácio vai sendo construído durante anos e anos, mais ou menos habitado e utilizado até ao reinado de D. Luís, altura em que foi (de novo) adaptado ao Rei e, sobretudo, à Rainha D. Maria Pia.

 

A visita ao Palácio dá-nos um vislumbre da vida doméstica de D. Luís, D. Mia Pia e da sua descendência, com os aposentos da Rainha e do Rei, a sala de bilhar, a sala da música, os quartos de dormir, as ante câmaras, as salas onde o Rei despachava, recebia os dignitários nacionais e estrangeiros, etc. Ainda hoje alguns aposentos são usados, nomeadamente para banquetes de Estado e para cerimónias de investidura de governos, tanto quanto percebi.

 

O Palácio precisa de obras e de cuidados de manutenção, como tantos outros palácios, museus e galerias, património arquitectural periclitante e a esboroar-se, parte da nossa memória colectiva. Por vezes vêem-se placas para que fiquemos a conhecer os mecenas - a GALP, o Millenium BCP - que financiaram alguma da reabilitação.

 

Outro dos motivos para a visita é a exposição (até ao fim deste mês) de pintura romena entre 1875 e 1945, constituída por quadros da Colecção Bonte, para mim uma revelação, primeiro por total desconhecimento da pintura romena e porque as obras são muitíssimo interessantes.

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