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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Os Velhos

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Ai Weiwei

 

Diz-se que há-de vir

uma era justa e boa

em que o valor da pessoa

se mantém quando envelhece.

Está no trabalho que fez.

Para conseguir uma coisa como esta

dava o sangue que me resta.

E era como se tivesse

nascido mais uma vez.

 

Deram-nos este banco de avenida

onde a sombra nos dói e a tarde gela

e daqui vemos nós passar a vida

Sem que a vida nos sinta perto dela.

 

Assim nos atiraram para fora

das coisas que ajudámos a fazer.

Ai, como o sol aquece pouco agora.

Ai, muito custa à noite adormecer.

 

Fomos pedreiros, varredores, ardinas

fizemos casas, cultivámos terras,

criámos gado, entrámos pelas minas,

demos os filhos para as vossas guerras.

 

Demos as filhas para vos servir,

cortámos lenha para a vossa fogueira.

E o tempo a ir-se, e a gente a pressentir

que vos demos sem querer a vida inteira.

 

E ainda é sangue o que nas veias corre.

Ainda é raiva o que nos dobra a mão.

Ainda ecoa um sonho que não morre

no nosso velho e atento coração.

 

Hélia Correia

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