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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

"Os jornalistas não são o inimigo"

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Os ataques de Trump à imprensa e, de um modo geral, a todos os meios de comunicação livres, mostram que, até na (quase) indestrutível democracia americana, o autoritarismo e as tendências ditatoriais fazem o seu caminho. A era Trump colocou a nu aquilo de que já se falava e que já se sabia há algum tempo: que as pessoas eram cada vez mais manipuladas pelo que se lê nas redes sociais, que há fábricas de invenção de notícias e que a ignorância e a má-fé imperam.

 

É claro que, para quem joga um jogo viciado, como Trump, ter uma imprensa livre é uma péssima notícia. Daí o ataque constante e violento a todos os que o confrontam, tal como aos seus apoiantes, com as mentiras e as inenarráveis declarações diárias a que nos habituou.

 

O grito da imprensa norte americana de hoje, com cerca de 300 jornais a assinarem editoriais em que escreve que Os jornalistas não são o inimigo deveria ser repetido e ecoado por todo o lado, nomeadamente em Portugal. A democracia é um hábito que morre rapidamente, se todos os dias não a experimentamos.

 

Mas é importante que os jornalistas, da imprensa escrita e das restantes formas de comunicação, olhem para si próprios e percebam que também são vítimas de si próprios. Desde o momento em que se constituem actores políticos e entram no jogo da manipulação dos factos, realçando o que pode comprometer uma certa orientação política, esquecendo ou deturpando o que a favorece, quando usam acriticamente as redes sociais, fazendo de caixa de ressonância aos mais aberrantes (pseudo) factos, sem qualquer investigação das fontes e da veracidade dos mesmos, estão a hipotecar a sua isenção e credibilidade informativas. Quando pescam comentários e causas estapafúrdias, com a miragem das audiências e da visibilidade que desejam, quando publicam artigos mal traduzidos e mal escritos, sem qualquer enquadramento histórico e/ ou científico, acabam por se comparar com o lixo pseudo informativo que pulula pela internet.

 

E é importante que nós próprios, cidadãos, olhemos para a nossa incapacidade de perceber que a imprensa livre não sobrevive sem dinheiro, que a independência económica é uma das mais importantes chaves para o rigor e a exigência, e um dos mais eficazes antídotos contra a corrupção. Se os jornais em papel se pagam também se devem pagar os jornais digitais. Por outro lado a formação, a honestidade e a competência dos jornalistas é semelhante às das outras profissões, não sendo eles super heróis nem párias sociais.

 

O verdadeiro inimigo é, de facto, a ignorância. É o ingrediente mais fértil para a intolerância, a estupidez, o desprezo pelos outros, o fanatismo. Combater a ignorância é um dever de toda a sociedade, sendo a informação livre um dos seus mais importantes instrumentos.

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