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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

ÔÔptimo

 

Não fomos até à outra banda mas a esta, do Largo de Camões ao Terreiro do Paço, passando pelo Kaffeehaus, onde deglutimos o almoço. Na verdade este restaurante é óptimo e vale a pena comer as variedades de salsichas com batatas "Wedges" com especiarias, a Apfelstrudel e a Himbeer-Apfel-Tarte mit Mandelhobel, mas a Linzer-Schnitte não é nada de especial, assim como o Wienerschnitzel mit Erdäpfelsalat e o "Habsburger" mit Erdäpfelspalten. Ao nosso lado estavam duas senhoras, uma delas em que o gesticular alargado, o alinhar perfeito dos dentes frontais superiores, mais especificamente os incisivos e os caninos, a voz alta e condescendente (em relação à sua companheira de refeição), as sílabas modeladas com as vogais bem abertas e com uma acentuação típica (ÔÔptimo), para além da multiplicação e repetição do adjectivo ÔÔptimo, a colocava no topo do grupo de pessoas que-são-tão-giras-e-tão-magras-e-tão-sofisticadas-e-tão-ôôptimas, que conhecem de côr as saladas todas e que dividem sempre os magros pratos e as sobremesas, que nunca lhes apetece mais - de tôôdo - fazendo inveja a quem tem uma enorme tendência para o anafanso e adora batatas fritas e bolos de chocolate, para além da estupenda cerveja, dispensando os chás-verdes-gelados-com-gengibre e semelhantes.

 

A ideia era mesmo andar um pouco por Lisboa, essa eterna cidade desconhecida de quem cá mora. Lisboa é uma cidade lindíssima. Deambular pela Baixa Pombalina, misturar-me com a gente que formiga, a luz e a cor de Lisboa e do Tejo, agora que o podemos ver por entre as colunas do cais, devolvem-me sempre alguma da paz que busco nos dias de férias.

 

E é tão perto, Lisboa. Depois de estacionar no Camões, descemos a Rua Nova do Almada entrando e saindo das lojas, à procura de flores e de aguarelas que retratem a pureza de alguns instantes de felicidade. Devagar chegámos ao Terreiro do Paço. Subimos ao Arco da Rua Augusta, por umas escadinhas em caracol. Lá em cima o deslumbre: a toda a volta Lisboa - os telhados, as casas, a ruas, as lojas, as pessoas, o Castelo, a Sé, o Carmo, a abóbada da Câmara, a ponte 25 de Abril, o Tejo, o Tejo, o Tejo… e a outra margem, com as letras da Lisnave bem visíveis.

 

Foi ÔÔÔÔptimo!!!

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