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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

O SNS promove a igualdade

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Leonardo da Vinci

 

Por muito que queiramos os doentes não são todos iguais. Não por causa dos seus corpos, todos constituídos pelos mesmos compostos orgânicos, com mais ou menos equilíbrio hidroeletrolítico. Não por causa da alma, aquela consciência que não sabemos localizar de forma precisa e que caminha do coração para o cérebro, mas pelos motivos inerentes ao continente, ao país, à cidade onde se nasce, vive e morre, pelos percursos de vida das famílias mais longínquas ou mais chegadas, pelo percurso das próprias vidas, pela existência ou não de emprego.

 

Mas o que mais diferencia as pessoas, para além da sua naturalidade e da sua genealogia é o seu status sócio económico e cultural. Especificamente em Portugal não é indiferente ser pobre – e cada vez há mais pobres e cada vez é mais fácil e frequente cair na pobreza.

 

Se um doente pertencer a um estrato social e económico mais favorecido e se não tiver rapidamente acesso ao SNS, tem possibilidade de recorrer ao sector privado e aí contar com os recursos necessários e indicados ao seu caso. E até pelo facto de pagar os serviços exige e assume que tem o direito ao melhor pois está a comprá-lo. Se um doente pertencer a um estrato social e económico menos favorecido fica dependente dos serviços que o SNS lhe oferece. Portanto todas as ineficiências, incapacidades, atrasos e constrangimentos se reflectirão de imediato no seu atendimento, no seu tratamento, no seu prognóstico e na sua qualidade de vida. Ou seja, o SNS é a sua única opção.

 

Se deixarmos que o SNS se degrade ainda mais, se não acudirmos às carências várias, de recursos humanos e de equipamentos, se não aproximarmos os cuidados dos doentes, se falharmos na oferta pública do que melhor há à disposição de quem sofre, nunca lhes poderemos assegurar o direito à saúde. Estão inexoravelmente condenados a esperar que haja vagas, a esperar que haja médicos, a esperar pelas tomografias, pelas ressonâncias, pelas biopsias, pelos médicos de família, pelos especialistas, pela radioterapia e por tudo o mais que a medicina moderna tem para oferecer.

 

Os doentes não são todos iguais e o SNS é a única forma de tentar reduzir essas desigualdades. Todos os corpos e todas as almas são constituídos pela mesma matéria orgânica e inorgânica, que se desloca inconscientemente entre o coração e o cérebro. o serviço público de saúde é uma excelente demonstração do uso de ambos.

 

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