Na porta ao lado
É na porta ao lado que se ouve o sino
no alto da corda pendente da memória. Mas ao lado
há murmúrios e meninas
que se lamuriam ao piano. Doces dedos
que lambuzam a tristeza, sem tragédias nem verdadeiros
troncos de fome ou prazer.
É na porta fechada que se discutem os mundos avessos
da vida que sem saber vamos acrescentando de miséria.
Aquela angústia de um tempo desperdiçado e sublime
que se esgueira pelo olhar que colamos
ao lado da porta.
