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Medicina - Ciência ou Fé

por Sofia Loureiro dos Santos, em 04.03.18

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A chamada medicina tradicional chinesa foi e é equiparada a uma paramedicina. Significa isto que os métodos usados para interpretar os processos fisiológicos e fisiopatológicos, diagnosticar doenças e receitar tratamentos não são baseados no método científico mas na observação, interpretação de humores e uso empírico de remédios de vários tipos, fruto da experiência milenar dos curandeiros.

 

Por muito respeito que tenha pelas culturas milenares e pelos curandeiros experientes, isso não transforma a medicina tradicional chinesa, portuguesa, finlandesa, escocesa ou indiana numa ciência. Não nos confundamos com o que é a crença de cada um e das populações, que têm todo o direito a tê-las, com ciência. O mundo ocidental tem conseguido uma notável melhoria na saúde, controlando epidemias, erradicando algumas, curando infecções e cancros, usando os métodos que podem reproduzir resultados, perante as mesmas circunstâncias.

 

Tudo o que a chamada sabedoria popular tem, e que é muito, deve ser investigado e incorporado na prática clínica, após devidamente comprovado e aprovado. É assim que princípios activos de plantas ditas medicinais acabam em medicamentos. Assim se promove e defende a saúde pública, se melhora a qualidade de vida e se aumenta a esperança de vida das populações. Não se pode confundir a liberdade individual que cada um de nós tem de procurar as alternativas que quiser com uma política de Estado que mistura práticas pseudocientíficas com as científcas.

 

Muitas conclusões se tiram à luz dos conhecimentos existentes numa determinada época que, posteriormente, são desmentidas e revertidas, pois descobrem-se outras evidências. A leucotomia pré-frontal que deu o prémio Nobel a Egas Moniz, hoje não é praticada. Há, infelizmente, muitos negócios escuros e muita propaganda que descredibilizam muitas soluções e põem em causa muitos dogmas. Mas a ciência é isso mesmo, desafiar as verdades estabelecidas para descobrir novas soluções.

 

As modas actuais do regresso à natureza com comidas e estilos de vida totalmente disparatados, apenas são isso mesmo – modas do mundo ocidental que procura formas de estimular consumos e vender produtos disfarçados de ideias. Não podem ser assumidas como políticas num Estado que tem obrigação de defender os cidadãos.

 

Acho muito bem que se regulamentem as medicinas paralelas, sejam elas quais forem. Mas equipará-las à medicina é misturar ciência com fé. É um péssimo serviço que se presta aos cidadãos e além disso perigoso. A moda da não vacinação já está a mostrar os seus resultados. Não me parece que os humores e as energias de cada um, por muito positivas que sejam, impeçam a infecção pelo vírus do sarampo e, neste momento, há pessoas a morrer e a infectar outras porque decidiram não vacinar os filhos. Podemos também deixar de usar tuberculostáticos e passar apenas a comer melhor e a respirar ar puro. Era assim que tanta gente voltava a morrer de tuberculose.

 

Este é um assunto sério e grave. O SNS vai colocar nos seus quadros os futuros licenciados em Medicina Tradicional Chinesa? E a Universidade do Minho vai abrir um pólo em Vilar de Perdizes?

 

Nota: Vale a pena ler o artigo Terapias alternativas: quando as portarias substituem as provas.

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publicado às 16:48


6 comentários

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De Anónimo a 05.03.2018 às 11:54

Mais uma vez a ignorância a falar mais alto. Que escreve isto tem um profundo desconhecimento do que é a Medicina chinesa é o que nela se estuda.
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De Anónimo a 05.03.2018 às 12:36

Não sei se o Sr. sabe qual o parecer da Organização Mundial de Saúde relativamente à Medicina Tradicional Chinesa (MTC) e se sabe que a Medicina Tradicional Chinesa em muitos casos é muito mais eficaz que a medicina convencional. É por essa razão que a maioria dos doentes que doentes recorrem à MTC é por não encontrarem solução na medicina convencional e obtém quase sempre muito bons resultados. Eu sei isto por experiência própria. A maioria das doenças podem ser tratadas com MTC, desde problemas psicológicos, insónias, depressões, até à maioria das doenças físicas.Não trata só os problemas osteoarticulares como a maioria das pessoas pensam. A OMS se considera a MTC muito eficaz em inúmeras patologias certamente é porque cientificamente pode comprovar os resultados.
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De Anónimo a 05.03.2018 às 12:55

Peço desculpa por ter tratado por Sr.. Rectifico Sra.
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De Anónimo a 05.03.2018 às 13:07

Lendo estas notícias, parece-me é que esses senhores (OM), não estão a chamar ignorantes/curandeiros somente aos técnicos das Terapêuticas não Convencionais! Estão a chamar ignorantes a mais de 3.000.000 de portugueses que já recorreram a estas Terapêuticas! Aproveito para acrescentar o seguinte; Destes mais de 3.000.000 de pacientes, muitas centenas deles são médicos da Medicina convencional! Sim, isso mesmo...médicos colegas daqueles que estão na cúpula da OM, que são nossos pacientes e, que há muito tempo perceberam que a dita Medicina Convencional não responde a todos os problemas de saúde!

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De Anónimo a 05.03.2018 às 14:29

É muito triste quando as pessoas são avessas às mudanças, escrevem artigos de opinião e que demonstram, por um lado, de uma forma cândida a passagem de informações que para as pessoas menos informadas as deixam com receio e de pé atrás, por outro lado pensam que os portugueses são estúpidos. No fundo eles é que passam por essa conotação. É pena que não digam, que quando em determinadas patologias em que, a medicina convencional, já não tem resposta, recorram à Medicina Tradicional Chinesa, e nós, como não somos sectários, sabemos e sempre soubemos que podemos e devemos funcionar em complementaridade. Não temos nenhum pejo em os receber de mãos abertas e com elevação . Agora estes senhores que tenham decoro e tenho a hombridade e elevação de falar com verdade. Não sei do que têm medo.
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De Sofia Loureiro dos Santos a 05.03.2018 às 22:12

A todos os Anónimos que comentaram:
Não tenho nada contra qualquer medicina tradicional - chinesa ou outra. O que digo é que são medicinas complementares, muito importantes em alguns tipos de patologias, na prevenção da doença e na promoção da vida saudável. Não são práticas baseadas em conhecimento científico, não são submetidas a controlos de qualidade, ensaios clínicos, etc, nem os seus produtos nem as suas práticas.
Tem sido feito um esforço para integrar práticas provenientes das medicinas tradicionais, desde que demonstrado cientificamente a sua eficácia. Essa é a minha opinião.
Mas não é só a minha. E para quem foi rápido em me falar da OMS, talvez não fosse má ideia ler todo o relatório, recomendações e estratégias para introduzir competências, guidelines, investigação científica e, portanto, segurança para os doentes. Deixo aqui o link:
http://apps.who.int/iris/bitstream/10665/92455/1/9789241506090_eng.pdf?ua=1

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