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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Jeanne d'Arc

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Jules Lenepveu

 

Sempre tive uma grande curiosidade pela figura de Joana d’Arc. É uma história romântica, quase inacreditável, mais olhada como uma lenda do que como um facto histórico. Uma rapariga humilde, filha de agricultores que, guiada por Deus, se transforma numa guerreira que luta e ganha batalhas pela França, que consegue levar um rei à coroação e que é aprisionada, julgada e morta como herege por um tribunal religioso, sendo queimada viva.

 

Tem tudo para ser inacreditável e espantosa – a ascensão de quem nada pode e nada tem, uma rapariga que se veste de homem para passar segura entre homens, num tempo em que isso era visto como um atentado às leis dos homens e de Deus, a capacidade que tinha de galvanizar as pessoas, de todas as camadas sociais, a sua religiosidade – ouvia vozes de santos e santas – que convencia militares e reis (ou aspirantes a reis).

 

Por isso foi com todo o entusiasmo que fui ouvir e ver a história de Joana d’Arc, em Rouen. A história é contada com recurso a uma recriação do julgamento póstumo, 25 anos após a sua morte, que a inocentou dos crimes de que foi acusada e que levaram à sua condenação a morrer queimada. De facto interessante, mas tão prolongada e tão arrastada que, depois de ter subido uma interminável escada em caracol (íamos passando de sala em sala), decidi que já estava esclarecida.

 

Joana d’Arc foi canonizada já no séc. XX, 5 séculos depois de ter vivido (e morrido). A sua história inspirou muita literatura, filosofia, teatro, poesia e cinema, tendo havido já inúmeros filmes que se debruçaram sobre a sua personagem. Vi um deles, há bastantes anos, protagonizado por Ingrid Bergman, uma das minhas actrizes preferidas.

 

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É-me muito difícil compreender como foi possível a uma mulher tão jovem e tão simples e, muito provavelmente iletrada, que ouvia vozes, ter tido audiência junto de um pretendente ao trono e dos seus mais directos colaboradores. Mas a verdade é que quando o desespero impera, tudo vale e a fé pode mover montanhas. Ainda hoje é assim, mesmo com toda a ciência e toda a tecnologia existente.

 

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Igreja Santa Joana d'Arc - Rouen

 

Joanni

Kate Bush