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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Ganhar e perder o país

 

Não me interessa se António Costa é casado, divorciado, pai de 20 filhos ou de nenhum, abstémio ou boémio, se é simpático para os vizinhos ou se recicla o lixo. Interessa-me que tenha ideias para o país, que saiba o que quer fazer enquanto governante e que consiga arranjar consensos com os companheiros políticos democráticos, para um governo que possa dar esperança a todos os cidadãos.

 

O sebastianismo existente na hipótese António Costa é um facto. Que ele já deveria ter avançado há mais tempo, também. O que é inquestionável, no entanto, é que depois das últimas eleições se tornou óbvio que esta liderança do PS não corresponde aos anseios dos portugueses e vai perdendo cada vez mais adeptos. Esta conclusão deveria ter sido assumida por António José Seguro na própria noite das eleições.

 

Não vale a pena estarmos a procurar razões morais ou imorais, de vingança ou de sede de poder. Querer o poder não é necessariamente negativo. O poder legítimo e democrático é importante para que se possam implementar as políticas em que se acredita. 

 

Ninguém nega a legitimidade de António José Seguro como Secretário-Geral. O problema é que, fora do partido, os portugueses não lhe reconhecem estatura para liderar o país. E se o poder que António José Seguro quer, legitimamente, for para o exercer em prol do bem comum, deveria perceber que é tempo de dar hipótese a outro ou outros de fazerem melhor.

 

Não sou militante do PS, não conheço António José Seguro nem António Costa, não espero qualquer pagamento nem temo retaliações. Já votei em mais de uma força partidária mas reconheço, no PS, o partido que poderá aglutinar a esquerda democrática para governar o país. Se o PS se limitar a ser um aparelho com regras que perpetuem clientelas, é a própria democracia que está em causa.

 

E não esqueço que a direita que nos governa teve uma estrondosa e merecida derrota. E não esqueço que deveria ter sido ainda maior. E principalmente não me esqueço que, sem alternativa credível à esquerda, a direita que nos governa poderá ganhar as próximas eleições.

 

Se António Costa não ganhar o partido, também não ganhará o país. Mas António José Seguro já perdeu o país, mesmo que continue a ganhar o partido.

 

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