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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Este país não é para jovens

Maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa

(…) o preço das casas antigas sofreu um novo aumento (9,2%), mais elevado que o preço das casas novas (3,5%) subindo em média 7,1% em 2016 e 7% apenas no primeiro trimestre de 2017”. (…)

(…) “A autonomia passa muitas vezes por uma vida independente que é ter habitação própria e os jovens com o dinheiro que auferem não têm acesso à habitação, as rendas são muito elevadas”, disse Eugénio Fonseca, sublinhando que, nos últimos anos, o valor das rendas em bairros antigos aumentou 20%. (…)

(…) “As oportunidades de emprego e os níveis salariais diminuíram acentuadamente desde a crise financeira de 2008. Portugal regista ainda um elevado nível de desemprego jovem, muitos deles emigraram a as habilitações de nível superior não estão a ser valorizadas pelo mercado de trabalho”, sublinha. (…)

 

Jovens ganham menos do que há 10 anos

(…) E não se pense que a qualificação superior é garantia de incrementos salariais ou bons rendimentos futuros. Em Portugal, os licenciados ganham hoje menos 17,7% de salário médio mensal líquido, do que há uma década. São, de resto, os trabalhadores mais castigados nestes dez anos que passam desde a crise financeira.

Em 2008, um licenciado auferia, em termos reais, um salário médio líquido de €1504 nas empresas nacionais. Hoje, não vai além dos €1237. Desde 2009, altura em que um licenciado leva, em termos reais, para casa uma média de €1518 mensais líquidos que os salários dos profissionais mais qualificados estão queda. Na verdade, nem em 1998 um profissional qualificado ganhava tão pouco como agora. Nessa altura, ser detentor de uma qualificação superior garantia, pelo menos, €1531 mensais líquidos. Feitas as contas, o rendimento salarial médio mensal líquido dos trabalhadores com qualificação superior diminuiu, em termos reais, 19,2%. (…)

(…) a maioria dos jovens em Portugal não consegue arrendar ou comprar casa. O desemprego — que apesar de estar a diminuir, se mantém elevado para os jovens, 22,2% (ver caixa) —, os empregos precários, os contratos irregulares e os baixos salários, argumenta o estudo, “fazem com que seja muito difícil para um jovem conseguir suportar os custos de habitação”. O estudo comprova que “as oportunidades de emprego e os níveis salariais diminuíram acentuadamente desde a crise financeira de 2008” e Eugénio Fonseca, presidente da Cáritas Portuguesa, reforça que “Portugal regista ainda um elevado nível de desemprego jovem e as habilitações de nível superior não estão a ser valorizadas pelo mercado de trabalho”. (…9

O argumento do presidente da Cáritas Portuguesa remete para a perda real de 17,7% de rendimento salarial médio mensal líquido entre os licenciados, face a 2008, apurada pelo Expresso com base nos dados do INE. (…)