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Defender o Quadrado

Nesta casa serve-se tudo a quente. As cadeiras são de pau e têm as costas direitas. Há sempre pão a cozer e o conforto da desarrumação. A porta está sempre aberta... mas fecha-se rapidamente aos vermes que infestam alguns cantos do quadrado. Sejam

Escola Pública

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Uns anos depois volta a guerra das associações de ensino privado com a manipulação informativa a que já nos habituámos, tentando deixar, outra vez, tudo como estava.

 

O que é interessante é o epíteto com que se quer desvalorizar estas decisões governativas dizendo depreciativamente que é uma questão ideológica. É de facto uma questão ideológica. Enquanto os que estiveram no poder na última legislatura têm como objectivo o Estado mínimo, tendo desmantelado o que puderam dos serviços públicos, com a redução da despesa do Estado do lado da vergonhosa redução salarial, redução de investimento na melhoria das condições e nas instalações e equipamentos, para que a iniciativa privada crescesse à custa do outsourcing dos serviços públicos, os que estão no poder agora preferem rentabilizar os serviços do estado e reduzir a multiplicação dos gastos, gerindo os dinheiros públicos e reduzindo a despesa mas do lado do que se gasta em contratualização externa do que deveria ser assegurado internamente.

 

Não está em causa a liberdade de escolha. O Estado deve assegurar para todos os cidadãos a escola pública de qualidade. Só assim será possível escolher entre o público e o privado, com o corolário óbvio de que as escolas privadas deverão se pagos por quem os quer utilizar e não pelo Estado. A não ser que o Estado não consiga assegurar a obrigatoriedade constitucional que, felizmente, é cada vez menos o caso.

 

Parece-me claríssimo que é, de facto, uma questão ideológica. O desemprego dos professores existe e será cada vez maior por causa da acentuada quebra da natalidade, por causa da forma como se distribuem os alunos por turma, se reorganizaram os horários e as ofertas curriculares, etc., etc. E convenhamos que o desemprego dos professores do estado foi enorme nos últimos anos.

 

É muito interessante ouvir as pessoas que tanto vilipendiaram as obras de remodelação das escolas, transformando-as em espaços modernos e adequados para todos os que dela necessitam e em igualdade de circunstâncias, virem agora usar o argumento da falta de condições para justificar a manutenção do status quo, facilitando e incentivando o esvaziamento do ensino público e a proliferação de escolas privadas, financiadas pelo Estado.